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MARCİA KİMLİK STATÜLERİNE GENEL BİR BAKIŞ

Belgede GELİŞİM PSİKOLOJİSİ (sayfa 39-44)

Como já se disse, o agente pode praticar a conduta em um país, mas o resultado de sua conduta ocorrer em outro. É neste diapasão que no mundo atual se tem a punição do crime como um interesse comum de todas as nações.

Antes de adentrarmos na discussão a respeito da conduta e do resultado criminoso nos crimes informáticos, para a partir daí invadir a aplicabilidade da soberania estatal,

242LÓPEZ ZAMORA, Paula. op. cit., p. 96.

243PEREIRA, Alexandre Dias. A jurisdição na internet segundo o regulamento 44/2001 (e as alternativas

abordaremos, sucintamente, o tema ligado à aplicabilidade do direito interno ou internacional nos crimes informáticos.

Uma lei internacional, dotada de coercitividade, afastaria de vez discussão sobre a competência para punir o agente e asseguraria o direito a todos de não ser processado, condenado e, principalmente, punido duas vezes pela prática de um mesmo crime.

Todavia, porque diversas são as culturas ao redor do mundo e o conceito de soberania é um só em todo ele, a coerção só é possível por um país dentro do seu território. Deve a lei ter força bastante para alcançar a conduta criminosa que de uma forma ou outra tenha atingido os valores sociais do seu país, sem, contudo, atingir a soberania de outro país.

Se em determinados crimes a lei nacional não se revestir de força bastante para romper as barreiras geográficas, dará azo à impunidade e perpetuação da conduta que se visa extirpar.

Num primeiro plano, a lei penal apenas tem validade nos limites do território do Estado soberano que a editou.

A definição do espaço territorial em que se dota de eficácia a lei penal é necessária para preservação da ordem internacional, a qual restaria abalada se um Estado soberano interviesse nas relações sociais, criminosas ou não, existentes em outros Estados também soberanos.244

A conduta delituosa, quando resvala na esfera dos direitos protegidos pela norma penal, desafia punição estatal como resposta à prática criminosa. No entanto, quando a prática da conduta é contra bens jurídicos que não são objetos de tutela penal, o direito punitivo do Estado sobre ela não pode incidir, porque atípica.

Ocorre que, conforme pontuado por Chacon, o direito penal não está aparelhado adequadamente para fazer frente à criminalidade informática. Isto cria uma incerteza na sociedade sobre o que é e o que não é permitido. Ele pode delimitar com clareza o que se pode e o que não se pode fazer com a tecnologia da informação, contribuindo para criar

entre os usuários da informática uma consciência sobre as regras jurídicas que devem ser respeitadas.245

Não há dúvida quanto à necessidade de tipificar as novas condutas reprováveis praticadas pelo computador.

Contudo, condutas praticadas com o auxílio do computador e que já são tidas por criminosas, pelos motivos antes apresentados, em sua maioria, merecem apenas pequenos ajustes, como um aumento em sua sanção.

Conforme explana Vicente Greco Filho, não há necessidade de tipificar os crimes praticados através da internet. Esta é apenas um meio, como outro qualquer, pelo qual o infrator pratica a conduta típica.246

Como dito alhures, o furto, praticado por computador, será da mesma forma um crime de subtração de coisa alheia móvel.

O que se reclama, a par das tipificações que se fazem necessárias, é ter em bons termos os princípios que norteiam a teoria do lugar do crime, erigindo-os à condição de solucionadores dos conflitos de competência para julgar os crimes informáticos ou especificar de maneira adequada, e de modo a afastar a insegurança do tribunal de exceção, qual seria o regulamento a ser seguido para se alcançar o conhecimento de qual o juízo e a lei aplicável a cada caso.

Porquanto vigore o princípio da reserva legal em todos os estados democráticos de direito, os diversos ordenamentos jurídicos definem a possibilidade de aplicar a lei nacional, independentemente do território em que pisava o delinquente quando da prática do fato típico.

A Lei de Introdução ao Código Civil, fonte básica dos princípios que norteiam as comunicações das leis internacionais com as leis brasileiras, estabelece que a lei nacional tem vigência em todo o país.

A aplicação da lei penal nacional, dentro e fora do país, contudo, é questão mais intimamente ligada ao conceito de soberania.

245ALBUQUERQUE, Roberto de Araújo de Chacon de. op. cit., p. 40. 246Neste sentido, GRECO FILHO, Vicente. op. cit.

Além de cuidar da aplicação da lei penal no seu espaço geográfico e ficto, o Estado tem o dever de fazê-la alcançar também os delitos que se prontificou a reprimir por tratado, convenção ou regras de direito internacional, tais como o genocídio, a tortura e os atentados contra o meio ambiente, mesmo quando além dos limites geográficos nacionais.247

O estudo do âmbito espacial da lei penal sobeja importância, vez que o fenômeno da internacionalização do delito, mormente no âmbito virtual, não permite a restritiva aplicação da lei penal ao território do país que a editou.

Malgrado se trate de um direito penal internacional com o compromisso de cada Estado punir determinados crimes, independentemente do local onde foram praticados, a punição terá assento no direito interno de cada país.

Bettiol, amparado por Quadri, afirmou que tais normas seriam de direito penal internacional, porquanto tidas como normas de direito internacional e se referiam ao estudo do modo pelo qual os ordenamentos jurídicos internos de cada país proveem com referência à matéria penal, à resolução dos problemas que são impostos ao Estado, do qual emana este ordenamento, por força da sua coexistência com outros Estados, no âmbito da comunidade internacional superior.248

Na mesma esteira, Luiz Regis Prado entende que, nos casos em que um delito ofender interesses de mais de um Estado, se todos eles conferirem a si o direito de puni-lo, surgirá o Direito Penal Internacional, como um ramo do Direito Penal apto a regular os problemas penais que se apresentarem no âmbito internacional, com vistas à prevenção e resolução dos conflitos que venham a surgir entre as nações.249

São, em verdade e de acordo com Mirabete, “normas de direito penal interno, já que não estabelecem preceitos ou sanções destinadas a outros Estados” 250, sem embargos de, comumente, ser a aplicação da lei no espaço discutida em sede de convenções, tratados ou regras de direitos internacionais.

Comunga da mesma ideia Anibal Bruno de Oliveira Firmo, para quem o direito penal, quando transpõe os limites nacionais, é ainda direito público interno de um país,

247DOTTI, René Ariel. op. cit., p. 276. 248BETTIOL, Giuseppe. op. cit., v. 1, p. 187. 249PRADO, Luiz Regis. op. cit., v. 1, p. 200. 250MIRABETE, Julio Fabbrini. op. cit., p. 72.

mesmo nas relações com o direito estrangeiro. Argumenta que não seria apropriada a terminologia “internacional” para designar as regras criadas por órgãos internacionais ou as medidas que resultam de tratados e acordos entre nações, com vistas à prevenção ou repressão de fatos que interessam aos signatários, tais como as referentes ao tráfico de mulheres e à segurança das vias de comunicação, “que, embora tenham por origem atos de Direito internacional, se tornam Direito Penal interno, consagradas em leis próprias de cada país”.251

De mais a mais, “a existência de um direito internacional pressupõe um organismo internacional, que se superponha às nações, que tenha condições de ditar leis e impor sanções”.252

Não são dotadas de coercitividade as normas internacionais. Apenas o seriam se, a exemplo do pacto social de uma nação, por meio do qual o povo entrega sua soberania ao Estado, as nações se rendessem a um só governo que o representasse, abrindo mão de sua soberania frente aos demais países para com eles formar um só povo.

Poder-se-ia falar em um direito internacional se as normas fossem dotadas de força bastante para fazer valer seus preceitos e sanções em relação às diversas nações.253

Por este motivo, melhor razão assiste a Magalhães Noronha ao ponderar que embora muitos denominem direito penal internacional, bem de ver tratar-se de direito interno, embora relacionado com o direito alienígena.254

Neste contexto é que se insere a problemática dos crimes praticados pela internet. A conduta criminosa praticada no espaço cibernético, em regra, relaciona o direito de mais um país soberano.

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