3. TESPİT VE TARAMA YÖNTEMLERİ
3.4. ELEKTRONİK ALETLER İLE TARAMA
3.4.3. MANYETOMETRE
A intervenção da Coroa portuguesa elevou o povoamento à categoria de vila em 8 de julho de 1711, batizada de “Vila Rica de Alburquerque”, em homenagem ao governador da capitania. Em dezembro de 1712, dom João V confirmou a criação da Vila, que passou a se chamar “Vila Rica de Ouro Preto”. A ligação entre a vila e o Rio de Janeiro foi reforçada pela abertura de uma nova rota, o “Caminho Novo”, também denominada “Estrada Real”.
Em 6 de abril de 1714, foram estabelecidas as três primeiras comarcas das Minas Geraes: Villa Rica, Rio das Velhas (Sabará) e Rio das Mortes (São João del-Rei). Na primeira, eram grandes os esforços para conter a disputa entre os arraiais. Com esse propósito, abriu-se uma praça no Morro de Santa Quitéria, em 1716. A área se constituía
como um grande largo segmentado, cuja função seria a de interligar os dois principais povoamentos, Ouro Preto e Antônio Dias, consolidando socialmente a Vila. Na época, estes arraiais se configuravam irregularmente, com ruas tortas, de largura incerta, ladeiras e inclinações variadas, separados por densa mata fechada (COSTA, 2009; SALGADO, 2013).
O arraial do Ouro Podre prosperou. Seu maior explorador foi o mascate português Pascoal da Sylva Guimarães, que introduziu a técnica do talho aberto, que consistia na lavagem da terra com água corrente para facilitar a extração de ouro. Ele logo se tornou partidário de Felipe dos Santos Freire (1680-1720), proprietário de minas no arraial do Santana. Em 1720, lideraram a rebelião conhecida como “Sedição de Vila Rica”, contra a cobrança do quinto do ouro. O movimento foi reprimido com o incêndio do arraial, que passou a ser chamado “Morro da Queimada”54, a condenação de Pascoal e a execução
de Felipe dos Santos.
No mesmo ano, Minas Gerais tornou-se capitania independente, desmembrada de São Paulo, passando a ser denominada “Real Capitania das Minas de Ouro e dos Campos Gerais dos Cataguases”. Vila Rica foi escolhida para ser a Capital, constituindo-se como um centro de autoridade e controle, de modo a evitar novos conflitos. A Capital também mudou de nome, batizada de “Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar”, reflexo da influência que as irmandades religiosas passaram a exercer no local com o início da construção das matrizes de Nossa Senhora do Pilar e de Nossa Senhora da Conceição.
Em meados do século XVIII, Vila Rica era o único centro verdadeiro de cultura urbana no Brasil (HALLEWELL, 1985, p. 16). A população girava em torno de 100 mil habitantes, a maioria dedicada aos ofícios da mineração aurífera. Entretanto, florescia a cultura material e artística com o trabalho de mestres e artistas contratados pela Coroa, particulares e Irmandades Religiosas para proceder à construção e à ornamentação de grandes edificações e obras de infraestrutura urbana. Os mulatos passaram a influenciar as artes plásticas e a música, inspirados pelo estilo barroco, cujos maiores expoentes foram Aleijadinho e Lobo de Mesquita (1740-1805).55
A ebulição artístico-cultural na arquitetura, artes plásticas, música e literatura intensificou a vida social no espaço urbano (ruas, praças, adros de igrejas e vendas). Os livros circulavam nas mãos de particulares. O principal registro impresso desta sociedade é
Triunfo Eucarístico (1733), de Simão Ferreira Machado, que relata as festividades da
primeira procissão católica das Américas, pela trasladação do Santíssimo Sacramento da Capela do Rosário para a Matriz do Pilar de Vila Rica, em 1733.
54 Sítio arqueológico, que abriga vestígios de residências e de serviços de mineração dos séculos XVIII e XIX,
de onde é possível avistar o centro histórico de Ouro Preto e o pico do Itacolomi.
55 Natural da Vila do Príncipe no Serro Frio, viveu no arraial do Tejuco, em Vila Rica, e depois no Rio de
Janeiro. Exerceu os ofícios de professor particular de música e compositor. É considerado o mais importante músico brasileiro do período colonial.
Apesar da efervescência da vida social, o primeiro governador a residir em Vila Rica foi Gomes Freire de Andrade (1685-1763), I Conde de Bobadela, entre 1735 e 1763. Na sua gestão, intensificaram-se as obras de melhorias urbanas, com a construção de pontes, chafarizes e revestimento dos arruamentos até a delimitação do centro administrativo, no alto do Morro Santa Quitéria. Os grandes investimentos na construção de edifícios de pedra e cal foram destinados às atividades de controle da Vila, que se justificavam como uma manobra política para intensificar a presença da Coroa portuguesa, para conter os protestos contra a Derrama do Ouro56 e assegurar a arrecadação de
impostos sobre a produção aurífera, que já dava sinais de declínio.
No último quartel dos setecentos, a zona de mineração compreendendo Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, atravessava um período de decadência econômica. Villa Rica, imersa em crise pelo esgotamento das minas, vivia um momento de forte perseguição política, que promoveu a migração populacional para outras regiões da capitania, valendo- lhe a designação popular de “Vila Pobre” (FRANCO, 1971).
Entre 1788 e 1789, eclodiu em Vila Rica o movimento de inconfidência de maior repercussão em Minas Gerais, a Conjuração ou Inconfidência Mineira. Influenciado por ideários republicanos contra a cobrança de impostos, propunha a transferência da Capital para São João del-Rei, a abertura de fábricas de pólvora e ferro e a transformação de Vila Rica em uma cidade universitária (SALGADO, 2013). Os inconfidentes eram pessoas de destaque, como militares, intelectuais, religiosos e proprietários de minas57, oriundos de
diversos pontos da Capitania de Minas, o que deu ao movimento um caráter amplo e criou conexões sociais com personagens no Rio de Janeiro e São Paulo (VILLALTA, 2007b). Contudo, a Inconfidência foi uma conspiração abortada, que não chegou a se efetivar. Fora contida com a condenação e extradição da maioria de seus membros. A pena mais severa foi aplicada ao alferes Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), mais conhecido como “Tiradentes”, enforcado em 21 de abril de 1792. Seu corpo foi esquartejado e sua cabeça exposta na praça do Palácio. A partir do século XIX, sua imagem passou a ser evocada como a figura de um mártire nacional.
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A derrama era um sistema de arrecadação de tributos segundo o qual as câmaras da capitania de Minas Gerais se encarregariam de completar por meio de imposto adicional, anualmente, a arrecadação do quinto do ouro, imposto de 20%, devido à Coroa Portuguesa e pactuando em, no mínimo, 15 arrobas de ouro anuais. Se cumprida à risca, a cobrança dos atrasados estava estimada em cerca de 3.000 arrobas de ouro.
57 Integravam o grupo dos inconfidentes: o contratador Domingos de Abreu Vieira; os padres José da Silva e
Oliveira Rolim (1747-1835) e Manuel Rodrigues da Costa (1754-1844); o cônego Luís Vieira da Silva (1735- 1809); os poetas Claudio Manoel da Costa (1729-1789), Alvarenga Peixoto (1743-1792) e Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810); o coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes (1750-1794), o capitão José Resende Costa (1730-1798) e seu filho José Resende Costa Filho (1766-1841), entre outros.