• Sonuç bulunamadı

SONUÇLAR VE TARTIŞMA

5.10.6. Mantar Candida Albicans’a Karşı Antimikrobiyal Aktivite

Segundo Heidemann (2009) as políticas públicas surgiram na primeira metade do século XX. Elas estão ligadas às necessidades que emergiram, após a quebra da bolsa de valores de Nova York em 1929, de uma maior atuação do Estado na regulação da vida social e da economia. Essa atuação se deu então, de forma crescente, de duas maneiras principais: por meio da criação de leis para direcionar as iniciativas econômicas e a participação direta do Estado na economia, através da criação de empresas governamentais. Assim começaram a surgir as primeiras políticas governamentais, mais tarde denominadas de políticas públicas.

Dentro deste novo contexto, o papel do Estado deixou de ser limitado à mera gestão da sua própria estrutura administrativa e passou a se direcionar também para a solução ou mitigação de problemas da sociedade. Com isso, o funcionamento das repartições públicas mudou e abarcou também a tarefa de prestação de serviços, o que por sua vez passou a demandar uma maior eficiência dos governos quanto a sua eficácia social. Assim, a relação entre políticas públicas e instituições governamentais é muito próxima (DYE, 2008). Para muitos, que consideram que o Estado é capaz sozinho de administrar o bem comum e oferecer os serviços demandados de forma satisfatória, ela deve continuar dessa maneira (HEIDEMANN, 2009). Na prática, por outro lado, não é isso que é percebido em vários lugares, como no Brasil. Como posto acima, o que se viu na segunda metade do século XX foi o surgimento e multiplicação de outros atores que passaram a compartilhar esse universo com o Estado e governos: instituições privadas com ou sem finalidade lucrativa que atuam cada vez mais com o comprometimento de construção do bem comum, seja em parceria com eles (SALM 2009; RAMOS, 2009) ou ainda de forma individualizada (KEHRING, 2006; HEIDEMANN, 2009). Esses atores observam a incapacidade do Estado de cumprir com essas funções de forma satisfatória e veem no seu envolvimento para a coprodução do bem comum, uma possibilidade de saída (HEIDEMANN, 2009). Como visto anteriormente, isso não deve ser compreendido, entretanto, como uma tentativa de substituição do Estado em suas funções, mas de ação complementar ou incremental, já que mesmo naquelas iniciativas cuja natureza ou dimensão não envolvam o Estado diretamente, continua-se considerando a sua participação como mediador das relações sociais, como central (SOUZA, 2006). Portanto, não se espera, por exemplo, que governos desapareçam, mas que se reconfigurem com o tempo para incorporar a sociedade civil cada vez mais nos processos de construção do bem público (KEINERT, 2000; HEIDEMANN, 2009). Além disso, a centralidade do Estado é também considerada pelo fato de que só ele pode atribuir legitimidade, universalidade e capacidade coercitiva às políticas públicas.

A legitimidade que o Estado atribui a uma determinação está relacionada à obrigatoriedade legal que ele pode incorporar a ela por meio de leis e a necessidade de lealdade dos cidadãos. Assim, as pessoas podem viver também governadas por políticas de outros grupos e associações da sociedade, que podem por iniciativa própria tomar como obrigatórias, como aquelas existentes em igrejas e empresas, mas apenas as políticas governamentais podem se tornar obrigações legais.

A universalidade, ao fato dela se referir a todos, sem exceção, enquanto que políticas de outros grupos ou organizações referem-se à apenas uma parte da sociedade e a setores específicos. Por fim, a capacidade coercitiva está relacionada com a competência que o Estado possui de punir aqueles que as violam. Nesse caso, sanções de outros grupos são mais limitadas. Por fim, essa condição legitimadora perante todos, exclusiva do Estado, justifica a busca de vários grupos de interesse para transformar suas preferências em políticas públicas (DYE, 2009). Para Rodrigues (2010), é justamente essa condição mandatória e impositiva das políticas públicas que confere a elas seu caráter público.

A diversidade de compreensões vista acima acerca da relação entre o Estado e as políticas públicas demonstra a complexidade do campo. Complexidade essa que, conceitualmente falando, se transforma em uma polissemia. Assim, vários são os conceitos atribuídos às políticas públicas, como é demonstrado, por exemplo, por Heidemann (2009), Bernardoni, Souza e Peixe (2008) e Souza (2006). Para Heidemann (2009) e Rodrigues (2010), essa diversidade é justificada pela adoção de diferentes enfoques ou recortes às políticas públicas pelos diferentes autores. Rodrigues (2010) a associa também ao contexto político e social ao qual se aplica.

Por exemplo, Bernardoni, Souza e Peixe (2008) consideram política pública como o “conjunto de ações que traduzem a orientação estratégica e política do Estado, em atividades diretas de produção de bens e serviços pelo próprio Estado, como também, em atividades de regulação de outros agentes econômicos com vistas ao atendimento do bem comum” (p. 384). Rodrigues (2010) considera uma política pública como “o processo pelo qual os diversos grupos que compõem a sociedade – cujos interesses, valores e objetivos são divergentes – tomam decisões coletivas, que condicionam o conjunto dessa sociedade” (p.13).

Já para Dye (2008, p.1, tradução nossa), “políticas públicas é aquilo que os governos decidem fazer ou não fazer”, e justifica que, não importa quão elaborada seja uma definição, no final das contas é a isso que ela vai se resumir.

Para Heidemann (2009), uma definição de políticas públicas vai sempre conter dois elementos fundamentais: uma ação e uma intenção. O autor ressalva ainda que pode até haver uma política pública sem uma intenção manifesta, mas nunca ocorrerá uma política pública sem uma ação que materialize o propósito enunciado, mesmo que a ação seja uma omissão de ação (para o caso de Dye, acima). Assim, para o contexto deste trabalho, a noção de política

pública partirá da visão ampla oferecida por Heidemann (2009), ou seja, de uma intenção de construção do bem público que se desdobra em uma ação ou um conjunto de ações.

Todavia, o conceito conforme definido acima não esclarece por completo o que são políticas públicas. Outra alternativa que pode ser utilizada e que colabora na compreensão do que é uma política pública é o esclarecimento de alguns conceitos importantes para o seu processo de análise. Como coloca Arretche (1998), a análise de políticas públicas visa à reconstituição das ações públicas em um todo “coerente e compreensível” (Ibid, p. 2), ou seja, de organizar minimamente o “caráter errático da ação pública” (Ibid., p. 2). Exatamente com esse objetivo, Frey (2000) aborda conceitos analíticos que organizam as políticas públicas em três dimensões, visando à melhor compreensão sobre elas. Obviamente, a categorização discreta oferecida por ele deve ser encarada como tendo valor heurístico, já que na realidade elas são entrelaçadas e interdependentes. As dimensões trazidas por ele são: polity, politics e policy3:

A dimensão polity é a institucional, a politics refere-se aos processos políticos e a policy aos conteúdos das políticas.

Assim, uma política pública não é um documento, uma lei ou um programa com objetivos, metas e formas de implantação. Essa é apenas uma de suas dimensões (a policy). Ela refere-se também aos arranjos institucionais (a dimensão polity) e aos processos políticos, os conflitos, os grupos de interesse, as alianças etc. que se dão ao longo de todo o processo da política (a dimensão politics).

Portanto, conforme colocado acima uma política pública enseja um processo. Por conseguinte, é necessário também que se inclua a variável do tempo na compreensão daquilo que é uma política pública. Para tal, Frey (2000) oferece o conceito de ciclo da política, que traz para a análise da política o viés do tempo e das transformações que ocorrem nas três dimensões acima ao longo do processo. Assim, os processos de políticas públicas podem ser divididos linearmente em fases temporais, ou “sequência[s] de elementos do processo político administrativo [qu]e podem ser investigadas no que diz respeito às constelações de poder, às redes políticas e sociais e às práticas político administrativas que se encontram tipicamente em cada fase” (Ibid, 2000, p. 226).

Dependendo do grau de detalhamento do processo adotado, cada autor reconhecerá um número específico de fases. Heidemann (2009), por exemplo, descreve o processo em quatro

fases distintas: a decisão política de se agir em função de uma determinada questão, a implantação, a satisfação das demandas e a avaliação. Frey (2000), por sua vez, aborda o processo em cinco fases: percepção e definição de problemas; agenda-setting; elaboração de programas e decisão; implementação; e avaliação; e Souza (2006), em seis: a identificação do problema e definição de agenda, a formulação, a legitimação, a gestão, a implementação e a avaliação da política. Frey (2000), entretanto, reconhece no geral a existência de três fases comuns a todos, que são a formulação, a implantação e a avaliação das políticas.

Como visto, portanto, as políticas públicas resultam de mais de uma decisão política, e requerem estratégias com a finalidade de se implantar os objetivos desejados (RODRIGUES, 2010).

Combinando-se então a questão das dimensões das políticas públicas com os seus ciclos conclui-se que uma política em andamento possui uma propriedade dinâmica que demanda que aqueles envolvidos com ela atentem-se constantemente a todos os seus elementos constitutivos. Assim, a totalidade de um processo de implantação de política pública deve levar em consideração constantemente os fatores institucionais relativos àquela política, os políticos e, finalmente, os conteúdos produzidos ao longo do processo.

Benzer Belgeler