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Manevî özelliğiyle şehir

3.4. Mânevî Özelliğiyle Kullanılan Şehir ve Köy

3.4.1. Manevî özelliğiyle şehir

3.5.1 Conselhos de Direitos

Para analisar os aspectos relativos à participação social e política das organizações, tivemos como foco a associação das organizações nos Conselhos de Direitos50 e a participação nos fóruns e redes, sendo que este segundo será foco de nossa análise no item seguinte. Os Conselhos verificados foram o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente (COMDICA), Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) e o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS).

Os conselhos de direitos e setoriais são espaços de participação, incorporados às estruturas de funcionamento do Estado e da nossa democracia após a Constituição Federal de 1988, que institucionalizou a participação da sociedade civil em instâncias de deliberação, controle social e elaboração das políticas sociais, ou seja, no “processo de gestão político-administrativa-financeira e técnico-operativa, pautado pelo caráter democrático e descentralizado”. Representam uma das conquistas dos movimentos sociais, pois permitem que a sociedade civil exerça o controle social sobre a gestão das políticas sociais, ao mesmo tempo em que se constitui num espaço de mediação e interlocução entre sociedade civil e Estado.

Conforme nos informa Gohn (1995, 213), esses espaços tiveram sua inspiração nos conselhos populares e comunitários surgidos por iniciativa da própria sociedade civil, nos anos de 1970 a 93, em São Paulo. A idéia da organização comunitária no nível das comunidades e dos bairros foi absorvida pelos governos militares, que passaram a estimular esse tipo de associação e instituí-las legalmente como – únicos - representantes das suas respectivas comunidades – um mecanismo de controle das massas –, tirando assim o seu original caráter de mobilização social de base.

O CMAS foi criado pela Lei nº 4.657/95,51 é um órgão deliberativo de caráter permanente e de âmbito municipal, tem composição paritária e atribuições de aprovação de prioridades da assistência social, dos planos municipais e orçamentos; a autorização de funcionamento de

50 As informações referentes às organizações registradas no Conselho Nacional de Direitos da Criança e Adolescente (CONANDA) não estavam disponíveis, via internet e não tivemos retorno de nossas solicitações feitas via e-mail.

organizações52 da área de assistência social; a fiscalização, monitoramento e aprovação de ações de governo e da sociedade civil na assistência social, dentre outras atribuições, conforme artigo abaixo:

Art. 2° – Respeitada as competências exclusivas do legislativo municipal, compete ao Conselho Municipal de Assistência Social:

(...)

VIII – Acompanhar, avaliar e fiscalizar os serviços de Assistência Social prestados à população pelos órgãos, entidades públicas e privadas no Município;

(...)

X – Definir critérios para celebração de Contratos de Convênios entre o setor público e as entidades privadas que prestam serviços de Assistência Social no âmbito municipal;

XI – Apreciar previamente os Contratos e Convênios referidos no inciso anterior;

XII – Zelar pela efetivação do sistema descentralizado e participativo de Assistência Social; (NATAL, Lei Nº 4657/1995, Art. 2º)

O Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (COMDICA)53 foi criado pela Lei n.º 095/1991, que dispõe sobre a Política Municipal da Promoção dos Direitos e Defesa da Criança e do Adolescente e cria o Conselho. Tem natureza deliberativa, composição paritária e dentre as suas atribuições estão controle e a fiscalização da execução da política municipal, da aplicação dos recursos, bem como:

Art. 8º – Compete ao Conselho Municipal da Promoção dos Direitos e Defesa da Criança e do Adolescente.

(...)

XV – Registrar as entidades governamentais e não governamentais, de atendimento dos Direitos da Criança e do Adolescente, que mantenha programas em regime de:

a) orientação e apoio sócio-familiar; b) apoio sócio-educativo em meio aberto; c) colocação sócio-familiar;

d) abrigo;

e) liberdade assistida; f) semi liberdade;

g) internação, fazendo cumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente. (NATAL, Lei Nº 95/1991)

O Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), foi criado pela Lei Nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), é o órgão superior de deliberação colegiada, vinculado à estrutura do órgão da Administração Pública Federal responsável pela coordenação da Política Nacional de Assistência Social; tem composição paritária (18 membros ao todo), cujos membros (do governo) são nomeados pelo Presidente da República, e os representantes da sociedade civil são escolhidos em foro próprio, sob fiscalização do Ministério Público Federal, dentre representantes dos usuários ou de organizações de usuários das entidades e organizações de assistência social e dos trabalhadores do setor.

52 Ver Resoluções do CMAS nº 10 e 11 de 12 de julho de 2000.

53 Ver também os termos do Artigo 152, da Lei Orgânica do Município e o que dispõe a Lei Federal nº 8.069/90, de 13 de julho de 1990.

No que se refere ao tema da participação da sociedade civil nos conselhos, destacamos o seguinte artigo da LOAS:

Art. 18. Compete ao Conselho Nacional de Assistência Social: I – aprovar a Política Nacional de Assistência Social;

II – normatizar as ações e regular a prestação de serviços de natureza pública e privada no campo da assistência social;

III – fixar normas para a concessão de registro e certificado de fins filantrópicos às entidades privadas prestadoras de serviços e assessoramento de assistência social; (Vide Medida Provisória nº 2.187-13, de 24.8.2001)

IV – conceder atestado de registro e certificado de entidades de fins filantrópicos, na forma do regulamento a ser fixado, observado o disposto no art. 9º desta lei; (Vide Medida Provisória nº 2.187-13, de 24.8.2001)

V – zelar pela efetivação do sistema descentralizado e participativo de assistência social; (Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993 – LOAS)

Ao trazer os textos dos instrumentos normativos reguladores da habilitação formal e do credenciamento das entidades em foco, junto aos Conselhos de Direitos, nossa intenção foi demonstrar as necessidades e “vantagens” instrumentais de participação nos referidos Conselhos, que podem estar condicionando e até mesmo obrigando a inserção de algumas organizações nesses espaços.

Não temos dúvidas de que, para muitas outras organizações, a motivação principal para participar desses espaços é de fato de ordem ética/política, como demonstra uma das organizações cartografadas, que assim justifica seu interesse em participar dos Conselhos: “ter uma participação ‘propositiva’ na formulação e monitoramento de políticas públicas, ‘compromisso político’.”54

Não temos a intenção, nesta pesquisa, de analisar a qualidade da participação das organizações nos Conselhos, uma vez que nossa escala de investigação se centra na observação dos espaços sociais ou campos dos quais participam as organizações cartografadas, e identificar as possibilidades de sentido dessa participação. Porém, como ressalta Dagnino (2004), essas são questões que são expressões concretas de como se conforma, na prática, as referências dos distintos pólos das formas de lutas sociais e conseqüentemente dos projetos participativos que se constroem em meio a elas.

Um dado nos chama atenção, a partir da observação da composição, ou seja, da “representação” que o “Espaço dos 4 Bairros” tem, nos referidos Conselhos, que configura pouca diversidade, em termos de perfil dos sujeitos sociais participantes. Este sinal pode indicar um baixo nível de contestação, conflito e debate político, dentro daquele espaço do Conselho, uma vez que haveria uma hegemonia de um determinado segmento, que possivelmente poderá também dominar as

54 Resposta dada por uma das organizações que respondeu os questionários, à pergunta: Qual a razão que motivaram vocês para buscar esses registros? Em nossa pesquisa está organização está classificada, quanto ao tipo de associativismo, como de tipo político-cultural. NOTA: os critérios de classificação foram explicitados no capítulo da metodologia.

pautas do referido conselho. Aspecto semelhante foi verificado por Perissinotto (2002), que analisou o funcionamento do CMAS de Curitiba, tendo constatado como verdadeira a hipótese aqui levantada.

Das 70 organizações cartografadas, 38% (27) têm assento no COMDICA, 30% (21) são inscritas no CMAS e 19% (13) têm registro no CNAS. O COMDICA possuía, na ocasião da nossa coleta de dados, 70 organizações inscritas e apenas 5 delas, ou seja, 7% têm sede em um dos bairros que compõe o “Espaço dos 4 Bairros” estudado. Já no que diz respeito aos tipos de associativismo, as organizações cartografadas contribuem com a composição dos conselhos da seguinte forma:

TABELA 5 – Organizações cartografadas inscritas nos Conselhos de Direitos – 2006

Conselhos de Direitos AC API AR PC ASP DR PSS UG TOTAL

Registro no CNAS 0 0 6 2 5 0 0 0 13

Inscrição no CMAS 0 0 4 3 10 0 1 3 21

Inscrição no COMDICA 1 0 5 10 9 1 0 1 27

FONTE: COMDICA, CMAS, CNAS. Elaboração nossa.

NOTAS: AC = Associações Culturais; API = Associações Políticas Informais; UG = Associações Urbano-Gremiais (comunitárias); ASP = Associações de Assistência Social Privada; DR = Associações Privadas Desportivo-Recreativas; PSS = Associações de Prestação de

Serviços Sociais; ; PC = Associações Político-Culturais; AR = Associações Religiosas

No COMDICA, observa-se um maior equilíbrio entre as organizações de assistência social privada (ASP), 33% e de tipo político/cultural (PC), 37%, bem como uma maior diversidade de perfis associativos, o que pode sugerir situação inversa à constatada a partir da análise da composição do CMAS, ou seja, uma maior multidisciplinaridade, no sentido da possibilidade de uma problematização mais rica das questões sociais relacionadas às políticas voltadas para criança e adolescente.

Das 21 organizações cartografadas que participam do CMAS, 76% (16) desenvolvem ações que fazem parte da rede de proteção social básica e especial disponível para os adolescentes e jovens do campo de pesquisa e, entre estas últimas, 48% (10) delas recebem recursos públicos de uma ou mais esferas de governo para executar alguma política social. Já no COMDICA, das 27 organizações, 63% (17) delas recebem recursos públicos de alguma esfera de governo e, dentre estas últimas, 44% (12) participam da rede de proteção básica e especial.

0 0 6 2 0 0 4 3 10 1 3 1 0 5 10 9 1 0 0 0 5 0 0 1 0 2 4 6 8 10 12 AC API AR PC ASP DR PSS UG