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A principal intenção de um dashboard é fornecer informação e conhecimento em tempo oportuno para otimizar o processo de tomada de decisão. Na saúde, o dashboard deve oferecer informação de forma precisa, atempada e fiável, portanto, todas as entidades hospitalares devem gerir de forma eficiente o conhecimento de modo a prestar serviços de elevada qualidade.

Por exemplo, na Polónia, foi desenvolvida uma ferramenta E-health que utiliza o processo de descoberta de conhecimento (KDD, já anteriormente mencionado) e Data Mining com o objetivo de controlar a incidência de determinadas doenças em determinada comunidade. Utilizando os sistemas de Business Intelligence, os dados proveniente de várias fontes foram analisados e transformados em informação útil de modo a dar suporte à tomada de decisão num curto espaço de tempo com custos reduzidos. A epidemiologia foi a área de aplicação: tratando-se de um ramo da medicina, este desenvolve a sua atividade no domínio da investigação e observação dos estados de saúde de determinada população. A informação relevante é transmitida a partir do dashboard, permitindo a monitorização da incidência da população, contribuindo para a prevenção e controlo dos estados de saúde. A prevenção de determinadas doenças é possível através de programas de vacinação e da deteção de doenças. A informação proveniente de um dashboard é uma oportunidade para os executivos controlarem a situação epidemiológica da sociedade (Ziuziański et al.,2014).

Nos Estados Unidos da América, os dashboards, na área da saúde têm sido utilizados em diversos aspetos de assistência de saúde, incluindo a avaliação dos riscos e no suporte à decisão clínica. O dashboard permite a monitorização dos dados de todos os utentes presentes no hospital assim como permite avaliar o desempenho relacionado com o pessoal de enfermagem, até acompanhar o progresso de certas doenças e vigiar a evolução de doenças. O dashboard facilita o acesso à informação, sendo esta comunicada de forma clara, precisa e eficiente, possibilitando também a exploração da informação de modo a identificar tendências através dos elementos visuais constituintes de um dashboard. O objetivo do dashboard é analisar a informação, relacionada com as metas a melhorar na assistência ao utente,

aumentando a eficiência, otimizando a utilização de recursos tanto a nível clínico como na tomada de decisão (Allan et al., 2014).

No Zimbabué foi desenvolvido um dashboard em ambiente de baixos recursos financeiros, com dados clínicos, de modo a monitorizar toda a atividade relacionada com a maternidade. A Comissão de Informação e Responsabilidade para Mulher e Saúde da Criança da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou que a comunicação tardia de dados e de qualidade questionável não permitia identificar problemas atempadamente, de modo a conseguir melhorias, nos resultados da mortalidade materna. Uma obstetra no hospital foi treinada para recolher dados e introduzi-los com uma entrada mensal, durante 28 meses. A apresentação destes dados levou à rápida identificação de tendências adversas nos resultados e sugestões de ações para melhorar a qualidade de cuidados de saúde. A implementação do dashboard permitiu um melhoramento na qualidade de cuidados de saúde a nível local (Crofts et al. 2013).

No Hospital Saint Joseph Mercy em Michigan, apesar da excelência clínica, procurou oportunidades para melhorar a sua eficiência operacional e o atendimento aos utentes. A administração foi confrontada com a concorrência e com a pressão de reduzir custos, o que levou a que fossem estudadas novas oportunidades, o que originou novas métricas Key Performance Indicators (KPI), que poderiam suprimir as ineficiências operacionais. Foi então desenvolvido um dashboard com as métricas relevantes, consequentemente a informação transmitida a todos os profissionais de saúde era clara e de fácil perceção. Os profissionais de saúde desenvolveram o hábito de monitorizar o seu desempenho individual e, consequentemente, este começou a melhorar. O maior benefício desta implementação foi a realização do alinhamento entre planeamento e execução a diferentes níveis, tático, operacional e estratégico (Weiner et al., 2015).

Em Portugal existe uma plataforma de monitorização mensal do estado de saúde da população portuguesa, disponibilizada pela Direção Geral da Saúde, o Dashboard Saúde3. Este dashboard “cumpre o objetivo o objetivo de disponibilizar dados concretos e reais” (Nogueira 2014), através da recolha de informação associada a diversos indicadores nacionais, a qual é objeto de tratamento sendo apresentada sob a forma de gráficos e tabelas ordenadas. O Dashboard Saúde inclui um motor que permite antever, com base em todo o histórico ou numa fração de tempo, os valores futuros de um indicador numa região, ou mesmo para todo o país, permitindo antecipar ações importantes (Masterlink 2015).

A Masterlink4 foi responsável pelo desenvolvimento desta plataforma tecnológica portuguesa, tendo como intuito reforçar o caráter de completa coordenação e colaboração entre todas as instituições da saúde, e defende que estamos perante um instrumento dinâmico, personalizável por utilizador, estando ainda em fase de conclusão a inclusão de elementos mais dinâmicos (Nogueira 2014).

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Indicadores de Gestão

Num processo de monitorização de desempenho, os indicadores são de facto o elemento mais crítico. “A sua função é simplesmente apurar o nível das realizações da organização para que estas possam ser comparadas com as metas pré- estabelecidas e apurado o desvio e o respetivo nível de performance “ (Caldeira 2015, p.14).

Inicia-se este capítulo com a exposição da perspetiva histórica, seguidamente vão ser apresentados os principais modelos de medição de desempenho desenvolvidos por diversos autores, serão abordados os conceitos de desempenho, de medição de desempenho e do sistema de medição de desempenho. Posteriormente vão ser expostas as dificuldades na conceção de um sistema de medição de desempenho assim como as finalidades desse sistema.

De seguida introduz-se a distinção entre os indicadores financeiros e não financeiros, as formas de apresentação da informação dos indicadores e os requisitos de um indicador, posteriormente vai ser abordado o conceito de indicador-chave de desempenho (Key Performance Indicator), tal como as caraterísticas que um indicador deve ter para ser utilizado na análise da informação. Vão ser abordadas duas metodologias de sistemas de medição de desempenho, o Balanced Scorecard e o Tableau de Bord.

Benzer Belgeler