garantir, aos trabalhadores dos serviços socioeducativos e, especificamente, os assistentes sociais, mecanismos que possibilitem o desenvolvimento de um trabalho social na direção coletiva, possibilitando aos usuários dos CRAS ações que possam promover a participação dessa população na construção e efetivação de direitos sociais ampliados, e inserindo-se, de fato, na luta pela distribuição da riqueza socialmente produzida e pelo protagonismo na construção da política de assistência social?
2.2. O Trabalho do Assistente Social na Política Nacional de Assistência Social
A Política Nacional de Assistência Social de 2004 configura um campo de atuação para os profissionais de Serviço Social. Sua conformação na perspectiva do direito instituiu inúmeras mudanças não só na forma, mas também no conteúdo de suas proposições. Busca-se aqui a apreensão das substanciais inovações desse paradigma, sobretudo a partir da implantação do SUAS e o entendimento de quais são as inflexões no trabalho profissional dos assistentes sociais inseridos nos serviços socioeducativos dos CRAS.
Dar-se-á enfoque às suas contribuições para o fortalecimento, para o estímulo e para a consolidação de processos participativos dos usuários da assistência social em espaços de decisões das políticas públicas e também da sociedade em que vivem. Essa reflexão será articulada às entrevistas de campo realizadas com as quatro assistentes sociais trabalhadoras dos CRAS do município de Poços de Caldas e às considerações destas acerca de suas atuações profissionais nos serviços socioeducativos desenvolvidos no PAIF.
O trabalho profissional do assistente social não pode ser pensado deslocado da totalidade histórica da sociedade em que pertence. Ele deve, como já foi visto, ser discutido à luz das diversas manifestações que o capital assume em tempos de financeirização. Nessa conjuntura, o Estado brasileiro configura-se em grande potencializador dos interesses burgueses. O mercado exerce também forte influência nesse contexto, pois ele passa a ser o órgão supremo das relações sociais, prevalecendo à lógica do indivíduo produtor, impulsionado a competição e ao
individualismo e desarticulado de formas de luta e negociação coletiva (IAMAMOTO, 2009).
É importante, por essa razão, realizar um breve apontamento acerca da radical contenção nos gastos com o social que sempre estiveram presentes nas crises do sistema capitalista, uma vez que é “na ocorrência de crise do capital, uma das primeiras contenções é a introdução de medidas de arrocho nas atenções de proteção social ou no sistema de proteção social”. (SPOSATI, 2013, p. 04). As barreiras impostas pelo
sistema do capital, no que diz respeito a “universalização da proteção social” como um direito, devem ser entendidas, como “possibilidade de “ocupação profissional de resistência ético‑política” pela possibilidade que contém para articulação de Direitos humanos e sociais e espaço de reconhecimento de cidadania”. (Ibid., p. 05).
Em razão de sua extensiva abrangência, o SUAS necessita de novas maneiras de regular, organizar e gerenciar o trabalho. É devida a exigência, por meio de diretrizes de normativas, de um aumento no número dos trabalhadores com vínculos formais enquanto condição essencial nos contratos empregatícios, bem como nos processos continuados de formação e qualificação, de definição de cargos e de carreiras e remuneração compatível.
A Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS, aprovada no ano de 2006, e sua nova forma de implantar a gestão do trabalho condizem com uma inovadora estratégia para a efetivação desse sistema único. Ela constituiu um avanço no processo de profissionalização da PNAS 2004, por buscar a ruptura com a subalternação histórica dos seus agentes - originária da maneira como as políticas sociais foram construídas no país.
Entre as diretrizes assentadas na NOB-RH de 2006, destacam-se aqueles oportunos ao presente trabalho: o estabelecimento das equipes de referência, a promoção da política nacional de capacitação, a elaboração de planos de carreira, a instituição de uma política de cargos e salários (PCCS) e o cofinanciamento da gestão do trabalho. Ao definir as equipes de referência19 dos equipamentos sociais ofertados
19 Equipes de referência são aquelas constituídas por servidores efetivos responsáveis pela organização
e oferta de serviços, programas, projetos e benefícios de proteção social básica e especial, levando-se em consideração o número de famílias e indivíduos referenciados, o tipo de atendimento e as aquisições que devem ser garantidas aos usuários. (MDS, 2006, p. 27).
pelo SUAS, essa normativa garantiu, minimamente, um número de profissionais nesses espaços, e, desta forma, impediu que os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) tivessem suas equipes formadas exclusivamente pelo viés das gestões municipais.
Muitos municípios, todavia, vem adotando formas de contratação que geralmente se vinculam através de terceirização, na maioria das vezes com contratos temporários, dificultando em demasia a continuidade das ações, dos projetos e dos serviços socioassistenciais desenvolvidos pela política de assistência social brasileira. Essas municipalidades estão em desacordo com os preceitos constitucionais do artigo 37, inciso II da Constituição Federal, que dispõe que investidura em cargo ou emprego público depende de prévia aprovação em concurso público.
A Política Nacional de Educação Permanente do SUAS (PNEP/SUAS) foi aprovada no ano de 2011. A PNEP/SUAS objetivou responder “às demandas por qualificação do provimento dos serviços socioassistenciais, da gestão e do controle social do SUAS [...] e fazer a formação de pessoas para e pelo trabalho, visando a emancipação dos trabalhadores e usuários desse sistema.”
(MDS, 2011b, p. 02).
No que concerne aos Planos de Carreira e à Política de Cargos e Salários (PCCS) a NOB-RH de 2006 representou um avanço. Ela serviu para a garantia dos seguintes princípios aos trabalhadores da assistência social brasileira:
Universalidade dos PCCS, equivalência dos cargos ou empregos, concurso público como forma de acesso à carreira, mobilidade do trabalhador, adequação funcional, gestão partilhada de carreiras, PCCS como instrumento de gestão, educação permanente e compromisso solidário. (MDS, 2006, p.49).
É inegável que o cofinanciamento da gestão do trabalho trata-se de um avanço aos trabalhadores do SUAS. Ao transferir parte do ônus orçamentário com recursos humanos para o ente federal, as três esferas de governo passaram a compartilhar esse compromisso. O ingresso da União reforçou a atuação dos estados e dos municípios. Não se deve desconsiderar que o ingresso do governo federal trouxe consigo a problemática da reestruturação produtiva. Seu efeito foi significativo na destinação de
investimentos e na alocação dos gastos públicos. Este contexto social, econômico e político mais amplo afetou o cofinanciamento da gestão de trabalho no SUAS.
Transcorridos quase dez anos de implantação do SUAS, ainda são inúmeros os desafios, os problemas e as dificuldades enfrentadas pelos assistentes sociais em seu cotidiano profissional na política pública de assistência social. Nas narrativas seguintes, evidenciam-se algumas das problemáticas que se originam na gestão e que somente nela poderão ser solucionadas:
Penso que os gestores têm percebido a importância de investir nos trabalhadores. Mas acredito que falta mais incentivo do tipo: um melhor salário, capacitações voltadas para o fazer do assistente social no trabalho com família, mais suporte técnico. (ASSISTENTE SOCIAL 1).
Outra entrevistada, assistente social 2, confirma a existência de capacitações, mas nos informa que estas encontram-se restritas ao desenvolvimento de procedimentos e de metodologias. Ela esclarece que não fazia parte do público-alvo dessa atividade: “para os assistentes sociais, até o momento, não teve”. (ASSISTENTE SOCIAL 2).
Ambas as falas são reveladoras de duas questões centrais: os baixos salários da categoria profissional e a maneira pela qual as capacitações têm sido oferecidas. A ausência de um piso salarial aos assistentes sociais reflete uma recorrente preocupação. Essa lacuna permite que editais de concursos públicos, a exemplo, ofereçam o valor de um salário mínimo ao assistente social aprovado. Esta é uma evidência de que a NOB-RH não tem se efetivado em relação ao seu plano salarial. Pouco abrangentes e inclusivas têm se mostrado, também, as capacitações, realizadas em Poços de Caldas, sugeridas pela política permanente de educação. Elas não têm sido efetivas na contribuição para o aprimoramento dos assistentes sociais no trabalho social com as famílias e indivíduos inseridos nos CRAS.
Na tentativa de dar suporte à intervenção profissional do assistente social na PNAS, o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) elaborou o documento Parâmetros para Atuação de Assistentes Sociais na Política de Assistência Social. Essa publicação advertia o trabalhador do SUAS para o fato de que este não deveria pautar a execução de suas atividades exclusivamente nas diretrizes institucionais, pois, dessa
forma, estaria incorrendo o risco de restringir suas atividades à gestão da pobreza, de abordar a questão social com viés moralizante e de tratar as necessidades sociais como problemas e responsabilidades individuais e grupais (CFESS, 2007). O CFESS foi categórico em sua afirmação de que essas execuções equivocadas da profissão derivam da estrutura de um sistema social desigual, que separa a sociedade em duas classes, e que determina a ausência e privação de direitos a uma delas. O assistente social que desejasse atuar na política de assistência social deveria afastar-se das abordagens tradicionais funcionalistas e pragmáticas, que reforçavam as práticas conservadoras que percebem a situação social como um problema exclusivo do indivíduo (Id., 2007).
Os Parâmetros para a Atuação dos Assistentes Sociais na Política de Assistência Social definiram as competências exclusivas da categoria profissional no âmbito da política pública de assistência social. Fundamentados em novas diretrizes curriculares, interessa-nos três dimensões:
(1) Uma dimensão de intervenção coletiva junto a movimentos sociais, na perspectiva da socialização da informação, mobilização e organização popular, que tem como fundamento o reconhecimento e fortalecimento da classe trabalhadora como sujeito coletivo na luta pela ampliação dos direitos e responsabilização estatal; (2) Uma dimensão de intervenção profissional voltada para inserção nos espaços democráticos de controle social e construção de estratégias para fomentar a participação, reivindicação e defesa dos direitos pelos(a) usuários(as) e Conselhos, Conferências e Fóruns da Assistência Social e de outras políticas públicas; (3) Uma dimensão de gerenciamento, planejamento e execução direta de bens e serviços a indivíduos, famílias, grupos e coletividade, na perspectiva de fortalecimento da gestão democrática e participativa capaz de produzir, intersetorial e interdisciplinarmente, propostas que viabilizem e potencializem a gestão em favor dos(as) cidadãos(ãs). (CFESS, 2007, pp. 19-20).
A realização destas competências requer a aplicação de técnicas e instrumentos adequados a cada situação social que o profissional enfrentar. Seu uso não deve alinhar-se às perspectivas de integração social, de homogeneização social, de psicologização dos atendimentos individuais ou das relações sociais; tampouco deve se destinar ao fortalecimento de vivências e trocas afetivas em uma perspectiva subjetivista (Id., 2007). Dessa maneira, é mister que o profissional:
Saiba dominar as técnicas de trabalho. No entanto, há a necessidade de que supere a ênfase nos seus aspectos técnico-operativos, para entender e assumir também, com competência, a dimensão ético-política da profissão. Faz-se necessário apreender as tensões e pressões embutidas nas relações dos diferentes sujeitos políticos envolvidos durante o desenvolvimento do trabalho; é premente compreender a dimensão política do trabalho, a partir da apreensão das condições objetivas e da captura das condições subjetivas do território onde ele é desenvolvido, e também entender o jogo de vontades políticas dos diferentes grupos envolvidos, a correlação de forças e as alianças ou as incompatibilidades existentes. (ROSA, 2007, p. 90).
Para o enfrentamento de complexa empreitada, como a da materialização da dimensão ético-política da profissão, supõe-se proeminente, à categoria dos assistentes sociais, o fortalecimento da discussão acerca da direção política do trabalho na construção de “processos interventivos que promovam protagonismos, particularmente dos usuários, para o fortalecimento da cultura democrática e de direitos”. (RAICHELIS, 2010, p. 16).
Os parâmetros do CFESS para a atuação dos assistentes sociais revelaram um esforço coletivo da categoria dos assistentes sociais, forneceram um aporte teórico- metodológico contemplativo dos conhecimentos acumulados, na área de Serviço Social e das suas relações com o estado e com a sociedade civil, e fundaram-se em princípios éticos e políticos balizadores do comportamento profissional. Na condição de projeções profissionais historicamente determinadas, eles foram, consequentemente, representativos da “dimensão teleológica do trabalho do assistente social: a busca, por parte da categoria, de imprimir nortes ao seu trabalho, afirmando-se como sujeito profissional”. (IAMAMOTO, 2009, p. 410). A luta pela construção da política pública de assistência social como um direito social e, prioritariamente, uma política “de forte calibre humano” (SPOSATI, 2013, p.02), visando a participação dos seus usuários em sua construção, é um somatório dos inúmeros esforços empreendidos por todos os sujeitos sociais.
O tratamento burocrático entre os homens e as coisas produz, todavia, distorções na autopercepção dos profissionais a ele expostos. Utilizada como instrumento da burguesia para os fins de coesão entre as classes, a burocratização imiscui-se no exercício profissional, passando a ser uma referência para a autoidentificação de seus agentes (IAMAMOTO, 2009). Ela está evidente nos
comportamentos de profissionais que são impassíveis à violência institucional decorrente dos procedimentos burocráticos nocivos à cidadania. No depoimento a seguir, tem-se um vislumbre do impacto que o processo de burocratização tem tido na política de assistência social do município de Poços de Caldas:
O atendimento dos CRAS aos assistentes sociais ficou voltado para cadastro documental, no trabalho coletivo do PAIF em Poços o assistente social ficou de fora, pois está sendo realizado mais pela psicologia. Então, a Questão Social passa a ser uma patologia e a PNAS vai sendo executada de forma mecanizada20.
Uma estratégia de promoção do protagonismo popular consiste em fomentar a desburocratização das relações com os sujeitos que reivindicam direitos e serviços, melhorando, assim, qualidade do atendimento. Em confronto com a prática burocratizada adotada como estratégia do Estado neoliberal, Iamamoto (2009, p. 410) defende “a socialização das informações” como uma das atividades fundamentais aos assistentes sociais, já que estes trabalhadores possuem um “manancial de denúncias sobre violação dos direitos humanos e sociais”. Um diálogo que não deve ser reduzido a um mero “repasse de dados sobre as normas e recursos legais; é uma informação transmitida na ótica do direito social” (Id., p.40), a fim de que os sujeitos sociais envolvidos no processo tenham suas necessidades coletivas reconhecidas.
Por abranger um número maior de pessoas e, ainda, por ser um espaço profícuo de expressão de interesses comuns e de compartilhamento de vivências, os trabalhos desenvolvidos em grupo encerram em si uma significativa potencialidade de transformação. A socialização de informações é um instrumento precioso ao trabalho dos assistentes sociais inseridos nos serviços socioeducativos dos CRAS, pois possibilita o estabelecimento de diálogos democráticos, reflexivos e críticos entre o
20 Não interessa ao presente trabalho aprofundar a discussão das atribuições específicas dos vários
profissionais de nível superior que devem trabalhar na PNAS/2004. É importante, no entanto, o registro das inquietações compartilhadas pela maioria dos assistentes sociais da Secretaria de Promoção Social de Poços de Caldas. No transcorrer da pesquisa, o expresso desassossego, na fala das quatro assistentes sociais entrevistadas, ter-se-ia originado na troca de gestão ocorrida no início de 2013. As declarações convergiram na percepção de que a nova secretária, graduada em Psicologia, teria afastado os profissionais de Serviço Social dos serviços de fortalecimento de vínculos, por considerar que a Psicologia era uma área que melhor interviria nesses serviços. Os assistentes sociais teriam sido, ainda, afastados dos grupos que desenvolviam os trabalhos socioeducativos previstos na tipificação dos serviços socioassistenciais.
entre o assistente social e os demandantes dessa política. Ela é o meio pelo qual “procura-se tornar transparente ao sujeito que busca os serviços as reais implicações de suas demandas - para além das aparências e dos dados imediatos -, assim como os meios e condições de ter acesso aos direitos” (IAMAMOTO, 2009, p.421). Os serviços socioeducativos são o objeto de estudo do presente trabalho, por que a socialização de informações:
[...] extrapola uma abordagem com um foco exclusivamente individual – ainda que, por vezes, realizada junto ao um único indivíduo – à medida que considera a realidade dos sujeitos como parte de uma coletividade. Impulsiona, assim, também, a integração de recursos sociais que forneçam uma retaguarda aos encaminhamentos sociais e a articulação do trabalho com as forças organizadas da sociedade civil, abrindo canais para a articulação do indivíduo com grupos e/ou entidades de representação, capazes de afirmar e negociar interesses comuns na esfera pública. (Id., p.421).
Para que ocorra a socialização das informações na esfera pública, é preciso a compreensão de que o processo de publicização exige que todo o tecido social a ele adira e que, como apontou Raichelis (1998), as correlações de forças políticas que permitam que os conflitos se tornem visíveis e que os consensos sejam viabilizados. O processo de publicização da esfera estatal encontra-se subordinado à criação de uma ordem democrática que envolve a representação dos interesses coletivos na cena pública, “de modo que possam ser confrontados e negociados, reconhecendo e explicitando os conflitos presentes nas relações sociais capitalistas.” (IAMAMOTO, 2009, p.422).
A aliança entre os trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social, termo cunhado por Iamamoto (2009) e Rizzotti (2011), merece destaque por seu declarado intento de fomentar o fortalecimento dos sujeitos coletivos em sua busca por direitos sociais. Seu eixo central fincou-se no estímulo e na consolidação da participação da população demandante da Política Nacional de Assistência Social nos espaços decisórios da sociedade.
A trilha da participação popular sinaliza a necessidade de abandonar as técnicas, as perspectivas e os procedimentos que insistem em atravancar o cotidiano de
operação do SUAS. Dessa forma, os assistentes sociais, precisam concentrar seus esforços no sentido de fortalecer ações que viabilizem:
Adoção de postura democrática por parte dos profissionais e gestores, ampliando cada vez mais os espaços decisórios com a devida revisão dos modelos gerenciais pautados em resultados quantitativos e práticas disciplinares; Superação radical da condição de subalternidade dos usuários e o seu envolvimento em práticas e ações que contribuam para a compreensão de cidadão de direitos; Socialização de informações com tráfego\trânsito límpido honesto e contínuo, com a viabilização de espaços que permitam uma composição dialógica; Proposição de serviços na direção da coletivização das demandas e na sua articulação com as demais políticas sociais setoriais, assim como com os movimentos e organizações do espaço territorial; Reconhecimento e definição de estratégias diante das disputas de projetos políticos abrangentes e calcados em ideários contraditórios e antagônicos; Comprometimento radical com as lutas mais amplas na perspectiva de adensar os ideários que sustentam transformações societárias. (RIZZOTTI, 2011, pp. 81- 82).
O desafio posto ao Serviço Social é o de resgate das diretrizes profissionais comprometidas com ações capazes de estimular os usuários da assistência social ao conhecimento e reconhecimento do próprio SUAS. Dessa forma, será possível suscitar neles a busca por uma política de direitos que superem os processos alienantes, disciplinadores e subalternizados pelos quais foram historicamente submetidos (YAZBEK, 1993). Mas qual seria, nesse sentido, o processo de articulação propício para a articulação da categoria profissional com as forças progressistas da sociedade? Um que subscrevesse as demandas da maioria da população nas esferas de decisões políticas do país. Em outras palavras, aquele que expresse a democracia de base, cujo elemento norteador seja a socialização da política, da economia e da cultura.
A pesquisa empírica empreendida para a realização deste trabalho de reflexão sobre o lugar da participação popular no cotidiano dos serviços socioeducativos desenvolvidos pelos assistentes sociais, inseridos nos CRAS de Poços de Caldas, demonstra, contudo, um processo contrário, essencialmente atreladas aos momentos de Conferências, de desmonte das ações voltadas ao fortalecimento da participação dos usuários da assistência social:
A participação sempre esteve muito vinculada às Conferências. E nas Conferências o momento mesmo de discussão fica para o final e quase sempre os usuários tem que ir embora. Nos grupos trabalhamos sobre Conferências e Conselhos, mas a verdade é que somos muito individualistas e isso dificulta à participação. (ASSISTENTE SOCIAL 2).
A participação popular aconteceria de maneira esporádica e incompleta no município: