Configuram uma das principais intervenções de fomento, abrangendo as isenções e reduções de tributos, que, normalmente, são legalmente devidos e exigidos. Tais instrumentos objetivam, por meio destes institutos de Direito Tributário, estimular, no panorama econômico, determinada atitude por parte dos agentes econômicos particulares.
A doutrina em geral classifica tal incentivo como um meio econômico indireto, relacionando-se com o fenômeno da “extrafiscalidade”.
Marcos Juruena Villela Souto190 pontua:
Como as reduções e isenções tributárias implicam em redução de receita, exige a Constituição Federal, em seu artigo 165,§6º, que elas constem da lei orçamentária, sob forma de demonstrativo regionalizado do seu efeito sobre as receitas e despesas, o que, num exame contextual, já deve vir previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias - CF, artigo 165,§2º. Esta exigência é reiterada na Lei de Responsabilidade Fiscal. A ideia, contudo, é vincular os incentivos a objetivos maiores, nos quais a renúncia a uma receita irá
187 OLIVEIRA, José Roberto Pimenta. op. cit., p. 516.
188 ATHAYDE, Augusto de. Estudos de direito econômico e de direito bancário. Rio de Janeiro: Liber Juris, 1983. p. 81-88.
189 SOUTO, Marcos Juruena Villela. Estímulos positivos. In: OLIVEIRA, Gustavo Justino de (Coord.) Terceiro
setor, empresas e Estado: novas fronteiras entre o público e o privado. Belo Horizonte: Fórum, 2007. p. 20-30.
Marcos Juruena Villela Souto também se subsidia na identificação dos tipos de fomento efetuados por Augusto de Athayde.
proporcionar benefícios generalizados, como a geração de novos empregos e atividades, por meio dos quais a perda de receita será neutralizada e, até, superada, por novas arrecadações fiscais num futuro programado. Daí a sua vinculação ao planejamento (CF, artigo 174 c/c 165§ 4º). Os incentivos podem ser setoriais ou regionais (já que a redução das desigualdades regionais é um princípio da Ordem Econômica- CF, art.170,VIII c/c artigo 43).
Em outro texto191 complementa que os incentivos regionais servem para ajudar o
desenvolvimento de zonas que sofrem condições climáticas adversas, para criar novos empregos e elevação da renda per capita, para aproveitamento das riquezas regionais em zonas onde faltam recursos humanos e financeiros, muitas vezes em razão de preferências localizadas em regiões mais desenvolvidas.
Destaca-se, ainda, no estudo dos incentivos fiscais, o tratamento diferenciado em relação às pequenas e médias empresas (CF, artigo 179). Também está consagrado na Constituição o incentivo às cooperativas (CF, artigo 174,§ 2º), eis que representam um instrumento de transformação social, na medida em que fomenta o empreendedorismo. Ocorre que as cooperativas estão sendo desvirtuadas, sendo usadas como fuga de encargos e direitos trabalhistas, razão pela qual o Ministério Público do Trabalho vem punindo as fraudes devidamente comprovadas.
Exemplo relativamente recente de incentivos fiscais na Administração Pública brasileira, foi a desoneração do IPI dos carros e eletrodomésticos chamados de “linha branca”,192 ante uma crise econômica global, com vistas a estimular o consumo e aquecer a economia.
191 SOUTO, Marcos Juruena Villela. Estímulos Positivos. In: CARDOZO, José Eduardo Martins; QUEIROZ, João Eduardo Lopes; SANTOS, Márcia Walquíria Batista dos (Orgs.). Curso de direito administrativo
econômico. São Paulo: Malheiros, 2006. v. II. p. 135. 192
Recente reportagem veiculada no Globo.com sobre a repercussão da desoneração do IPI sobre venda de carros concluiu que, segundo o estudo, o aumento da produção de veículos compensou a perda no recolhimento de tributos. O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) destacou que, durante o período da medida de estímulo ao consumo, houve um crescimento de 16,65% na indústria automotiva nacional, que passou de 3 milhões de unidades produzidas por ano, em 2008, para 3,5 milhões em 2013.
“Todos saíram ganhando com a desoneração do IPI. O setor produziu, vendeu e exportou mais, gerando mais empregos e impulsionando uma longa cadeia de matérias-primas, insumos e peças. O governo federal arrecadou mais tributos e os governos estaduais aumentaram significativamente a sua receita de ICMS e IPVA. E a população brasileira pode ter acesso a veículos novos com mais itens de segurança e conforto”, afirmou o coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral. (Disponível em: <http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/01/arrecadacao-sobre-vendas-de- carros-cresce-mesmo-com-reducao-do-ipi>. Acesso em: 28 jan. 2014.) Mesmo ante tal quadro, há críticas às medidas promocionais em tela, que teriam privilegiado a indústria automobilística, incentivando, em decorrência, o uso do carro como principal meio de transporte, ao invés de se investir em políticas que buscassem modernizar o transporte coletivo, e melhorar o trânsito nas grandes cidades, medidas, que sob tal ótica seriam mais afinadas com o interesse público. Outra crítica usual, é que tais medidas objetivaram estimular o consumo, o que pode ser importante em um momento de crise, todavia, não podem persistir infinitamente, pois não incentivaram o incremento do parque industrial brasileiro.
4.2.2 Garantias
Trata-se de uma forma de intervenção de fomento em que uma empresa necessitando recorrer ao mercado de capitais, poderá fazê-lo com facilidade caso se beneficie de uma garantia.
A Administração Pública, pretendendo apoiar a empresa, tem maior conveniência em lhe prestar uma garantia do que em lhe fazer um empréstimo.
Ditas garantias podem se revestir de duas formas jurídicas: a da garantia de emissão de obrigações e a da fiança, ou aval, no caso de garantia concedida a títulos de créditos.
A fiança ou o aval tem lugar quando uma empresa celebra um contrato de empréstimo com uma entidade e a pessoa jurídica de direito público que dá a garantia fica obrigada a todos os pagamentos se o beneficiário não o cumprir.193
Célia Cunha Mello194 ressalta que no ordenamento jurídico brasileiro não há previsão que autorize a concessão de aval pelo Estado – latu sensu –, de modo que tal medida não poderá ser implementada no Brasil. Esta situação não ocorre com o Direito Português, onde há regras que autorizam expressamente a concessão de aval pelo ente estatal, preconizadas na Lei n. 3, de 27 de maio de 1972 (Lei de Fomento Industrial) e na Lei n. 1, de 2 de janeiro de 1973.
A garantia de emissão de debêntures ou obrigações se dá quando a Administração se responsabiliza pelo reembolso de todos os títulos, quaisquer que sejam os seus titulares no momento do resgate, viabilizando, desta feita, que a empresa privada recorra ao mercado de capitais para obter condições de desempenhar atividades de interesse público.
4.2.3 Subsídio
É um donativo, sem obrigação de reembolso, razão pela qual se aparta do empréstimo, destinado a tornar possível a manutenção de preços políticos, permitindo a determinadas empresas a venda de seus produtos abaixo do custo.195
Augusto de Athayde196 salienta que o traço que distingue os empréstimos dos
subsídios é o de natureza jurídica da situação do beneficiário que, no primeiro caso, fica
193 ATHAYDE, Augusto de, op. cit., p. 83. 194 MELLO, Célia Cunha, op. cit., p. 97. 195 ATHAYDE, Augusto de, op. cit., p. 84. 196 idem.