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3. MALİ DESTEK PROGRAMINA İLİŞKİN KURALLAR

3.1. Uygunluk Kriterleri

3.1.3. Maliyetlerin Uygunluğu

A Lei de Responsabilidade Fiscal foi elaborada dentro de um ambiente interno de reforma da atividade financeira do Estado, no qual se lançou um conjunto de medidas para conter o endividamento público e aumentar a eficácia e a eficiência das ações de governo, bem como aprimorar a transparência na gestão fiscal. Esse pacote de providências foi denominado, à época, de Programa de Estabilidade Fiscal (PEF)44 e continha propostas de

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BALEEIRO, Aliomar. Uma introdução à ciência das finanças. 18. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 582. No mesmo sentido: BORGES, José Souto Maior. Iniciação ao direito financeiro. Recife: Imprensa Universitária, 1966. p. 34.

43OLIVEIRA, Regis Fernandes de; HORVATH, Estevão; TAMBASCO, Teresa Cristina Castrucci. Manual de Direito Financeiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1992, p. 10.

44 No contexto de crise, foi anunciado, em outubro de 1998, o Programa de Estabilidade Fiscal (PEF), que previa: mudanças estruturais, como a aceleração das discussões para a aprovação da reforma da previdência

reforma na previdência privada, criação da Lei de Responsabilidade Fiscal e estabilização da dívida pública em relação ao PIB.

O PEF surgiu após um período de superinflação vivenciado entre os anos de 1988 e 1994, durante o qual reajustes econômicos de médio a longo prazos fizeram-se necessários, mormente a fim de que o País pudesse controlar seus gastos e honrar suas obrigações internas e externas. Portanto, a Lei Complementar n.º 101/2000 fez parte desse sistema de ações adotadas pelo governo no sentido de diminuir o déficit público e estabilizar a economia.

Contudo, cumpre destacar que a crise econômica interna, causada pela superinflação e pelos gastos públicos exagerados ao longo da história do País, não foi o único fator a influenciar os legisladores brasileiros a promover uma reformulação no ordenamento fiscal.

No âmbito externo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os demais credores internacionais exigiam uma política mais rígida no trato com a atividade financeira estatal, como forma de garantir o pagamento da dívida externa.

Segundo Carlos Alberto de Moraes Ramos Filho45, o FMI forneceu ao Brasil todo o instrumental teórico adquirido no acompanhamento das diversas reformas fiscais de regiões ao redor do globo, como Estados Unidos (Budget Enforcement Act, de 1990), União Europeia (Tratado de Maastricht, de 1992) e Nova Zelândia (Fiscal Responsability Act, de 1994), a fim de que o Congresso Nacional promovesse reformas semelhantes.

Em virtude desses diferentes interesses internos e externos, questionou-se, à época da elaboração do projeto de lei complementar, qual seria o verdadeiro objetivo do legislador, levantando-se a hipótese de que referido projeto seria resultado exclusivo das pressões internacionais, pouco se relacionando ao contexto de crise econômica interna.

Nesse sentido, Betina Treiger Grupenmacher46 faz severas críticas aos dispositivos da Lei Complementar n.º 101/2000, pois estes, segundo a opinião da autora,

privada; avanços institucionais-legais, tendo por base o projeto de LRF; e a estabilização da relação dívida/PIB a

ser alcançada por meio de mega-superávits primários. No que se refere aos avanços institucionais-legais, as principais iniciativas eram: (a) elaboração e envio ao Congresso de projeto da Lei de Responsabilidade Fiscal, com o objetivo de estabelecer regras e limites fiscais e códigos de conduta para os governantes e administradores de recursos públicos; (b) fixação de novos limites para a despesa de pessoal nos três níveis de governo, com o propósito de assegurar maior disponibilidade de recursos para as atividades finalísticas; (c) reformulação do processo orçamentário, promovendo uma reestruturação dos gastos federais e implantando sistema de gerenciamento para cada programa, para obter maior transparência, eficiência e eficácia no uso dos recursos públicos. TAVARES, Martus. Vinte anos de política fiscal no Brasil: dos fundamentos do novo regime à Lei

de Responsabilidade Fiscal. volume 4/número 7/julho 2005 ISSN 1677-4973, p. 79, 2005.

45 RAMOS FILHO, Carlos Alberto de Moraes. Aspectos fundamentais da Lei Complementar nº 101/2000. Manaus: Caminha, 2002, p. 25.

46 GRUPENMACHER, Betina Treiger em ROCHA, Valdir de Oliveira. Aspectos relevantes da lei de responsabilidade fiscal. São Paulo: Dialética, 2001.

reproduziram quase fielmente o modelo neozelandês de responsabilidade fiscal, fato que acarretou inúmeras incompatibilidades com o nosso Sistema Constitucional47.

Márcio Novaes Cavalcanti, por outro lado, discorda desse entendimento, pois acredita que a lei em estudo originou-se da necessidade de controle orçamentário dos entes da Federação, porquanto os mecanismos de controle existentes eram até então ineficazes em seu mister de disciplinar o uso das políticas fiscais e de detectar as manobras orçamentárias promovidas pelos entes estatais48.

Considerando as divergências doutrinárias, entretanto, entende-se que a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal alinhou-se tanto aos interesses internos de moralização das finanças públicas e necessidade de reforma orçamentária quanto à vontade externa dos grandes credores internacionais, os quais demandaram uma posição mais rígida do País em relação à sua política fiscal. Assim, houve uma convergência de vontades para a aprovação das reformas contidas no Programa de Estabilidade Fiscal.

Ademais, o contexto social também influenciou sobremaneira a moralização econômica, pois, após o processo de impechament sofrido pelo ex-presidente Fernando Collor, em 1992, as instituições democráticas saíram mais fortalecidas, ao mesmo tempo em que crescia na consciência dos cidadãos a aversão ao desrespeito às leis.

Em relação aos fundamentos legais para a edição do projeto de lei em análise, o art. 165, §9º da CRFB/88, estabelece que são de iniciativa privativa do Poder Executivo via lei complementar projetos que versem sobre exercício financeiro, normas de gestão financeira, entre outros. Por sua vez, o art. 163 da Lei Maior preceitua que lei complementar disporá sobre finanças públicas.

Assim, em obediência ao comando constitucional, por meio da Emenda Constitucional n.º 19/1998, o Congresso Nacional, com o intuito de estabelecer tempo certo para a regulamentação do disposto nos artigos anteriores, fixou o prazo de 180 (cento e oitenta) dias para que o Poder Executivo apresentasse o projeto de lei complementar regulamentando o art. 163 da CRFB/88.

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Nesse mesmo sentido: “...embora os autores do anteprojeto dessa Lei informem – verdadeiramente, presume- se – que beberam na fonte de experiências internacionais outras, nomeadamente do Tratado de Maastrich de 1992, do Budget Enforcement Act americano de 1990, era ele, sem dúvida, mero clone do Fiscal Responsability Act da Nova Zelândia, posto que muitos vejam em sua árvore genealógica transgênica informação do Código de Boas Práticas para a Transparência Fiscal, difundido e divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que tem buscado liderar a promoção de maior transparência fiscal, graças a “sua experiência na área de gestão das finanças públicas à universalidade de seus países membros”. LINO, Pedro. Comentários à Lei de

Responsabilidade Fiscal: Lei Complementar n.º 101/2000. São Paulo: Atlas, 2001, p. 19.

48 CAVALCANTI, Marcio Novaes. Fundamentos da lei de responsabilidade fiscal. São Paulo: Dialética, 2001, p. 67.

Em observância à exigência do Parlamento Nacional, no dia 13 de abril 1999, o Poder Executivo encaminhou à Câmara dos Deputados, por meio da Mensagem Presidencial n.º 485, o projeto de lei que daria origem à Lei Complementar n.º 101/2000.

Cumpre ressaltar ainda que, antes do envio do projeto à Câmara, foram realizadas audiências públicas nas quais houve amplo debate sobre o tema com os principais interessados pelas alterações que estariam por vir, como governadores, secretários da Fazenda, de Planejamento e de Administração dos Estados, secretários de finanças dos municípios das capitais, entre outros especialistas em finanças. Além disso, o anteprojeto ficou disponível em sítio eletrônico, no endereço do Ministério do Planejamento, recebendo milhares consultas e inúmeras sugestões.

Após ser exaustivamente debatida e aprovada no âmbito da Comissão Especial da Câmara dos Deputados, a qual teve como relator o deputado Pedro Novais (PMDB/MA), a proposta seguiu para a votação no plenário em janeiro de 2000. Aprovado com esmagadora maioria, 385 votos a favor, apenas 86 contra e 4 abstenções, o projeto seguiu para o Senado, onde foi aprovado sem emendas, no dia 4 de abril daquele mesmo ano.

O Presidente da República sancionou a Lei Complementar n.º 101/2000 no dia 4 de maio de 2000, a qual entrou em vigor na data de sua publicação49.