BÖLÜM 2: STRATEJİK ANALİZ VE STRATEJİ BELİRLEME
2.2.5. Jenerik Stratejilerinin İşletme Fonksiyonları ile Koordinasyonu
2.2.5.1. Maliyet Liderliği Stratejisi
Afrânio Peixoto era médico baiano que se transferiu para o Distrito Federal em 1902. Ocupou diversos cargos públicos entre eles o de professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Diretor de Instrução Pública e reitor da Universidade do Distrito Federal (UDF)40. Era amigo íntimo de Anísio Teixeira e com ele colaborou diversas vezes. Publicou diversos livros em várias áreas do conhecimento e na literatura. Em 1910 entrou para a Academia Brasileira de Letras. Fez um estudo de caráter genérico sobre educação, no entanto procurava sempre que possível apresentar críticas ao ensino nacional e apontar as características de uma escola ideal para o século XX. Segundo o autor esta preocupação deveria surgir quanto mais cedo possível.
O futuro cidadão seria tomado nos primeiros anos, dar-se-lhe-iam antes da escola jardins de infância, casas de crianças, educação dos sentidos, da sensibilidade, do conhecimento, da inteligência, da vontade, do caráter, com as práticas insistentes da bondade, do raciocínio, da ação, com o endereço cívico que seria o fecho da abóbada dessa maravilhosa construção (PEIXOTO, 1937, p. 11).
Peixoto, como Arthur Ramos e outros intelectuais do período possuíam íntimos contatos com as discussões que eram divulgadas na Europa e nos Estados Unidos e faziam
questão de pensá-las à luz da realidade nacional. Entre os vários assuntos de interesse estava a educação. Descobrir, através da pedagogia, um método capaz de formar indivíduos cidadãos, patriotas, cultos e inteligentes era o melhor caminho para superar as contradições nacionais.
Havia uma nítida preocupação com a formação dos professores, com a co- educação, com o ensino da língua portuguesa, com a literatura infantil e com a universalização do ensino primário e secundário. Neste aspecto o médico baiano fazia uma crítica ao Estado brasileiro, pois este permitia que apenas os filhos dos mais ricos tivessem condições de prosseguir seus estudos e muitas vezes não se tornavam bons profissionais, comprometendo assim o próprio desenvolvimento do país.
O Estado é indiferente à própria sorte. Dá instrução primária a todo mundo, e para aí. Permite por sua indiferença que só os filhos dos ricos, capazes e incapazes vão ter às escolas de humanidades e às escolas superiores; desses médicos, bacharéis, engenheiros, na maior parte incapazes, recruta os seus burocratas e os seus políticos, os seus administradores e os seus guias também na maioria incapazes (PEIXOTO, 1937, p 137).
A crítica de Afrânio Peixoto ao modelo de ensino praticado no Brasil no início do século XX deixava evidente o prejuízo que a nação tinha ao desconsiderar o acesso dos mais pobres aos níveis mais elevados de estudos. Ao privilegiar apenas os mais ricos, acabava permitindo que indivíduos, sem talento para as funções em que eram formados, fossem recrutados para desenvolverem atividades inerentes ao Estado. A solução seria uma melhor seleção para que os mais aptos, independente da condição social, fossem apoiados e incentivados por medidas como bolsas de estudo e outros. Como ocorria nos países europeus.
Havia ao longo dos estudos do autor baiano um esforço no sentido de delinear um sistema completo de educação que iria desde a escola primária até a universidade. No que dizia respeito ao ensino superior seria, se bem projetado, o centro difusor do ensinar a ensinar. A fundação de uma Faculdade de Educação, Ciências e Letras, ou seja, um instituto pedagógico superior iria renovar a educação no Brasil. A formação do professor normalista, cujos mestres eram advogados e médicos, era precária. Aqueles professores não tinham uma visão mais abrangente do conteúdo pedagógico que deveriam ensinar.
Peixoto também deixou importantes contribuições para a reflexão das relações de gênero. Em sua obra A educação da mulher de 1936 o autor fez um interessante estudo sobre a história da mulher e suas conquistas desde a antiguidade até os dias atuais. O autor assumiu um nítido papel de defensor da igualdade de direitos entre homens e mulheres utilizando os recursos da medicina, da antropologia e da psicanálise. Este debate ocorreu justamente no período da história em que a mulher havia conquistado o direito de voto no
Brasil. Além disso, Afrânio Peixoto reivindicava a co-educação como a melhor opção para um modelo mais moderno de escola no país e criticava aqueles que se opunham a esta importante inovação pedagógica:
As reivindicações femininas trouxeram varias conquistas inúteis, mas trouxeram uma inapreciável - a igualdade dos dois sexos diante da cultura. Ela tem como base a co-educação delas, desde a escola elementar. Ainda há uns atrasadões que acham perigoso na escola, o que a vida no lar, e fora do lar, na mesma vida, não separa nunca. Tanto é prejuízo velho, como é prejuízo de classe... Esses, não se opõem a que a mulher vá à fábrica, ao trabalho, e co-opere, colabore com o homem... Que se importam eles, os burgueses, com as operárias? As meninas burguesas, essas é que correriam perigo, em serem educadas com os meninos, principalmente os filhos do povo... Os argumentos contra a co-educação escolar, tanto são parciais, argumentos de classe, que não visam a co-operação, a colaboração, das operárias e operários no trabalho. Visam apenas à sagrada família afortunada (PEIXOTO, 1936, p. 213).
A crítica aos ditos atrasados certamente se referia aos católicos totalmente contrários à co-educação. O médico baiano apresentou uma interessante defesa de seu ponto de vista ao apontar que na realidade, por trás de toda argumentação contrária à convivência de meninos e meninas em uma mesma escola e também na sala de aula havia um hipócrita preconceito de classe. Já que não se questionava a presença da mulher pobre enquanto força de trabalho nas fábricas e certamente nos campos.
Em que pese a formação original de Arthur Ramos e Afrânio Peixoto na área da medicina, eles foram além do esperado para o contexto histórico em que viveram. O espírito crítico e comprometido de ambos lhes permitiram pensar propostas e modelos de educação que somente muito tempo depois foram redescobertos. Talvez essa seja a maior contribuição de um intelectual: vislumbrar possibilidades para além de seu tempo.