2. KAMU HUKUKU
2.3. Kamu Hukuku’nun Dalları
2.3.8. Mali Hukuk
Nossa tarefa na meia idade é sermos suficientemente fortes para renunciar as urgências do ego na primeira metade e nos abrirmos a um assombro maior. (HOLLIS, 1995, p.158).
O meio da vida é um período de mudanças profundas, mas não necessariamente de crise. A crise seria o resultado da dificuldade de lidar com as mudanças físicas e psicológicas (JUNG, [1916, 1934], 2011b).
Os sinais de declínio físico são mais aparentes no meio da vida, tanto em relação às mudanças fisiológicas quanto na aparência física. As linhas de expressão ficam mais perceptíveis, o cansaço e o tempo de recuperação mediante grandes esforços físicos são maiores. É uma época na qual há uma prevalência no surgimento de doenças crônicas, sintomas persistentes ou deficiências. Esses problemas físicos, na maior parte aliviados com tratamentos de curta ou longa duração, podem trazer angústias, visto que são muitas vezes associados ao envelhecimento (LACHMAN, 2004). A menopausa é outro fator gerador de mudanças físicas que podem influenciar como o meio da vida é vivido (AVIS, 1999; DEGGES, 2001; MCFADDEN; SWAN, 2012). Outros sintomas frequentemente citados e que são característicos dessa fase são: longos períodos de depressão e desinteresse pela vida, sensação de fracasso e desilusão, perda dos sonhos da juventude, medo da morte e sensação de que não haverá tempo hábil para viver de verdade, angústia, tensão ou tédio (STEIN, 2007; HOLLIS, 1995).
As mudanças psicológicas não são menores ou menos desafiadoras. O meio da vida é um período no qual os padrões psicológicos conhecidos são questionados, revisados e requerem renovação. O abandono dos valores construídos na primeira metade da vida e que tanto serviram ao crescimento é uma tarefa árdua. É um período de confusão que desvela uma mudança de identidade psicológica e que pode levar a uma busca por um sentido profundo para a vida (STEIN, 2007).
Hollis (1995) descreve a sensação de crise no meio da vida provocada pela disparidade entre a concepção interior do eu e a personalidade adquirida. Quando o
sofrimento se torna grande, a ponto de não poder mais ser reprimido ou compensado, a experiência é geralmente descrita como uma crise. “A experiência da crise na meia idade é o colapso, não do nosso eu essencial, mas das nossas suposições” (HOLLIS, 1995, p.158).
Levinson (1978) parte do pressuposto de que o meio da vida é um período de transição, uma ponte entre dois estados de estabilidade, que pressupõe um processo de mudança de uma estrutura para outra, mas não exclui a possibilidade de ocorrência de crises. Quando as mudanças envolvem considerável tumulto e ruptura, tem-se a crise do meio da vida. O autor complementa que os que passam por um desconforto mínimo podem estar negando mudanças necessárias ao desenvolvimento.
A descrição como crise ou transição parece estar associada à intensidade da experiência vivida e à disposição e capacidade de navegar pelas demandas psicológicas associadas a esse período.
Segundo alguns autores, uma ênfase maior dada à crise poderia ser justificada reconhecendo-se um estereótipo cultural da sociedade norte-americana que valoriza mais o estresse e a dificuldade, ao invés de considerar características positivas que também estão presentes nessa fase, tais como: competência, responsabilidade, conhecimento e poder (LACHMAN, 2004; WETHINGTON, 2000).
De acordo com Lachman (2004), há suporte empírico para ambas as visões: meio da vida como experiência turbulenta ou como transição bem-sucedida. Para a autora, a visão de crise ou de transição divide opiniões, entre clínicos e pesquisadores. Os clínicos, respaldados pelos pacientes que buscam ajuda médica ou psicológica para enfrentar dificuldades no meio da vida, em geral, tendem a apontar para uma visão de crise, enquanto os pesquisadores, apoiados em teorias que indicariam maior estabilidade e autonomia no meio da vida, se inclinam para uma visão de transição. A autora salienta que as visões díspares, de crise ou transição, podem ser conciliadas, se as experiências de meia-idade forem tomadas a partir de uma perspectiva de trajetória de vida que reconheça a vasta gama de possibilidades de ganhos e perdas e as variações possíveis por período histórico, época em que o indivíduo se encontra no curso da vida, sexo, cultura, raça, etnia e classe social.
Na pesquisa conduzida por McFadden e Swan (2012), a tônica é o debate entre crise e transição, em mulheres no meio da vida. Conforme as autoras, as mulheres tendem
a experimentar mudanças na saúde e nos papéis familiares, no meio da vida, que podem aumentar o nível de estresse e depressão ou que podem levar a uma sensação de bem-estar; em outras palavras, o meio da vida pode ser vivenciado como crise ou como transição.
Ao expandir os conceitos relacionados ao meio da vida à área do trabalho, emerge a possibilidade de haver uma crise no meio da carreira (KETS DE VRIES, 2010). Schein (1993) define dez estágios de carreira, ao longo da vida profissional do indivíduo; um deles é denominado “crise do meio da carreira”. Ele argumenta que, embora não seja claro se é uma crise ou uma transição, o indivíduo passa por um período de reavaliação de carreira, no qual questiona as escolhas profissionais iniciais, seu desempenho e suas opções futuras. Ainda que a crise do meio da carreira não ocorra necessariamente no meio da vida, visto que a vida profissional pode se iniciar, por exemplo, aos 25 ou 30 anos, nos casos em que se opta por formações de longa duração, o conceito levantado pelo autor indica que há um balanço a ser feito no meio da carreira. Similarmente, Levinson (1978, 1996) indica que há um convite no meio da vida para se revisar o progresso obtido, durante a carreira, quando o indivíduo deverá lidar com a disparidade entre o que ele é e o que ele sonhou ser. Tal revisão do progresso obtido leva também a uma revisão das expectativas futuras.
É possível que a crise do meio da carreira seja peculiar para nossa sociedade orientada ao sucesso (KETS DE VRIES, 2010). Essa orientação implica uma carreira sempre progressiva, o que significa que muitos executivos com grandes ambições podem se deparar com a frustração em relação à posição atingida. Ao invés de lidar com o desapontamento, há aqueles que começam a trabalhar freneticamente, em busca de atingir suas metas. Mesmo os que atingiram seus objetivos, em geral, enfrentam algum dilema, pois começam a questionar o que vem depois, urgindo a necessidade de se considerar os próximos passos (KETS DE VRIES, 2010). Seja o balanço positivo ou negativo, esta é uma fase que demanda o reconhecimento das possíveis limitações e a revisão dos objetivos e metas para o futuro (LEVINSON, 1978).
Nesta pesquisa, adota-se uma perspectiva de transição no meio da vida. Ao longo da transição, no entanto, crises poderão ocorrer, se houver dificuldade de lidar com as demandas psicológicas de desenvolvimento do período, gerando a inadaptação momentânea, a qual poderá ser superada, levando o indivíduo a um novo estado de adaptação.