• Sonuç bulunamadı

2.3. Türkiye‟de Kara Para Aklama Suçu İle Mücadelede İdari Kurumlar

2.4.5. Mali Eylem Görev Gücü Financial Action Task Force (FATF)

Os programas de formação docente implementados pelo Ministério da Educação a partir do ano 2000 visam adequar o ensino público às demandas da sociedade e do mercado de trabalho em permanente transformação, bem como promover formação de profissionais da educação para que esses sejam capazes de desempenhar os novos papéis atribuídos pela escola pública (BRASIL, 1996a). Essas iniciativas, a meu ver, têm se constituído em significativos avanços em termos de investimentos financeiros e abrangência social, embora o número de ações empreendidas ainda seja muito pequeno em relação ao público de professores que se quer atender. Além disso, o fato dessas ações produzirem resultados pouco significativos pode estar relacionado à forma como são interpretadas e promovidas, pois o modo como têm sido realizadas não favorece o desenvolvimento profissional do professor.

Dentre esses programas destaco a Rede Nacional de Formação Continuada de Professores da Educação Básica, que foi criada com o propósito de contribuir para a melhoria da formação dos professores da educação básica e o desenvolvimento dos alunos, por meio de um amplo processo de articulação dos órgãos gestores, dos sistemas de ensino e das instituições de formação, sobretudo, as universidades públicas e comunitárias.

Em uma análise sobre a proposta presente nesse programa, Santos (2008b) comenta que segundo as diretrizes estabelecidas no programa, a formação continuada é concebida como um processo abrangente e contínuo, que substitui a oferta de cursos de atualização ou treinamento por uma formação pautada na prática docente e no conhecimento teórico. Essa concepção baseia-se no pressuposto que a “noção de experiência e de construção do conhecimento mobiliza uma pedagogia interativa e dialógica, considerando os diferentes saberes e a experiência docente” (BRASIL, 2005b, p.22).

A Rede é composta pelo Ministério da Educação, sistemas de ensino e universidades, que se constituem em Centros de Pesquisa e Desenvolvimento da Educação. Cada um desses Centros mantém uma equipe pedagógica que coordena a elaboração de programas voltados à formação continuada dos professores de educação básica e da equipe diretiva desses estabelecimentos, os quais estão em exercício nos sistemas estaduais e municipais de educação, bem como na implantação de novas tecnologias de ensino (BRASIL, 2005b).

A RNFC tem como prioridade institucionalizar o atendimento da demanda de formação continuada de professores; desenvolver uma concepção de sistema em que a autonomia se construa pela colaboração; contribuir com a qualificação da prática docente; contribuir com o desenvolvimento da autonomia intelectual e profissional dos docentes; desencadear uma dinâmica de interação entre os conhecimentos pedagógicos produzidos pelos Centros de Pesquisa, os quais favorecem o desenvolvimento da formação docente, e pelos professores dos sistemas de ensino em sua prática docente; subsidiar a reflexão permanente sobre a prática docente com o exercício da crítica do sentido e da gênese da cultura, da educação e do conhecimento, bem como subsidiar o aprofundamento da articulação dos componentes curriculares e institucionalizar e fortalecer o trabalho coletivo como meio de reflexão teórica e construção da prática pedagógica (BRASIL, 2005b).

As diretrizes adotadas pelo MEC na implantação da Rede Nacional consideram que a formação continuada é exigência da atividade profissional no mundo atual; deve ter como referência a prática docente e o conhecimento teórico; vai além da oferta de cursos de atualização ou treinamento; é componente essencial da profissionalização docente; a formação para ser continuada deve integrar-se no dia a dia da escola (BRASIL, 2005b).

A política desse programa se materializa no âmbito da esfera pública de ensino nas redes municipais e estaduais, habilitando docentes em exercício na educação básica, por meio da educação a distância, certificando-os em nível médio, para os professores em exercício na educação infantil e nas séries iniciais do ensino fundamental e, também, em nível superior para docentes das disciplinas específicas do currículo das séries finais do ensino fundamental e do ensino médio.

A efetivação da Rede traduz os resultados da prática de recrutamento de professores sem formação em exercício na função docente nos referidos níveis de ensino em todo o país. Um fator a ser considerado com essa política refere-se à interpretação dada ao conceito de formação continuada, visto que ela é colocada no âmbito prático em amplitude muito maior do que aquela postulada na LDB e também nas diretrizes da Rede (BRASIL, 2005b).

Conforme as diretrizes desse programa, a institucionalização da formação continuada dos professores no Brasil envereda para a estratégia e/ou tendência de focalização das políticas públicas que transitam entre a gestão dos sistemas e a articulação das ações de formação continuada, sob a perspectiva de buscar ou identificar pontos e áreas estratégicas de ação. Isso implica considerar novas orientações para a denominada “autonomia” dos municípios e o delineamento de resolução de suas demandas educacionais (BRASIL, 2005b).

Além disso, o Ministério da Educação produziu, em 2006, um documento – Catálogo da Rede Nacional de Formação Continuada de Professores da Educação Básica8 –, que apresenta uma lista dos materiais desenvolvidos pelos Centros de Pesquisa, tais como: cadernos de estudo e atividades, cadernos de orientação a tutores, fascículos, CDs-ROM, fitas de vídeo e softwares, além da oferta de cursos presenciais, semipresenciais e a distância. Santos (2008a) analisa esse catálogo e diz que há preponderância da oferta de cursos presenciais e semipresenciais e que poucos centros ofereceram assessoria educacional. Esse programa habilitou, até meados de 2008, aproximadamente 100 mil professores.

Outro programa na área de formação docente que foi colocado em prática no ano de 2006 é o Pró-letramento (Mobilização pela Qualidade da Educação). Esse é um programa de formação continuada de professores para a melhoria da qualidade de aprendizagem da leitura/escrita e matemática nas séries iniciais do ensino fundamental. Participam desse programa a Secretaria de Educação Básica (SEB) e a Secretaria de Educação a Distância (SEED), em parceria com as universidades que integram a Rede Nacional de Formação Continuada, secretarias estaduais e municipais de educação.

8 Documento disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Rede/catalg_rede_06.pdf>. Acesso em: 07 jan. 2008.

O Pró-letramento destina-se a professores em exercício nas séries iniciais do ensino fundamental das escolas públicas brasileiras e é desenvolvido na modalidade a distância. Para isso utiliza material impresso, vídeos e dispõe de atividades presenciais, que são acompanhadas por professores orientadores, denominados tutores9. Esse programa visa elevar a qualidade do ensino e aprendizagem em língua portuguesa e matemática; propor situações que incentivem a reflexão e a construção do conhecimento como processo contínuo de formação docente; desenvolver conhecimentos que possibilitem a compreensão da matemática e da linguagem e seus processos de ensino e aprendizagem; contribuir para que se desenvolva uma cultura de formação continuada; desencadear ações de formação continuada em rede, envolvendo universidades, secretarias de educação e escolas públicas.

O Pró-letramento visa privilegiar a formação continuada dos profissionais da educação, pois estar em constante formação é uma exigência da vida contemporânea, não podendo restringir-se a uma ação compensatória das deficiências provenientes da formação inicial. Ainda, entende-se que o conhecimento adquirido na formação inicial se reconstitui e se especifica na prática de sala de aula de modo a atender a mobilidade, a complexidade e a diversidade das situações cotidianas que suscitam intervenções específicas e adequadas. Por fim, a formação continuada deve desenvolver uma atitude investigativa e reflexiva, pois a atividade profissional é uma área de produção do conhecimento que envolve aprendizagens diferenciadas (BRASIL, 2007b).

Outrossim, a formação continuada, baseada na prática reflexiva, considera o professor um sujeito da ação, valoriza suas experiências pessoais, suas incursões teóricas, seus saberes da prática e possibilita-lhe atribuir novo significado a sua prática ao longo do seu processo de formação, bem como permite-lhe compreender e enfrentar as dificuldades com as quais se depara diariamente no exercício da profissão. Para tanto é necessário haver uma articulação entre formação e profissionalização, na medida em que uma política de formação implica ações efetivas no sentido de melhorar a qualidade do ensino provido em escolas públicas, as condições de trabalho dos profissionais da educação, assim como contribuir para o desenvolvimento profissional e pessoal dos professores (BRASIL, 2007b).

Os delineamentos do Pró-letramento, destacados no parágrafo anterior, evidenciam um programa de formação voltado ao desenvolvimento profissional, em sinergia com as necessidades específicas dos professores. Teoricamente o programa parece ser ideal, porém é preciso ter cuidado com essas afirmações visto que não há dados que as sustentem.

Ao analisar as diretrizes e metas do Pró-letramento é possível constatar que trata-se de um programa abrangente e contextualizado, visto que é voltado às necessidades específicas de cada área do conhecimento e tem como ponto de partida o conhecimento do professor produzido no contexto da prática de sala de aula, no âmbito das ações formativas por ele vivenciadas em diferentes momentos da carreira e as experiências pessoais e profissionais da atividade docente. Porém, embora 300 mil10 professores foram formados até meados de 2008, ainda é pequeno o número de professores incluídos no programa, em comparação ao número de professores vinculados ao ensino público em todo o país, assim como é muito limitado o impacto dessa ação na mudança da cultura e prática docente.

Além da Rede Nacional de Formação Continuada de Professores da Educação Básica e do Pró-letramento, foi criado em 2004, pelo Ministério da Educação, o Programa de Incentivo à Formação Continuada de Professores do Ensino Médio, o qual tem por objetivo cadastrar instituições de ensino superior para a realização de cursos, ações de formação continuada de professores em exercício em escolas das redes públicas estaduais de ensino de todo o Brasil. Podem cadastrar-se nesse programa instituições públicas de ensino superior e também privadas, porém estas não podem ter fins lucrativos.

Nesse programa as Secretarias de Educação de cada estado ou município têm autonomia para selecionar os cursos e as instituições que melhor atendam às necessidades de seu sistema educativo, no que se refere às ações de melhoria da qualidade do ensino. Os cursos oferecidos nesse programa contemplam as disciplinas de química, física, biologia, matemática, história, geografia, língua portuguesa e língua espanhola, a qual, desde 2006, tornou-se obrigatória para as escolas e facultativa aos alunos. Para viabilizar esse programa as Secretarias de Educação têm os recursos assegurados, por meio de convênio com a SEB, para contratação das instituições selecionadas.

Santos (2008a) comenta que, de modo geral, os programas de formação continuada de professores baseiam-se em um conjunto de materiais e cursos que deveriam ser analisados pelos próprios idealizadores com relação a sua eficiência na formação profissional docente. Acrescenta, ainda, que no Brasil perdura

a lógica de uma formação que sempre se refaz, que começa do zero e parte do princípio de que os problemas que os professores enfrentam são únicos e merecem respostas únicas. Afinal, muitos dos projetos de formação continuada podem atender de forma adequada a um determinado tipo de docente e, ao mesmo tempo, podem ser considerados pouco aprofundados por outros docentes (SANTOS, 2008a, p.147).

10 Dados apresentados por Roberta de Oliveira, ex-coordenadora Geral de Política de Formação do Ministério da Educação em 29 de setembro de 2009 em seminário na Unesp de Rio Claro.

Essa autora considera que a realização de um modelo único de formação parte do princípio que os professores não são suficientemente aptos para escolher um programa adequado às suas necessidades, argumento esse que opõe-se ao princípio das ações formativas promovidas no Japão, conforme comentado no capítulo 2. Contudo, avalia que a escolha da ação formativa, “seja ela mais aplicacionista ou sociointeracionista, deve ser disponibilizada para que os professores, reconhecidos pela sua heterogeneidade, escolham e consolidem percursos formativos para o seu desenvolvimento e valorização profissional (p.147)”.

Por meio desses programas busca-se estabelecer uma política de valorização docente, englobando diversos aspectos, como reconhecimento profissional; incentivo salarial; carreira e formação profissional inicial e continuada. Porém, analisando o impacto desses programas constata-se que pouco se avançou, pois a abrangência ainda é pequena e os resultados questionáveis em termos de mudança da cultura e prática docente, assim como a criação do piso salarial nacional para o magistério em 2008, não se efetivou em muitos estados.

Além disso, acerca da formação continuada a LDB define no inciso III, do artigo 63, que as instituições formativas devem manter programas de formação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis de ensino. Nesta mesma perspectiva, o inciso II do artigo 67, estabelece “que os sistemas de ensino deverão promover aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim” (BRASIL, 1996a). Com isso, a formação continuada de professores passa a abranger, também, cursos de pós-graduação em nível de mestrado e doutorado.

Referindo-se a ineficiência das políticas públicas para desencadear mudanças na prática e na qualidade da educação, Lima (2006, p.46) afirma que atualmente “os programas do MEC não têm tido forte impacto na melhoria da qualidade da educação, o que requer uma mudança dessas políticas, que em vez de genéricas deveriam basear-se nas deficiências e necessidades de cada escola da educação básica”. Essa autora evidência sua preocupação com relação aos resultados das mudanças educacionais impetradas no Brasil, ressaltando a necessidade de uma mobilização social em favor de uma educação de qualidade.

Ainda, analisando as propostas empreendidas, considerando suas metas, amplitude e resultados, é possível verificar que os programas de formação continuada ofertados aos professores da rede pública demandam significativos investimentos financeiros e produzem mudanças superficiais, pouco impactantes na educação como um todo. Os resultados dessas ações convertem-se em números, quando são divulgadas as tabelas com as cifras de professores atendidos, mas mudanças em termos de elevação da qualidade da educação, no que se refere ao desenvolvimento, emancipação dos alunos, ainda são insuficientes.

Além disso, ao olhar para o impacto desses programas de formação de professores no âmbito da escola pública, focando possíveis mudanças em termos da prática docente e da qualificação da educação ofertada, considero necessário pensar sobre o papel das tecnologias digitais nesse processo de mudança e, também, buscar saber como as políticas públicas educacionais têm concebido o uso desses recursos na educação e como a formação dos professores tem sido entendida e promovida no contexto da escola pública brasileira.

Benzer Belgeler