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MALİ BİLGİLER

Belgede T.C. AMASYA ÜNİVERSİTESİ (sayfa 51-67)

CARRION (1990) define a jornada normal como “o espaço de tempo durante o qual o empregado deve prestar serviço ou permanecer à disposição [do empregador] com habitualidade”. A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), no seu artigo 58, prediz que a duração normal do trabalho não deverá exceder oito horas diárias.

Para confirmar a existência ou não de determinação subjetiva do tempo entre os teletrabalhadores, foi-lhes indagado, no presente estudo, se existe uma jornada fixa de trabalho e quem a determina. As respostas foram as seguintes: a maioria deles diz que não há jornada fixa; parte deles diz cumprir um horário estabelecido por eles mesmos; parte diz que a atual jornada é menor e apenas um diz que é maior do que aquela exercida na empresa.

Um dos entrevistados do primeiro grupo se impôs um esquema de trabalho “controlado pelo filho”, de maneira a que não exceda a “jornada” auto-imposta:

[...] apesar que tenho a liberdade de sair a qualquer hora de bicicleta, ir para o correio, mas eu me impus essa jornada e também de não começar depois das 09h00 [...] entre 08h00 e 08h30 já estou trabalhando aqui ou no escritório, e paro de trabalhar às 17h30 ou 18h00. Às 18h00, estando em casa, não dá mais para trabalhar porque o meu filho entra correndo, dizendo: “Já são seis horas” (Victor).

Poder-se-ia dizer aqui de identificação aos ideais dos pais, representados, no caso, pela empresa. Isolado, o teletrabalhador se identifica com a organização, no que tange às normas e regras e repete o modelo da empresa, que ele acredita ser o seu modelo, submetendo, contudo, essas normas à sua maneira de ser, à sua visão de mundo. Há que falar também das intersubjetividades. O filho deseja estar com o pai e se torna o guardião do tempo deste, incumbindo-se de lembrá-lo de que há vida fora do escritório. “Já são seis horas”: “Chega de trabalhar e venha ficar comigo”, é o que ele quer dizer.

Victor continua, explicando por que estabelece os seus próprios limites:

Antes de começar [o trabalho remoto] tinha comentários que havia pessoas que trabalhavam desta forma, começando mais cedo e acabando mais tarde. Eu me policio muito. Se a experiência é para melhorar a qualidade de vida, não adianta trabalhar mais do que no escritório, sem hora para começar, sem hora para acabar.

As pessoas se defendem da dinâmica que envolve a alta modernidade procurando manter o rumo bom de suas vidas, representado aqui pela preocupação do trabalhador em manter a sua qualidade de vida (well-being), que, para ele envolve as suas relações afetivas, na figura do filho, especialmente, mas que envolve também a apropriação da tecnologia para usá-la a seu favor. Se a tecnologia permite um trabalho sem delimitação de espaço e tempo e sem o controle rígido por parte da empresa, cabe ao sujeito buscar o equilíbrio que lhe trará bem estar.

Há um outro exemplo na fala de Fabrício: “Não, não é fixa [a jornada de trabalho]. Tem dias que não são muito produtivos, tem dia que estou de ‘saco cheio’, vou tocar meu violão, vou no parquinho com meu filho [...] ”. Como disse CHANLAT (2001, p. 20): “Não existe subjetividade sem a expressão de si”.

Em outro depoimento, vê-se a preocupação com o trabalho sincronizado, com as relações com o Outro. O teletrabalhador não é uma ilha e, conquanto possa estabelecer o seu ritmo de trabalho, não pode esquecer que outros dependem dele e que ele também depende da ação de outros. O trabalho em equipe não é, necessariamente, realizado num mesmo espaço.

Ninguém determina isso [a jornada]. Dentro do bom senso, a gente procura adequar a jornada de trabalho que a empresa pede. Não adianta eu querer trabalhar das dez às dez, porque eu não vou estar em sintonia com o restante da empresa, as pessoas vão precisar de mim, eu das pessoas e não vai dar certo. Eu procuro me adaptar, mas não posso dizer que é fixa, muitas vezes eu começo antes, outras mais tarde, a gente deixa as nossas agendas sincronizadas de forma que as pessoas saibam que em tal dia eu vou estar fora porque vou ao médico. Então, de certa forma, todos conseguem ver minha agenda e saber que estarei ausente naquele período (Eduardo).

Outros depoentes dizem: “para mim a jornada é menor” (Aluísio), como também aparece no depoimento a seguir:

[...] eu diria que é menor, porque, fora daqui, eu não enxergo o horário, eu não enxergo que horas são, não tenho a percepção da luminosidade. Então, eu vou tocando, tocando, são nove, dez horas da noite, vou tocando porque eu tenho coisas para fazer [o entrevistado refere-se ao escritório]. Em casa eu trabalho próximo à janela, então eu percebo que está escurecendo (...) (Célio).

Com relação ao horário, eu prefiro trabalhar no meu ritmo, eu não sigo o horário das oito as cinco nunca. Eu trabalho na hora que eu vejo que tenho a pré-disposição de ter uma rentabilidade maior. Já aconteceu de quatro horas da manhã eu acordar, achar que precisava trabalhar e começar e terminar por volta das oito, voltar a dormir ou não. Então, na verdade, os horários não são muito fixos, não mesmo (Aluísio).

Lucas diz que acaba trabalhando menos. Indagado se menos no tempo ou menos na produção, ele responde: “Menos no tempo”. E explica por quê:

Sou mais produtivo [em casa]. Eu não tenho uma série de desgastes que as pessoas têm quando vão para o escritório, talvez desgastes necessários, como a questão da socialização. Mas eu consigo, quando trabalho, ter um trabalho centrado, eu não tenho um colega me chamando para tomar um cafezinho. Então, na hora em que começo, vai embora que você nem vê a hora passar. Mas o meu dia ficou reduzido, se eu for contar as horas do dia com as atividades que eu tenho pela manhã, que eu faço as atividades administrativas, coisas que não exigem muita concentração e com a minha agenda à tarde, vamos dizer que eu trabalhe duas horas pela manhã, e quatro horas à tarde (Lucas).

Esse depoente parece trabalhar orientado pela tarefa e não pelo tempo, que não parece preocupá-lo. Por outro lado, ele se refere à vantagem que trabalhar em casa lhe traz: “não tenho um colega me chamando para tomar um cafezinho”. Trabalhar sozinho lhe dá a concentração necessária que não o deixa ver a hora passar. Se é uma vantagem para o trabalhador, é também uma vantagem para a organização, porque favorece a produtividade.

As respostas dos teletrabalhadores levam à conclusão de que não há uma jornada fixa de trabalho e de que eles têm domínio sobre esse aspecto. Essa liberdade parece conduzir a uma melhor performance dos trabalhadores e, conseqüentemente, da empresa. Como disse um deles: “Então eu acho que é bom para ambos os lados”

(Juliano).

A mudança do trabalho do espaço convencional da organização para o espaço doméstico exigiu do trabalhador e de sua família uma re-acomodação. O teletrabalhador assume, então, novos papéis, os quais não desempenharia se o trabalho fosse realizado fora de casa, no espaço convencional da empresa e em horários fixos. Ao assumir esses papéis, passa por novas identificações que levam a novas identidades. Esse processo será analisado no próximo capítulo.

Belgede T.C. AMASYA ÜNİVERSİTESİ (sayfa 51-67)

Benzer Belgeler