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2.1. KARANLIK LİDERLİK DAVRANIŞLARI

2.1.3. Makyavelizm

O Projeto UCA - Projeto Um Computador por Aluno foi implementado no Brasil, por iniciativa da presidência da República, sendo coordenado pelo Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação à Distância - SEED, dada a sua experiência com projetos desta natureza.

Em 2007, após ter tomado conhecimento e validado o projeto da OLPC que previa o uso de laptop pelas crianças, a Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação - SEED/MEC fez várias sondagens a estados e municípios buscando adesão dos mesmos para a realização de experimentos voltados ao uso de laptops educacionais em sala de aula por alunos e professores. No entanto, ao longo de seu desenvolvimento no Brasil, passou a

adquirir algumas especificidades ao considerar a importância do laptop nas mãos de todos os alunos no processo educacional, em todos os momentos, e não somente na mão das crianças, conforme princípios do projeto OLPC. Considerou importante, também, colocar o laptop na mão dos gestores, haja vista que o apoio da equipe gestora tem sido fundamental na implementação de projetos educacionais.

Assim, foi criado o Projeto Um Computador por aluno. O projeto piloto foi criado pelo MEC em 2010 sob a responsabilidade da Secretaria de Educação a Distância – SEED, tendo sido concebido por um grupo de técnicos desta Secretaria e o Grupo de Trabalho UCA – GTUCA, formado por pesquisadores especialistas no uso de tecnologias de Informação e Comunicação – TIC na educação, das seguintes universidades: UFRGS, USP, UNICAMP, PUCSP, PUCMG, UFRJ, UFSE, UFC, UFPE. Essas universidades são denominadas no Projeto como IES Globais.

Essa equipe elaborou o documento de Princípios do Projeto UCA – Princípios Orientadores – e foi subdividido em grupos de trabalho que elaboraram documentos sobre Formação, Avaliação e Pesquisa

Tal projeto está em sintonia com o Plano de Desenvolvimento da Educação - PDE e com os propósitos do Programa Nacional de Tecnologia Educacional – ProInfo, programa educacional cujo objetivo é promover o uso pedagógico da informática na rede pública de educação básica. O ProInfo leva às escolas computadores, recursos digitais e conteúdos educacionais. Em contrapartida, estados, Distrito Federal e municípios devem garantir a estrutura adequada para receber os laboratórios e capacitar os educadores para uso das tecnologias.

Uma das ações propostas pelo GTUCA foi a criação de projetos experimentais que tiveram início nesse mesmo ano, envolvendo 5 escolas públicas de cinco Estados brasileiros diferentes – São Paulo, Tocantins, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. O desenvolvimento desses experimentos foi denominado de Fase I do Projeto UCA.

Para a fase dos experimentos, chamados de pré-pilotos ou Fase I, foram utilizados três modelos de laptops, fabricados por empresas diferentes, os quais foram doados ao Governo Federal.

A Tabela 1 indica o local dos experimentos e o equipamento utilizado:

Tabela 1: Local dos experimentos e equipamentos utilizados

Município/Estado Universidade Escola Equipamento Empresa

Palmas/Tocantins PUCSP Colégio Estadual Dom Alano Marie Du Noday

Classmate Intel

Piraí/RJ UFRJ CIEP Municipal Profª Rosa

Conceição Guedes Classmate Intel

Porto Alegre/RS UFRS EE Luciano de Abreu XO OLPC

São Paulo/SP USP Escola Municipal Ernani

Bruno XO OLPC

Brasília/DF UFB Centro de Ensino

Fundamental nº 1 do Planalto Mobilis Encore

O projeto que envolveu os cinco experimentos, realizado no período 2007/2008, foi acompanhado e avaliado pelo GTUCA a fim de apontar referências para a sua expansão. Os experimentos também foram avaliados por um projeto de avaliação financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e, mediante o projeto que foi denominado Preparando para Expansão: Lições da experiência piloto brasileira na modalidade um para um, pesquisadores das cinco escolas produziram relatórios sobre os principais aspectos do UCA (MEC/PORTAL, 2010).

Segundo Almeida (2010) esta avaliação enfatiza a importância do desenvolvimento da formação na escola, o envolvimento de professores, gestores - diretor, vice-diretor, professor coordenador- e outros educadores que atuam na escola e no sistema de ensino, incluindo-se o aluno-monitor, priorizando como eixo da formação a prática pedagógica com o uso do computador portátil e a realidade da escola, a reflexão sobre a prática e o compartilhamento de experiências.

Sobre o aluno-monitor, a avaliação do projeto experimental constata que “a formação e o apoio à implementação de um grupo de alunos monitores nas escolas pode minimizar as dificuldades técnicas, já que eles podem assumir tarefas mais simples de suporte e, além

disso, conscientizar os demais colegas para o uso cuidadoso do equipamento” (MEC, 2010, p.38).

Assim, a avaliação dos experimentos tem como referências para a expansão do projeto o apoio ao professor para que ele possa desenvolver uma nova gestão da prática pedagógica, sugerindo incentivar o envolvimento da equipe gestora, a participação da coordenação pedagógica, do suporte técnico e do aluno-monitor para apoiar o professor; orientar e fornecer referências para a criação de novas estratégias didáticas para desenvolver o currículo e promover o repensar sobre o desenvolvimento deste com a presença do computador na sala de aula.

Com essa perspectiva e após trabalhos de avaliação e consolidação dos cinco experimentos iniciais, no ano de 2010 o projeto foi ampliado, incluindo 300 escolas estaduais e municipais das redes de ensino do Brasil e mais 6 cidades - Barra dos Coqueiros/SE, Caetés/PE, Santa Cecília do Pavão/PR, São João da Ponta/PA, Terenos/MS e Tiradentes/MG, denominadas “UCA Total”. UCA total, pois todas as escolas desses municípios foram equipadas com o laptop educacional, com o objetivo de se conseguir um impacto educacional e social ainda maior do que aquele esperado nos demais municípios envolvidos. Esse momento do projeto, que envolveu as 300 escolas, é denominado de Fase II.

Na Fase II do projeto, a seleção das escolas baseou-se em critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação - CONSED, pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME, pela Secretaria de Educação a Distancia do Ministério da Educação - SEED/MEC e pela Presidência da República, conforme informações obtidas no Portal do MEC.

Os critérios para a seleção dessas escolas foram o número de alunos e professores, estrutura e localização das escolas, assinatura do termo de adesão e anuência do corpo docente. As escolas deveriam ter em média 500 alunos e possuir obrigatoriamente energia elétrica para carregamento dos laptops e armários para armazenamento dos equipamentos. Além disso, pelo menos uma das escolas deveria estar localizada na capital do estado e uma na zona rural. As secretarias estaduais ou municipais deveriam assinar um termo de adesão comprometendo-se com o projeto, bem como enviar ao MEC um ofício de cada escola com a autorização do diretor e a anuência do corpo docente. (MEC/PORTAL, 2010).

No decorrer das ações iniciais para a implementação do projeto piloto, em 2011, com a extinção da SEED, o Projeto passou para a Secretaria de Educação Básica – SEB e foi regulamentado pelo Decreto Federal nº. 7.243/2010, de 26/07/2010, passando a adquirir status de Programa e a denominação PROUCA - Programa Um Computador por Aluno, que engloba o Projeto UCA e cria mecanismos para a sua expansão, possibilitando a estados e municípios adquirirem computadores portáteis novos para as suas redes públicas de educação básica (PROUCA, 2012). O Programa Um Computador por Aluno pode ser considerado uma expansão do Projeto UCA no Brasil.

Assim, por meio do Projeto UCA, escolas estaduais e municipais de todas as regiões do Brasil receberam os laptops educacionais, oriundos do Projeto UCA, o qual prevê o envio de laptops para a escola, para uso de professores e alunos, assim como formação para o uso dessa tecnologia e infraestrutura para acesso à internet sem fio, introduzindo na escola novos conceitos relacionados à tecnologia móvel, entre outros.

Apesar de o projeto incluir no ano de 2010 somente 300 escolas, é preciso levar em consideração que tal amostra pode ser considerada bastante representativa pelo fato de envolver escolas de todos os Estados do Brasil, urbanas e rurais, cada qual com suas especificidades. De acordo com documento oficial do MEC, que trata do programa Formação Brasil, relacionado ao Projeto UCA, observa-se:

Formar educadores de comunidades escolares com contextos sociais, infraestrutura física, projetos político-pedagógicos e níveis de preparação profissional diferenciados, resulta num conjunto que pode refletir as diversidades regionais e dos grupos sociais que compõem o nosso país. (MEC/SEED, 2009, p. 2)

Em relação aos pressupostos do Projeto UCA, os mesmos estão relacionados à inovação tecnológica, em especial a mobilidade, para impulsionar a inovação pedagógica – interação multidirecional, criação de redes de construção de significados, aprendizagem colaborativa, expansão dos espaços e tempos escolares, trabalho com diferentes letramentos e linguagens e integração da tecnologia com o currículo – além de princípios que mudam o eixo de formação dos professores ao focar a integração das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) à sala de aula e ao currículo e as tecnologias na mão de todos em todo momento, e não só nas mãos dos professores (ALMEIDA, 2010).

Esses pressupostos enfatizam o aprendizado de novas ações pedagógicas com o uso da tecnologia visando mudanças no currículo, o comprometimento com a dimensão pública da escola como espaço formal de aprendizagem, assim como à inclusão digital e social e o respeito à autonomia na organização curricular, considerando as características e experiências dos alunos e professores.

As bases teóricas que norteiam o Projeto UCA estão embasadas no pensamento de Paulo Freire (1999, 2003), nas concepções construtivistas e interacionistas de Vigotsky (1989) e Piaget (1972), bem como na concepção construcionista de Papert (1985), no que diz respeito aos aspectos relacionados à construção do conhecimento pelo aluno.

Em relação à formação, cabe esclarecer que o Ministério da Educação, em parceria com as universidades globais – PUCSP, PUCMG, UNICAMP, UFRGS, UFRJ, UFC, UFPE, USP - desenvolveu um amplo Programa de Formação Continuada, realizado no ambiente e- proinfo. Esta formação tem um caráter amplo e contínuo, pois inclui todos os sujeitos envolvidos no Projeto UCA, dentro de uma rede cuja tônica é a prática reflexiva. A reflexão sobre as ações que estão sendo desencadeadas, tanto por professores como pelos formadores, possibilita uma revisão constante das ações de formação, em conformidade com o contexto de cada região e de cada escola.

Benzer Belgeler