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2.6. Cevher Hazırlamada Fizikokimyasal Özelliklere Dayanan

2.6.3. Makaslama flokülasyonu

As relações entre a sociedade e a natureza são compreendidas historicamente, a partir da substituição de um meio natural, dado a uma determinada sociedade, por um meio cada vez mais artificializado, ou seja, sucessivamente instrumentalizado por essa mesma sociedade.

No meio natural o homem retirava da natureza aqueles aspectos considerados fundamentais ao exercício da vida e que constituem a base material da existência do grupo. Já no período técnico, emerge o espaço mecanizado. Assim, os objetos que formam o meio não são apenas objetos culturais, eles são culturais e técnicos ao mesmo tempo.

A profunda interação da ciência e da técnica caracteriza um período correspondente a atualidade. Os objetos técnicos tendem a ser ao mesmo tempo técnicos e informacionais, já que, graças à extrema intencionalidade de sua produção e de sua localização, eles já surgem como informação; e, na verdade, a energia principal de seu funcionamento é também a informação.

Sem dúvida estamos diante de algo novo que é denominado tecnosfera e, ao mesmo tempo em que se instala um meio técnico-científico-informacional ou tecnosfera dependente da ciência e da tecnologia, cria-se, paralelamente, e com as mesmas bases, uma psicosfera. Assim, Santos (1996, p.204) afirma que:

A tecnosfera se adapta aos mandamentos da produção e do intercâmbio e, deste modo, frequentemente traduz interesses distantes; desde, porém, que se instala, substituindo o meio natural ou o meio técnico que a precedeu, constituindo um dado local aderindo ao lugar como uma prótese. A psicosfera, reino das ideias, crenças, paixões e lugar de produção de um sentido, também faz parte desse meio ambiente, desse entorno da vida, fornecendo regras à racionalidade ou estimulando o imaginário. Ambas – tecnosfera e psicosfera – são locais, mas constituem o produto de uma sociedade bem mais ampla que o lugar. Sua inspiração e suas leis têm dimensões mais amplas e mais complexas.

A presença conjunta, indissociável, de uma tecnologia e de uma psicosfera, funcionando de modo unitário, definem os espaços da globalização. Considerando que a tecnosfera e a psicosfera se caracterizam respectivamente, pelo mundo dos objetos, bem como pela esfera de ação e, que os objetos naturais ou artificiais, são híbridos já que não têm existência real, valorativa, sem as ações, portanto, concordamos com Santos (1996, p. 205), quando o mesmo afirma que “cada lugar, tanto se define por sua existência corpórea, quanto por sua existência relacional. É, portanto, dessa forma que os subespaços existem e se diferenciam uns dos outros”.

Considerando ainda as inúmeras variações escalares, bem como, buscando uma melhor compreensão de tais subespaços, enfocamos a seguir a noção de território. Uma visão de território a partir da concepção de espaço como um híbrido, ou seja, híbrido entre sociedade e natureza, entre política, economia e cultura, e entre materialidade e “idealidade”,

numa complexa interação tempo-espaço, na indissociação entre movimento e instabilidade relativa.

Tendo como pano de fundo esta noção “híbrida” de espaço geográfico, o território pode ser concebido a partir da imbricação de múltiplas relações de poder, do poder mais material das relações econômico-políticas ao poder mais simbólico das relações de ordem mais estritamente cultural. Daí a necessidade de considerarmos, de um lado, objetos susceptíveis de participar desse poder ou ordem e, de outro lado, regras de ação e de comportamento a que se subordinem todos os domínios da ação instrumental.

Da mesma forma que a noção de território, a noção de uma geografia das redes é essencial para a compreensão dos subespaços, aqui o termo rede apesar de sua polissemia, pode ser enquadrado sobre duas matrizes. A primeira considera seus aspectos e sua realidade material, ou seja, considera toda infraestrutura, e que se inscreve sobre um território onde se caracteriza pelos seus pontos de acesso, seus arcos de transmissão e seus nós de comunicação. A segunda, levando em conta o dado social, é, portanto, social e política devido às pessoas, mensagens e valores que ali se encontram. Assim, de acordo com Santos (1996, p. 209) “a noção de um espaço reticulado [...] vem dessa construção deliberada do espaço como quadro de vida, pronto a responder aos estímulos da produção em todas as suas formas materiais e imateriais”.

Na atualidade a tecnologia marca um momento ímpar do ponto de vista evolutivo, ou seja, os suportes das redes se encontram parcialmente no território, como também, parcialmente elaborados pela inteligência e contidos nos objetos técnicos. Com os recentes progressos da ciência e da tecnologia e com as novas possibilidades abertas à informação, a montagem das redes supõe a possibilidade de antever as funções que tais redes poderão exercer e isso tanto inclui a sua forma material, como as suas regras de gestão.

Contudo, se considerarmos o território como subespaços que se caracterizam por unidades espaciais como áreas ou zonas, pontos ou linhas ou, numa leitura não euclidiana, nós e redes, podemos refletir em termos de diferentes composições que esses elementos proporcionam. Aqui se evidencia um verdadeiro divisor de água, ou seja, a possibilidade de se fazer uma leitura dicotômica entre territórios e redes. Tal situação caracteriza um grande problema, pois territórios e redes não constituem unidades distintas, tampouco antagônicas, já que a rede pode ser vista como um elemento constituinte do território. Haesbaert (2004, p.291) apresenta a seguinte afirmação:

[...] não resta dúvida de que se trata não apenas de diferenças de grau ou quantitativas, em termos de ‘métricas’ no sentido de sua comparabilidade, mas também de diferenças da natureza, de níveis de reflexão distintos: a rede é um dos modos de organização presente em todo território que, enquanto espaço social, pode ou não estar centralizado neste modo de estruturação.

Nesse ponto, contrariamente a muitos autores geógrafos e não-geógrafos que fazem uma leitura dicotômica entre território e rede, trata-se aqui de evidenciar que a rede pode corresponder a um dos momentos constituintes do espaço ou dos subespaços.

Esse espaço de conectividade organizado pelo discurso quando leva em consideração uma reticularidade que normatiza uma sociedade a distância, tem nesse discurso a linguagem das normas e das ordens que atores longínquos fazem repercutir sobre outros lugares distantes. No entanto, lembremo-nos de que o tempo vivido pelos homens, empresas e instituições é sempre diferente de lugar para lugar, como também, não existe homogeneidade do espaço, bem como das redes. Santos (1996, p. 213) afirma que “o espaço permanece diferenciado e esta é uma das razões pelas quais as redes que nele se instalam são igualmente heterogêneas”.

Portanto, como as redes não são uniformes, há uma superposição das mesmas em um mesmo subespaço. Logo, considerando o seu aproveitamento social, observam-se desigualdades no seu uso, bem como, o controle e regulação de seu funcionamento implica em diversos papéis a serem exercidos pelos agentes desse processo. Dessa forma, Santos (1996, p.214) afirma:

Numa situação em que as virtualidades de cada localização estão sempre mudando, instala-se o que bem se pode denominar de guarda dos lugares. [...] Na batalha para permanecerem atrativos os lugares utilizam de recursos materiais (como estruturas e equipamentos), imateriais (como os serviços). E cada lugar busca realçar suas virtudes por meio de seus símbolos herdados ou recentemente elaborados, de modo a utilizar a imagem do lugar como ímã.

Por outro lado, o advento do progresso técnico possibilita cada vez mais a globalização das redes, as quais seriam incompreensíveis se apenas as enxergássemos a partir de suas manifestações locais, embora tais manifestações sejam indispensáveis para entendermos como são essas redes em escala global. É esse movimento entre o global e o local que é enfatizado por Santos (1996, p. 215) ao afirmar que é a “partir do movimento privilegiado [...] que podemos descobrir o movimento global através dos movimentos

particulares”, lembra-nos de que “todos esses ciclos são contemporâneos e sincronizados; eles coexistem, estão misturados e somam ou subtraem seus movimentos diante das oscilações do conjunto”.

Considerando as redes, podemos reconhecer três níveis de totalidade no espaço. A primeira correspondente ao espaço global, constituindo-se na novidade de nosso tempo em função do avanço da tecnologia. A segunda corresponde a um subespaço, aqui denominado de território, tratando-se de uma formação socioespacial, cuja totalidade resulta de um contrato e é limitado por fronteiras. A terceira é o subespaço correspondente ao lugar, onde os fragmentos da rede ganham uma dimensão única e socialmente concreta.

Devemos observar quanto a segunda totalidade que a globalização das redes enfraquece as fronteiras e compromete o contrato, mesmo se ainda restam aos Estados diversas formas de regulação e controle dessas redes em seu território. Estamos, portanto, diante de um movimento dialético propiciado pelas redes que, por um lado, opõe o mundo ao território e o lugar e, por outro lado, confronta o lugar ao território tomado como um todo. Consequentemente, a questão do poder é inseparável quanto a existência das redes, poder entendido aqui como a capacidade de uma organização controlar os recursos necessários ao funcionamento de outra organização.

Há que se considerar ainda, partindo-se do movimento em tela, ou seja, das ordens e desordens inerentes às totalidades no espaço global e respectivos subespaços, a fluidez. Característica da atualidade a exigência de fluidez para a circulação de ideias, mensagens e produtos interessa aos sujeitos hegemônicos. Baseada nas redes técnicas, essa fluidez propicia um dos suportes da competitividade, daí a busca voraz por cada vez mais fluidez, tornando-se a mesma, em causa, condição e resultado.

Uma fluidez que deve estar sempre sendo ultrapassada é responsável por mudanças constantes do valor dos objetos e dos lugares. Assim, essa busca desenfreada por fluidez implica no reconhecimento de que o ritmo que se pede a cada objeto, para que participe eficazmente da aceleração desejada, supõe que se conheça de antemão os tempos, as velocidades, as frequências e os custos de seu uso. Daí a previsão de seu desempenho, bem como a capacidade de se deixar medir, o que caracteriza a sua estandardização.

Mas como os objetos não são distribuídos de forma homogênea no espaço global, bem como as normas não são todas universais, nem seu alcance geográfico é igual, como também, a informação se dá segundo diferentes escalas. Santos (1996, p. 221), seguindo esse raciocínio, cita Edgar Morin para evidenciar que “o mundo em via de homogeneização, de

unificação e de organização, ao mesmo tempo está em via de heterogeneização, de desorganização, de conflito e de crise”.

Portanto, as redes são, ao mesmo tempo, concentradoras e dispersoras, mediante as mesmas há uma criação paralela e eficaz de ordens e desordens nos subespaços. Assim, Santos (1996, p.222) coloca que:

[...] a rede é global e local, una e múltipla, estável e dinâmica, faz com que a sua realidade, vista num momento de conjunto, revele a superposição de vários sistemas lógicos, a mistura de várias racionalidades cujo ajustamento, aliás, é presidido pelo mercado e pelo poder público, mas, sobretudo pela própria estrutura socioespacial.

Aqui evidenciamos a importância de considerarmos o espaço como um híbrido, um misto que nos leva à necessidade de compreender o espaço através de uma forma-conteúdo e considerar os sistemas técnicos como uma união entre tempo e matéria, entre estabilidade e história.

Segundo o raciocínio voltado à compreensão das ordens espaciais e partindo da constatação de que o espaço é capaz de ser descrito como um sistema de objetos animado por um sistema de ações fica evidente a necessidade de identificar categorias analíticas que deem conta da inseparabilidade do “funcional” e do “territorial”.

Atualmente, os arranjos espaciais não se dão apenas através de figuras formadas de pontos contínuos e contíguos que possibilitam uma leitura cartográfica, ao lado ou sobre esses espaços. Há também inúmeros pontos descontínuos, mas interligados que definem um espaço de fluxos reguladores, possibilitando uma visualização topológica.

Consequentemente, se considerarmos as segmentações e partições presentes no espaço, evidenciamos dois recortes já citados, aqui identificados por Santos (1996, p. 225) como as categorias “horizontalidade” e “verticalidade”. A primeira corresponde, por um lado, às extensões formadas de pontos que se agregam sem descontinuidade, por outro lado, a segunda compreende os pontos no espaço que separados uns dos outros asseguram o funcionamento global da sociedade e da economia.

Como o espaço se compõe desses recortes de forma inseparável, torna-se imprescindível entendermos essas novas formas relacionais ou de solidariedade entre os lugares, já que, enquanto as horizontalidades são o locus de uma cooperação mais limitada, as verticalidades dão, sobretudo, conta dos outros momentos da produção aqui identificados

como circulação, distribuição e consumo, constituindo-se num veículo de cooperação mais ampla.

Portanto, a verticalidade cria interdependências tanto mais numerosas e atuantes quanto maiores as necessidades de cooperação entre lugares. Tal constatação é evidenciada por Santos (1996, p. 226) quando mostra que “a funcionalidade não é mais o que se adapta a um fim, mas uma ordem de sistema”, logo o que temos na atualidade se caracteriza pelo que chamamos de solidariedade ou cooperações organizacionais.

Tais cooperações organizacionais existentes em um espaço caracterizado pela inseparabilidade dos recortes em tela remetem-nos à noção de um espaço racional. Aqui a racionalidade é compreendida como uma atividade racional voltada a um determinado fim.

Santos (1996, p. 231) cita Jurgen Habermas para demonstrar que a racionalização designa a extensão dos domínios da sociedade submetidos aos critérios de decisão racional, sendo que tal racionalização resultaria de um “progresso cumulativo das forças produtivas [...] ao nível de um território” com a “extensão horizontal” dos subsistemas da ação racional.

Na atualidade podemos considerar o espaço como “racional” desde que o vejamos como um campo de ação instrumental e, somente a partir das novas técnicas de transmissão e coleta de informação, torna-se possível falar de fluidez do território. Por esse motivo, a noção de racionalidade do espaço se impõe claramente.

Essa racionalidade reflete uma convergência entre a tecnologia e a função desejada. Santos (1996, p. 233) aponta a noção de “objeto técnico concreto”, para evidenciar “um máximo de intencionalidade existente” nesses objetos, sendo a concretização o movimento da técnica. As características desses objetos são contemporâneas com a difusão no território de objetos informacionais, as quais oferecem às ações o máximo em eficiência e resultados. Desse modo, Santos (1996, op.cit.) afirma que:

Os objetos são informados, por sua carga específica de intencionalidade, e não funcionam senão a partir de uma informação que é também específica. Essa informacionalização do espaço tanto é a dos objetos que forma o seu esqueleto material, como a das ações que o percorrem, dando-lhe vida.

Devemos observar mais uma vez o fato de que nesta linha de raciocínio, o espaço é visto como um misto, um híbrido, formado da união indissociável de sistemas de objetos e de sistema de ações. Os sistemas de objetos formam as configurações territoriais, onde a ação dos sujeitos vem se instalar para criar um espaço. Portanto, o espaço geográfico é um campo

de ação racional, o qual deriva da técnica presente nas coisas e nas ações, não cabendo aqui nenhuma abordagem dualista.

A partir do grau de intencionalidade dos objetos se origina a autorização para o fazer, caracterizando fluxo, sendo que tal fazer deriva das técnicas. No entanto, devemos observar que esse fluxo não abrange todo o espaço. Segundo Milton Santos (1996, p. 232), trata-se de “um subsistema formado por pontos ou, no máximo linhas e manchas onde o suporte essencial são os artefatos destinados a facilitar a fluidez [...]”.

Ainda quanto à racionalidade, Santos (1996, p. 237-38) menciona Jurgen Habermas e Jean Paul Sartre para, respectivamente, evidenciar que é através da técnica que se realiza a “objetivação progressiva da atividade racional com relação a um fim” e que “a práxis inscrita no instrumento pelo trabalho anterior define a priori as condutas [...]”.

Essa ordem da técnica se transfere ao espaço tecnicizado, tratando-se de uma ordem visível nas formas. Mas Santos (1996, p. 239) evidencia que as coisas são “a superfície de uma ordem abstrata” dada pelas relações invisíveis, cujo fundamento é a própria tecnicidade dos objetos. Dessa forma, dá-se uma dupla produção de ordem: aquela que é produto da existência de cada objeto, como também, aquela que resulta de seu arranjo. Em ambos os casos é uma ordem que arrasta outros objetos e ações, constituindo-se um resultado da própria sistematicidade das técnicas.

Santos (1996, p. 240) mostra-nos que espaço da racionalidade “funciona como um mecanismo regulado, onde cada peça convoca as demais a se por em movimento, a partir de um comando centralizado”. Aqui se encontra a lógica da natureza artificializada.

Porém, nesse ponto devemos refletir de forma mais acurada sobre a lógica sistêmica inerente a realidade.

Considerando uma concepção espacial que aponte o espaço como produto de inter- relações, ou seja, o espaço como a esfera do encontro ou não de trajetórias, onde as mesmas coexistem e afetam uma a outra. Constatamos dessa forma que em tal espaço forçosamente, há coexistência da(s) diferença(s), o que nos leva a compreensão da existência de trajetórias relativamente independentes.

Assim, concordamos com uma concepção espacial que considera o mundo como uma construção através de inter-relações. No entanto, há que se evidenciar o fato de que se todas as relações já se encontram previamente estabelecidas, onde tudo já esteja conectado com tudo, há nesse entendimento o perigo de se alcançar um fechamento totalizante, apontando para uma coerência fechada não existindo nenhuma abertura para o novo.

Nesse ponto, enfatizamos a necessidade de visualizarmos um “sistema” aberto no qual contenha relações existentes, mutáveis e futuras.

Benzer Belgeler