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2.1- Relações de poder, autoridade e violência

A perspectiva de Foucault sobre o estudo das relações de poder é fundamental para a análise das condições requeridas para que as grandes estratégias de poder se exerçam em micro-relações. As relações de poder são, segundo este autor: “um feixe aberto de relações mais ou menos organizado, mais ou menos piramidalizado, mais ou menos coordenado” (FOUCAULT, 1989, p.47).

Permeadas por definições variadas, as questões do poder/autoridade serão abordadas aqui segundo a perspectiva de alguns autores, para que este tema seja, de maneira eficaz, aclarado para nosso estudo. Norberto Bobbio afirma que “poder” significa “uma faculdade, potência legalmente atribuída, possibilidade e capacidade de fazer (...); significa usar uma força para fazer valer a própria vontade, a legítima atualização da vontade” (BOBBIO, 1989, p.47). Seguindo seu raciocínio, o autor define “autoridade” como um ato gerador de qualquer coisa ou de alguém, fonte ou origem, como está bem expresso na área lingüística e cultural pelo termo latino auctoritas, que tem os seguintes significados: gerar, propor, sustentar, desenvolver, autorizar, consentir (Ibidem, p.47).

José Gil trata da questão do poder e da autoridade fazendo uma ligação entre eles:

A autoridade é atributo do poder que se confere quando é legitimado por um consenso; não existe autoridade não

reconhecida ou não admitida. O exercício legítimo do poder confere a autoridade; esta pressupõe aquela transferência de forças do qual o prestígio constituiu um excedente, já não como um poder que ultrapassa as fronteiras das competências originais, mas enquanto “poder do poder”. Não se trata de um atributo do prestígio, mas de um atributo de poder. Os indivíduos que reconheceram a autoridade de um chefe aceitam que ele mande; a relação social de reciprocidade encontra-se desequilibrada neste plano, visto que um tem de mandar para que outros obedeçam. (GIL,1989, p.73)

Vimos no parágrafo anterior a relação entre poder e autoridade, ou seja, o poder não é basicamente estar em condições de impor a própria vontade contra qualquer resistência. É, antes, dispor de uma confiança tal que o grupo confie aos detentores do poder a realização dos fins coletivos. Em suma, é dispor de uma autoridade, sem que esta autoridade implique uma idéia de coerção.

Em seu livro O que é poder? Gérard Lebrun afirma que “o poder que possuo é a contrapartida do fato de que alguém não o possui”. E apresenta um simples exemplo, o de um professor que adota a informalidade na relação entre ele e seus alunos e permite que os mesmos o chamem de “você”. Ainda assim, detém um poder (de dar-lhes notas) que os alunos não têm sobre ele. Isto é o essencial (LEBRUN, 1984, p.18).

Bobbio usou as palavras potência e força em sua definição de “poder”. Lebrun dirá que “potência” designa uma virtualidade, uma capacidade determinada, que está em condições de exercer-se a qualquer momento. E que “força” não significa necessariamente a posse de meios violentos de coerção, mas de meios que permitem influir no comportamento de outra pessoa (Ibidem, p.12). A força não é sempre um ato físico e direto; pode ser o uso da sedução, da manipulação, do conhecimento, etc. A força é a canalização da potência, é a sua determinação. E é

graças a ela que se pode definir a potência das relações sociais ou, mais especificamente, políticas.

Seguindo com as idéias iniciais de Foucault, é recomendado o estudo das relações de poder em práticas efetivas, onde produz efeitos reais. De acordo com suas palavras:

O poder deve ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia. Nunca está localizado aqui ou aí, nunca está nas mãos de alguns, nunca é apropriado como uma riqueza ou um bem. O poder funciona e se exerce em rede. Nas suas malhas os indivíduos não só circulam, mas estão sempre em posição de exercer este poder e de sofrer sua ação; nunca são os alvos inertes ou consentidos do poder, são sempre centros de transmissão (FOUCAULT, 1979, p.183).

Assim, para este autor, ninguém escapa das relações de poder, o que significa também que todos estão em condições de disputá-lo e, portanto, de resistir ao seu exercício, o que coloca a possibilidade de luta e da construção de um contra- poder. Com esta concepção, Foucault nega algumas premissas da ciência instituída: que o poder deve ser analisado a partir do Estado e de seus aparelhos repressivos; e que este tenha sempre um caráter negativo, posto que associado à violência e à repressão.

Para Foucault, embora nas sociedades ocidentais o poder seja representado, predominantemente, de forma negativa, em sua acepção jurídica, deve-se chamar a atenção para o fato de que ele também possui um sentido positivo (sem conotação moral), à medida que tem eficácia produtiva, posto que visa a moldar e aprimorar o indivíduo.

Com isso, este autor não nega o lugar estratégico ocupado pelo Estado nas relações de poder, nem tampouco desconhece que tais relações de poder sejam caracterizadas pela desigualdade. Refuta apenas a idéia de que as relações de poder, difusas ao nível da sociedade, sejam derivadas única ou exclusivamente do Estado. Recusa também a interpretação de que os indivíduos compõem uma massa inerte, homogênea, sobre a qual o poder seria exercitado.

As relações de poder são constitutivas de um dado campo de força, fomentando seu constante movimento e sua reprodução. Esta é entendida como produção simultaneamente do mesmo (existência de estruturas relativamente estáveis) e do novo (mudança). Trata-se, portanto de uma lógica contraditória (SAFFIOTI, 1988, p.152).

Há que se problematizar como as relações de violência se inscrevem em um dado campo de força. Vasquez, ao analisar a relação entre a violência e a práxis10 social, observa que o objeto da violência é formado por seres que corporificam relações sociais, e não por indivíduos abstratos. Nas palavras do autor:

As ações humanas que se exercem sobre eles não se dirigem tanto ao que têm de seres corpóreos, físicos e sim a seu ser social; ou seja, à sua condição de sujeitos de determinadas relações sociais, econômicas, políticas, que se encarnam e cristalizam em determinadas instituições; instituições e relações que não existem, portanto, à margem dos indivíduos concretos (VASQUEZ, 1977, p.378).

Convém, neste momento, fazer uma breve abordagem sobre a violência como atributo humano, de acordo com o pensamento de Vasquez. Segundo ele, toda

10Atividade orientada para um resultado, por oposição a conhecimento; ação; na filosofia marxista, o conjunto de práticas que

permitem ao Homem, pelo seu trabalho, transformar a Natureza, transformando-se também a si mesmo, numa relação dialéctica. Disponível em: www.priberam.pt

práxis é um processo de formação, ou mais exatamente, de transformação de uma matéria. Destacamos neste fragmento sua justificação:

O sujeito imprime uma determinada forma à matéria depois de havê-la desarticulado ou violentado. O curso desse processo leva em conta a natureza do objeto de sua ação para poder desarticulá-lo e moldá-lo. Por outro lado, o objeto só é objeto da atividade transformadora do sujeito na medida em que perde sua substantividade para converter-se em outro (VASQUEZ, 1977, p.373).

Para Vasquez, o objeto é tirado de sua própria legitimidade para se expor ao que o sujeito estabelece com sua atividade. O objeto sofre assim a influência de uma lei exterior e, na medida em que aceita a legalidade estranha que lhe é imposta, se transforma. Assim, segundo ele, a transformação do objeto exige, por um lado, o reconhecimento e a submissão a sua legalidade e, por outro lado, sua alteração ou destruição. Quando esta alteração ou destruição se exerce sobre um objeto real, físico, pode ser considerada violenta, e os atos realizados para alterar ou destruir sua resistência física podem ser considerados violentos. A violência como característica humana é aclarada neste fragmento:

Na medida em que a atividade prática humana se exerce sobre um objeto físico, real, e exige a alteração ou destruição física de sua legalidade ou de algumas de suas propriedades, pode-se dizer que a violência acompanha a práxis. A violência se manifesta onde o natural ou o humano, como matéria ou objeto de uma ação, resiste ao homem. Verifica-se justamente numa atividade humana que detém, desvia e finalmente altera uma legalidade natural ou social. Nesse sentido, a violência é exclusiva do homem, na medida em que ele é o único ser que para manter-se em sua legalidade propriamente humana necessita destruir ou violar constantemente uma legalidade exterior (a da natureza). (Ibidem,p.373)

Vasquez conclui que, como destruição de uma ordem estabelecida, a violência é um atributo humano, mas que não se mostra apenas pela presença da força. Na natureza há forças naturais, mas a violência não é a força em si, ou em ação, mas sim o uso da força. Na natureza, as forças atuam, mas não se usam; só o homem usa a força em si mesma como força. Por isso, ele diz que força em si não é violência, e sim apenas a força usada pelo homem. Daí o caráter exclusivamente humano da violência.

A práxis esbarra no limite oferecido por indivíduos e grupos humanos. A violência se insere na práxis na medida em que tende a vencer ou a saltar um limite através da força. O corpo é o objeto primeiro e direto da violência, mesmo que esta, a rigor, não se dirija em última instância ao homem11 como ser meramente natural, e sim como ser social e consciente. A violência visa a dobrar a consciência, obter seu reconhecimento, e a ação que se exerce sobre o corpo dirige-se, por isso, a ela (VAZQUES, p.379-380).

É evidente que a violência não tem caráter absoluto, posto que não prescinde de uma base legitimadora para seu exercício, revelando, por outro lado, que a ideologia subjacente às relações opressoras não é suficiente para assegurar a subordinação de seres singulares ou de categorias humanas, uma vez que tais relações não se produzem ao largo das lutas pelos poder. Se existissem adversários a priori vencidos, deixariam de se apresentar nesta condição. Em outras palavras, a violência é reguladora das relações sociais, como nos momentos em que transformações substantivas nas relações de gênero, por exemplo, são ameaçadoras para a ordem social vigente.

2.2 – A sociabilidade da mulher na Argentina

A participação da mulher na sociedade argentina começou através de sua circulação no Salão Literário, através dos trabalhos de beneficência e se destacou com a implementação das atividades educacionais para as mulheres durante o governo de Sarmiento. Veremos, agora, como ocorreu cada forma de participação.

Como vimos no tópico 1.3, o Salão Literário surgiu no século XVII na França e se estendeu por toda Europa, sobretudo, a partir do século seguinte. Estes estabelecimentos recebiam pessoas, em sua maioria homens, que difundiam idéias políticas e científicas. Eram espaços importantes para a mobilização social, para o intercâmbio de idéias e diversos debates.

A instituição do salão não servia somente aos interesses políticos dos homens, também estava ao serviço da mulher que carecia de aspirações de participação social ou política, mas que se preocupava pelo seu futuro imediato. De fato, o salão proporcionava às mulheres a oportunidade de conhecer seus futuros maridos. Esta função adquiria suma importância na sociedade da época, onde cada classe se perpetuava a si mesma com o fim de preservar o patrimônio da classe, por um lado, e de impedir que a classe trabalhadora ascendesse mediante o casamento aos bens de uma classe superior aos quais não tinham direito segundo a ordem social estabelecida. Os salões puderam cumprir esta função porque desde seu começo foram mistos (GARRELS, 1989, p.27-38).

O perfil social do salão consistia nos seguintes elementos: a conversa, o jogo de cartas, os bailes, a execução de peças musicais, e, para tanto, requeria a participação feminina. Graças à presença simultânea de ambos os sexos sob um mesmo teto, a intervalos regulares, estabelecendo vínculos com os de sua classe,

se asseguravam a perpetuação do patriarcado, assim como o futuro político da nação independente. Ainda no vice-reino havia começado a se difundir a moda francesa dos salões, que no universo portenho se resumiu à figura modesta das tertúlias. Estas se manifestavam num estilo sem muita formalidade, enquanto em países como a França a progressiva complexidade dos modelos e das formas sociais havia levado a reforçar o caráter exclusivo dos círculos aristocráticos do século XIX (MYERS, 1999, p.119).

Podemos destacar este fragmento como exemplo da sociabilidade12 de um salão na América Hispânica:

A sociedade em geral de Buenos Aires é agradável: depois de ser apresentado a uma família, era considerado elegante visitá-la, num horário em que se crê mais conveniente sendo sempre bem recebido (...) Estas tertúlias são muito agradáveis e desprovidas de toda cerimônia, o que constitui parte de seu encanto. À noite a família se congrega na sala cheia de visitantes, especialmente se a casa pertence a alguém importante. As diversões consistem em conversas e debates, mas também há valsa, música e algumas vezes canto. Ao entrar, se saúda a dona da casa e esta é a única cerimônia.13 (tradução nossa)

A segunda instituição que facilitou o contato da mulher com o mundo fora do lar foi fundada em 1823 por Bernardino Rivadavia antes de sua presidência, enquanto era ministro, no governo de Martin Rodrigues (1820-1824). A Sociedade de Beneficência seria o primeiro modelo de instituição de caridade, surgida em

12Qualidade do que é sociável; propensão para a vida em sociedade; urbanidade. Disponível em: www.priberam.pt

13

MYERS, 1999, p.120. No original: La sociedad en general de Buenos Aires es agradable: después de ser presentado en forma a una família, se considera completamente dentro de la etiqueta visitar a la hora que uno crea más conveniente, siendo siempre bien recebido(...) Estas tertúlias son muy deliciosas y desprovistas de toda ceremonia, lo que constituye partede su encanto. A la noche la família se congrega en la sala llena de visitantes, especialmente si la casa es de tono. Las diversiones consisten en conversación y debates, pero también, valsar música algunas veces canto. Al entrar, se saluda a la dueña de casa y ésta es la única ceremonia.

Buenos Aires durante a primeira metade do século XIX, a congregar oficialmente as mulheres portenhas da classe alta num grupo de caráter filantrópico e educativo. Um dos objetivos principais desta associação era o de prover serviços sociais aos mais desamparados: as mulheres e as crianças; já que a vida social sob os governos liberais da década de 1820 havia retirado das mãos do clero a assistência pública (MYERS, 1999, p.139).

A Sociedade de Beneficência se ocupou das crianças órfãs, de mães solteiras, com doenças físicas e mentais, quer dizer, dos mais variados desvalidos. Para as mulheres membros da sociedade, significou a oportunidade de pôr seu talento e energia ao serviço de projetos úteis, alheios à frivolidade dos salões e das horas de ócio improdutiva passadas em seu lar. Mariquita Sánchez de Mendeville figurava entre as damas patrícias designadas por Rivadavia como as primeiras administradoras deste órgão do Estado. Participou até 1834, ano anterior a seu exílio (LITTLE, 1985, P.272-273).

Outra função importante da Sociedade de Beneficência foi a de fundar e administrar estabelecimentos educativos públicos para meninas. No entanto, somente depois da queda de Rosas (1852) pôde prosperar esta faceta da obra social dirigida por mulheres, dado que o governante decretara seu fechamento em 1838 (MASIELLO, 1997, p.32). Voltou a funcionar em 1852 e até 1876 esta entidade pública teve o monopólio da educação feminina na cidade de Buenos Aires (LITTLE, 1985, p.277).

Em última instância, a Sociedade de Beneficência, assim como o salão literário, constituía um lugar intermédio entre o privado e o público. O caráter ambíguo de ambas as instituições, uma formal e a outra informal, manteve de fato a

mulher afastada dos altos círculos da política partidária que dominou o panorama nacional de 1810 até 1880. A mulher da classe alta, apesar da relativa liberação do recinto do lar que representavam, nesta época de guerra civil permanente, a Sociedade de Beneficência e o salão, continuava ocupando um lugar marginal (MYERS, 1999, p. 139).

A terceira instituição que permitiu à mulher ingressar na vida social foi a escola. A criação de escolas para meninas estava submetida à polêmica de convir ou não educar formalmente a mulher. Na colônia, a educação pública, especificamente aquela dirigida à mulher, havia sido inexistente. Posteriormente, durante o governo de Rosas, o estado da educação continuou sendo deplorável, segundo consignam a maioria das fontes históricas.

Na cidade de Buenos Aires, antes da criação da Sociedade de Beneficência, havia somente uma escola pública para mulheres, a de San Miguel. As demais eram privadas e careciam de controle da qualidade de ensino. No nível secundário, existiam na década de 1840 dois colégios para homens, o Colégio Republicano Federal e o Colégio San Martin; mas não havia nenhum para meninas. As que queriam aprender algo deviam recorrer às aulas particulares, com que ganhavam a vida mulheres como Rosa Guerra, uma das primeiras jornalistas do país (MYERS, 1999, p. 139). Durante o período rosista, os intelectuais que se expressaram com mais veemência sobre o tema da educação da mulher foram Juan Bautista Alberdi e Domingo Faustino Sarmiento. A visão de Alberdi14 não diferia da posição do próprio Rosas ao se opor ao estímulo da educação pública para a mulher. Em seu livro

14 Juan Bautista Alberdi (29 de agosto de 1810 - 19 de junho de 1884) foi um argentino teórico, político e diplomata. Embora

ele tenha vivido a maior parte de sua vida no exílio, em Montevidéu e no Chile, ele foi um dos mais influentes argentinos liberais da sua época.

Bases y puntos de partida para la organización política de la República Argentina ele manifesta esta visão com respeito a esta questão no seguinte argumento:

A mulher como artifício modesto e poderoso, que desde seu lugar faz dos costumes privados e públicos, organiza a família, prepara o cidadão, joga com as bases do Estado, sua instrução não deve ser brilhante. Não deve consistir em talentos de ornamento e luxo exterior, como a música, o baile, a pintura, segundo sucedeu até aqui. Necessitamos de senhoras e não de artistas. A mulher deve brilhar com o brilho da honra, da dignidade, da modéstia de sua vida. Seus destinos são sérios; não vieram ao mundo para ornamentar o salão, e sim para embelezar a solidão fecunda do lar. Apegar- se a sua casa é salvá-la e para que a casa a atraia, deve-se fazer dela um éden. Compreende-se que a conservação desse éden exige uma assistência e um trabalho incessante e que uma mulher trabalhadora não tem tempo a perder, nem o gosto de se dissipar em vãs reuniões.15 (Tradução nossa)

O perigo que se associava com a educação da mulher era o de contaminar a pureza de seu espírito, garantia de sua afetividade como esposa e mãe de futuros cidadãos da pátria. Alberdi, que acunhou o lema “governar é povoar” 16, acreditava que a elevação da raça crioula deveria ser obrigação da mulher perante o Estado.17

O homem que realmente trabalhou a favor da educação da mulher e sua maior participação na vida ativa foi Sarmiento18. Convencido de que a mulher superava o homem como educadora de crianças e jovens, instituiu amplos

15 ALBERDI, 1914, p.79-80. No original: En cuanto a la mujer, artificie modesto y poderoso, que desde su ricón hace las

costumbres privadas y públicas, organiza la família, prepara el ciudadano, echa las bases del Estado, su instrucción no debe ser brillante. No debe consistir em talentos de ornato y lujo exterior, como la musica, el baile, la pintura, según há sucedido hasta aqui. Necesitamos señoras y no artistas. La mujer debe brillar com el brillo del honor, de la dignidad, de la modéstia de su vida. Sus destinos son sérios; no han venido al mundo para ornar el salón sino para hemorsear la soledad fecunda del hogar. Darte apego a su casa, es salvarla y para que la casa la atraiga, se debe hacer de ella um éden. Bien se comprende que la conservación de esse éden exige uma asistencia y uma laboriosidad incesantes y que uma mujer laboriosa no tiene tiempo de perderse, ni el gusto de disiparse en vanas reuniones

16 gobernar es poblar

17 Não obstante, Alberdi se caracteriza por suas contradições, de modo que se encontram também escritos que sustentam esta

afirmação. Em Obras Completas de Juan Bautista Alberdi, v.8 p.396-397, temos: “Creia que la Argentina sólo podría avanzar

Benzer Belgeler