ĠBN SĠNA’DA MODAL ÖNERMELER
1. Modal Önermelerde Sentaks ve Semantik
1.4. Madde-Mod Ayrımı
O Brasil foi um dos países enfocados no levantamento sobre a incidência da ancilostomíase ao redor do mundo publicado por Wickliffe Rose em 1911. No país, o questionário enviado por Rose foi respondido por Oswaldo Cruz e Adolpho Lutz, entre outros. A resposta de Lutz sobre a situação da ancilostomíase em terras brasileiras foi a seguinte:
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Rose to Hackett, April 26, 1917 (Rockefeller Archive Center, doravante RAC, Rockefeller Foundation, doravante RF, Record Group, doravante RG, 1.1, Series 305Hookworm, doravante H, Sub-Series H, Box 15, Folder 133).
Rio de Janeiro, 5 XII 11. Dear Sir,
I received your letter of Oct. 10th and the copy of the Annual Report and thank you for both. I shall be pleased in receiving all the reports issued. As for your question I can tell you the following:
The infection in Brazil is very widely distributed if not found everywhere. The approximate [sic] estimate of the degree of infection varrios [sic] very much according [sic] to locality. It is however as far as I know, everywhere a chronic disease that is to say the infectious conditions are not at the highest degree. There is as yet no general measure officially [… parte não legível]. You will find some more informations [sic] in my publications on Ankylostomiases which, though written 25 years ago, still represent the conditions, as they are generally found.
Hoping these informations [sic] may satisfy you, I am Dear Sir,
Yours truly, Adolpho Lutz.273
Para Lutz, que realizara, como vimos, importantes estudos sobre a ancilostomíase ainda no século XIX, a doença era crônica no Brasil e podia ser encontrada por todo o país. Não havia, segundo ele, medidas gerais oficiais de combate à doença no Brasil. Baseando-se nas repostas dos cônsules norte-americanos no Pará, na Bahia, em Santos e no Rio de Janeiro, e do Diretor do Comércio e da Indústria de São Paulo, entre outros, Rose afirmou que a ancilostomíase podia ser observada em praticamente todos os estados brasileiros, mas que parecia ser mais grave no norte e no centro do país.274
O Brasil já atraía a atenção da Fundação Rockefeller há muitos anos quando, em 1915, como resultado de reuniões do comitê executivo da International Health Board, ficou decidido que o país seria o primeiro a ser analisado em um levantamento preliminar – survey – sobre a situação da saúde e da medicina a ser realizado nos principais países da América do Sul.275
A escolha do Brasil estava ligada a diversos fatores, entre os quais as relações diplomáticas amigáveis entre o Brasil e os Estados Unidos no período, a posição de liderança
273 Lutz to Rose, December 5, 1911 (RAC, RF, RG 5, Series 1.2 Correspondence, Sub-Series 305 Brazil, Box 6,
Folder 92).
274 ROSE, 1911, p. 22-23 (BUC).
275 CUETO, 1994, p. 3. Sobre os relatórios produzidos a partir dos surveys realizados pela Fundação Rockefeller,
Marcos Cueto afirma que “the reports reveal the main assumptions about science, medicine, and development that informed the early philanthropic efforts in Latin America” (Ibidem, p. 1).
no continente sul-americano atribuída ao país e a profunda impressão que os trabalhos realizados por Oswaldo Cruz contra a febre amarela e a peste bubônica haviam causado nos membros da Fundação.276 O fato de a ancilostomíase já ser uma preocupação entre governantes e médicos, como vimos no primeiro capítulo deste estudo, também pode ter contribuído para a escolha do país.
Além disso, Marcos Cueto afirma, a partir da análise da documentação da Fundação Rockefeller, que a escolha do Brasil sugere que a Fundação buscou estabelecer programas em países latino-americanos que apresentassem menos obstáculos à implantação efetiva de novas medidas de saúde pública e onde os funcionários da Fundação esperavam uma boa acolhida por parte da burocracia governamental e das elites médicas.277
A partir de sinalizações positivas do Departamento de Estado norte-americano e do governo brasileiro, a Fundação enviou uma Comissão que visitaria o país em 1916278, ano em que, como vimos, Miguel Pereira proferiu seu polêmico discurso caracterizando o país como um imenso hospital e o relatório da expedição médico-científica do Instituto Oswaldo Cruz ao interior, de 1912, foi publicado.
A Comissão Médica – Medical Commission to Visit the Republic of Brazil – era composta por Richard M. Pearce, John A. Ferrell e o já mencionado Bailey K. Ashford e tinha como objetivos estudar a educação médica, as doenças prevalentes, as condições sanitárias e as agências de saúde pública do país.279
276 CASTRO SANTOS, 1989, p. 105 apud CASTRO SANTOS; FARIA, 2003, p. 49-50; CUETO, 1994, p. 3. No
plano econômico-financeiro, Boris Fausto sublinha que houve, durante a República Velha brasileira, uma tendência a um maior relacionamento com os Estados Unidos, o que se tornou mais nítido na década de 1920. Desde a I Guerra Mundial, o valor das importações dos EUA já superava o das importações da Grã-Bretanha (FAUSTO, 2001, p. 165).
277 CUETO, 1994, p. 12.
278 Segundo Lina Faria, uma primeira Comissão, formada pelo bacteriologista William Henry Welch e por
Wickliffe Rose, veio ao Brasil já em 1915. Segundo a autora, “a Comissão viajou ao Estado de São Paulo com o objetivo de identificar áreas de atuação e coletar informações sobre as condições favoráveis ao combate das doenças infecciosas, como a malária, a ancilostomíase e a febre amarela” (CASTRO SANTOS; FARIA, 2003, p. 68). Segundo os integrantes desta primeira Comissão, a situação das populações rurais de todo o país era calamitosa. De acordo com documentação da Fundação Rockefeller, tanto o governo brasileiro quanto o Instituto Oswaldo Cruz reagiram positivamente frente à possibilidade da vinda de uma Comissão da Fundação em 1916. O governo brasileiro, através de seu serviço de saúde pública [DGSP], afirmava que “will welcome with very special pleasure the visit of the said Commission and will render it all the assistance in its power in order that it may study tropical diseases and the methods employed in this country to combat them”. Oswaldo Cruz também se colocou à disposição para receber os cientistas norte-americanos (Brazil, Medical Commission, January 25, 1916 – RAC, RF, RG 1.1 – Projects, Series 305 – Brazil, Sub-Series A (Medical Sciences), Box 2, Folder 15).
279 Richard Mills Pearce (1874-1930) era médico patologista, professor da University of Pennsylvania e foi
Diretor da Medical Sciences Division (1919-1930). John Atkinson Ferrell (1880-1965) também era médico e havia sido Diretor Estadual da Sanitary Commission for the Eradication of Hookworm Disease para a Carolina do Norte entre 1910 e 1913. Foi Diretor Associado da International Health Board entre 1914 e 1944. Bailey Ashford (1873-1934) era médico e major do exército norte-americano (To whom it may concern, January 21, 1916 – RAC, RF, RG 5, Series 1, Sub-Series 2 – 1916 – 305 Brazil, Box 28, Folder 434; CASTRO SANTOS;
Durante quase cinco meses, entre 22 de janeiro e seis de maio de 1916, os membros da Comissão visitaram faculdades e escolas de medicina, hospitais e outras instituições, além de departamentos e diretorias de saúde, e conversaram com médicos, professores e diretores, e também com cidadãos norte-americanos residentes no país, em diversos estados: Rio de Janeiro (Rio de Janeiro e Niterói), Minas Gerais (Belo Horizonte), Rio Grande do Sul (Porto Alegre, Rio Grande e Pelotas), São Paulo (São Paulo, Santos, Campinas), Bahia, Paraná (Curitiba e Paranaguá) e Santa Catarina (Joinville e Florianópolis).280 Merecem destaque os contatos estabelecidos entre os membros da Comissão e o Instituto Oswaldo Cruz, bem como entre a Comissão e Carlos Seidl, então Diretor Geral de Saúde Pública.281 Em São Paulo, por sua vez, estes primeiros contatos foram o passo inicial para a criação do Instituto de Higiene, instituição que será brevemente analisada no último capítulo deste estudo. No Rio Grande do Sul, membros da Comissão visitaram, entre outros locais, a Faculdade de Medicina de Porto Alegre e se encontraram com o então Diretor de Higiene do estado, Ricardo Machado.
Além destas visitas e contatos, a Comissão também trouxe consigo um dispensário móvel equipado com medicamentos, equipamentos de laboratório e duas casas portáteis e que foi estabelecido em Capela Nova de Betim, Minas Gerais.282 No dispensário móvel não foram atendidos apenas os casos de ancilostomíase, mas também os de outras doenças; cirurgias e partos foram realizados. Durante 22 dias, entre 16 de março e sete de abril, 1435 pessoas foram tratadas no dispensário da Comissão Médica da Fundação Rockefeller.283
FARIA, 2003, p. 68). Parte das informações biográficas pode ser encontrada no site do Rockefeller Archive Center. Disponível em: <http://www.rockarch.org/collections/individuals/rf/>. Acesso em: 31 out. 2011.
280Alphabetical list of cards, people interviewed etc., during visit of Medical Commission to Brazil. January 22 –
May 6, 1916. Revised Feb. 1917 (RAC, RF, RG 5, Series 1 – Correspondence, Sub-Series 2 – Projects, 1916 – 305 Brazil, Box 28, Folder 434); Doctor Bailey K. Ashford´s Report of the Medical Expedition to Brazil in 1916, and the official diary kept during the course of the investigation (RAC, RF, RG 1.1 – Projects, Series 305 – Brazil, Sub-Series A (Medical Sciences), Box 2, Folder 15).
281 Segundo Relatório elaborado por Bailey Ashford, as relações entre os integrantes da Comissão e o Instituto
Oswaldo Cruz foram muito amigáveis e proveitosas. A Comissão contou, por exemplo, com a cooperação de Adolpho Lutz e Carlos Chagas durante a visita ao Brasil. O trabalho desenvolvido no Instituto Oswaldo Cruz já era conhecido e acompanhado por Ashford. Detalhes sobre as atividades da Comissão no país podem ser encontrados no Relatório de Ashford, que apresenta, inclusive, um diário sobre as visitas e contatos realizados em território brasileiro (Doctor Bailey K. Ashford´s Report of the Medical Expedition to Brazil in 1916, and the official diary kept during the course of the investigation – RAC, RF, RG 1.1 – Projects, Series 305 – Brazil, Sub- Series A (Medical Sciences), Box 2, Folder 15).
282 Segundo Bailey Ashford, a localidade foi indicada por Oswaldo Cruz, pois já contava com uma estação para
estudo do tripanossoma e não contava com médico regular (Doctor Bailey K. Ashford´s Report of the Medical Expedition to Brazil in 1916, and the official diary kept during the course of the investigation – RAC, RF, RG 1.1 – Projects, Series 305 – Brazil, Sub-Series A (Medical Sciences), Box 2, Folder 15).
283 Doctor Bailey K. Ashford´s Report of the Medical Expedition to Brazil in 1916, and the official diary kept
during the course of the investigation (RAC, RF, RG 1.1 – Projects, Series 305 – Brazil, Sub-Series A (Medical Sciences), Box 2, Folder 15). A presença da Fundação Rockefeller em Minas Gerais e o trabalho da Comissão Médica em Capela Nova são discutidos por Rita de Cássia Marques (MARQUES, 2004).
FIGURA 4 – Comissão Médica da Fundação Rockefeller, 1916
“Medical Commission to Brazil – February to May, 1916. View of the dispensary from the rear.” Fonte: RAC, RF, RG 1.1, Series 305 Brazil H, Box 66, Folder 1483.
Paralelamente às visitas e ao trabalho realizado em Capela Nova, foram estabelecidos os primeiros contatos entre a Fundação Rockefeller e o governo de um estado brasileiro para a organização de trabalho conjunto de combate à ancilostomíase. Em carta enviada ao Presidente do Estado do Rio de Janeiro, Nilo Peçanha, em 12 de março de 1916284, a propósito da possibilidade de cooperação entre a International Health Board e o governo estadual no combate à doença, John A. Ferrell expunha qual era o plano mais efetivo de cooperação, elaborado a partir da experiência da Fundação até aquele momento:
1. o trabalho deveria ser conduzido em nome do governo do estado e em conjunto com agências de saúde já existentes;
2. no início, o trabalho deveria ser limitado a uma pequena área, buscando realizar nesta área o trabalho mais meticuloso possível, de maneira que os resultados obtidos pudessem fornecer um “notável” exemplo do que poderia ser alcançado em outras áreas, possivelmente maiores, com o mesmo plano, mas com maior investimento;
3. como o trabalho seria limitado à ancilostomíase e incidentalmente a outras doenças também relacionadas à poluição do solo, como a disenteria, seria preferível selecionar uma área de trabalho em que a malária fosse doença de menor importância, pois a melhora nas condições de saúde e eficiência econômica das
284 John A. Ferrell to His Excellency, The President of the State of Rio de Janeiro, March 12, 1916 (RAC, RF,
pessoas tratadas para ancilostomíase não seria tão notável se estas pessoas fossem também acometidas pela malária;
4. a área selecionada para o trabalho deveria ser avançada em educação, agricultura e boas estradas, entre outros aspectos, pois, nestas áreas, a cooperação da população poderia ser obtida mais prontamente do que em áreas mais atrasadas;
5. a área deveria ser pequena o suficiente para permitir que a equipe de campo, com escritório e alojamento próximos ao centro da área, se deslocasse durante o dia para qualquer parte e retornasse à noite. A população da área deveria ter entre mil e quatro mil habitantes. Numa área assim, sob condições normais, o trabalho poderia ser realizado em três ou quatro meses;
6. a força necessária para a realização do trabalho consistiria de dois grupos de trabalhadores: (a) o grupo dedicado ao tratamento e à cura da ancilostomíase e (b) o grupo dedicado às medidas profiláticas.
Ainda segundo Ferrell, o grupo que atuaria no tratamento das pessoas com ancilostomíase deveria ser composto por um médico especialista na doença, dois ou três assistentes, dois ou três microscopistas, e de quatro a dez enfermeiros, também chamados de guardas na documentação pesquisada. O médico seria providenciado pela International Health Board, que também pagaria seu salário. Este médico geralmente recebia algum título do governo do país onde atuaria, como Diretor ou Oficial Médico Encarregado [Medical Officer in Charge]. Ele trabalharia em nome do governo local e estaria sob sua autoridade.
Este médico, ou Diretor, treinaria assistentes, microscopistas e enfermeiros. Ocasionalmente, quando o trabalho fosse expandido, ele poderia requisitar um médico assistente. Com a exceção do Diretor, o pessoal seria local, muitas vezes da vizinhança onde o trabalho seria realizado. O treinamento poderia ser realizado em curto espaço de tempo.
Ferrell explicava ainda ao Presidente do Estado do Rio de Janeiro que, se a International Health Board assumisse o trabalho em cooperação com o estado, estaria preparada para pagar os salários de todo o pessoal necessário citado, e todo o trabalho estaria direcionado, primeiramente, a medidas para curar a ancilostomíase e, possivelmente, outras doenças causadas por parasitas intestinais. Além de curar os pacientes, um grande trabalho de educação seria realizado, não apenas com relação à ancilostomíase, mas também a outras doenças comuns passíveis de serem prevenidas, como a febre tifoide, a malária e a tuberculose. Neste trabalho de educação, seriam empregados recursos como a realização de
palestras frequentes, a utilização de projeções e de cartazes e a distribuição de panfletos impressos.
Todo o trabalho seria realizado sobre bases científicas e seguiria alguns passos que, como podemos observar, eram os do método intensivo: (1) selecionar uma área; (2) realizar um censo completo de todas as pessoas e de todas as famílias da área e inspecionar a moradia de cada família; (3) conseguir amostras de fezes de cada pessoa e examinar estas amostras microscopicamente para averiguar os casos positivos de infecção intestinal; (4) tratar cada pessoa diagnosticada até a sua cura, e (5) reexaminar, tanto quanto possível, as pessoas tratadas para verificar se elas foram ou não curadas. Um registro preciso do trabalho realizado e de seus custos seria mantido, pois assim seria possível saber o custo per capita de se controlar a doença.
Ainda segundo o representante da Fundação, as medidas profiláticas seriam de igual ou, até mesmo, de maior importância. A menos que as medidas de profilaxia fossem realizadas, os resultados alcançados através do tratamento da ancilostomíase seriam temporários. As medidas profiláticas deveriam ser tomadas, porém, pelo governo do estado. O sucesso do tratamento dependeria da cooperação voluntária da população, mas as medidas profiláticas requereriam, por parte do governo, a adoção de certas regulamentações sanitárias e do emprego de pessoal suficiente – inspetores sanitários – para garantir a execução dessas regulamentações. As regulamentações sanitárias a serem promulgadas pelo governo deveriam estabelecer o seguinte: (1) latrinas que estivessem de acordo com o estabelecido pelo departamento de saúde estadual deveriam ser construídas e utilizadas em todas as residências, escolas, instituições públicas e estabelecimentos comerciais da área onde os trabalhos estivessem sendo realizados e, se possível, em todos os outros lugares; (2) os moradores e proprietários deveriam manter as habitações em perfeitas condições sanitárias, drenar poças de água estagnada, sarjetas e valetas, e remover todo o lixo que pudesse prejudicar a saúde. Essas regulamentações deveriam ser aplicadas especialmente às propriedades públicas; (3) todos os arbustos e vegetação desnecessários deveriam ser limpos nas áreas ao longo de esgotos, sarjetas e valetas nos povoados e perto das habitações.
Seria esperado também que o departamento estadual de saúde assegurasse, além da necessária legislação sanitária, o emprego e o pagamento de um corpo adequado de inspetores para garantir o estabelecido por lei. O pessoal deveria trabalhar sob a direção de um funcionário do departamento estadual de saúde. Seus assistentes poderiam ser das proximidades do local onde o trabalho estivesse sendo realizado e poderiam ser facilmente treinados pelo funcionário do estado. A vantagem, segundo Ferrell, de se manter este grupo de
trabalho separado do grupo dedicado ao tratamento dos doentes é que este último grupo dependeria, para seu sucesso, da cooperação e boa vontade da população, enquanto que a aplicação das medidas profiláticas poderia exigir, algumas vezes, o uso da força e da lei. Este seria um aspecto do trabalho que o governo deveria manter sob sua imediata supervisão.
O equipamento científico necessário neste tipo de trabalho conjunto seria fornecido pela International Health Board. Seria desejável que o governo local fornecesse medicamentos, impressões gráficas, material de papelaria, mobília e espaço para escritórios e laboratórios.
Ao final da carta, Ferrell se colocava à disposição para um novo encontro com o Presidente do Estado do Rio de Janeiro, quando poderiam discutir, e até mesmo modificar, o plano de trabalho exposto pelo membro da Comissão Médica da Fundação Rockefeller.
Como veremos ao longo deste estudo, muitos aspectos do “plano ideal” de trabalho apresentado pelo representante da Fundação ao governante do Rio de Janeiro para o combate à ancilostomíase não corresponderam à realidade encontrada nos estados brasileiros ou sofreram modificações durante sua aplicação.
Um acordo de cooperação foi estabelecido entre o governo do estado do Rio de Janeiro – que já tivera, como vimos, uma primeira experiência de combate à doença em 1911 – e a International Health Board, e o trabalho foi iniciado no Brasil em outubro de 1916. Um Departamento de Uncinaríase foi criado no estado, e Lewis Wendell Hackett285, Diretor
285
Hackett foi o Diretor – Associate Regional Director – da International Health Board para o Brasil entre 1916 e 1923, ano em que se encerraram as atividades de cooperação para o combate à ancilostomíase no país. Em 1923, Lewis Hackett foi substituído por George Strode. Lewis Wendell Hackett nasceu na Califórnia em 14 de dezembro de 1884. Hackett diplomou-se em Medicina pela Universidade de Harvard em 1912. No ano seguinte, em 1913, recebeu o título de Doutor em Saúde Pública, o primeiro concedido pela Universidade de Harvard, e tornou-se instrutor de Medicina Preventiva da Escola de Medicina da mesma Universidade. Hackett envolveu-se em diversas atividades de pesquisa e ensino e participou, inclusive, da organização da primeira escola de saúde pública dos Estados Unidos, sob o controle da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (Massachusetts Institute of Technology). Em abril de 1914, Hackett foi convidado a trabalhar na International Health Board da Fundação Rockefeller. Após receber treinamento no sul dos Estados Unidos, as primeiras atividades de Hackett como funcionário da IHB foram demonstrações no controle da ancilostomíase no Panamá, em Honduras [British Honduras] e na Guatemala. Em 1916, Hackett foi convidado a assumir as atividades da Fundação Rockefeller no Brasil, para onde veio com a família. Em 1923, Hackett retornou aos Estados Unidos e pouco depois, em 1924, foi enviado para a Itália para trabalhar no combate à febre amarela. Entre 1940 e 1949, Hackett foi Diretor Regional para a região do Rio da Prata e dos Andes (Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai). Lewis Hackett atuou em vários países durante o período em que trabalhou para a Fundação: Costa Rica, Panamá, Honduras, Guatemala, Brasil, Paraguai, Itália, Albânia, Egito, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai. Hackett aposentou-se em dezembro de 1949. Além das atividades desempenhadas na Fundação, Hackett atuou em Universidades, foi editor e colaborador de periódicos científicos e membro de sociedades científicas. Entre 1952 e 1957, por exemplo, o médico foi editor chefe do American Journal of Tropical Medicine e, entre 1958 e 1959, foi presidente da American Society of