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2.3 Avrupa Birliği ve Türkiye İlişkilerinin Temel Dinamikleri

3.3.3 Müzakereye Giden Yol ve Müzakere Süreci

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Introdução:

Apuleio é originário da colônia romana de Madauros (na região da Argélia), era filho de um dos magistrados principais desse lugar, e era lá renomado por difundir as ideias platônicas. Seu prenome é desconhecido, apesar de se afirmar que era Lúcio, como o personagem principal de seu romance, o que se considera baseado numa interpretação biografista de sua obra. Apuleio herdou uma quantia significativa de seu pai, que lhe possibilitou estudar nos lugares mais renomados da Antiguidade à sua época: Cartago e Atenas, visitar o Egito, e estabelecer moradia em Roma.154

Metamorfoses (Metamorphoseon libri), também conhecido como O burro de ouro (Asinus aureus), é a obra estilo novela escrita por Apuleio, que também escreveu obras filosóficas, científicas e de oratória. Essa categorização da obra pode parecer anacrônica, mas como Delfim Leão afirma categoricamente que "o Satyricon de Petrônio e O burro de ouro de Apuleio constituem as duas únicas obras latinas existentes que se podem aproximar daquilo que modernamente se convencionou chamar romance", se aplica à obra em questão o rótulo de "romance", ainda que anacronicamente.155 A Metamorfoses está dividida em onze livros que narram as aventuras de um jovem chamado Lúcio, que acabou se transformando em burro por acaso: queria usar uma pomada de uma feiticeira para virar pássaro como ela, e acabou usando a pomada errada. Toda a história só é possível porque ele mantém intacta sua personalidade e sua mente, o que lhe permite narrar suas memórias depois. Lúcio enfrenta muitas situações cômicas, perigosas, e até eróticas em sua forma equina, até sonhar com Ísis que o ensina o modo de voltar à ser homem.156 Tanto o já referido texto de Petrônio, quanto o Lúcio ou o burro, obra atribuída a Luciano de Samósata, são citados como influências quase certas ao texto de Apuleio. Sobre a datação do romance muito se discute, mas o período entre os anos 160 e 170 é geralmente aceito entre os debatedores.157

Texto latino retirado de APULÉE, Les metamorphoses. Texte établi par D. S. Robertson et traduit par Paul Vallette. Paris: Les Belles Lettres, 1956. Tome I (Livres I-III).        154 Leão, 2007, pp. 9-10; Leinweber, 1994, p. 77. 155 Cardoso, 2003, p. 129; Leão, 2007, p. 7. 156 Cardoso, 2003, pp. 129-130; Leinweber, 1994, p. 77. 157 Leao, 2007, pp. 13-16.

Lucius Apuleius - Libri Metamorphoseon, 1.17.4-6

Emergo laetus atque alacer insperato gaudio perfusus et: "Ecce, ianitor fidelissime, comes [et pater meus] et frater meus, quem nocte ebrius occisum a me calumniabaris", et cum dicto Socratem desoculabar amplexus. At ille, odore alioquin spurcissimi humoris percussus quo me Lamiae illae infecerant, uehementer aspernatur: "Apage te" inquit "fetorem extremae latrinae", et causas coepit huius odoris comiter inquirere.

Tradução de Priscilla A. F. Almeida:

Lúcio Apuleio - Metamorfoses ou O burro de ouro, 1.17.4-6

Levantei-me feliz e contente, inundado por uma inesperada alegria: “eis aí, porteiro fidelíssimo, o meu companheiro e irmão, o qual tu, embriagado, me acusavas esta noite de ter matado”, e enquanto dizia isto, eu beijava e abraçava Sócrates. Ele, por outro lado, inundado pelo fedor do líquido imundo com o qual aquelas Lâmias tinham-me inundado, com violência me afasta e diz: “para trás fedor da pior latrina!”, e começou a indagar com interesse as causas daquele odor.

Comentário:

Lamiae - o narrador das Metamorfoses usa o substantivo lâmia aqui como um

xingamento às feiticeiras que mataram seu amigo e o cobriram de urina. Como o dicionário atribui ao significado dessa palavra a acepção "bruxa" (cf. Glare, 1982, p. 998), não é uma opção que soe estranha. Com essa significação a lâmia se aproxima mais ainda da Lilith hebraica, que é referida por muitos como "bruxa noturna" - "night hag" (cf. supra Isaías, pp. 82-83). David Leinweber cita os nomes das duas bruxas que atacam dois personagens no romance: Méroe e Pântia, e afirma que "no período pós-Clássico, tanto a bruxa quanto o vampiro desempenhariam papéis decisivos no mito e na superstição da cultura popular", e que o que Apuleio fez foi um sincretismo folclórico ao associar a figura da bruxa com a da lâmia ("In the post-classical period, both the witch and the vampire would go on to play dominant roles in the myth and superstition of popular culture", Leinweber, 1994, p. 77, tradução própria). Após citar algumas versões do mito da lâmia, Leinweber conclui que "ela se tornou uma figura de contos de fadas, usada pelas mães e babás para induzir bom comportamento entre as crianças", mas que, apesar disso, a versão do mito da lâmia que mais pode ser aproveitada no caso do romance de Apuleio é a do espectro que se materializa sob a

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forma de uma bela mulher para atrair e devorar um belo rapaz ("She became a kind of fairy-tale figure, used by mothers and nannies to induce good behaviour among children", Leinweber, 1994, p. 77. Tradução própria). Ele afirma que esse tema da "viúva negra" é extremamente comum em folclores de sociedades do mundo inteiro, assim como outro tema que pode ser associado ao mito da lâmia, o da bela mulher solitária e sem filhos, que inveja a fertilidade dos casais. Outro tema do folclore mundial, por assim dizer, é o das velhas feiticeiras desfiguradas e malignas, como as graias gregas, irmãs das górgonas, que compartilhavam um olho só, e que são interpeladas por Perseu em sua caçada à Medusa (Leinweber, 1994, p. 78). Aqui em Apuleio a lâmia é associada à bruxa velha e ressentida, desprezada pela sociedade e com poderes suficientes para fazer algumas pessoas pagarem por tal comportamento. Sócrates, o amigo do comerciante de queijos Aristômenes, que é quem narra essa parte da história em que está o trecho citado, confessa ao amigo ter estado com Méroe, e ter mantido com ela um relacionamento de natureza sexual, mesmo sem se lembrar de ter sentido qualquer atração física pela mulher, a quem ele se refere como uma bruxa velha. Todos os indícios de um encantamento sofrido por Sócrates da parte de Méroe estão apontados nessa conversa. Sócrates custa a acreditar que, além de ter mantido relações sexuais com Méroe, ainda lhe dera todos os bens que trazia consigo. Naquela mesma noite, Sócrates, que dormia em um quarto com seu amigo Aristómenes, tem seu pescoço cortado, seu sangue coletado e seu coração arrancado por Méroe e sua irmã Pântia. No dia seguinte ele acorda como se nada tivese acontecido, reclama de pesadelos e parece estar sem energia, mas está vivo. Só vai morrer um tempo depois, mais para a frente na narrativa. Leinweber aponta inúmeras semelhanças entre as ações das bruxas com as ações de vampiros: atacam na madrugada, invadem o recinto pessoal da vítima, coletam sangue. Assim como a lâmia que ataca belos jovens (cf. infra Filóstrato, pp. 137-147; Leinweber, 1994, pp. 78-79). Em conclusão, Leinweber aponta que as bruxas do romance de Apuleio são um sincretismo entre o conceito antigo da lâmia e aspectos do conceito moderno de vampiro, o que faz delas algo único na literatura antiga (Leinweber, 1994, pp. 81-82).

Φλάβιος Φιλόστρατος - Flávio Filóstrato