1. TARİHSEL ÇERÇEVE
4.3 MÜSLÜMAN MANEVİ DANIŞMANLARIN GÖREVLERİ
No caminho para compreendermos as atuais exigências postas para todos os complexos sociais criados a partir do trabalho, como bem afirma Lukács (2013), no atual contexto de aprofundamento da crise estrutural do capital, apoiamo-nos nas análises do filósofo húngaro István Mészáros33 (1997; 2011a; 2011b), bem como em intérpretes contemporâneos situados no campo do marxismo ontológico, quais sejam: Paniago (2012), Rabelo, Mendes Segundo, Jimenez e Do Carmo (2012).
Na obra “Para Além do Capital”, no capítulo que trata especificamente da Crise Estrutural do Sistema do capital - capítulo 14, destaca-se a relevância, para nosso estudo, do item que se intitula “A Produção da Riqueza e a Riqueza da Produção”, para compreensão dos elementos que constituem tal fenômeno, essa crise que, conforme Mészáros (2011a), vem afetando o próprio quadro estabelecido na sua totalidade.
Mészáros (2011a) expõe questões acerca da crise, afirmando que estas são
33 Maria Cristina Paniago é professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), membro do Instituto Lukács, que realiza a “tarefa de expor, de modo sistemático e rigoroso toda a argumentação de Mészáros, em Para Além do Capital, contrapondo-a à de outros autores que sustentam a possibilidade de controle do capital”, na obra “Mészáros e a Incontrolabilidade do Capital” (PANIAGO, 2012, p. 12).
114 consideráveis para a possibilidade de uma abordagem radicalmente diferente do
[...] desenvolvimento das potencialidades produtivas humanas em resposta a uma necessidade genuína, oposta à prática estabelecida da reprodução social, subordinada aos imperativos alienados da produção-do-capital sempre-em-expansão, que não consideram as suas implicações para as necessidades humanas (2011a, p. 605).
Recorrendo às contribuições de Paniago (2012, p. 22) sobre a definição do capital em Marx e Mészáros, a autora lembra que
[…] o capital existe muito antes mesmo da sua forma capitalista, como também todos os aspectos da forma plenamente desenvolvida do capital – incluindo a mercantilização da força de trabalho, que é o passo mais importante para alcançar a forma mais desenvolvida, a capitalista – apareceram em algum grau na história muito tempo antes da fase capitalista, em alguns anos, até milênios antes.
Paniago (2012) afirma ainda que Mészáros, ao fazer a distinção entre capital e capitalismo, não nega que a natureza do capital está presente na sua forma mais primitiva até a pós-capitalista, não implicando com isso “ahistoricidade”, mas que a natureza do capital se refere a sua “invariabilidade e às suas determinações mais essenciais, mas não ao modo e às formas de existência adotadas historicamente.
Paniago (2012) acrescenta que
[…] a história do desenvolvimento do capital, de suas fases mais primitivas até hoje, indica, conforme Mészáros, que o capital é um modo de controle e não um título legal de controle. Expressa-se na propriedade constitucionalmente assegurada, mas não tem nela sua origem. Não se pode tratá-lo como uma 'entidade material' ou um 'mecanismo igualmente neutro' que possa estar na posse de um outro indivíduo aleatoriamente, pois o capital 'é sempre uma relação social' (…) fundada no trabalho social, no trabalho assalariado, cujo requisito histórico foi a completa separação – a quebra da unidade – do trabalho vivo e as condições objetivas de sua atividade produtiva (PANIAGO, 2012, p. 23).
É, pois, no capital, que se dará a relação de sujeição do trabalho vivo ao sistema sociometabólico do capital, sendo esta a base de existência do capital, conforme Paniago (2012, p. 23) afirma que “[...] ao mesmo tempo em que só pode apresentar-se como a contrapartida – como trabalho acumulado, objetivado e alienado – do sujeito que trabalha”.
Desta forma, com a submissão do trabalhador ao assalariamento, o capital pode se desenvolver, o que denota que o trabalhador “passou a se defrontar, na sociedade de mercado,
115 com o mais absurdo de todos os dualismos concebíveis: a oposição entre os meios de trabalho e o próprio trabalho vivo (…) que não passa de um meio de sua própria preservação e expansão” (PANIAGO, 2012, p. 24).
Mészáros (2011) assinala que já advertia sobre a crise desde os anos idos da década de 1960 e 70, ao afirmar que “os acontecimentos que então se desenrolavam 'salientavam dramaticamente a intensificação da crise estrutural global do capital”, necessitando, nesse sentido, de importantes mudanças estruturais a fim de alcançar a sustentabilidade da solução (MÉSZÁROS, 2011, p. 3).
Nesse sentido, apregoa o autor, devemos analisar o capital em crise seguindo uma abordagem que se “oponha à reprodução social subordinada aos imperativos alienados da produção-do-capital” (MÉSZÁROS, 2011, p. 605). De acordo com Mészáros (2011), o capital não tem mais condições de responder aos problemas que ele mesmo gera, só trata das suas consequências, girando em torno de si mesmo, tomando medidas temporárias para os conflitos gerados.
Conforme Paniago (2012), na esteira de Mészáros (2011), nenhuma proposta que se afirme como radical não advoga a substituição de formas políticas de controle por qualquer outra forma política, pois no máximo admitirão “[...] a permanência das 'determinações materiais estruturais' do seu sistema sociometabólico” (PANIAGO, 2012, p. 44).
Mészáros (2011) apresenta uma dupla razão frente a essas preocupações, ao afirmar que “[...] não é mais crível que a disjunção de necessidade e produção-de-riqueza possa sustentar a si própria indefinidamente, mesmo nos países de capitalismo mais avançado e privilegiado” (MÉSZÁROS, 2011, p. 605).
O autor nos remete à compreensão de que esta vem a ser uma
[...] característica necessária da geração de riqueza sob o domínio do capital; ainda menos que possa satisfazer no momento apropriado, (graças a seu glorificado 'dinamismo') as necessidades mais elementares da vasta maioria da humanidade, que agora tão insensivelmente despreza (MÉSZÁROS, 2011, p. 605).
O autor assevera que a crença de que não pode haver nenhuma alternativa “[...] às práticas produtivas dominantes se baseia na falsa teorização da relação entre a produção, ciência e tecnologia, concebida e caracteristicamente distorcida do ponto de vista do capital”
116 (MÉSZÁROS, 2011, p. 605) que essa visão eterniza.
Nesse sentido, é uma visão absolutamente insustentável, uma vez que parte da defesa inconteste de eternizar o capital, na qual, seus defensores apostam na permanência absoluta, que requer muito mais que asserções, nas palavras de Mészáros (2011b), e confundem-se com desejo. A relação entre produção, ciência e tecnologia, na visão do autor, é uma relação deliberadamente deturpada.
As necessidades humanas, conforme o autor, estão completamente subordinadas à reprodução do valor-de-troca, o que tem sido o traço marcante do sistema do capital desde o seu início, por interesse da “autorrealização ampliada do capital” (MÉSZÁROS, 2011, p. 606), tal subordinação contrasta do “modo mais agudo possível com as práticas produtivas do mundo antigo” (idem).
De acordo com Mészáros (2011), de fato, as mudanças trazidas pela consolidação do domínio do capital como sistema de controle que a tudo absorve, construíram uma reversão radical dos princípios orientadores que caracterizavam a produção na Antiguidade clássica. Nesse período da história, a riqueza não aparece como a finalidade da produção, quem assume o lugar da riqueza é o ser humano. Nas palavras do autor “[...] a riqueza aparece como um fim em si mesma apenas entre os poucos povos comerciais que viviam nos interstícios do mundo antigo, como os judeus na sociedade medieval” (MÉSZÁROS, 2011, p. 605).
Ainda segundo Mészáros (2011), a produção, na visão antiga, não leva em consideração o seu limitado caráter nacional, religioso ou político, o que acaba por possuir aparência grandiosa quando comparada ao mundo moderno, no qual a produção aparece como o objetivo da humanidade, e a riqueza como o objetivo da produção. A explicação para tais mudanças foi a submissão do valor de uso pelo valor de troca, pois a supremacia do valor de troca tornou a produção de riqueza a finalidade da humanidade.
O autor afirma que esta característica é um dos
[...] grandes segredos do sucesso da dinâmica do capital, já que as limitações das necessidades dadas não tolhiam o seu desenvolvimento. O capital, nesse sentido, estava orientado para a produção e reprodução ampliada do valor de troca, e, portanto, poderia se adiantar à demanda existente por uma extensão significativa e agir como um estímulo poderoso para ela (MÉSZÁROS, 2011, p. 606).
117 Mészáros (2011) explica a constituição do agudo contraste entre o modo de produção capitalista, orientado para a multiplicação da riqueza material por meio da autoexpansão do valor de troca, e as sociedades que organizaram suas vidas com base em princípios muito diferentes, mesmo quando o papel da troca já fosse bastante significativo no seu intercâmbio metabólico com a natureza. Naquele modo de produção, a organização e a divisão do trabalho eram fundamentalmente diferentes.
Para compreensão do contraste entre o modo de produção capitalista e a forma de organização das sociedades anteriores, o autor busca exemplos apontados por Marx, o qual primeiramente, afirma que a terra era de posse comum nas pequenas comunidades indianas antiquíssimas, “na união direta entre agricultura e artesanato, e numa divisão fixa do trabalho, que no estabelecimento de novas comunidades serve de plano e de projeto” (MÉSZÁROS,2011, p. 606).
Portanto, nessa forma de organização, continua o autor, a própria produção independente da divisão do trabalho mediada pelo intercâmbio de mercadorias no conjunto da sociedade indiana, apenas os produtos excedentes transformaram-se em mercadorias. Parte deles, “apenas depois de chegar às mãos do Estado, para o qual flui desde tempos imemoriais um certo quantum como renda natural” (MÉSZÁROS, 2011, p. 606). O autor atesta ainda que, conforme definição marxiana, haviam comunidades na Índia que se organizavam como “[...] massa homogeneamente ocupada (…) sustentada a custa de toda a comunidade (…) numa divisão planejada do trabalho, representando o mecanismo comunal (MÉSZÁROS, 2011, p. 606).
Outro exemplo para compreensão do contraste citado por Marx, conforme Mészáros (2011) são as determinações internas da produção e distribuição na estrutura do sistema de guildas e em relação ao sistema e às demandas do capital mercantil que, objetivamente, conflitam com os princípios constitutivos e as práticas produtivas das guildas. A razão pela qual foram bem-sucedidas por muito tempo na sua ação defensiva (contra as tendências subversivas do capital mercantil em expansão) foi sua orientação para a produção de valores-de-uso.
É importante ressaltar que, as guildas, de acordo com Mészáros, eram orientadas para a produção dos valores de uso. Essa característica as defendeu de forma bem-sucedida, por muito tempo, das tendências subversivas do capital mercantil em expansão (MÉSZÁROS,
118 2011).
Mészáros (2011) afirma que as leis das corporações impediam, planejadamente, a sua transformação em capitalista (limitava com severidade o número de ajudantes que um único mestre de corporação poderia empregar). A corporação defendia-se zelosamente contra qualquer intrusão do capital mercantil: o comerciante podia comprar todas as mercadorias, mas não o trabalho como mercadoria.
Portanto, constata o autor, ambos os exemplos sublinham o caráter historicamente excepcional do sistema capitalista de produção e distribuição que, primeiro, tinha que se subjugar no curso do seu desdobramento histórico, com várias determinações naturais espontâneas antes que pudesse, com “sucesso”, impor à humanidade os imperativos materiais de seu próprio funcionamento. Acrescenta que “a separação entre as condições naturais, orgânicas da sua troca metabólica com a natureza, e a existência ativa da humanidade está posta completamente apenas na relação entre trabalho assalariado e capital” (MÉSZÁROS, 2011, p. 608).
Mészáros (2011) complementa que
[...] esta verdade é uma verdade nitidamente óbvia que contudo, é completamente (e conveniente) ignorada pelos apologistas do capital. Pois, esse sistema não pode controlar com sucesso o sociometabolismo a menos que torne permanentes todas aquelas separações artificiais que constituem os pressupostos necessários do seu próprio modus operandi, postulando-os como determinações que emanam da própria e inalterável 'natureza humana’ (2011, p. 608).
Para o autor, “[...] um desafio social e dos mais elevados”, significa, “uma reconstituição qualitativamente diferente e produtivamente mais avançada da unidade há muito perdida das condições orgânica e inorgânica da existência humana” (MÉSZÁROS, 2011, p. 608). A natureza está voltada para as condições naturais, inorgânicas, e a natureza interior é o ser humano natural, ressalte-se: que se desenvolve historicamente com suas múltiplas propriedades e forças adaptáveis, assim como com suas resistências indomáveis.
A referência à “unidade da humanidade ativa com as condições naturais inorgânicas da sua troca metabólica com a natureza”, a que Mészáros se refere, é a apropriação da natureza pela humanidade que só poderá se realizar no nível “[...] mais avançado de intercâmbio produtivo com a natureza externa e a natureza interior que se desenvolve historicamente” (MÉSZÁROS, 2011, p. 608).
119 Este ato de reconstituição qualitativamente diferente e produtivamente mais avançada da unidade da natureza externa e da natureza interna, “implica num domínio consciente e a regulação em todos os aspectos benéficos das condições de interação criativa humana”. (MÉSZÁROS, 2011, p. 608-609). Um processo que se “desdobra em circunstâncias nas quais a reprodução social não mais é dominada pelo peso da escassez – primeiramente natural, mas, depois, cada vez mais causada pelos homens de forma paradoxa e assustadora” (Idem).
Mészáros (2011) acrescenta que, essa circunstância, até o presente domínio do homem sobre a natureza, realiza-se sob as determinações do sistema do capital, apresentando- se de forma “[...] frágil e de muitas maneiras ilusório, não mais poderá ser realizado estritamente para o benefício da minoria do poder, ao preço do jugo da vasta maioria da humanidade às demandas alienantes da produção de mercadoria” (MÉSZÁROS, 2011, p. 609).
Como bem afirma o autor em tela, os apologistas do capital, dentre os quais citamos o Banco Mundial, ignoram as realizações problemáticas do sistema do capital, as quais emergem de uma estratégia contraditória, que, ingênua ou assustadoramente, ignoram as exigências da unidade entre o domínio consciente da humanidade com a natureza, ou seja, um domínio humano socialmente viável e as forças da natureza.
Mészáros (2011) esclarece que não se trata de formular uma crítica sobre as relações contraditórias do capital, limitando o processo metabólico às formações socioeconômicas passadas, como foi o processo de produção das comunidades indianas, pois estas, por suas limitações estruturais de produção já se excluem por suas “inabilidades para atender às exigências socialistas de prover a cada um de acordo com sua necessidade” (Idem, p. 609). As formas anteriores de produção, conforme o autor, tem suas limitações suficientemente claras quanto à estrutura de produção frente ao dinamismo do capital.
O preço pago pelas comunidades indianas por terem a subsistência como objetivo direto e principal, apoiarem sua subsistência essencialmente no valor de uso, fechando-se em si próprias e autossuficientes foi muito elevado. O preço foi a “necessária negação do impacto potencialmente positivo de um intercâmbio produtivo universal com outras comunidades”, visto que esta é uma característica “fundamental da formação capitalista, já que a troca exercia um papel estritamente marginal no seu sociometabolismo” (MÉSZÁROS, 2011, p.
120 609).
O entendimento da necessidade do sistema do valor de uso, de não tratar a “orientação do valor-de-uso”, opondo-o ao “domínio capitalista do valor de troca”, nos remeterá a escapar da incapacidade de identificar as condições objetivas e subjetivas de superação de tais limitações. Faz-se necessário “combinar a crítica socialista das relações-de- valor”, afirmando o “papel positivo vital do valor de uso, com uma indicação de saídas praticamente viáveis das contradições das formas pré-capitalistas de intercâmbio socioeconômico à medida que emergem da aproximação do valor de uso” (MÉSZÁROS, 2011, p. 609).
Sem a capacidade da afirmação do “papel positivo vital do valor de uso”, conforme salienta Mészáros (2011), cairíamos na armadilha de proporcionar implicações desconfortáveis para o modo de produção e reprodução socialista previsto, como uma inevitável “generalização da miséria” (MÉSZÁROS, 2011, p. 610). De acordo com o autor, as tais limitações já foram observadas em sistemas históricos conhecidos, os quais não tiveram essa capacidade, não chegando perto de oferecer as condições suficientes para a transformação socialista bem-sucedida.
Desta forma, torna-se imprescindível promover a restauração do valor de uso à função adequada, potencialmente dinâmica e criativa e de regulação do sociometabolismo, inseparável da questão de desenvolvimento em todos os aspectos das necessidades e capacidades produtivas do indivíduo social. Tal desenvolvimento apenas é possível na “estrutura irrestrita – ou seja, não mais determinada por interesses e conflitos de classe – da relação universal, do intercâmbio universal e capacidades e realizações humanas (…) oposto ao valor de troca universalmente dominantes” (MÉSZÁROS, 2011, p. 610).
O autor supracitado afirma que, no capital, a humanidade tem como imposição do seu sistema regulador, durante seu desenvolvimento histórico, a produção de riqueza como finalidade, que a tudo absorve. Nesse sistema, há uma concepção reificada da riqueza, que está associada a estruturas materiais e relações igualmente fetichizadas que determinam o sociometabolismo geral em todas as suas dimensões (MÉSZÁROS, 2011).
Nesse sentido, a determinação original de produção e propriedade tiveram seus conceitos e significados, nas palavras de Mészáros (2011, p. 610), “[...] perversamente
121 alterados, desvirtuados, distanciados do seu conceito original34”, sob o impacto das determinações reificantes do capital. Sob o comando do capital, o sujeito que trabalha não mais pode considerar as condições de sua produção e reprodução como sua propriedade.
Mészáros (2011, p. 611) afirma que o sistema do capital reduz o ser humano ao status de “mera condição material de produção”. O ser humano assim desumanizado perdeu a relação antes estabelecida com a produção e propriedade. Desta forma, assegura-se o domínio do “ter” sobre o “ser” em todas as esferas da vida.
É importante esclarecer aqui que Mészáros (2011) reconhece que as formas anteriores de reprodução social são incapazes de resistir ao dinamismo produtivo do capital, mesmo com a presença de quaisquer inumanidades já verificadas em sua história de expansão nacional e global. Até porque, é legítimo o crescimento inimaginável do capital. Contudo, o autor assegura que “[...] dadas às condições inerentes ao sistema do capital, e a concomitante perdularidade do seu modo de operação, seu desenvolvimento produtivo não pode ser sustentado indefinidamente” (MÉSZÁROS, 2011, p. 612).
Portanto, de acordo com as análises de Mészáros (2011), diante do cenário de crise da autoexpansão capitalista do valor de troca, se quisermos tratar seriamente dos problemas de desenvolvimento e subdesenvolvimento, visando investigar as condições de uma alternativa socialista viável, é inevitável desafiar os próprios horizontes da riqueza autorreprodutiva do capital. Pois, não há possibilidade de resolução dos problemas de desenvolvimento e subdesenvolvimento no interior do horizonte da riqueza autorreprodutiva do capital, e a adoção de medidas, nesse sentido, podem ser qualificadas como “paliativos temporários” (MÉSZÁROS, 2011, p. 612).
Ressalta o filósofo marxista, que a finalidade da produção deverá voltar-se para o ser humano, considerando todas as suas “potencialidades positivas – em alguma medida já existentes, mas destrutivamente encastoadas - das forças de produção” (MÉSZÁROS, 2011, p. 612). Pensar na redefinição radical da riqueza e da propriedade num novo patamar de
34 A categoria da propriedade era considerada como das mais importantes categorias, que tinha relação com o sujeito que trabalha com as condições de sua produção ou reprodução enquanto pertencentes a ele (…), e a própria produção visava à reprodução do produtor dentro de suas condições objetivas de existência e em conjunto com elas. O modo de reprodução social capitalista retira do ser “os pressupostos autoevidentes e socialmente salvaguardados no seu ser”, até mesmo os pressupostos naturais do seu eu como constitutivos da “extensão externa do seu corpo”, que agora pertencem a um “ser estranho” reificado que confronta os produtores com suas próprias demandas e os subjuga aos imperativos de sua própria constituição (MÉSZÁROS, 2011, p. 611).
122 sociedade, para além da forma burguesa limitada, é tarefa revolucionária urgente e necessária.
Apostar na redefinição da finalidade da produção, considerando as potencialidades positivas das forças de produção, é assumir uma perspectiva contrária à visão que, segundo Mészáros (2011, p.612) “[...] divisa várias racionalizações pseudocientíficas das práticas produtivas do capital que evitam a realização das potencialidades positivas, preservando as relações de produção existentes e a divisão do trabalho iníqua, hierárquica”.
A riqueza e a propriedade, quando redefinidos radicalmente, serão baseadas no “pleno desenvolvimento do ser humano”, que ao dominar “[...] plenamente as forças da natureza, bem como dominar a própria força da humanidade”, num “desdobramento completo das potencialidades criativas”, que se aplicam na “[...] produção de sua totalidade, não se reproduzindo a si próprio em uma especificidade” (MÉSZÁROS, 2011, p. 612).
De acordo com Mészáros (2011), o absoluto movimento do “vir-a-ser”, na produção da totalidade na luta para não permanecer no “algo que se tornou”, que vai contra o movimento dentro dos moldes da economia burguesa, só terá condições de se realizar no sentido da orientação para a riqueza da produção, que tem assento na teoria de Marx,