2.2. İSLAMDA KADIN
2.2.3. Müslüman Kadın Modelleri
O termo tombamento é exclusivo da língua portuguesa e tem origem na palavra
tombo com significado de inventário autêntico de bens e terras, rendas e direitos, encargos
e demarcações. Refere-se também ao Arquivo Real & Cartório Geral da Torre do Tombo, casa em que se conservam os livros, registros ou originais da lei, escrituras públicas, contratos e tratados com as nações estrangeiras e outros papéis autênticos do reino (BLUTEAU, 1771; VIEIRA, 1874). Equivale ao termo registration em inglês e ao termo
classement em francês, enquanto processo de identificação e proteção especial dos bens
culturais.
O tombamento como atividade de registro de bens é praticado nas bibliotecas para o controle de entrada e de baixa de itens do acervo enquanto bens integrantes da carga patrimonial das instituições. Outrora esse registro era anotado nos livros de tombo das bibliotecas, o que atribuiu também à palavra tombo o sentido de tomo ou volume.
Dentre as medidas de proteção legal do patrimônio cultural, a expressão tombamento equivale no Brasil à classificação na Lei do Patrimônio Cultural e Histórico em Portugal, à declaración de interés cultural na Ley del Património Histórico Espanhol e à
dichiarazione dell’interesse culturale no Codice dei Beni Culturali e del Paesaggio na Itália
(PAIVA, 2010).
O tombamento é o instrumento jurídico mais utilizado na defesa do patrimônio cultural, porque é a única ação de acautelamento de bens culturais móveis e imóveis regulada por norma específica, o Decreto-Lei nº 25/37 ou “Lei do Tombamento”. Esta norma visa preservar coisas patrimonializadas, isto é, bens materiais (imóveis e móveis), de modo a garantir que se conservem em sua totalidade e que sofram o mínimo de alterações possíveis. Dessa forma, não é um instrumento adotado para a proteção do patrimônio imaterial, devido à natureza mutável, abstrata e intangível dos bens.
A Lei do Tombamento foi modificada pelo Decreto nº 3.866, de 29 de novembro de 1941, que dispõe sobre o seu cancelamento pelo presidente da República, e pela Lei nº 6.292 de 15 de dezembro de 1975, que introduz a homologação ministerial no procedimento do tombamento. Porém, as duas normas são, basicamente, acréscimos ao DL 25/37.
O tombamento é um procedimento administrativo do Poder Executivo que declara um valor cultural preexistente, mas não constitui este valor (PAIVA, 2010). É também um ato composto, que parte da vontade de um órgão, mas que depende da verificação de outro para ser executado.
O pressuposto para o tombamento é a identificação do bem. Para isso, são realizados estudos técnicos que indicam as hipóteses pelas quais os bens podem ter seu
valor cultural destacado. Os estudos são a parte teórica para a verificação de motivos do ato administrativo. Inicia com o inventário – ou seja, a seleção/descrição de um bem – para que este possa ser avaliado quanto ao interesse cultural para a coletividade, para depois integrar o conjunto do patrimônio cultural reconhecido por órgãos de proteção (FUXREITER; BANDEIRA, 2013).
Estes órgãos realizam o tombamento provisório, que segue para a aprovação do Conselho Consultivo do IPHAN, composto por especialistas (diretores de museus, escritores, artistas, historiadores, colecionadores e antropólogos) e de tombamento nos órgãos congêneres a nível estadual ou municipal, que é aprovado pelo ministro ou por secretários (estadual e municipal) de Cultura.
Raramente um bem cultural é tombado em dois ou três níveis. O grau de interesse que o bem desperta determina em qual nível e por quais órgãos será realizado o tombamento: federal, pelo IPHAN; estadual, pelas Secretarias de Estado da Cultura ou órgãos estaduais de proteção do patrimônio cultural; e municipal, por administrações que dispuserem de leis específicas. O reconhecimento do valor cultural de um bem pode se dar em âmbito internacional, pela chancela de patrimônio da humanidade concedida pela Unesco (FUXREITER; BANDEIRA, 2013).
Segundo Rabello (2009), a abrangência do DL 25/37 é questionável. Apesar de designar como objeto o patrimônio histórico e artístico nacional, abarcando bens culturais de interesse federal, estadual e municipal, a norma é um instrumento de proteção federal. O decreto se refere aos bens de interesse da União que no âmbito de sua competência executiva resolveu proteger, constituindo o patrimônio histórico e artístico federal.
Embora o tombamento possa ser aplicado a bens imóveis e móveis, há uma prevalência dos bens imóveis. Em nível federal, os bens são inscritos em quatro livros de Tombo: Histórico; das Belas Artes; Paisagístico; Arqueológico e Etnográfico.
O tombamento poderá ser cancelado a pedido de qualquer interessado, desde que justificado. A declaração pode ainda não ter sido efetivada pelo Poder Público, apesar do interesse cultural do bem, por falta de tempo, erro, culpa ou dolo. A ação civil pública pode ser proposta para anular essa postura lesiva do Estado em relação aos bens culturais (RODRIGUES, 2012).
A classificação dos tipos de tombamento varia de acordo com o procedimento adotado, a eficácia e os destinatários. Em relação ao procedimento adotado, dá-se por
ofício, quando incide sobre bens públicos; voluntário quando incide sobre bens particulares
por iniciativa do proprietário; ou compulsório, quando incide sobre bens públicos por iniciativa do Poder Público. A eficácia se refere à fase de efetivação do tombamento voluntário ou compulsório, quando assume o caráter provisório (ainda em fase de
notificação) ou definitivo (em fase de inscrição no Livro de Tombo). Os destinatários são os bens tombados, que podem ser por tombamento individual (atinge apenas um bem determinado) ou geral (atinge conjuntos de bens) (FUXREITER; BANDEIRA, 2013).
Rabello (2009) complementa que o tombamento é um instrumento que protege em geral ou por partes. A abrangência do tombamento deve ser definida no início do processo. Nas bibliotecas, o mais recomendado é o tombamento geral do conjunto, isto é, a coleção de livros. O tombamento de conjunto é aquele que abrange não só uma coisa individualizada. São as hipóteses de tombamento de determinada biblioteca, ou coleção de obras de arte de um museu, ou tombamento de uma cidade de seu núcleo histórico (RABELLO, 2009, p. 77-78). No caso das bibliotecas, quando se tomba o conjunto de livros (a coleção) não se estende a proteção jurídica ao edifício nem estabelece a obrigatoriedade de permanência dela mesma naquele local físico. O contrário também é proporcional. Se ocorre o tombamento de um edifício não necessariamente os acervos ali armazenados também gozam de tutela jurídica como bens culturais. A guisa de exemplo, têm-se a Escola de Minas e seus acervos de bens culturais móveis.
No caso de tombamento de coleções de bens móveis o que está sendo tombado não é cada coisa em si, mas o valor coletivo que possa ter. Portanto, aquele item que nada soma à valorização do conjunto poderá ser destacado, alterado ou, até mesmo, substituído, perdendo sua tutela jurídica. Se um livro for retirado da biblioteca com coleção tombada deixará de ser protegido por não pertencer mais àquela coleção. Ao contrário, se um item for incorporado à coleção tombada ele passa a ser protegido.
O bem móvel só pode ser tratado como algo imóvel ao edifício quando sua transferência prejudica a materialidade do prédio ou a simbologia do espaço (valor material). Rabello (2009) esclarece que o bem móvel não pode ser tirado do serviço do imóvel, porque existe entre ambos um vínculo subjetivo, pelo qual passam a formar um complexo. Em suma, o objeto passa a fazer parte do imóvel quando colocado ali de forma permanente.
Isso explica por que os bens móveis, a exemplo das coleções bibliográficas, não foram tombados, mesmo quando inseridos nos monumentos em Ouro Preto. Estas coleções não foram criadas ou armazenadas nos edifícios na época de sua construção, em sua maioria no século XVIII. Mesmo hoje não são tratadas como material perene semelhante ao prédio e não configuram um acréscimo incorporado ao conjunto arquitetônico. Soma-se o fato de as bibliotecas comporem a ambiência interna dos edifícios, não influindo na paisagem cultural de uma cidade histórica.
Rabello (2009) esclarece que o DL 25/37, ao mencionar a adjetivação “excepcional valor” às especialidades tais como arqueológico, etnográfico e bibliográfico, é apenas por um recurso exemplificativo, porque o que irá determinar o tombamento é a
existência fática de valor cultural do bem independente de sua categoria. De fato, o tombamento aumenta o valor (preço e utilidade) das coisas móveis individualizadas ou em conjunto. É um atestado de qualidade e veracidade de autoria. No entanto, deve-se evitar que seja utilizado como finalidade especulativa (RODRIGUES, 2012).
As críticas ao tombamento residem na ausência de participação popular na eleição de bens a serem tombados, na desatualização do instrumento normativo criado na década de 1930 e nas restrições à alteração e à movimentação do bem cultural móvel tombado. O tombamento é uma forma de acautelamento mais rigorosa, por que
[...] individualiza o bem, seja ele coletivo ou singular – uma casa ou quadro, uma zona urbana ou uma coleção -, colocando-o sob o regime especial que inclui a proibição peremptória de o mutilar, destruir ou demolir, e a exigência de autorização expressa para obras de reparação, restauro ou mesmo pintura (SOUZA FILHO, 2011, p. 84).
Segundo Fonseca (2009), houve um aumento gradativo de solicitações apresentadas pela sociedade para tombamento de bens, mas as iniciativas do Governo Federal ainda são maioria. Geralmente, os pedidos particulares partem de proprietários ou pessoas familiarizadas com a questão da preservação (arquitetos, artistas, historiadores e intelectuais em geral). Os casos de pedidos de tombamento por inciativa de grupos ou de associações formados em função de uma demanda patrimonial são raros. Nota-se que a principal motivação para os pedidos de tombamento é a ameaça eminente de perda do bem, e não uma seleção criteriosa e democrática baseada em estudos aprofundados sobre o bem e inventários prévios detalhados.
O tombamento também pode ser uma estratégia de captação indireta de recursos financeiros. Verificou-se que no estado de Minas Gerais as ações em prol do tombamento de bibliotecas advêm de grupos e associações em nível municipal, como meio de participação no ICMS Cultural, programa de municipalização da proteção do patrimônio cultural viabilizado pela Lei Estadual nº 12.040, de 28 de dezembro de 1995, conhecida como “Lei Robin Hood”, revogada pelo art. 6 da Lei Estadual nº 13.803, de 27 de dezembro de 2000.
A Lei 12.040/95 determina a distribuição da parcela de 25% da receita do produto de arrecadação do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS)108, pertencente aos municípios de maneira mais equitativa. O repasse
108 O ICMS é um imposto não cumulativo, que incide sobre as operações relativas à circulação de
mercadorias e prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. De competência dos Estados e do Distrito Federal, conforme previsto no art. 155, II, da Constituição de 1988, apresenta-se como uma das principais fontes de recursos financeiros para a consecução das ações governamentais. Ver http://www.fazenda.mg.gov.br/empresas/impostos/icms.
dos recursos às prefeituras segue 13 parâmetros, dentre os quais o critério de patrimônio cultural cuja assessoria técnica é responsabilidade do IEPHA. O ICMS Cultural segue 3 princípios básicos: conhecimento, sistematização, divulgação e salvaguarda do acervo cultural; efetivação da política de municipalização da proteção do patrimônio; promoção do desenvolvimento econômico e social dos municípios.
A Listagem de bens protegidos em Minas Gerais apresentados ao ICMS
Patrimônio Cultural até o ano de 2011, Exercício 2012, indicou 23 acervos bibliográficos, a
maioria mantidos por bibliotecas públicas municipais. Dentre eles apenas 3 são protegidos, isto é, tombados a nível municipal na categoria bens móveis: Coleção de livros do antigo Colégio Regina Pracis, em Araguari; Acervo da Biblioteca Pública, em Muriaé; e Acervo da Biblioteca Pública Dr. Celso Brant, em Três Pontas (MINAS GERAIS, 2014). Na categoria bens imóveis, o termo biblioteca é usado para identificar o atual e o antigo uso de edifícios protegidos em 17 cidades.109
Nas cidades históricas, a inclusão de bibliotecas participantes do ICMS Cultural se deu função do tombamento de edifícios históricos que as abrigam. Este é o caso da Biblioteca Pública Baptista Caetano, em São João del-Rei, protegida em nível municipal na categoria bem imóvel; e da Biblioteca Antônio Torres, em Diamantina, tombada em nível federal devido ao imóvel no qual está instalada, conhecido com a Casa do Muxaripe. Ressalta-se que dentre as instituições tombadas relacionadas na Listagem do ICMS Cultural
de 2011, apenas as bibliotecas de Passa Quatro, São João del-Rei e Uberlândia foram
citadas no Guia do Patrimônio Bibliográfico Nacional de Acervo Raro (2012).