Tabela 4. Mudanças (%) feitas nos aspectos econômicos e de aplicação de sistemas do
manejo integrado de pragas florestais nas empresas florestais certificadas pelo FSC e AFS na Austrália.
Mudanças no MIP Sim
FSC AFS
Monitoramento/Auditorias internas 71.4% 66.7%
Criação/Aplicação de procedimentos específicos 14.3% 16.6%
Análises econômicas 14.3% 0%
Pesquisa entomológica 14.3% 0%
Minimizar gastos com controle 0% 16.6%
As mudanças mais comuns de aspecto econômicos e de aplicação de sistemas nas empresas australianas certificadas pelo FSC e AFS foram:
-Monitoramento/auditorias internas: aumento nos monitoramentos e auditorias internas (FSC); processos de auditorias permitiram que áreas com deficiência fossem identificadas e corrigidas, auditorias internas por conta da certificação, relatórios revisados (AFS)
-Criação/aplicação de procedimentos específicos: mudanças nas práticas contábeis para fornecer informações específicas ao FSC (FSC)
-Pesquisa entomológica: envolvimento no grupo de manejo integrado de pragas IPMG (FSC)
-Minimizar gastos com controle de pragas: programas de monitoramentos de pragas permitem detecção rápida e a realização de controle direcionado á praga (AFS)
Metade das empresas australianas certificadas pelo FSC (n= 4) afirmou ter tido gastos adicionais no manejo integrado de pragas florestais após a certificação do FSC, mas apenas algumas descreveram esses gastos.
Os gastos adicionais médios mais altos dessas empresas foram com o monitoramento, AU$ 6,67/ha/ano (n= 3), com controle químico, AU$ 5,49/ha/ano (n= 3), e com as mudanças no manejo, AU$ 5,56/ha/ano (n= 3). Os gastos adicionais com controle biológico e treinamentos específicos foram de AU$ 0,13/ha/ano (n= 1) e AU$ 0,16/ha/ano (n= 2), respectivamente. Os gastos com controle cultural foram os menos expressivos, AU$0,015/ha/ano.
Uma das empresas certificadas pelo AFS afirmou que a certificação causou gastos adicionais no manejo de pragas. Essa empresa afirmou ter gasto AU$0,20/ha/ano adicionais com a certificação deste selo.
O grau de satisfação das empresas australianas, em relação ao FSC e o manejo integrado de pragas, mostrou que 25% consideram que não compensa “de maneira alguma”, 25% consideram “pouco compensadora” e 25% estão incertos. Somente 12,5% dos entrevistados afirma que a certificação foi “muito compensadora” nesse quesito (Figura 7a).
Figura 7. Grau de satisfação das empresas florestais da Austrália com a certificação
florestal do FSC (A) e do AFS (B) e o manejo integrado de pragas; custo/benefício da certificação do FSC (C) e do AFS (D) e o manejo integrado de pragas na opinião das empresas florestais australianas.
O contentamento das empresas australianas em relação ao AFS e o manejo integrado de pragas mostrou que 66,6% consideram compensadora, 13,6% “pouco compensadora” e 13,6% estão incertas (Figura 7b).
Metade das empresas australianas certificadas pelo FSC se declararam incertas em relação ao custo/benefício da certificação do FSC sobre o manejo de pragas e 25% se declararam insatisfeitas (Figura 7c). Apenas 25% das empresas se disseram satisfeitas e muito satisfeitas com essa relação. Das empresas do AFS, 66,6% se declararam satisfeitas com essa relação e 33,3% incertas (Figura 7d).
Metade das empresas australianas certificadas pelo FSC sugeriram que manteriam definitivamente ou provavelmente a certificação mesmo sem novas derrogações dos inseticidas usados no controle de pragas ou sem alternativas viáveis
(Figura 8a). A outra metade se diz incerta ou provavelmente não manteriam a certificação nessas condições.
Figura 8. A- Em caso de proibição permanente dos inseticidas em derrogação e sem
alternativas viáveis, sua empresa manteria a certificação do FSC?; B- Em caso o AFS proíba os mesmos inseticidas em derrogação do FSC e sem alternativas viáveis, sua empresa manteria a certificação do AFS?
Das empresas do AFS, 16,6% afirmaram que definitivamente manteriam a certificação e metade que, provavelmente, manteriam a certificação mesmo nas condições propostas (Figura 8b).
Perguntadas sobre qual seriam as reais motivações das proibições de certos químicos pelo FSC, 62,5% das empresas certificadas pelo FSC responderam se tratar de motivações ecológicas (Figura 9). Em seguida, aparecem outras motivações (50%), motivações políticas (25%) e científicas (25%). A metade das empresas do AFS acredita que as proibições do FSC se deem por razões políticas, 33,3% ecológicas e 16,6% científicas (Figura 9). Nenhuma empresa do FSC e do AFS na Austrália acredita que motivações comerciais influenciam nas decisões de proibições dos químicos.!!
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Figura 9. Motivações que levam o FSC a proibir certos pesticidas, na visão das
empresas certificadas do FSC e AFS na Austrália.
As empresas dos sistemas FSC e AFS expressaram um pouco de suas opiniões sobre as motivações do FSC para banir certos inseticidas e herbicidas. A maioria dos comentários das empresas certificadas pelo FSC foram críticas em relação as regras e critérios utilizados para a proibição dos pesticidas. Uma empresa afirmou: “Alguns dos químicos banidos são legalizados (na Austrália). As proibições seguem casos muito específicos, e não novas informações científicas”. Outra afirmou: “...levam pouco em conta uma avaliação de risco objetiva ao incluir um pesticida na lista de PAP (pesticidas altamente perigosos). Não se leva em conta a extensão e frequência de uso, nem os controles existentes em vigor”. Uma das empresas crítica a dominância dos países do norte sobre as regras e proibições do FSC: “O problema é a abordagem do hemisfério norte sobre o uso sem considerar o local de utilização pretendido, o ambiente onde será aplicado, padrões de uso, etc. O fato de que os chamados ‘assessores técnicos’ excluem evidências factuais em favor de referências emocionais é um pouco decepcionante”.
As empresas do AFS também estão de acordo com as do FSC, e criticam aos critérios e regras adotadas pelo FSC em relação a proibição dos pesticidas. Uma das empresas disse: “Químicos propriamente aprovados, bem manejados e aplicados não
deveriam ser restritos” e outra completou: “falta consistência internacional (para os critérios)”. Uma das empresas fez duras críticas aos critérios do FSC: “A lista de químicos banidos é inconsistente com os padrões de qualquer lugar do mundo e pouco é levado em conta em relação de como os químicos são utilizados na silvicultura comparado a outras atividades (e.g. agricultura)”. Algumas empresas fizeram críticas a visão eurocêntrica do FSC nas tomadas de decisões, uma delas afirmou: “...as decisões são fortemente eurocêntricas. Tentativas anteriores de se conseguir uma abordagem mais aceitável regionalmente para se determinar se um químico deve ser proibido foi posta de lado pelo FSC internacional com forte base europeia”. Por fim uma empresa afirma: “Não foi o FSC que mudou a abordagem de que químicos devem somente ser usados quando há uma necessidade genuína e não há alternativa viável. A certificação só realmente ajudou as empresas a manterem mercado para seus produtos e melhorar sua imagem”.
A proibição do uso de fertilizantes foi considerada um custo “muito importante” para 75% das empresas australianas certificadas pelo FSC (Figura 10). Em seguida, a falta de alternativa viáveis para o controle químico (62,5%) e a proibição de inseticidas liberados no país, mas proibidos pelo FSC (25%). A manutenção de registros de controle e o monitoramento de pragas e a proibição do uso de OGM foram considerados custos menos importantes (12,5%).
Figura 10. Importância relativa dos possíveis custos da certificação florestal do FSC no
Expectativas e satisfação com a influência do FSC e do AFS no MIP
As empresas australianas consideram importantes e valorizam cinco itens da certificação florestal do FSC para o manejo integrado de pragas (Figura 11): os econômicos, como (4) reconhecimento e credibilidade, (5) maior comprometimento com o manejo e (7) ganho de novos mercados; ambientais: (9) modelo de boa silvicultura e (13) menor quantidade de pesticidas usados. No entanto, as empresas australianas consideram importante, mas não estão satisfeitas com a performance (quadrante A) dos itens da categoria de possíveis benefícios econômicos: (1) menor perda na produção, (2) menor gastos com controle, (3) competição com outras empresas, (6) melhor planejamento e (8) marketing verde; ambientais: (10) melhoria nas práticas de manejo, (11) melhoria na proteção florestal, (12) melhor monitoramento, planejamento e execução das ações de manejo de praga, (14) maior uso de técnicas não-químicas e (15) menor risco para espécies não-alvo; e sociais: (17) aprendizado com o manejo integrado de pragas, (18) maior confiança pública, (20) maior credibilidade com agências reguladoras, (21) melhor organização das atividades, (23) melhoria na qualidade de vida dos funcionários, (25) menor conflito com as comunidades vizinhas e (26) melhor relacionamento com stakeholders.
Figura 11. Análise de importância e desempenho dos possíveis benefícios da
certificação florestal do FSC sobre o manejo integrado de pragas nas empresas florestais australianas. (1) menor perda na produção, (2) menor gastos de controle, (3) competição com outras empresas, (4) reconhecimento e credibilidade, (5) maior comprometimento com o manejo integrado, (6) maior planejamento, (7) captura de novos mercados, (8) marketing “verde”, (9) modelo de boa silvicultura, (10) melhoria nas práticas de manejo, (11) melhora da proteção florestal, (12) melhor monitoramento, planejamento e execução de ações de manejo de pragas, (13) menor quantidade de pesticidas utilizados, (14) maior uso de técnicas não-químicas, (15) menor risco para espécies não-alvo, (16) maiores áreas de floresta nativa próxima aos plantios, (17) aprendizado em manejo integrado de pragas florestais, (18) maior confiança pública, (19) mais pesquisa de MIP, (20) credibilidade com agências reguladoras, (21) maior organização das atividades, (22) melhorias no treinamento e segurança dos aplicadores, (23) melhoria na qualidade de vida dos funcionários, (24) aumento no número de funcionários de manejo integrado de pragas, (25) menos conflitos com comunidades vizinhas e (26) melhor relacionamento com as partes interessadas.
No quadrante C, de pouca importância e performance, aparecem os itens: (16) mais áreas de vegetação nativa próxima aos plantios, (19) mais pesquisa de MIP, (22) melhoria no treinamento e segurança de aplicadores e (24) aumento no quadro de funcionários de manejo de pragas. Nenhum item apareceu no quadrante D (Figura 11).
As empresas australianas consideram importante e valorizam 11 itens que aparecem no quadrante B como possíveis benefícios da certificação florestal do AFS sobre o manejo integrado de pragas, (Figura 12), com os benefícios econômicos: (4) reconhecimento e credibilidade, (5) maior comprometimento com o manejo, (6) melhor planejamento e (7) ganho de novos mercados; ambientais: (9) modelo de boa silvicultura e (12) melhor monitoramento; e sociais: (20) maior credibilidade com agências reguladoras, (22) melhoria no treinamento e segurança de aplicadores, (23) melhoria na qualidade de vida dos funcionários, (25) menos conflitos com as comunidades vizinhas e (26) melhor relacionamento com stakeholders. Porém as empresas do AFS consideram importantes, mas estão insatisfeitas com a performance dos itens 1, 2, 8 e 21, no quadrante A.!!
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Figura 12. Análise de importância e desempenho dos possíveis benefícios da
certificação florestal do AFS sobre o manejo integrado de pragas nas empresas florestais australianas. (1) menor perda na produção, (2) menor gastos de controle, (3) competição com outras empresas, (4) reconhecimento e credibilidade, (5) maior comprometimento com o manejo integrado, (6) maior planejamento, (7) captura de novos mercados, (8) marketing “verde”, (9) modelo de boa silvicultura, (10) melhoria nas práticas de manejo, (11) melhora da proteção florestal, (12) melhor
monitoramento, planejamento e execução de ações de manejo de pragas, (13) menor quantidade de pesticidas utilizados, (14) maior uso de técnicas não-químicas, (15) menor risco para espécies não-alvo, (16) maiores áreas de floresta nativa próxima aos plantios, (17) aprendizado em manejo integrado de pragas florestais, (18) maior confiança pública, (19) mais pesquisa de MIP, (20) credibilidade com agências reguladoras, (21) maior organização das atividades, (22) melhorias no treinamento e segurança dos aplicadores, (23) melhoria na qualidade de vida dos funcionários, (24) aumento no número de funcionários de manejo integrado de pragas, (25) menos conflitos com comunidades vizinhas e (26) melhor relacionamento com as partes interessadas.
No quadrante C (Figura 12), de pouca importância e performance aparecem os seguintes possíveis benefícios ambientais: (10) melhorias nas práticas de manejo, (11) melhoria na proteção florestal, (13) menor quantidade de pesticidas usados, (14) maior uso de técnicas não-químicas e (16) maiores áreas de vegetação nativa próxima aos plantios; e sociais: (17) aprendizado com o manejo integrado de pragas florestais, (18) maior confiança pública, (19) mais pesquisa de MIP e (24) aumento no quadro de funcionários com manejo integrado de pragas. Os itens 3 e 15 aparecem no quadrante D (Figura 12). As empresas preocupam menos com esses itens em relação ao manejo de pragas, porém estão satisfeitas com a performance do FSC sobre eles.
Comentários gerais feito pelas empresas florestais certificadas
Todas as empresas australianas certificadas pelo FSC participantes manifestaram sua opinião ou algum comentário pertinente para a melhoria do manejo integrado de pragas com a certificação do FSC. A crítica mais comum foi em relação aos critérios adotados pelo FSC para proibir certos pesticidas, lembrada por 75% das empresas (n = 6). As principais críticas giram em torno das proibições em produtos com uso autorizado por agências federais, da dominância europeia nas decisões e comparações de uso com outras atividades. Uma empresa disse: “A abordagem do FSC para o Manejo de Pragas é nesse momento muito idealística e prescritiva, e é irrealista na expectativa de que os gerentes de plantios na Austrália (ou em qualquer lugar) irão reduzir o uso de herbicidas, fertilizantes e inseticidas a zero. O conceito de derrogação ‘temporária’ é um termo impróprio se não existem alternativas viáveis. A extensão espacial e a frequência do uso de químicos num ciclo de 30 anos deveria ser comparada a de outros usos da terra”. Ainda sobre a derrogação, outra empresa disse: “Deveriam se dar conta que a redução no uso de certos químicos não será sempre possível. Se nenhuma alternativa viável está disponível ou econômica alguns químicos deveriam ter
a derrogação disponível sem um prazo final”. Outra empresa afirmou “Nós somos profissionais que sabem o que, como e quando realizar operações de controle. O custo econômico para a empresa manter a certificação do FSC, esbarra por vezes no uso excessivamente regulado e restrito de certos pesticidas e herbicidas”. Outro comentário foi: “O FSC é eurocêntrico. Dá pouca importância ao uso dos produtos. Deveriam avaliar o risco ecológico de cada produto, deveriam fazer um padrão para avaliação de risco (do uso de pesticidas)”.
Outra opinião foi “Uma (certificação) que use o APVMA como modelo. Tempo de resposta simplificado para submissões de derrogações, e se necessário sob o pedido oferecido anteriormente. A certificação do FSC deve melhorar a empresa, não retirá-la a um nível econômico e social”. Outras críticas que apareceram foram em relação à proibição de OGM pelo FSC: “Futuros OGM’s poderão ter grandes benefícios em reduzir a quantidade de químicos, maior produtividade e menor impacto ambiental. O atual banimento não é feito cientificamente e sim baseado em desinformações e medo”; e sobre a necessidade de consulta a stakeholders: “A maioria dos stakeholders não querem comentar ou utilizam essas consultas como forma de chantagem, controlando os comentários em caso de seus ideais não estarem de acordo”. As empresas do AFS parecem mais satisfeitas em relação a interferência do selo no manejo integrado de pragas de seus plantios. Uma das empresas afirmou que essa certificação está razoável até o momento. Outra empresa fez o seguinte comentário: “Atualmente, o AFS é consistente no fornecimento de orientações sobre indicadores que podem ser concorrentes; especificamente a exigência de garantir que os danos se mantenham dentro de limites toleráveis não seja superada pela necessidade de reduzir a dependência do uso de produtos químicos. O cuidado é necessário se o AFS seguir a abordagem do FSC na listagem de produtos químicos proibidos, para que possa garantir que as razões para a proibição sejam baseadas em evidências e na avaliação quantitativa do risco ambiental”.
4. DISCUSSÃO
Importância das pragas florestais, técnicas de controle e químicos em derrogação
A importância dos besouros desfolhadores para as florestas e plantios florestais australianos já é bastante conhecida. Entre os besouros desfolhadores, se destacam os conhecidos “besouros de primavera”, principalmente Epholcis bilobiceps (Scarabaeidae), que pode causar desfolhamento total de várias espécies de eucalipto no estado de Queensland, incluindo Eucalyptus camaldulensis (Myrtaceae), E. grandis e E. robusta (NAIR, 2007). Outros besouros desfolhadores importantes em Queensland e Nova Gales do Sul são os “besouros de natal” (Anoplognathus spp.) (Scarabaeidae), que em grandes surtos, atacam plantios novos de eucalipto (CARNEGIE et al., 2008). Paropsis atomaria (Chrysomelidae) desfolha eucalipto e acácia, tanto na fase larval quanto adulta, podem ter até quatro gerações por ano nas regiões mais quentes, causando desfolhações seguidas que afetam o crescimento das árvores (STONE, 1991; SCHUTZE et al., 2006; NAHRUNG et al., 2008). Um besouro introduzido da África do Sul, Heteronychus arator (Scarabaeidae) é um inseto daninho importante de E. globulus no sudoeste australiano (LOCH & FLOYD, 2001). O bicudo-australiano, Gonipterus platensis (Curculionidae), também é praga de plantios de eucalipto nessa região (LOCH & MATSUKI, 2010; WYLIE & SPEIGHT, 2012). A grande importância desse grupo pode ser explicada pela grande diversidade de besouros desfolhadores pragas de eucaliptos, espécies cultivadas pela maioria das empresas de ambos sistemas de certificação.
Das pragas que atacam mudas e plântulas, as mais importantes incluem besouros Automolus spp. e Liparetrus spp. (Scarabaeidae) que causam a morte de mudas, podendo resultar em gastos extras de implementação de plantios (CARNEGIE et al., 2005). As pragas de viveiro de mudas na Austrália, incluem Spodoptera litura (Lepidoptera: Noctuidae) danificando Araucaria cunninghami; H. arator causando danos a mudas de P. elliotti no sul de Queensland; além de outros grupos de pragas que
normalmente ocorrem em viveiros em zonas tropicais como corós, gafanhotos e grilos, lagartas enrola-folhas, etc. (WYLIE & SPEIGHT, 2012). A grande importância recebida por esses dois grupos de pragas possivelmente se deve ao fato de serem pragas de plantas jovens, mais susceptíveis ao ataque de pragas, além de nessa fase, as plantas serem atacadas por uma grande variedade de insetos, com hábitos alimentares bastante variados. A importância dos grupos de pragas para as empresas mostrou que fatores como localização geográfica, clima e espécies plantadas podem fazer com que uma praga seja muito importante em determinada região e não em outra.
As técnicas de controle silviculturais foram as mais importantes provavelmente pela maior importância das pragas de viveiro. Essas pragas são controladas muitas vezes utilizando apenas técnicas silviculturais preventivas como eliminação de plantas daninhas e restos de madeira, que atuam como abrigos e hospedeiros alternativos para pragas de viveiro, e o revolvimento de solo, que ajuda a controlar pragas subterrâneas como cupins, corós e lagartas rosca (NAIR, 2007). Irrigação e fertilização adequadas também são técnicas silviculturais que evitam a presença de pragas em viveiros, mantendo as mudas com grande vigor. Técnicas silviculturais são, também, importantes em plantios florestais australianos, principalmente as preventivas, como a utilização de plantios mistos, controle de plantas daninhas, desbastes, uso de espécies adequadas, plantio em sítios adequados (CARNEGIE et al., 2005; WYLIE & SPEIGHT, 2012), entre outras, capazes de reduzir a incidência de pragas em plantios florestais. A maior importância de técnicas de caráter preventivo como as silviculturais, pode também ser uma consequência direta da necessidade de uso limitado de inseticidas, requerido nas diretrizes de ambos sistemas, FSC e AFS. O controle químico e o biológico também foram avaliados como importantes pela maioria das empresas de ambos sistemas, pois são as técnicas curativas com melhores resultados para as principais pragas australianas em plantios florestais.
Dos inseticidas em derrogação na Austrália, a alpha-cypermetrina foi considerado mais necessário do que o fipronil, de baixa necessidade pelas empresas de ambos os sistemas. A alpha-cypermetrina é um piretróide sintético de amplo espectro registrado para o controle de besouros desfolhadores das famílias Chrysomelidae e Curculionidae, “besouros primavera” do gênero Liparetrus e Mnesempela privata (Lepidoptera: Geometridae), substituindo o dimetoato, mais tóxico (CARNEGIE et al., 2005). Os besouros desfolhadores, apesar de serem pragas importantes, não ocorrem em surtos frequentes por toda Austrália, e larvas de desses insetos podem ser bem
pesticidas do FSC (CARNEGIE et al., 2005), o que explicaria a baixa necessidade do uso desse produto em plantios certificados. No entanto, ambas alternativas apresentam problemas, já que o spinosad apresenta controle satisfatório apenas em larvas de primeiro e segundo instar (CARNEGIE et al., 2005) e inseticidas bióticos como o Bt dependem de condições climáticas e ambientais para serem efetivos, e por isso não são muito utilizados nos plantios florestais australianos (CARNEGIE et al., 2005). O fipronil, em derrogação na Austrália para o controle de surtos de Orthoptera, pragas pouco frequentes na maioria dos plantios e, por isso, foi pouco necessário em ambos os sistemas.
Mudanças no manejo integrado de pragas florestais
Empresas certificadas pelo FSC promoveram mais mudanças que as do AFS, provavelmente devido às maiores restrições do primeiro sistema, principalmente no uso de químicos nos plantios (ROTHERHAM, 2011; HACKET, 2013). No FSC, os resultados do monitoramento devem ser incluídos nas revisões constantes do plano de manejo, política e procedimentos do empreendimento, além da divulgação pública dos resultados (GOVENDER, 2002). A otimização do melhor momento para a aplicação de inseticidas é recomendada pelos dois esquemas, para reduzir a quantidade e necessidade do uso químico (CARNEGIE et al., 2005). Como o FSC restringe o uso de inseticidas, comumente usados nos plantios australianos, é possível que promova a utilização de técnicas de caráter preventivo, como o monitoramento, e isso pode ser explicado pela grande porcentagem de empresas que passaram a adotá-lo após a certificação com esse selo. Na Austrália, o monitoramento tem como alvo principalmente a flutuação populacional de besouros desfolhadores (CARNEGIE et al., 2005). Mudanças relacionadas a levantamentos de regeneração e vida silvestre também foram expressivos em empresas certificadas pelo FSC. O FSC exige que dados de levantamentos da composição e mudanças de flora e fauna, e a efetividade das atividades de conservação sejam registrados (GOVENDER, 2002). Como o FSC é ambientalmente rigoroso com suas normas, é possível que isso tenha influenciado no grande número de adoções desses levantamentos por empresas desse selo.
O aumento nas consultas com os stakeholders foi a mudança de cunho social que teve maior intensidade. Entre as partes interessadas, os grupos indígenas são os mais consultados pelos empreendimentos certificados pelo FSC, pois esse sistema defende fortemente o respeito aos direitos dos povos indígenas, como observado no
critério número três, nos “Princípios e Critérios”, e por isso deve ter favorecido o aumento dessa mudança quando comparado ao AFS.
Algumas vezes, empresas que tentam se certificar com FSC tem que se adequar a leis e normas governamentais que eram ignoradas, desrespeitadas e/ou que o próprio estado falhava em dar suporte (ESPACH, 2006). No caso da Austrália, isso parece não