2. ÇİN RESİM SANATI ETKİSİNİ YANSITAN AKKOYUNLU-TÜRKMEN
2.1. Kalem-i Siyahî Resminin Kaynağı ve Yaygınlaşması
2.1.2. Mürekkepli Çin Resim Sanatından Kalem-i Siyahî Resmine
Os relatos e as vivências daqueles que estão em contato ou familiarizados com um fenômeno pouco se aproximam das experiências daqueles que diariamente o enfrentam; compartilhar a dor e enfrentamento do processo não é o mesmo de ser o protagonista, e tomamos como ponto de partida para compreender a experiência de possuir uma úlcera venosa a técnica e método da História Oral de Vida.
Para Meihy e Ribeiro (2011), a História Oral de Vida (HOV) trata-se de um recurso utilizado para elaboração de pesquisas referentes às experiências vividas nos âmbitos sociais e grupais; é uma ferramenta fundamental para se apreender as percepções que os indivíduos têm do passado no tempo presente, que se encontra em constante construção, iluminando o contexto do tema abordado de maneira particular. Muito além da existência, estão a experiência de viver e a repercussão nos modos de ser e agir através dos condicionantes sociais, econômicos e de saúde, contribuindo para a caracterização dos aspectos de vida e da compreensão da realidade por meio da participação de colaboradores. A história oral ganha sentido quando deixa de ser documento equiparável aos preexistentes, passando a ser fundamento de “outra visão”, levando o compromisso do registro da narrativa como documentação social (MEIHY; RIBEIRO, 2011; MEIHY, 2011).
A História Oral, assim definida por Meihy (2002; 2011), é um conjunto de procedimentos que se inicia com a elaboração de um projeto e que continua com o estabelecimento de um grupo de pessoas a serem entrevistadas; é um procedimento que acontece no tempo real da apreensão da fala e mantém vínculo indissociável entre a memória e os modos de narrar uma ou várias situações de vida, estabelecendo a identidade do grupo entrevistado. A entrevista em história oral é um recurso usado para elaboração de registros, documentos e estudos referentes à experiência social de pessoas e grupos, sempre no tempo presente e também reconhecida como história viva, que se contempla no projeto como partes que se comunicam, harmonizam, crescem e mudam (MEIHY; RIBEIRO, 2011; LIMA; GUALDA, 2001).
A entrevista em história oral é definida como encontros planejados, gravados por diferentes mídias, decorrentes de projetos, exercitados de maneira dialógica, ou seja, com perguntas/estímulos e respostas. As entrevistas devem permitir, mais do que dados informativos, a compreensão de situações propostas como problemáticas, com versões diferentes ou desconhecidas de fatos, ocorrências ou visões de mundo (MEIHY; RIBEIRO, 2011; MEIHY, 2006).
Para Meihy e Holanda (2011), a história oral não é compreendida como metodologia e sim como o conjunto de procedimentos que se inicia com a elaboração de um projeto, instrumento norteador que ajuda a planejar o trabalho de pesquisa, o delineamento da proposta a ser desenvolvida, sua fundamentação teórica e justificativa, a entrevista em colaboração e a passagem do código oral para o escrito.
O projeto deve levar em conta fatores como a relevância social da pesquisa, a abrangência das entrevistas, local e tempo, o diálogo com a comunidade que gerou as entrevistas e a responsabilidade na finalização e devolução do trabalho. O projeto prevê uma
comunidade de destino, que são pessoas que partilham uma identidade; uma colônia, um grupo
menor inserido na comunidade mais ampla e marcado por relações de gênero, classe, gerações, entre outras; e as redes, uma subdivisão formada pelas pessoas que serão entrevistadas, por critérios de pertencimento ou diferenças de discursos (MEIHY; HOLANDA, 2011)
A história oral torna capaz o processo de evidenciar as visões de mundo particulares, expressas através do depoimento de suas experiências, sendo um processo sistematizado e planejado, em que a oralidade é registrada e transportada para o meio escrito, onde se possibilita realizar análises do contexto social e individual, que deverão ser interligados e interdependentes. O compromisso estabelecido entre o pesquisador que elabora e executa o projeto e as pessoas entrevistadas baseia-se na construção de uma relação em que o entrevistador contempla as visões de mundo dos entrevistados, em defesa de suas ideologias antagônicas e contrastantes, pois só assim o projeto se enriquece (MEIHY, 2006; MEIHY; HOLANDA, 2011; SILVA, 2010).
A valorização do democrática e humanística da história oral coexiste não só em tornar públicas experiências guardadas na memória dos depoentes, mas também por valorizar a contribuição de pessoas comuns na construção da história humana, em situações críticas de vida (SILVA, 2011; MIRANDA; MACIEL, 2003; MIRANDA, 1998).
Sobre a importância do tema, Thompson (1992) referencia que as possibilidades e benefícios da história oral são ilimitados, pois ela pode ser utilizada como uma ferramenta primorosa para se alcançar a autorrealização pessoal, o espírito cooperativo e a compreensão, que acabam por resultar no rompimento dos muros que isolam os estudos acadêmicos e o mundo exterior. Para o autor, a história oral pode ser concebida como uma técnica moderna de documentação histórica que oferece os meios necessários para uma transformação radical no sentido social da história. Por ser uma história construída em torno das pessoas, lança a vida para dentro da própria história, contribuindo para a formação de seres humanos mais complexos.
A HOV em sua essência, possui um mérito essencial que é o da constituição de situações de igualdade e a produção de um tipo de história com grande significado para as pessoas comuns. Meihy e Ribeiro (2011) afirmam que a história oral de vida também pode ser mecanismo de participação social, uma vez que cede lugar à fala do povo, como fator de transformação social das realidades vividas e contadas.
Na metodologia discutida, três conceitos que se hierarquizam de forma combinada precisam estar bem definidos, sendo eles: comunidade de destino, colônia e redes. O primeiro sendo entendido como grupos diversos que possuem traços comuns, marcantes de um comportamento amplo que os caracteriza. O segundo, como um grupo amplo, uma divisão em grande bloco da comunidade de destino que visa o entendimento do todo pretendido e a viabilidade do estudo. O conceito de rede pode ser percebido como uma subparte da colônia, sendo uma especificação menor de comunidade de destino, visto que seguem uma linha hierárquica em sua compreensão (MEIHY; HOLANDA, 2011).
Para Meihy (2002), o conceito de colônia se liga exclusivamente ao fundamento da identidade cultural do grupo. É formado pelos elementos amplos que marcam a identidade geral dos segmentos dispostos à análise. No delineamento de tais conceitos, a rede pode ser percebida como uma subparte da colônia, sendo uma especificação menor de comunidade de destino, visto que seguem uma linha hierárquica em sua compreensão.
A origem da rede é sempre o ponto zero, a entrevista básica ou mesmo as entrevistas iniciais que orientam a formação de novas redes. Através do ponto zero se extraem as perguntas específicas que favorecem a continuidade das demais, em que o colaborador em cada entrevista deve indicar alguém para compor a rede (MEIHY; HOLANDA, 2011).
O ponto zero será sempre alguém que conheça em profundidade os fatos que são pesquisados da história do grupo ou de quem se quer fazer a entrevista central. Deve-se, de acordo com o autor referido, fazer novas entrevistas com essa pessoa, após ter sido tomado conhecimento acerca dos eventos ocorridos com a história do grupo ou depoente central. Os projetos de HOV, principalmente os que tratam de colônia, devem possuir uma pergunta de corte, sendo ela a que transcorre por todas as entrevistas mencionando a comunidade de destino que marca a identidade do grupo estudado (MEIHY, 2002).
Autores como Silva (2011), Nóbrega (2010), Dantas (2009) utilizaram, em Natal/RN, a técnica de HOV para elucidar histórias e vivências de grupos sociais estigmatizados e/ou marginalizados, desdobrando tesouros em forma de relatos orais e provocando o choque transformador entre a realidade vivida pelos colaboradores e a produção acadêmica, sem abrir mão da essência da história oral ou dos ditames metodológicos.
Por acreditar que é possível a produção acadêmica e científica através da HOV, utilizando-se referenciais teóricos para sua análise, possibilitaremos mostrar à academia histórias complexas de pessoas simples, histórias repletas de significação, conquistas, superação e resiliência.
Com o compromisso de “devolver” os resultados à comunidade e aos protagonistas que geraram o referido projeto de História Oral, parte fundamental do projeto, os serviços que compõem a APS, a AB e a ESF passam a ser o cenário escolhido para o desenvolvimento do projeto. Tornaremos possível a imersão em um mundo acortinado pelo estigma das marcas na pele, pelo enfrentamento diário da dor, das trocas de coberturas, dos sentimentos sobre sua condição e sobre seu tratamento, identificando quais são os impactos na trajetória de vida do portador de úlcera venosa e apreendendo a experiência de conviver com uma ferida no seu cotidiano.
3 CAMINHO METODOLÓGICO
O percurso metodológico engloba aspectos temáticos e teóricos sobre o tipo de estudo, aspectos operacionais sobre o método e técnica da História Oral de Vida e as etapas do projeto seguidas para a execução do estudo e produção final da dissertação, bem como os instrumentos de coleta e análise de dados e as etapas do processo, discriminados a seguir.