b Hükmün Açıklanmasının Geri Bırakılması Kararına Konu Yargılama Sürec
E. Denetim Süresince Elkoymanın Mülkiyet Hakkı Bakımından Yol Açtığı Meseleler
3. Mülkün Zarar Görmes
Tome-se, inicialmente, o exemplo da Suíça que, no final da década de 1980, passou por um período de preocupante crescimento nas taxas de consumo de drogas injetáveis. Ao mesmo tempo, também crescia o número de infectados pelo vírus HIV. Buscando mitigar o
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As políticas de redução dos danos poderiam avançar ainda mais se considerassem também o traficante como sujeito passível de tratamentos alternativos, que não o criminal. A mitigação dos riscos seria mais relevante se a comercialização de substâncias entorpecentes, tanto quanto o uso, fosse encarada como um problema social, passível de enfrentamento fora do âmbito do direito penal. Considerando o usuário como paciente, reduzem-se os riscos ao indivíduo em razão do consumo de drogas. Tal postura estatal, se também dirigida ao traficante, seria apta a minimizar os danos sociais decorrentes da criminalidade relacionada com as drogas.
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Embora que na maioria dos países que adotam o programa de redução de riscos o consumo de substâncias entorpecentes continue sendo considerado conduta criminosa.
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problema de incolumidade pública que se instalava, adotou-se como medida o engajamento do setor da saúde pública para lidar com a questão364, em vez da criminalização do usuário.
Até o advento da AIDS, a Suíça matinha, em relação às drogas, uma política conservadora, fundada na criminalização e forte repressão policial sobre usuários e traficantes365, na mais perfeita acepção da guerra contra as drogas. Com o avanço do HIV e inerente contaminação a partir do compartilhamento de seringas por usuários de drogas, a postura coercitiva deu lugar às ações focadas na saúde do adicto.
Embora não tenha descriminalizado o uso e a comercialização de drogas, o governo suíço criou salas de injeção segura, onde além de ter assistência social, o usuário pode fazer uso de drogas injetáveis, sem recorrer a traficantes ou se submeter ao risco de consumir entorpecente impuro. No mesmo local o poder público distribui seringas descartáveis e, desde 1992, o viciado (atendidas algumas condições) pode ser submetido ao tratamento de prescrição de heroína, reduzindo os riscos inerentes ao consumo.
As ações focadas na redução dos danos causados pelo consumo de drogas injetáveis, no caso da Suíça, seguiram o princípio do low-threshold (baixo limiar), consistente na estratégia de que os usuários alvo destas ações não encontravam altas exigências para obter os serviços de tratamento. Não se exigiu, por exemplo, que o indivíduo deixasse de consumir determinado entorpecente para ingressar no programa, embora a abstinência fosse um objetivo a ser alcançado366.
Da medida de substituição e prescrição de heroína367, resultou considerável impacto na procura clandestina por esse opiáceo, uma vez que a ação focou nos viciados problemáticos (que representam de dez a quinze por cento do total) e, embora em menor número em relação aos demais usuários, são responsáveis pela maior parte da demanda (trinta a sessenta por cento). De igual sorte, a demanda por outras drogas também experimentou redução em decorrência do programa368.
364
COMISSÃO BRASILEIRA SOBRE DROGAS E DEMOCRACIA. Política de Drogas: Novas práticas
pelo mundo. Rio de Janeiro, 2011. p. 38. Disponível em: <http://www.bancodeinjusticas.org.br/wp-
content/uploads/2011/11/Pol%C3%ADtica-de-drogas-novas-práticas-pelo-mundo.pdf>. Acesso em 02 de junho de 2013.
365
KILLIAS, Martin; AEBI, Marcelo F. The impact of heroin prescription on heroin markets in Switzerland. Crime Prevention Studies, v. XXI. University of Lausanne, Switzerland, 2000. p. 84.
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COMISSÃO BRASILEIRA SOBRE DROGAS E DEMOCRACIA. Op. cit.
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A prescrição de heroína costuma a funcionar melhor que a substituição por metadona, uma vez que esta, embora menos insegura, não satisfaz a dependência psicológica, vez que não ocasiona prazer.
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Esses fatos são relatados por Martin Killias e Marcelo F. Aebi: "Assim, a substituição da heroína tende a atingir especialmente usuários problemáticos, ou seja, os consumidores pesados. E, assumindo que três mil viciados representem entre dez a quinze por cento dos usuários de heroína na Suíça, não parece irreal especular que eles representam entre trinta a sessenta por cento da procura pela droga no mercado ilegal. [...] A pergunta a ser realizada é como o mercado irá reagir a uma queda na demanda de tais proporções. Uma possível estratégia
Com efeito, observando-se o comportamento do usuário integrado ao programa, a partir dos dados coletados pela polícia suíça, durante os seis primeiros meses de tratamento, o consumo de heroína diminui, em média, sessenta e oito por cento, em comparação com o seis meses anteriores à intervenção. Quando a comparação é estendida aos períodos de vinte e quatro meses antes e após a admissão no programa, a redução é de setenta e um por cento369.
O mesmo decréscimo pode ser observado até em relação ao consumo de cocaína (droga que não faz parte da política de substituição ou prescrição). Dentre os usuários de heroína, integrantes do programa, apenas quinze por cento declararam não ter feito uso de cocaína nos seis meses anteriores ao tratamento. Seis meses após, o número de assistidos que não fizeram uso de cocaína no período já importava em vinte e oito por cento; progredindo para trinta e cinco por cento após doze meses e, finalmente, quarenta e um por cento após dezoito meses370.
Cerca de quarenta e três por cento dos viciados em heroína admitidos no programa de substituição de drogas tinham, nos seis meses anteriores ao tratamento, atuado como traficante da mesma substância para sustento do próprio vício. Durante os seis primeiros meses de tratamento, esse número havia decrescido para dez por cento; e seis por cento após doze meses de ingresso no projeto371.
Martin Killias e Marcelo F. Aebi concluem seu estudo científico acerca dos resultados da política de redução de danos na Suíça asseverando que o programa de prescrição de heroína foi responsável por afastar seus pacientes da prática de crimes relacionados ao tráfico de drogas e afetar o próprio mercado ilegal de referido opiáceo:
The Swiss heroin prescription program was targeted at hard-core drug users with very well established heroin habits. These people were heavily engaged in both drug dealing and other forms of crime. They also served as a link between importers, few of whom were Swiss, and the — primarily Swiss — users. As these hard-core users found a steady, legal means for addressing their addiction, they reduced their illicit drug use. This reduced their need to deal in heroin and engage in other criminal activities. Thus, the program had three effects on the drug market:
seria a promoção de novas drogas, ou aquelas que são atualmente menos populares na Suíça, como a cocaína. É difícil avaliar se essas estratégias serão bem sucedidas, uma vez que o deslocamento dos efeitos é sempre difícil de estudar, seja qual for a ofensa a ser evitada e quais podem ser os possíveis crimes 'alternativos'.
Os dados recolhidos até agora tendem a mostrar, no entanto, um declínio do consumo de heroína não prescrita e, também, de outras drogas ilícitas" (KILLIAS, Martin; AEBI, Marcelo F. Op. cit., p. 88. Traduzido do inglês para o português). 369 Ibid., p. 88. 370 Ibid., p. 88. 371 Ibid., p. 92.
• It substantially reduced the consumption among the heaviest users, and this reduction in demand affected the viability of the market. • It reduced levels of other criminal activity associated with the
market.
• By removing local addicts and dealers, Swiss casual users found it difficult to make contact with sellers.372
Não obstante os avanços nas políticas públicas de drogas na Suíça, em 2004 o parlamento daquele país rejeitou a descriminalização da maconha e, em 2008, os eleitores daquele país, consultados em plebiscito, embora aprovando as medidas de redução de danos, se pronunciaram contra a legalização dos canabinoides.