V. BÖLÜM: BULGULAR VE YORUM
5.2. ARAŞTIRMA SONUCUNDA ELDE EDİLEN NİTEL BULGULAR
5.2.2. Mülakat Yöntemiyle Elde Edilen Bulgular
É válido evocar que numa relação de cuidado, estão presentes a sua prática efetiva, o contato profissional, mas, também o contato com a própria consciência, facto que nos conduz à reflexão ética do cuidado de enfermagem, não limitado a procedimentos técnicos de acordo com as necessidades de determinadas patologias, mas apoiados em princípios ou valores como: autonomia, beneficência, não-maleficência e justiça (Beauchamp & Childress, 2001), contribuindo assim para um processo de humanização dos cuidados em saúde que pressupõe considerar a essência do ser, o respeito à individualidade e a necessidade da construção de um espaço concreto nas instituições de saúde que legitime o humano das pessoas envolvidas. E quando se fala em atendimento humanizado, este traduz-se num processo facilitador à pessoa vulnerável que lhe permita enfrentar positivamente os desafios que vivencia num dado momento.
Assim sendo, pautei-me pelo respeito e pelo princípio da fidelidade, estabelecendo confiança com os doentes/famílias em tratamento de quimioterapia em regime ambulatório, respeitando as suas opiniões e escolhas; assumi o dever da humanização dos cuidados, prestando “atenção à pessoa como uma totalidade única, inserida numa família e numa comunidade”, e trabalhando em articulação com os restantes profissionais (Ordem dos Enfermeiros, 2009).
Faz então sentido, relembrar que aos enfermeiros cabe a obrigação de acautelar os direitos humanos, de acordo com os princípios da ética, devendo assegurar que os doentes recebam informação adequada (International Council of Nurses (ICN), 2006, p.2). Ainda e de acordo com o REPE (2011, p.10), no seu artigo 8º, nº1, os enfermeiros no “exercício das suas funções, deverão adotar uma conduta responsável e ética e atuar no respeito pelos direitos e interesses, legalmente protegidos, dos cidadãos”.
Deste modo, de acordo com o artigo 84º do Código Deontológico dos Enfermeiros (Ordem dos Enfermeiros, 2009), respeitando o dever de informação, tive o cuidado de me apresentar ao doente/ família, informando quem era, quais os meus objetivos e solicitando consentimento informado para lhes prestar cuidados. Também e de modo a poder desenvolver o projeto solicitei a autorização da Direção e Chefias de Enfermagem e dei a conhecer aos enfermeiros de cada local de estágio quais os meus objetivos.
Ao longo deste trajeto, a postura de observadora e prestadora de cuidados estiveram presentes, assim como a elaboração de apontamentos sobre as necessidades identificadas/ intervenções de enfermagem, as quais converti em registo num instrumento de trabalho (guia orientador de acompanhamento telefónico) construi, fazendo por respeitar a confidencialidade das informações e dos cuidados prestados, de acordo com o Código Deontológico dos Enfermeiros (Ordem dos Enfermeiros, 2009).
Em suma, considero que procurei orientar a minha prática pelos princípios da ética, cumprindo as normas deontológicas e as leis que regem a profissão, considerando ininterruptamente o respeito pela liberdade e dignidade da pessoa (Ordem dos Enfermeiros, 2009).
A vivência do crescimento deste projeto, foi gerida com dedicação e empenho, mas, também com alguma expetativa, por poder desenvolver competências numa área que me é tão querida e por considerar que os cuidados direcionados para o controlo dos efeitos secundários da quimioterapia no domicílio são cada vez mais, um imperativo ético para nós, enquanto pessoas e profissionais de saúde.
Encaro assim a pessoa doente como um ser único e insubstituível, com os seus valores, crenças e personalidade próprios, com a sua autonomia e dignidade, que procuro respeitar, ao mesmo tempo que procuro equilibrar os conhecimentos, capacidades técnicas e os meus sentimentos na prestação diária de cuidados. Estão presentes mais do que a soma das componentes biológicas, psicológicas, sociais, culturais e espirituais, pois considero que as experiências de vida (e de doença), as expectativas e o plano de vida pessoal têm uma influência impar nas suas crenças e valores e a tornam numa Pessoa única. Estes conceitos têm-se revelado fundamentais como regentes da minha prática diária e da enfermeira que sou e pretendo ser, agora de um modo mais consubstanciado, pois do Enfermeiro Especialista é esperado o julgamento, a tomada de decisão e o desempenho adequados à situação, traduzidos num processo contínuo de reflexão de e sobre a prática e um conhecimento profundo na resposta às necessidades da Pessoa/Família ou Comunidade.
Por parte dos enfermeiros, o trabalho realizado revelou-se uma mais-valia para a continuidade dos cuidados, colmatando uma carência previamente identificada pelos mesmos. Também eles solicitavam a minha presença ou informavam os doentes que uma colega iria telefonar a fim de se monitorizarem os efeitos secundários da quimioterapia e orientar e esclarecer algum ponto mais frágil. Nesta sequência, apraz-me evidenciar a confiança e a segurança manifestadas pelo doente/ família assim como o apreço pelo interesse dos profissionais. Naturalmente, uma prática fundamentada e estruturada trás dividendos traduzidos pela maior garantia, qualidade e ganhos em saúde.
No que concerne aos doentes e suas famílias, considero ter prestado e contribuído para a prestação de cuidados de qualidade e promoção da continuidade dos mesmos através da veiculação de conhecimentos melhorados e adquiridos, desenvolvimento de competências e envolvimento da equipa.
É minha convicção, que o trabalho realizado contribua para a garantia de uma boa prática de cuidados de enfermagem relativamente à monitorização dos efeitos secundários da quimioterapia no domicílio, no sentido de: despistar precocemente as toxicidades, reforçar o ensino sobre os ES, garantir, apoiar e promover a segurança do doente/família durante este percurso, contribuir para a manutenção da confiança e segurança do doente/ família, promover a adesão terapêutica e a qualidade de vida, reduzir o fluxo de doentes à consulta (Mendes & Antunes, 2009), com vista à promoção do autocuidado e à adequada readaptação a esta nova condição. Deste modo convergir para o que a Ordem dos Enfermeiros (2002) divulga: uma efetiva continuidade do processo de prestação de cuidados de enfermagem
Por último, ao almejar uma melhoria da qualidade de vida destes doentes e suas famílias, é imperioso o nosso contributo com a melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem, revelando-se como pertinente, o emergente desenvolvimento de investigação na área de enfermagem oncológica, tendo em conta a escassa literatura encontrada sobre a temática do acompanhamento telefónico do doente/ família em quimioterapia. Esta perspetiva é também uma orientação da European Oncology Nursing Society (2005), que propõe no seu plano estratégico de intervenção o apoio e incremento de iniciativas de modo a promover a investigação e educação dos enfermeiros, no sentido de se desenvolver uma prática de excelência. Considero por isso que ainda temos um percurso longo pela frente ao longo do qual teremos de aproveitar as oportunidades para desenvolvermos as competências clínicas e interpessoais que nos distinguem, sempre tendo como objetivo a pessoa com doença oncológica, mas nunca esquecendo a interdisciplinaridade.