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Müjdat ŞAHAN

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A. Müjdat ŞAHAN

Em Agosto de 2012, por ocasião da celebração dos sexto ano da Lei Maria da Penha, foram ajuizadas pela PGF/INSS as primeiras ações regressivas de violência contra a mulher, sendo duas em Brasília/DF e uma em Lajeado/RS. Entre 2012 e 2013 elas totalizaram onze ações propostas em todo o Brasil.

Todas as ações regressivas são propostas na Justiça Federal, tendo em vista a presença do INSS, autarquia pública federal, no polo ativo, nos termos do art. 109, I, da CF.

Para se chegar ao número total de processos envolvendo ação regressiva decorrente de violência doméstica foi feito contato com o Contencioso da PGF em Brasília, onde são centralizadas as informações acerca da interposição de ações regressivas em todas as matérias (acidente de trabalho, de trânsito e decorrente de ato ilícito).

Feita a triagem para ações apenas decorrentes de violência e com o recorte temporal para pesquisa para os anos de 2012 e 2013, foram realizadas pesquisas no SICAU – Sistema Integrado de Controle de Ações da União, onde é possível extrair a movimentação de cada um deles e sua documentação. Desta delimitação foi alcançado o quantitativo de 11 (onze) processos judiciais, elencados na tabela 2, a seguir.

Tabela 2 - Ações Regressivas Acidentárias ajuizadas pelo INSS 2012/2013

Número Localidade Partes Movimentação

Processual

1 5006374-73.2012.404.7114 Vara Federal de Lajeado/RS INSS X H. B.

Sentença Parcialmente Favorável. TRF4 dá provimento à apelação do INSS e condena o agressor. Agravo em REsp. 2 38828-65.2012.4.01.3400 3ª Vara Federal de Brasília/DF – julgada procedente em 23/08/2013.

INSS X A.B.R. Julgada procedente. Apelação do réu

3 38829-50.2012.4.01.3400, 7ª Vara Federal de Brasília/DF INSS X K.S.N. Em andamento citação por edital

4 11168-62.2013.4.01.3400 17ª Vara Federal de Brasília/DF INSS X C. P.O. Em andamento citação

5 5001725-40.2013.404.7208 Vara Federal de Itajaí/SC INSS X A.O. S. Sentença procedente. Apelação ao TRF4

6 5001726-25.2013.404.7208 Vara Federal de Itajaí/SC INSS X D.S. Sentença procedente. Apelação ao TRF4

7 0002088-56.2013.4.03.6104 3ª vara Federal de Santos INSS X W. G.D. Em andamento - citação

8 0800536-74.2013.4.05.8300 10ª Vara Federal de Recife/PE INSS X C. M.B. Em andamento

9 5003167-53.2013.404.7107 Vara Federal de Caxias do Sul/RS. INSS X M.S. P. Sentença improcedente – Reforma pelo trf4 – Trânsito em julgado em 06/03/2014 - Em liquidação de sentença 10 0001229-85.2013.4.05.8302 16ª Vara Federal em Caruaru/PE. INSS X E. G.S. Julgada procedente. TRF5 manteve. RE do

Réu.

11 0001183-33.2013.4.03.6110 2ª Vara Federal de Sorocaba-SP. INSS X D.E. P. Em andamento - citação

*Movimentação processual atualizada até 01/10/2014.

Em se tratando de matéria ainda bastante inovadora, até o presente momento somente a AO nº 5003167-53.2012.404.7107/RS transitou em julgado.

Aqui, far-se-á uma análise dos 06 (seis) casos que já possuem manifestação decisória por parte do Poder Judiciário, tanto através de sentenças como através de

Acórdãos dos Tribunais Regionais Federais, de modo a comprovar a hipótese de inserção do ente previdenciário na rede de proteção à mulher vítima de violência.

a) Caso M.S. – Processo nº 5003167-53.2013.404.7107 – Vara Federal de Caxias do Sul/RS.

Em 20 de agosto de 2012, D.C. foi brutalmente assassinada pelo ex- namorado por motivos passionais, declarando o réu que não aceitara o término do relacionamento que mantinha com a mesma por pouco mais de quatro meses. O agressor foi submetido a inquérito policial e penalmente condenado a 19 anos de reclusão, sendo 18 anos pelo crime de homicídio e 01 ano pela ocultação do cadáver. Em razão do falecimento da segurada foi concedido benefício de pensão por morte previdenciária ao filho da vítima segurada (Número do Benefício - NB nº 21/162.278.841-6). Por esta razão, o INSS ajuizou Ação Regressiva pleiteando a devolução dos valores pagos.

A magistrada em primeiro grau entendeu que a ação regressiva previdenciária somente recai sobre acidentes de trabalho, carecendo de previsão legal específica para o caso violência doméstica e, por estes motivos, julgou improcedente o pedido.

Em Apelação ao TRF-4ª Região, este reformou a sentença de primeiro grau, julgando procedente o pedido do INSS, ementado nos seguintes termos:

PROCESSUAL CIVIL, CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. ASSASSINATO DE SEGURADA PELO EX-NAMORADO. VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER. RESPONSABILIDADE CIVIL DO AGENTE, QUE DEVERÁ RESSARCIR O INSS PELOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PENSÃO POR MORTE. CORREÇÃO.

1. Cabe ao agente que praticou o ato ilícito que ocasionou a morte do segurado efetuar o ressarcimento das despesas com o pagamento do benefício previdenciário, ainda que não se trate de acidente de trabalho. Hipótese em que se responsabiliza o autor do homicídio pelo pagamento da pensão por morte devida ao filho de sua ex- namorada, nos termos dos arts. 120 e 121 da Lei nº 8.213/91 c/c arts. 186 e 927 do Código Civil.

2. Apelação do INSS provida.

Em seu voto, o Relator Des. Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz destaca a possibilidade de ressarcimento pela prática de ato ilícito por terceiro, ainda que a regulamentação específica da Lei 8.213 tenha se dado para acidente de trabalho:

O pagamento do benefício efetivamente deriva da condição de segurada da falecida, razão pela qual resta assegurada a cobertura pela autarquia ainda que a morte não derivasse de fato ilícito ou que o demandado não contasse com bens suficientes para cobrir a integralidade da pensão. Contudo, a finalidade institucional do INSS não impede a busca do ressarcimento quando o evento gerador do seu dever de pagar benefício decorrer da prática de ato ilícito por terceiro, ainda que a regulamentação somente tenha se dado no que toca ao acidente de trabalho102. (grifo da autora).

O processo transitou em julgado em 06 de março de 2014. O valor perseguido é de R$ 22.024,48 (vinte e dois mil, vinte e quatro reais e quarenta e oito centavos), encontrando-se em fase de execução de sentença.

b) Caso H.B. – Processo nº 5006374-73.2012.404.7114 – Vara Federal de Lajeado/RS.

Neste caso também oriundo do Rio Grande do Sul, o réu foi condenado pelo Tribunal do Júri, na ação penal nº 159/2.09.0001364-1, da Vara do Júri de Teutônia/RS, em razão da prática do crime de homicídio contra sua ex-companheira, M. I. R.S.

Considerando que o dano ao INSS e o nexo de causalidade encontraram-se configurados "na medida em que o homicídio deu origem à pensão por morte em favor dos filhos da segurada falecida", o Juiz Federal julgou parcialmente procedente o pedido, condenando o réu a 20% (vinte por cento) do valor que o INSS já pagou e que futuramente venha a pagar, até que os dependentes da segurada completem 21 anos de idade. Isso porque, entendeu o magistrado que houve omissão estatal por falta de aparato preventivo tendo em vista que a vítima já havia efetuado 03 (três) registros de ocorrência policial por ameaças sofridas e não havia “notícia de que a Administração Pública tenha tomado qualquer medida para protegê-la, ou mesmo prestar algum tipo de atendimento psiquiátrico ou assistencial ao Sr. H.B.”103.

À época do ajuizamento, o montante pago a título de prestações vencidas já representava a quantia de R$ 25.317,58 (vinte e cinco mil, trezentos e dezessete reais e cinquenta e oito centavos), e a estimativa de manutenção do benefício até a

102 Apelação Cível Nº 5003167-53.2013.404.7107/RS. RELATOR: Des. Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz. Julgada em 05 de fevereiro de 2014.

103 Trecho da Sentença do Processo nº 5006374-73.2012.404.7114/RS lavrada pelo Juiz Rafael Wolff, em 01 de fevereiro de 2013.

data em que os dependentes completassem 21 anos, seria de R$ 89.155,30 (oitenta e nove mil, cento e cinquenta e cinco reais e trinta centavos).

O INSS recorreu da sentença, obtendo provimento integral do recurso, para que o réu fosse compelido ao ressarcimento integral e não apenas aos 20% do montante já despendido pelo INSS. O acórdão do TRF- 4ª Região restou assim ementado:

PROCESSUAL CIVIL, CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. ASSASSINATO DE SEGURADA PELO EX-MARIDO. VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER. RESPONSABILIDADE CIVIL DO AGENTE, QUE DEVERÁ RESSARCIR O INSS PELOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PENSÃO POR MORTE. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.

1. Cabe ao agente que praticou o ato ilícito que ocasionou a

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