3. ERP Sisteminin Başarısızlık Nedenler
3.3. Müşteri Tarafından Yapılan Kaynak Atamasının Yetersiz Olması
3.3.3 Gênero opinativo
Os editoriais, artigos e colunas aparecem em 2º lugar na totalidade do material encontrado, com 66 unidades de texto. A quantidade de textos opinativos variou de 0 a 4 unidades no período que vai de 01/06/13 a 18/06/13, e variou de 2 a 6 unidades no período de 18/06/13 em diante, o que permite a observação de que, nesse segundo período, o jornal nunca deixou chegar a 0 a quantidade de conteúdos com teor opinativo nas suas edições.
Gráfico 5. Distribuição dos textos opinativos nas edições do mês de junho
A tabela a seguir especifica o título, data, formato e seção de cada unidade de texto opinativo.
48 3.3.4 Demais gêneros
Devido à pouca expressividade dos gêneros diversional e utilitário – pelo menos em relação à temática pesquisada – optou-se por não dispo-los em tabelas ou gráficos, devido à pouca contribuição que trariam para a presente pesquisa. A única edição que continha textos de gênero diversional foi a de 16/06/13, totalizando 4 textos na seção Aliás, caderno mais próximo à literatura, nas páginas E1, E2, E4 e E5, sendo eles: "Ritual de Passagem", "Use com moderação", "Caras e bocas" e "Imagens da semana".
O gênero utilitário ou jornalismo de serviços é representado pela seção Fórum dos Leitores, que aparece, diariamente, no rodapé das páginas A2 e A3 do jornal. No entanto, como essa seção é destinada ao envio de cartas e e-mails expressando a opinião dos leitores, e não da equipe editorial do jornal, entendeu-se que investigar mais minuciosamente o material produzido pelos leitores pouco ou nada contribuiria para a presente pesquisa, cujo objetivo é investigar a postura oficial do Estadão com relação às manifestações.
3.4 Editoriais
3.4.1 Resultados gerais
Devido à grande quantidade de textos encontrados e diante da impossibilidade de analisar qualitativamente a totalidade desse material, fez-se necessário definir uma amostra que viabilizasse a análise do conteúdo das publicações e que possibilitasse responder se o Estadão, de fato, criminalizou as manifestações e a nova geração de movimentos urbanos representada por elas.
Para compor uma amostra satisfatória e representativa, levou-se em conta a posição de Beltrão (1980) a respeito dos editoriais, que, na presente busca, totalizaram 18 unidades entre os 66 textos de caráter opinativo localizados. Enquanto a notícia é essencialmente objetiva, o editorial apresenta potencialidades e peculiaridades próprias de sua formatação: ele pode tanto pode "nascer da notícia como dela transcender, adiantar-se sobre ela, valendo-se de dados subjetivos e
retirando de um fato, mediante a análise de suas causas e consequências, inferências e conclusões", que apresentará à sociedade (BELTRÃO, 1980, p. 52).
O editorial, em primeiro lugar, corresponde à opinião do editor, que faz um julgamento sobre determinado problema ou questão relevante para o grupo de elite que mantém o veículo, desenhando a política editorial. Esse tipo de texto jornalístico fundamenta-se nas convicções filosóficas do grupo, na complexidade da temática abordada, em pesquisas sobre a circulação e influência do veiculo, na experiência jornalistica dos chefes de redação ou conselhos editoriais e os interesses econômicos da empresa (BELTRÃO, 1980, p. 19). Dessa forma, entende-se que o editorial é o texto jornalístico que melhor permite a compreensão da opinião oficial do jornal, bem como do conteúdo dos textos de outros gêneros de uma mesma edição, uma vez que a partir da análise de editoriais é possível chegar à política editorial de um grupo e o teor esperado de suas publicações.
Tendo em vista esses aspectos, observou-se que dos 66 textos opinativos 18 eram editoriais, como mostra o gráfico 8. É interessante observar que cada edição de O Estado de S. Paulo apresenta, obrigatoriamente, três editoriais na seção Notas & Informações e, como mostra o gráfico 7, é possível observar que havia pelo menos um editorial relacionado às mobilizações em 15 diferentes edições do jornal, sendo que as edições de 28/06/13 e 30/06/13 apresentavam mais de um editorial. Isso significa dizer que, nas 30 edições pesquisadas, a temática dos protestos esteve presente em 50% delas. A partir desse dado, conclui-se que em metade das edições do mês de junho a equipe editorial do Estadão se preocupou em expressar sua opinião oficial a respeito das manifestações, o que confere a segurança necessária para a delimitar os editoriais como a amostra mais representativa e satisfatória para a presente pesquisa.
O gráfico 6, apresentado a seguir, mostra a relação a fatia ocupada pelos editoriais na totalidade dos textos opinativos.
50 Gráfico 6. Relação entre editoriais e os demais textos opinativos nas edições de junho Gráfico 7. Distribuição dos editoriais nas edições de junho de 2013 3.4.2 Resultados detalhados
Para analisar quantitativamente os editoriais de O Estado de S. Paulo , definiu-se as seguintes palavras-chave:
● vandalismo e suas variações (vândalos, vandalizar): com 12 menções; ● pacifismo/pacíficos: 6 menções; ● manifestação e suas variações (manifestações, manifestantes): 38 menções; ● protesto(s): 31 menções; ● baderna/baderneiros: 7 menções; ● violência/violentos: 14 menções; ● depredação e suas variações (depredar, depredado): 6 menções; ● Movimento Passe Livre (MPL): 12 menções; ● serviços: 16 menções; ● jovens/juventude: 7 menções; ● tarifa: 17 menções; ● demanda(s): 6 menções; ● direito(s): 3 menções; ● descontentamento: 3 menções; ● corrupção: 9 menções; ● democracia e suas variações (democrático, democraticamente): 13 menções; ● clamor das ruas: 4 menções; ● movimentos sociais: 2 menções;
A tabela seguinte expõe o dia e o total de vezes que cada um dos termos foi mencionado.
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O gráfico 8 organiza, em ordem decrescente, a quantidade de vezes que cada uma das palavras-chave foi mencionada.
Verificou-se que alguns termos apareceram com mais frequência nos primeiros editoriais, enquanto outros apareceram com maior frequência nos últimos editoriais, como é o caso das palavras-chave violência e democracia, a primeira com conotação depreciativa e a segunda com conotação positiva em relação às jornadas de Junho.
Gráfico 10. Distribuição da palavra-chave democracia nos 18 editoriais investigados
É possível, ainda possível contrapor termos de conotação depreciativa a termos de conotação positiva, com vias a comparar a quantidade de vezes que cada um deles foi mencionados nos editoriais.
Finalmente, é importante mencionar os demais termos que foram encontrados durante a leitura dos editoriais, ainda que não correspondam às palavras-chaves, pois, ainda assim, esses termos possuem alguma relação com elas e colaboram para a compreensão da linha editorial do Estadão. Na maioria das vezes, esses termos apareceram adjacentes às palavras-chave, emprestando sentido e adjetivação a elas.
Localizou-se:
● termos relacionados à noção de criminalidade: militantes radicais, radicalismo, agressores, grupelhos, reféns, irresponsáveis, fúria destrutiva, encapuzados, ataque, invasões, saques, selvagens, atrevimento, presos, feridos, detidos, desordem, arruaceiros; principalmente nos editoriais dos dias 8, 13 e 15/06/13;
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● termos relacionados à noção de descontentamento: atos públicos, insatisfação, reclamações, reivindicações, preocupação; a partir de 19/06/13;
● termos relacionados à intervenção policial : rigor, desorientação, moderação, truculência, brutalidade, descontrole;
● termos de aprovação das manifestações: contundência, engajados, passeatas, participantes, ordeiros, sabedoria popular, pressão popular, brava gente, voz da rua, povo, anseios, necessidades, cidadão, moçada; principalmente a partir do editorial de 22/06/13;
4. Análise Qualitativa
4.1 Considerações iniciaisA análise qualitativa da presente monografia baseia-se nos editoriais publicados pelo Estadão durante o mês de junho. Realizou-se o cruzamento das datas em que houve manifestações e das datas em que O Estado de S. Paulo publicou editoriais sobre o assunto, conforme tabela abaixo. Vale lembrar que os editoriais e notícias eram publicados sempre na edição do dia seguinte à manifestação, em razão da limitação imposta pela própria natureza impressa do veículo pesquisado e do tempo hábil para publicação. O primeiro editorial da série de 18 editoriais publicados pelo jornal aparece na edição de 08/06, intitulado "Puro Vandalismo".
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Vale lembrar que no dia 19/06 os governantes revogaram o aumento da tarifa, e o último ato coordenado pelo MPL acontece no dia 20/06. Em 22/06, o movimento social anuncia o fim das convocações para atos públicos. A partir de 22/06, há o espalhamento dos protestos para outros Estados e a capital paulista não registra mais acontecimentos dessa natureza.
Verifica-se,a partir da tabela, que 9 edições foram publicados em dias que se seguem aos protestos, enquanto 6 o foram sem que tenha havido qualquer tipo de protesto no dia anterior, com, inclusive, mais de um editorial por edição. Pode-se inferir que essas ediçõescontinham editoriais de caráter mais reflexivo do que factual, conforme lembra Beltrão (1997) a respeito da existência de várias modalidades de editoriais.
Vale notar, também, a diferença facilmente observável entre a quantidade de editoriais publicados antes da revogação da tarifa em 19/06 e a segunda fase dos protestos que se inicia a partir dessa data, quando da ampliação das pautas e descentralização geográfica das manifestações e também afastamento do Movimento Passe Livre da coordenadação das atividades públicas. No período que de 01/06 a 20/06, são publicados 6 editoriais, e, a partir daí, o número cresce em 100% e sobre para 12 editoriais, nos últimos 10 dias do mês de junho.
4.2 A criminalização de movimentos sociais é real e quantificável
Como já explicado na Introdução da presente monografia, há uma tendência bastante comum na mídia para a criminalização de movimentos sociais em coberturas jornalísticas (BATISTA, 2014; BORTOLOZZI JÚNIOR, 2008; ADISSI, 2011; MARTINS, 2007; FOSCARINI, 2014). Isso significa que a forma encontrada pela mídia para resolver e solucionar contradições da lógica capitalista trazidas à tona pelos movimentos sociais é criminalizando seus sujeitos, personalizando o debate e deslocando o eixo de discussão do conteúdo do problema social para o modo de agir dos manifestantes.
Com base nos dados expostos no capítulo Análise Quantitativa, é possível, objetivamente, inferir que o Estadão criminaliza o Movimento Passe Livre, destacando a destruição, a depredação e a violência dos conflitos sociais, e essa