1.2. Araştırma Tarihi
2.1.1. Sur Duvarları
2.1.1.3. Lykia Akropolisi
2.1.1.3.2. Lykia Akropolisi Güney Sur
O projeto A Quarta é Nossa teve início no ano de 2006, a partir da implantação do ensino noturno na escola. É dedicado aos alunos e visa tornar a escola mais atrativa para eles,
já que no horário da noite muitos são os atrativos que encontram fora da escola. Segundo relata Eunice, “proporcionamos para eles o Projeto “A Quarta é Nossa” – todas as quartas- feiras temos uma atividade diferente para os alunos em forma de oficinas práticas (trabalhos manuais, artesanato, culinária, ...), palestras, vídeos, dinâmicas de grupo ... Toda a 4ª é uma surpresa, a oficina de que mais gostaram até hoje foi a que trabalhamos sobre os alimentos e depois fomos colocar em prática, cada grupo ficou responsável por um tipo de comida, um grupo fez um carreteiro, outro fez um bolo de casca de banana, outro fez suco de folha de couve com limão e um outro fez suco de beterraba com limão.
Depois degustamos todos juntos.
Foi muito lindo de ver aqueles jovens e idosos, com a mão na massa.
Estas atividades são jóias, saímos felizes delas, eles nos surpreendem com a participação”.
A oficina relatada por Eunice consistiu em um painel sobre alimentação, no qual foram abordados por uma nutricionista e uma supervisora da SMED os seguintes assuntos: higiene e manipulação, valor nutritivo, balanceamento, aproveitamento dos alimentos, conservação, condicionamento, validade e complementação alimentar. Após a explanação por parte das profissionais, os alunos foram divididos em grupos, encarregando-se de executar as seguintes receitas: suco de beterraba com limão, suco de couve com limão, carreteiro e bolo de casca de banana. Cabe destacar que a escola possui um refeitório, o que possibilita este tipo de atividade. Após a execução, foi realizada a degustação pelos alunos e professoras. Foi realizada, também, a troca de receitas entre os participantes e, posteriormente, será confeccionado um caderno de receitas do Ensino Fundamental Noturno.
Além dessa oficina, em outra quarta-feira, foi realizada uma envolvendo a culinária Afro-Brasileira, na qual foram apresentadas informações sobre a culinária africana, procurando relacioná-la com a culinária de origem afro utilizada atualmente, abordando as transformações ocorridas ao longo do tempo. Os alunos, com auxílio da professora, aprenderam a fazer os seguintes pratos: feijão tropeiro, angu, quibebe e quindão. Após a execução, foi feita a degustação dos pratos pelos grupos de alunos e professoras. Antes de iniciarem as atividades, os alunos assistiram a uma “Hora do Conto”, realizada por professoras da Biblioteca Pública Municipal.
Em outra quarta-feira, os alunos assistiram ao filme “Dois filhos de Francisco”, bastante comentado na mídia, que retrata a vida da dupla de cantores Zezé de Camargo e Luciano. Após a exibição do filme, foi realizada uma mesa-redonda com alunos e professores, para debater a mensagem do filme e ouvir relatos de vida de alguns dos participantes.
Trabalhar a auto-estima e resgatar valores foi outra atividade desenvolvida numa quarta-feira, que teve como objetivo auxiliar o aluno a “reconhecer-se e aceitar-se ou não como é e identificar o que pode fazer para mudar e viver melhor”. Os alunos procuraram em revistas gravuras que identificassem traços de sua personalidade e, a seguir, colaram-nas em uma folha de ofício. Ao concluírem, fizeram a apresentação ao grupo, explicando o porquê da escolha da gravura, relacionando-a com o traço individual. Após esta etapa foi criado um painel coletivo, realizada a leitura de um poema sobre identidade e, por último, a exposição do painel na escola.
Outra atividade realizada no projeto “A Quarta é Nossa” foi a realização de um painel com profissionais que trabalham em entidades que atendem a pessoas em situação de deficiência. O objetivo foi conhecer as entidades, o trabalho que realizam e compreender como os alunos em situação de deficiência aprendem, suas potencialidades e seus limites. Durante a realização do painel foi relatado o trabalho realizado na entidade e foram feitos esclarecimentos sobre as necessidades especiais dos alunos que dela participam, como eles aprendem, seus limites e suas potencialidades. Foram apresentados os materiais de apoio, e relatadas as atividades realizadas pelos alunos (dança, canto, artesanato, entre outros). Ao término do painel, foram feitos questionamentos por parte dos alunos. Pelos relatos, os alunos que participaram gostaram muito de conhecer um pouco mais sobre as pessoas com deficiência.
Em uma outra quarta-feira foram realizadas duas oficinas, uma sobre trabalhos manuais em borracha de etil vinil acetato (E.V.A.), na qual uma artesã ensinou a confeccionar ímãs de geladeira, enfeites de lápis e porta-retratos. A outra oficina foi sobre grafitismo, na qual foi trabalhado o que é, sua origem e a diferença entre grafitismo e pichação. Os alunos executaram projetos de grafitismo.
Em outra oportunidade, foi exibido um vídeo sobre motivação com o objetivo de elevar a auto-estima e motivar os alunos para a vida. Após assistirem ao vídeo, os alunos fizeram comentários, relacionando o que viram com fatos da realidade, da sociedade e de suas vivências pessoais. Outra atividade oportunizada aos alunos como parte do projeto foi assistir à peça teatral “Entre quatro paredes”, na Sociedade Rio Branco, clube tradicional da cidade.
Com o objetivo de subsidiar os alunos e incentivá-los a participarem do plebiscito sobre a implementação ou não de uma termoelétrica em Cachoeira do Sul, foi realizado um painel esclarecedor, com a participação de uma integrante do movimento Amigos da Terra, que expôs seu ponto de vista contrário à implantação, e de um defensor da implementação.
Após a exposição dos dois convidados, os alunos puderam fazer questionamentos e debater o assunto.
O projeto “A Quarta é Nossa” é dirigido aos alunos do ensino noturno e busca motivar os alunos a freqüentarem a escola, combatendo a evasão e mostrando que a escola é um local onde muitas coisas são aprendidas, além dos conteúdos específicos de cada disciplina. Cabe destacar a importância dos temas que são tratados nas oficinas, bastante atuais e pertinentes à realidade dos alunos. Através do projeto, a escola se esforça para que a inclusão dos jovens e adultos, até então excluídos do processo escolar, se concretize de fato.