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3. MATERYAL ve YÖNTEM

4.2. Moleküler Analizler

4.2.6. Lr 34 Geni İçin Elde Edilen SSR Sonuçları

Segundo Frediano Teodoro (2007, pág.77), o termo eugenia foi criado por Francis Galton, que o utilizou pela primeira vez na obra intitulada “Inquires Into Human Faculty and Development”, de 1883, e significa o estudo dos fatores que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais e genéticas das futuras gerações, seja física ou mentalmente. Alguns autores a definem como sendo a melhoria da espécie humana, seja eliminando os caracteres genéticos indesejáveis ou incrementando na descendência o número dos componentes hereditários apreciados.

A eugenia pode ser classificada como positiva ou negativa. A primeira é benéfica ao ser humano, pois visa o melhoramento da espécie sem a eliminação de indivíduos, enquanto a segunda é maléfica, já que possui um caráter destrutivo.

A eugenia positiva se desenvolve a partir de técnicas que visam evitar o nascimento de pessoas com graves problemas de saúde, ou graves mal-formações. Isso se dá através do controle da procriação de seres humanos enfermos, proibindo-se relações sexuais entre portadores de graves anomalias que podem ser transmitidas geneticamente. Ela também se caracteriza por tratamentos curativos e experimentações puras. Vê-se, pois, que a eugenia positiva existe quando se busca o melhoramento da espécie antes mesmo da fecundação dos gametas, sendo, inclusive, defendida pela Igreja Católica, como no exemplo da proibição do casamento entre parentes consangüíneos.

A eugenia negativa ocorre após a concepção do ser humano. Como exemplo de técnicas de eugenia negativa podemos citar: a eliminação de embriões pouco resistentes, o aborto seletivo, a eutanásia e o homicídio de pessoas enfermas.

O desenvolvimento da engenharia genética e o estudo da biologia molecular podem servir tanto à eugenia positiva quanto à negativa, tudo a depender do tipo de comportamento praticado com as informações obtidas. Se o aconselhamento genético

resultar na adoção de medidas preventivas, teremos a eugenia positiva, mas se resultar na eliminação de indivíduos já concebidos, haverá eugenia negativa.

A eugenia é uma prática que sempre existiu na história da humanidade. Pode-se inclusive dizer que ela surgiu naturalmente, como fruto do instinto animal do ser humano, quando os mais fracos, velhos e doentes eram deixados para trás nas fugas contra predadores.

Posteriormente, quando já existiam as cidades, verificou -se a ocorrência da eugenia a partir da eliminação de indivíduos que se encontravam à margem da sociedade, como os velhos e enfermos, os quais muitas vezes eram considerados apenas uma fonte de problemas e preocupações, contribuindo com pouco ou quase nada para o desenvolvimento da vida social.

3.1.1 Evolução histórica da eugenia

O primeiro registro de eugenia aconteceu em Esparta, cidade grega tipicamente militar onde se costumava realizar um controle rígido de natalidade. Preocupados com a formação de um exército robusto e saudável, os espartanos submetiam seus recém nascidos a um conselho de anciãos, o qual selecionava apenas bebês aparentemente perfeitos física e mentalmente, sendo os demais lançados no desfiladeiro de Tiageto.

A eugenia era bastante defendida entre os pensadores da Grécia Antiga. Platão pregou sobre higiene racial e uma de suas idéias pode ser considerada como antecedente histórico da eutanásia, pois defendia o homicídio dos anciãos, dos débeis e dos enfermos. Também defendia o aborto em todas as mulheres com mais de quarenta anos. Segundo suas idéias, o Estado deveria buscar o aumento do número de pessoas mais fortes e saudáveis, como era feito com os cavalos, entre outros animais.

Na Índia antiga, os portadores de moléstias contagiosas e incuráveis eram mortos pelos próprios parentes, por sufocação direta, com a introdução de argila em suas vias respiratórias. Depois de morto o cadáver era alijado nas águas sagradas do rio Ganges (SÁ, 2004, pág. 58).

No Japão e na China era comum o infanticídio como forma de controle de natalidade e para evitar a escassez de alimentos.

No campo da eugenia, a idade moderna foi marcada pela obra O Homem Delinqüente (1871-1876), de Cesare Lombroso. De conteúdo bastante preconceituoso e discriminatório, separa pessoas normais de criminosos, os quais já nasceriam com essa característica, em razão de possuírem um gene determinante de sua má conduta, sendo considerados, por seus traços faciais e físicos, subespécies da espécie humana.

No início do século XX, a eugenia cresceu simultaneamente nos Estados Unidos e na Inglaterra, alcançando, posteriormente, a Alemanha, onde foi efetivamente empregada por Adolf Hitler.

Nos Estados Unidos, a ação eugênica preferida foi a esterilização compulsória, através da aprovação de leis estaduais que permitiam aos médicos esterilizar seus pacientes. Mas também houve isolamentos – para que os “débeis mentais”, conceito que nunca foi explicitado com clareza, não se reproduzissem – e restrição a casamentos, principalmente entre brancos e negros.

Já na Alemanha, a política eugênica foi sustentada por decretos, tribunais eugenistas, usinas de esterilização em massa e campos de concentração. Lá as idéias eugênicas se originaram do trabalho do Conde de Gobineau - "Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas" - publicado em 1854, antes, portanto, do termo Eugenia ter sido criado. O Conde de Gobineau propôs, em um ensaio, a superioridade da "raça ariana", posteriormente levada a extremo pelos teóricos do nazismo Günther e Rosenberg nos anos de 1920 a 1937. Outro autor alemão, Gauch, afirmava que havia menos diferenças anatômicas e histológicas entre o homem e os animais, do que as verificadas entre um nórdico (ariano) e as demais "raças". Isto acabou sendo objeto de legislação em 1935, através das “Leis de Nuremberg”, que proibiam o casamento e o contato sexual de alemães com judeus, o casamento de pessoas com transtornos mentais, doenças contagiosas ou hereditárias. Para casar era preciso obter um certificado de saúde. Em 1933, já haviam sido publicadas as leis que propunham a esterilização de pessoas com problemas hereditários e a

castração dos delinqüentes sexuais (GOLDIM. 19 de abril de 1998. Disponível em < http://www.ufrgs.br/bioetica/eugenia.htm >, acesso em 07/11/2007).

A aplicação de métodos eugênicos negativos na Alemanha nazista gerou tamanha perplexidade que chegou a arrefecer um pouco os estudos sobre a eugenia. Os cientistas preferiram não correr o risco de vincularem os seus nomes às atrocidades cometidas em nome daquelas políticas eugênicas.

Embora adormecida desde a década de 1940, a eugenia jamais foi extinta. O máximo que aconteceu foi a sua permanência em um estado de latência, pois o que se percebe, na atualidade, é que os constantes avanços tecnológicos estão propiciando o começo de uma nova era para esta ciência.

Como primeiro exemplo desta constatação temos o emprego da Engenharia Genética, a qual, na procura pelo melhoramento da estrutura genética do ser humano, corre o risco de se transformar no grande mecanismo de aplicação da eugenia entre as sociedades desenvolvidas, o que poderá determinar o surgimento de uma nova categoria de pessoas, “superiores” às demais, promovendo mais uma espécie de divisão discriminatória entre os seres humanos.

A fertilização in vitro, que surgiu com o objetivo de beneficiar casais inférteis, atualmente oferece a vantagem de serem selecionados os embriões, para que sejam gerados filhos portadores das “melhores” características físicas, podendo-se escolher a cor dos olhos, a cor dos cabelos ou da pele, existindo atualmente bancos de esperma, até mesmo on-line, onde os interessados podem conhecer, embora sem identificá-los, as características físicas e intelectuais dos doadores. É o comércio do sonho de crianças belas e saudáveis, onde a vida é vinculada ao valor beleza, sendo este o atual paradigma da humanidade.

Na opinião de Carmen Lúcia Antunes Rocha (2007, pág. 155) a eugenia representa o risco da “desumanização da humanidade” e complementa:

Nem se diga que as terapias eugênicas, de recuperação ou tratamento dos embriões com a precípua finalidade de vir a se tornar alguém um ser humano saudável, não podem ser combatidas, pela circunstância de que elas se põem em perfeita coerência com o princípio da dignidade

humana. Não é para selecionar que se aplicam as técnicas terapêuticas, não é para negar a existência daqueles que não se dotem de tais ou quais condições selecionadas como boas que se chega ao uso das biotecnologias, mas para que os homens possam ser melhores para viver bem, para o bem ser de todos e de cada um. Diferente desta é a situação do uso dos recursos terapêuticos quando não há doença a cuidar, mas a remediar, mas o que se desejaria seria “um tipo de filho diferente” a apresentar à sociedade e ao mundo. Cuida-se de seleção do humano em atitude desumana, do que se lhe há de negar validade, (...).(grifo nosso).

A clonagem, que consiste basicamente na produção de indivíduos geneticamente iguais, é outra técnica que também tem causado inflamadas discussões em toda a sociedade, principalmente quando, após ser empregada em bactérias, plantas e animais, passou a vislumbrar o ser humano. A perspectiva de o homem ser clonado leva-nos a prever a sua utilização na criação em massa de indivíduos de raças específicas em detrimento de outras, tendo como objetivo o aperfeiçoamento hereditário, ou seja, a padronização de seres “perfeitos”, física e mentalmente.

Benzer Belgeler