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Árvores, arbustos ou lianas. Folhas pinadas, imparipinadas; estípulas decíduas, estipelas ausentes; folíolos alternos. Inflorescências paniculadas, axilares ou terminais; flores pentâmeras, zigomorfas; cálice gamossépalo, campanulado; corola dialipétala, branca, creme, amarela ou violácea; androceu monadelfo, diadelfo ou triadelfo, estames 9 ou 10, heterodínamos, anteras isomórficas; gineceu unicarpelar, ovário estipitado, uni a triovulado. Fruto sâmara, com região seminífera central; sementes de 1-3, reniformes, compressas.

Comentários: O gênero apresenta cerca de 100 espécies com distribuição

pantropical (Polhill 1981b), das quais 39 ocorrem no Brasil (Carvalho 1997). Dentre as Papilionoideae, pode ser facilmente reconhecido por apresentar frutos do tipo sâmara, com região seminífera central (Carvalho 1997). Na área estudada, está representada por três espécies.

18. Dalbergia foliolosa Benth., J. Linn. Soc., Bot. 4(Suppl.): 37. 1860.

Nome popular: Jacarandá-rosa (Lewis 1987); e jacarandá-tão. Figuras: 6F-I

Árvores 3-6m alt.; ramos esparso-seríceos. Estípulas 1,1-3x1mm, triangulares, seríceas; pecíolo 1-2cm compr., cilíndrico, seríceo; raque 4-7,2cm compr., cilíndrica, serícea; folíolos 9-18, 1,2-4x0,5-1,2cm, ovado-oblongos, ápice agudo, retuso ou mucronado, base obtusa, faces adaxial e abaxial seríceas. Inflorescências paniculadas, escorpióides, axilares ou terminais; pedúnculo 0,8-4cm compr.; brácteas 1,4x0,8mm, oblongas, tomentosas; bractéolas 1x0,3-0,5mm, ovadas, tomentosas; cálice 4-4,5mm compr., tomentoso externamente; corola creme, vexilo 6-6,5mm compr., alas 6-7mm compr., pétalas da carena 6mm compr.; estames 9, monadelfos, 6-7mm compr.; gineceu estipitado; estípite ca. 2mm compr., glabro; ovário 3-3,5mm compr., seríceo; estilete 1,5mm compr., curvo, glabro; estigma terminal, cilíndrico, glabro. Sâmara 2,5-7,6x1,4-1,8cm, elíptico-oblonga, glabrescente; sementes 1-2, 6x4mm compr., reniformes, acinzentadas.

Comentários: Floresceu de fevereiro a maio e frutificou de junho a outubro.

Na área estudada, Dalbergia foliolosa se assemelha a Dalbergia nigra, da qual difere por apresentar folíolos ovado-oblongos, ovário seríceo e sâmara elíptico- oblonga, enquanto D. nigra possui folíolos oblongo-elípticos, ovário ciliado nas margens e sâmara elítpica.

Ocorre nos estados da Bahia, Minas Gerais, São Paulo e na região central do Brasil. Ocupa ambientes desde o nível do mar até 1.000 metros, principalmente, em Floresta Atlântica, Cerrado e Restinga (Carvalho 1997). Na área estudada, está bem representada, ocorrendo nos dois fragmentos, tanto no entorno, quanto no interior dos fragmentos.

Material examinado: Brasil. Minas Gerais: Araponga, Fragmento da Eva,

14/II/2006, fl., J. M. Fernandes 177 (VIC); fl., J. M. Fernandes 178 (VIC); 05/VIII/2006, fr., J. M. Fernandes 236 (VIC).

19. Dalbergia frutescens var. frutescens (Vell.) Britton, Bull. Torrey Bot. Club

16(12): 324. 1889.

Nome popular: Arco-de-pipa, cipó-de-estribo, cipó-pau, jacarandá-branco, pau- estribo (Carvalho 1997); e pé-de-banco

Figuras: 6J-L

Lianas; ramos jovens esparso-pilosos, lenticelados. Estípulas 3-5x1,5-2,5mm, obovadas, ferrugíneo-tomentosas; pecíolo 1,8-3,7cm compr., cilíndrico, esparso- tomentoso; raque 8-14cm compr., cilíndrica, esparso-tomentosa; folíolos 9-12, 2,4- 5,7x1,6-2,9cm, ovados, ápice retuso a agudo, base obtusa, face adaxial glabra, face abaxial serícea adpressa. Inflorescências paniculadas, axilares; pedúnculo 1,8-3cm compr.; brácteas 0,8-1x0,5mm, triangulares, esparso-tomentosas; bractéolas 0,8x0,5mm, ovadas, esparso-tomentosas; cálice 2,5-3mm compr., esparso-tomentoso externamente; corola creme, vexilo 3,4-3,5mm compr., alas 3,5-3,6mm compr., pétalas da carena 3,6-4mm compr.; estames 10, nonadelfos, 2,5-2,8mm compr.; gineceu estipitado, estípite 1,3-1,5mm compr., glabrescente; ovário 1,4-1,7mm compr., ciliado; estilete ca. 0,5mm compr., reto, glabro; estigma truncado, glabro, terminal. Sâmara 5,2-7x1,8-2,2cm, elíptica a oblonga, glabra; semente 1, ca. 1,3x0,7cm, reniforme, acinzentada.

Comentários: Floresceu de novembro a março e frutificou de abril a outubro.

Dalbergia frutescens é facilmente reconhecida na área estudada por ser uma liana com 9-12 folíolos, ovados, 1,6-2,9cm de largura.; corola creme; ovário ciliado; e androceu com 10 estames. Segundo Carvalho (1997), a var. frutescens apresenta ramos com indumento esparso-piloso a piloso, enquanto a var. tomentosa possui indumento ferrugíneo-tomentoso.

A espécie ocorre na Argentina, Brasil, Guiana, Paraguai e Venezuela (Carvalho 1997). No Brasil, a var. frutescens habita regiões de Floresta Atlântica, Restinga, Floresta de Altitude e Mata de Galeria em domínio de Cerrado, desde o nível do mar até vegetações situadas a 1.200 metros, sendo encontrada também na Guiana, Venezuela, Paraguai e Argentina (Carvalho 1997). Na área estudada, está bem representada nos dois fragmentos, tanto no interior, como no entorno da mata.

Material examinado: Brasil. Minas Gerais: Araponga, Fragmento da Lurdinha,

05/X/2005, fr., J. M. Fernandes et al. 74 (VIC); 23/XI/2005, fl., J. M. Fernandes & Garcia 101 (VIC); 25/II/2006, fr., J. M. Fernandes 185 (VIC).

20. Dalbergia nigra (Vell.) Allemao ex Benth., J. Linn. Soc., Bot. 4(Suppl.): 36.

1860.

Pterocarpus niger Vell., Fl. Flumin. 300. 1829.

Nome popular:, Jacarandá-da-bahia, jacarandá-preto, caviúna, cabiúna, cabiúna- rajada, cabiúna-do-mato, graúna, caviúno, jacarandá-cabiúna, jacarandá-una, pau-preto, jacarandazinho (Lorenzi 2000a); e jacarandá-caviúna.

Figuras: 6M-P

Árvores ca. 12m alt.; ramos jovens esparso-tomentosos. Estípulas 3-3,5x0,8- 1mm, lanceoladas, glabrescentes; pecíolo 0,5-1,1cm compr., cilíndrico, esparso- tomentoso; raque 4,5-7,5cm compr., canaliculada, esparso-tomentosa; folíolos 11-23, 0,6-1,7x0,3-0,7cm, oblongo-elípticos, ápice retuso, base arredondada, face adaxial glabra a puberulenta, face abaxial esparso-serícea. Inflorescências paniculadas, axilares; pedúnculo 0,3-0,6cm compr.; raque 0,7-1,5cm compr., serícea, canaliculada; cálice 3-4mm compr.; corola amarela esverdeada, vexilo 0,8cm compr., alas 0,7-0,8cm compr., pétalas da carena 0,5-0,6cm compr.; estames 10, raramente 9, monadelfos, 4-5mm compr.; gineceu estipitado; estípite 2,3-2,5mm compr., glabro; ovário 2mm compr., ciliado; estilete 1,3-1,5mm compr., glabro; estigma cilíndrico, glabro, terminal. Sâmara 4,1-4,5x0,9-1,2cm, elíptica, glabra a puberulenta; sementes 1-2, 9x5mm, reniformes, glabras, avermelhadas.

Comentários: Não foi observada floração na área de estudo, mas foram coletados

frutos em setembro.

Os caracteres diagnósticos para essa espécie estão nos comentários de D. foliolosa. Ocorre do Sul da Bahia até o Norte do Espírito Santo, Minas Gerais até o Norte de São Paulo, habitando Floresta Atlântica e Semidecidual, com maior distribuição nos solos ricos da hiléia baiana (Carvalho 1997). Na área estudada, foi encontrado apenas um indivíduo de grande porte, localizado no entorno da vegetação.

Figura 6. Andira surinamensis: A, Folha; B, Indumento da face abaxial do folíolo;

C, Estipelas; D, Flor; E, Fruto (Fernandes & Garcia 89). Dalbergia foliolosa: F, Folíolo; G, Androceu; H, Ovário (Fernandes 178); I, Fruto (Fernandes 236). Dalbergia frutescens var. frutescens: J, Folíolo; K, Ovário (Fernandes & Garcia 101); L, Fruto (Fernandes 185). Dalbergia nigra: M, Folíolo; N, Flor; O, Androceu; P, Fruto (Fernandes 395). Hymenolobium janeirense var. stipulatum: Q, Folíolo; R, Fruto (Fernandes 396). A B C D E F G H I J K L M N O P Q R

Material examinado: Brasil. Minas Gerais: Araponga, Fragmento da Eva,

12/IX/2006, fr., J. M. Fernandes 378 (VIC).

Material adicional examinado: Brasil. Minas Gerais: Canaã, beira da estrada,

15/XI/2005, fl., J. M. Fernandes 395 (VIC).