Mercedes Cabello de Carbonera es uno de los personajes más interesantes de la intelligentsia peruana del siglo XIX. No obstante, uno de los menos conocidos. Por no haber sido apadrinada por alguna ideología al uso y la moda, su obra y su fascinante aventura intelectual se han mantenido en un piadoso limbo. También, y dentro de cierta tradicción oral, se le hacía y hace estar incursa en una leyenda negra que habla de un interessado silencio y la preterición de su obra, por oscuras y reaccionarias fuerzas. Hasta ayer, aquélla tenía un cierto sustento. Hoy, creemos que no.
Ismael Pinto Vargas
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6 Sempre acreditei que o romance social é muito ou maior importância do romance pasional. Estudar
e mostrar as imperfeições, os defeitos e vícios que em uma sociedade são admitidos, sancionada, e muitas vezes são objeto de admiração e estima, certamente será muito mais benéfico para estudar as paixões e as suas consequências. (Carbonera, 1894, p. I) (tradução nossa)
Carbonera construiu e projetou a identidade social feminina através da representação das práticas sociais. Sua escrita produziu argumentos com
significados e efeitos suficientes, que trouxeram ao leitor a possibilidade de compreensão de contextos socioculturais diversos. Segundo Vargas:
La vida y la obra de Mercedes Cabello de Carbonera están signadas por una transparente pureza moral. Ella encarna en un tiempo en que el escribir era un ameno pasatiempo o un simpático despliegue de erudición, la actitud y la aptitud literaria como un medio de acción. Fue un personaje atrayentemente contradicitorio que jamás dudó en ir contra la corriente, sin que le importara mucho enajenarse el malhumor ni la impopularidad, ya de los de su própio gremio, ya del común de la gente, o de las poderosas instituciones con las cuales en algún momento se enfrentó. Por lo que, sin proponérselo, concitó ardientes adhesiones y abjuraciones terribles, especialmente en los últimos tramos de su vida literaria activa. (Vargas, 2003, p. 15) 7
No Peru, na segunda metade do século XIX, as mulheres começaram a almejar uma posição que a retirasse do ambiente familiar levando-a rumo aos fechados círculos sociais da esfera pública. Através do estudo e da interação cultural elas foram se conscientizando da necessidade de participação no âmbito social.
Mercedes Cabelo de Carbonera teve uma importante contribuição no processo de conquistas dessas mulheres. Em seus escritos o tema que mais aparecia era a situação da mulher. Ela não concordava com a imposição do matrimônio às mulheres e a consequente confinação ao ambiente familiar.
Es una muralla levantada para condenarla a eterna minoria y a eterna esclavitud… ¡El positivismo le veda a la mujer todas las carreras profesionales y todos los medios de trabajar para ganar por sí misma la subsistencia! Y es aquí donde esa doctrina ha incurrido en gravísimo error, resultándole que, no obstante sus generosas miras, ella no mejorará sino mas bien, afianzará la desgraciada condición en que hoy se halla la mujer en nuestras sociedades. (Carbonera, 1893, p. 45-46) 8
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7 A vida e obra de Mercedes Cabello de Carbonera são marcados por uma pureza moral clara. Ela
viveu em uma época em que a escrita era um passatempo divertido ou uma boa exibição de erudição, a atitude e a aptidão literária como um meio de ação. Era um personagem atraente e contraditório que nunca hesitou em ir contra a corrente, não se importando em alienar-se e tornar-se impopular, o que ocorria entre os próprios que frequentavam o grêmio, as pessoas comuns, ou instituições poderosas as quais enfrentou. Assim, sem querer, atraiu adesões ardentes e terrível retratação, especialmente nos últimos annos de sua vida literária ativa. (Carbonera, 1893, p. 45-46) (tradução nossa)
8 É uma muralha construída para condenar a minoria a uma eterna escravidão... O positivismo proibe
a mulher de ter uma carreira profissional e também todas as outras formas de trabalho para ganhar o seu sustento! E é aqui que esta doutrina tem cometido erro grave, resultando que, apesar de sua generosa visão, não vai melhorar, e sim contribuirá com a condição infeliz da mulher em nossa sociedade. (tradução nossa)
Mercedes Cabelo de Carbonera dá vida às suas personagens porque são parte de sua própria vida. Usa a literatura como instrumento de denúncia da sociedade peruana do final do século XIX, também da condição da mulher hispano- americana, de sua subordinação (consentida ou não). Tudo isso a partir de seus escritos e também através da representação de seus personagens nos romances de sua autoria.
Em Blanca Sol9, Carbonera faz surgir, a protagonista, que leva o mesmo nome da obra, e Josefina, a costureira. Elas interpretam dois padrões distintos de sujeito feminino. Enquanto Blanca Sol desempenha o papel da mulher à frente de seu tempo que ao final torna-se cortesã; Josefina é uma moça que vive sobre o domínio do sistema patriarcal e mesmo passando por privações financeiras mantém uma conduta recatada.
En el momento en que Alcides, observaba con mayor afán, vio que algunas mujeres, se dirigían a un punto como si trataran de socorrer a una persona, dirigiose allá, con natural curiosidad, y divisó que sostenida por pobre mujer del pueblo, estaba una joven, que había caído al suelo, privada de sentido. En ese momento otra mujer descubría el rostro de la joven, agitando al aire con su pañuelo y diciendo: -Es el calor de la concurrencia, lo que debe haberla producido este desmayo.
Al mismo tiempo Alcides, profundamente impresionado exclama: -¡Es ella, es ella! ¡Josefina! Y pasando por entre la multitud, pudo llegar hasta colocarse delante de la joven.
Y diciendo y haciendo, Alcides levantó a la joven en sus robustos brazos, como lo haría con una criatura, dirigiéndose luego al primer coche que se presentó por allí. (…)
Después que Alcides subió al coche, llevando en brazos su preciosa carga, encontrose perplejo, sin saber que determinación tomar. (BS, 1889, p.107- 108) 10
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9 Romance publicado em formato de folhetim em 1888 nas páginas do El Nacional. Devido ao êxito
dessa primeira publicação, surgiram várias edições em formato de livro. Utilizamos a segunda edição que foi editada pela Imprensa e Livraria do Universo de Carlos Prince em 1889 e incorpora “Un prólogo que se ha hecho necesario”, que a autora redigiu devido ao escândalo que acompanhou a popularidade do romance. (O prólogo encontra-se em anexo)
Assim que conseguiu encontrá-la pensou:
-He aquí un trance difícil e inesperado, decía, mirando a la joven, que pálida, inerte, con la cabeza reclinada, y la frente cubierta con algunas guedejas de pelo, estaba allí asemejándose más, a una muerta, que a un ser lleno de vida y juventud como era ella.
Llevarse a la propia casa, a una mujer desmayada, es indigno de un caballero: entregarla a manos extrañas y decir que había sido recogida como una desconocida; hubiera sido lo más expedito, pero Alcides no quería ni pensaba abandonar a la que en ese momento, era para él, tesoro de inapreciable valor. (…)
Josefina, la casta doncella que podía brindarle todo el sentimentalismo y la ternura de su virgen y amante corazón, estaba allí, en su poder, suya era y nadie podría arrebatársela. (…)
¡Que hacer!… No hubo remedio… Un momento después, Josefina, siempre desmayada, estaba recostada en uno de los ricos divanes del salón de recibo de la casa de Alcides. (…) (BS, 1889, p.107-108) 11
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10 No momento em que Alcides, observa com o máximo cuidado, vi que algumas mulheres foram em
direção a um ponto como se estivesse tentando ajudar uma pessoa, e saiu correndo, com a curiosidade natural, e viu que sustentada pela pobre mulher do povo, estava uma jovem, que havia caído no chão, sem sentidos.
Enquanto isso Alcides, profundamente impressionado exclamava: ̶ "É ela, é ela! Josefina! E passando por entre a multidão, pode ficar na frente dela.
Assim dizendo, Alcides levantou a jovem com seus braços fortes, como faria com uma criatura, dirigindo-se ao primeiro carro que passou por ali. (...)
Após Alcides entrar no carro, carregando sua preciosa carga em seus braços, encontrou-se perplexo, sem saber o que fazer. . (BS, 1889, p.107-108) (tradução nossa)
11 Situação difícil e inesperada, disse, olhando para a jovem, que estava pálida e imóvel, com cabeça
reclinada, e a testa coberta com algumas mechas de cabelo, mais parecendo que estava morta, do que um ser cheio da vida e da juventude como ela era.
Levá-la para sua própria casa, uma mulher inconsciente é indigno de um cavalheiro: entregá-la nas mãos de estranhos e dizer que foi recolhido como uma estranha; teria sido a melhor, mas Alcides não queria nem pensar em abandonar o que para ele era um tesouro de valor inestimável. (...)
Josefina, a donzela casta que poderia lhe dar todo o sentimento e a ternura de uma virgem, e amoroso coração, estava ali em seu poder, era sua e ninguém pode retirá-la. (...)
O que fazer! ... Não havia escolha... Um momento depois, Josefina, sempre desmaiada, estava deitado em um dos ricos sofás do salão de recepção da casa de Alcides. (…) (BS, 1889, p.107-108) (tradução nossa)
Josefina que era moça muito recatada ficou confusa:
¡El corazón latía! Llamola sacudiéndole el cuerpo.-¡Josefina! ¡señorita Josefina!… Al fin ella exhaló largo y angustioso suspiro, y recobrando el conocimiento miró asombrada la elegante y lujosa alcoba de Alcides, luego fijando en él sus ojos, abiertos desmesuradamente en señal del asombro que la poseía, exclamó: ¡Dios mío! ¿Qué ha sido de mí? ¿Donde estoy?… Alcides, con el más sincero y afectuoso tono que le fue dable emplear, díjola: Está usted en mi casa en la casa de un caballero, que sabrá respetar como merece a la señorita Josefina. Ella intentó con un brusco movimiento, ponerse de pie, pero su cuerpo no obedeció a su voluntad, y volvió a mirar a Alcides, cual si dudara de sus palabras.
-Lo que necesitamos ahora es, que usted recobre sus fuerzas para llevarla luego a su casa. ¿No le parece bien?
-Sí ahora mismo-y Josefina haciendo un nuevo esfuerzo, se incorporó y púsose de pie en actitud de partir.
-Espero señorita Josefina, que me concederá usted un sincero perdón por mi osadía al traerla a mi casa; pero es el caso que yo no conocía la dirección de la casa de usted y…
Ella nunca se había encontrado sola con un hombre, y menos en sus propias habitaciones como estaba ahora. (BS, 1889, p.107-108) 12
Com a publicação de BS em 1889 que fazia uma crítica direta à sociedade limenha e aos diversos costumes populares. Surge um escândalo nos círculos sociais em torno da publicação, o que termina por abalar sensivelmente a reputação de Carbonera. Muitas personalidades amigas dela consideraram um erro a publicação; em 1893, sua posição social era muito delicada.
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12 O coração batia! Ele a chamou sacudindo-lhe o corpo. ̶ Josefina, senhorita, Josefina! Por fim ela
suspirou de forma forte e angustiada, e recobrando o sentido olhou assombrada o elegante e luxuoso quarto de Alcides, logo fixou o olhar nele demonstrando sinal de assombro, exclamou: Meu Deus! O que aconteceu comigo? Onde estou?...
Alcides com o mais sincero e afetuoso tom lhe disse: ̶ Você está na casa de um cavalheiro, que saberá respeitá-la como merece. Ela tentou levantar-se com movimento brusco, pôr-se de pé, porém seu corpo não a obedeceu, e voltou a olhar para Alcides como se duvidasse de suas palavras.
̶ O que necessitas agora é que recobre as forças para que eu possa leva-la para sua casa. Não te parece bom?
̶ Sim, agora mesmo, e Josefina fazendo novo esforço se pôs de pé como se fosse partir.
̶ Espero que a senhorita me perdoe a ousadia de trazer-lhe a minha casa; mas como eu não conhecia o endereço de sua casa...
Ela nunca havia ficado sozinha com um homem, e muito menos no quarto como se encontrava agora. (BS, 1889, p.107-108) (tradução nossa)
No transcorrer da história, a mulher nutriu a submissão e o silêncio e aceitou o comando do homem e o sistema social vigente. Para que tais condutas fossem fundamentadas, havia diversas influências atuantes na relação social entre mulheres e homens alicerçadas, em bases de perspectivas comportamentais, culturais e ideológicas dentre tantas outras.
No final do século XIX, a mulher ainda se mantinha subordinada à sujeição do sistema patriarcal dominante, circunstância vigente desde os primórdios da colonização. O contexto educacional foi decisivo, junto à Igreja para a manutenção do sistema cuja visão ideológica promovia a manutenção do patriarcalismo. A estrutura patriarcal impõe assimetrias a todas as atividades humanas.
E, nesse contexto, uma forte corrente ideológica foi representada pelo positivismo na figura de Auguste Comte, que, sintonizado com o pensamento vigente, enfatiza normas de comportamento para a mulher oitocentista, preceito que logo se divulga para outros países. Partindo da premissa de que seu destino consistia em disciplinar as forças humanas, baseado na relação contínua entre o sentimento e a razão como reguladora das atividades, a questão da mulher também foi abordada na teoria positivista.
Comte considerava essenciais as diferenças entre homens e mulheres, mas vacilou quanto à valorização dessas diferenças, o que implicava inferiorização para a mulher. Articula a conduta desejável a uma mulher e, ao mesmo tempo valoriza a função exercida pela mulher “virtuosa”, deixando registrado perspectivas essenciais em sua conduta:
O culto positivo erige o sexo afetivo como providência moral de nossa espécie. Cada digna mulher ministra habitualmente a esse culto a melhor representação do verdadeiro Grande Ser.
Sistematizando a família, como base normal da sociedade, o regime correspondente faz dignamente prevalecer naquela a influência feminina, transformada, enfim, em supremo árbitro privado da educação universal. Por todos estes títulos, a verdadeira religião será plenamente apreciada pelas mulheres, logo que elas reconhecerem suficientemente os principais
caracteres que as distinguem. Aquelas mesmo que a princípio deplorarem a perda de esperanças quiméricas não tardarão em sentir a superioridade moral de nossa imortalidade subjetiva, cuja natureza é profundamente altruísta, sobre a antiga imortalidade objetiva, que não podia deixar de ser radicalmente egoísta. (Auguste Comte, 1983, p.130)
Percebe-se a partir da citação que Comte tem uma posição definida no que se refere à conduta feminina frente à sociedade da época. Dentro da concepção positivista, não há espaço para uma mulher emancipada; admitindo-se somente a ela a submissão ao homem e a dedicação total à família. De acordo com os preceitos positivistas, a mulher devia dedicação integral ao marido e aos filhos; une- se a isso o fato de a maior parte delas possuir pouca instrução, elas tinham a função restrita ao ambiente doméstico, sendo mantidas, dessa forma, excluídas da sociedade.
Mesmo convencida das vantagens que o Positivismo oferecia, Carbonera não deixava de atacar o fato de as mulheres serem obrigadas a aceitar uma posição passiva, o que considerava uma injustiça:
¿Queréis que la mujer sea verdaderamente virtuosa, con esa sólida virtud positiva y util a si misma, y a la sociedad? Pues abridle francos todos los caminos; más aún, impulsadla por la senda del trabajo, ya sea profesional, industrial o de cualquier outro género, adecuado a sus facultades.
Cerrad para siempre esa puerta maldita del matrimonio obligado, ella es la entrada a todos los adúlterios, y el gérmen de los infortunios de la família. Salvad a la mujer de esa esclavitud pasiva, que mata las fuerzas vivas de su inteligencia y todas las energías de su voluntad. (Carbonera, 1893, p. 47)13
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13 Queres que a mulher seja verdadeiramente virtuosa, com aquela forte virtude positiva e útil para si
e para a sociedade? Então lhe abra de verdade todos os caminhos; e a impulsione ao trabalho, quer seja profissional, na indústria ou de outro gênero, algo adequado as suas habilidades.
Feche para sempre essa porta maldita do casamento forçado, ela entrada dos adultérios e o germe das desgraças da família.
Salvem as mulheres da escravidão passiva, que mata as forças de sua inteligência e todas as energias da sua vontade. (Carbonera, 1893, p. 47) (tradução nossa)
Essas palavras não foram bem recebidas pela sociedade na época; sociedade esta predominantemente machista, que reservava o trabalho remunerado aos homens, e estes não aceitavam as duras críticas que Carbonera fazia.
Mercedes Cabello de Carbonera dedicou a sua vida ao cultivo das letras e perseguiu com intrepidez a luta por denunciar a forma preconceituosa a qual as mulheres eram submetidas na sociedade limenha; ela foi defensora da educação e da emancipação da mulher. Mas a sua coragem e determinação, expressas através de seus escritos, não foram compreendidas pela comunidade detentora dos preceitos patriarcais. Sendo assim, tornou-se impossível a sua caminhada; o vigor de sua postura, traduzido por suas opiniões, fez com que não surgisse interesse por parte dos interlocutores. Sua escrita pretendia ocasionar mudança nos contextos social, político e cultural.
A autora assumiu uma liberdade com todos os riscos que se oferecem a uma mulher no século XIX. Foi chamada de insana por várias vezes nas páginas dos principais diários; até que foi sugerido que deveria ser internada em um manicômio após ter feito um discurso no Liceu Fanning, onde defendeu a educação laica e causou um escândalo ao destacar a necessidade de as mulheres conhecerem o seu próprio corpo.
Foi internada em 27 de janeiro de 1900, e ali onde permaneceu por nove anos até falecer em 12 de outubro de 1909. Patricio Ricketts Rey de Castro, investigador do trabalho da escritora, escreve sobre o final lastimável da vida da autora:
Quatro meses antes da morte de Mercedes, a revista Ilustração Peruana [1909, pp. 270-273] publicou um extenso artigo em maio sobre o hospício onde o escritor sobrevivia em silêncio, com a alma vazia, à espera da morte. Cinco fotografias, reproduzidas com nitidez, ilustram o texto, no qual o jornalista visitante, Carlos Sánchez Gutiérrez, deixou uma comovida nota sobre Cabello, a quem podemos distinguir à distância, na fotografia do corredor do pavilhão das mulheres. Ali, sentado em uma poltrona e inclinado para frente, como descrito pelo jornalista, descobrimos a autora de El Conspirador. (Ricketts, 2008, p. 44) 14
Em seguida apresenta o comentário que transcrevemos abaixo:
Uma notável escritora peruana, sentado pacificamente em uma grande poltrona, nos olhou com o mais profundo desprezo. Talvez tenha nos reconhecido e teve pena, talvez seu orgulho tenha iluminado o cérebro por um segundo e nos julgou pequenos, ao ver-se de novo no Ateneo e no Livro, na Revista e no Jornal e; mas, oh amargas ironias do destino! : Estava ali uma pensadora que já não pensa uma tocha que não dá luz e que espera o último suspiro da para qu e seja extinto o seu último raio... (apud Ricketts, 2008, p.44) 15
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14 Cuatro meses antes del fallecimiento de Mercedes, la revista Ilustración Peruana [1909, pp. 270-
273] publicó un extenso artículo en mayo acerca del hospicio donde la escritora sobrevivía en silencio, con el alma vacía, a la espera de la muerte.
Cinco fotografías, reproducidas con gran nitidez, ilustran el texto, en el que el periodista visitante, Carlos Sánchez Gutiérrez, nos dejó un conmovido apunte de Cabello, a quien podemos distinguir, a distancia pero con claridad, en la fotografia del corredor del pabellón de las mujeres. Allí, sentada en un sillón de banqueta e inclinada hacia delante, tal como la describe el periodista, descubrimos a la autora de El Conspirador. (Ricketts, 2008, p. 44)
15 Una notable escritora peruana, sentada beatíficamente en un gran sillón de banqueta, nos miró con
el más profundo desdén. Quizá se nos reconoció del oficio y nos tuvo lástima, quizá si su gloria iluminó su cérebro por un segundo y nos halló pequeños, al verse ella de nuevo en el Ateneo y en el Libro, en la Revista y en el Diario; pero, ¡oh ironías amargas del destino! : he allí una pensadora que ya no piensa, una antorcha que no da luz y que espera el último soplo de la Intrusa para que se extinga su último rayo… (apud Ricketts, 2008, p.44)