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2. LOJİSTİK REGRESYON

2.4. Lojistik Regresyon İle XOR Probleminin Sınıflandırılması

A abordagem da cobertura da Folha a respeito do movimento das Diretas - Já e do Fora Collor se faz pertinente devido ao fato de que, após a redemocratização do país, estes movimentos foram os movimentos massivos mais relevantes, do ponto de vista de abrangência nacional, antecedendo as manifestações de junho de 2013.

No entanto, antes de iniciar essa abordagem, é importante conhecer, de maneira breve, a linha editorial da Folha. O jornal detém a marca de maior circulação diária e audiência no Brasil,45 liderança essa que vem desde a década de 1980 (MOREIRA, 2006).

Muniz (1999) destaca que, entre o fim da década de 1970 e o fim da década de 1980, a Folha teve dois posicionamentos distintos. O primeiro, de caráter nacionalista, no qual defendia a atuação de empresas estatais, políticas protecionistas, além da defesa de incentivos, subsídios e controle tarifário. Já a segunda fase, entendida como neoliberal, passou a defender ideias como privatização, entrada do capital estrangeiro, desregulação e abertura da economia.

Nos anos de 1980, a Folha passou por uma série de reformulações que ficou conhecida como Projeto Folha. Porém, essas mudanças não foram bem aceitas pelo conjunto de jornalistas que compunham a redação, como salienta Guerino (2007), pois passou a existir

Gerência Administrativa da Redação em junho de 1984; 2) avaliação dos profissionais da Redação, provocando enorme conflito entre os jornalistas e a direção, quando foram demitidos 27 jornalistas por insuficiência técnica, em junho de 1984; 3) planilhas de produção, que passaram a ser consideradas pelos jornalistas como símbolo máximo da visão tecnicista e burocrática adotadas na feitura do jornal. Alguns exemplos: jornal de erros, relatório de informações exclusivas medindo os furos dados e levados da concorrência, crítica diária da Redação, etc... adotadas em julho de 1984; 4) Manual da Redação, instrumento programático que fez a Folha avançar qualitativamente, pois ultrapassa o universo meramente lingüístico ou gramatical, abrangendo a esfera ético-profissional, assumindo uma identidade jornalística e enunciando uma política editorial. O Manual passou a ser publicado e vendido em livrarias a partir de agosto de 1984; Tudo visando à racionalização da produção, da administração e da distribuição da

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MAIOR jornal do Brasil, Folha é líder em diferentes plataformas. Portal Folha. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/158930-maior-jornal-do-brasil-folha-e-lider-em-diferentes-

Folha de S.Paulo, começando a dar um tratamento industrial ao jornal. (GUERINO, 2007, p. 91)

É no manual de redação que se encontram os elementos definidores da linha editorial do jornal, em que a Folha afirmar buscar ser um veículo crítico, apartidário, prestador de serviço e didático (GUERINO, 2007).

Também foi nos anos de 1980 que a campanha pela realização de eleições diretas para presidente da República mobilizou não apenas várias lideranças políticas do país, como também milhões de brasileiros que participaram de comícios em diversas cidades. O objetivo era pressionar o Congresso Nacional a aprovar a chamada emenda Dante de Oliveira, de autoria do então deputado federal Dante Martins de Oliveira (PMDB-MT), que previa o reestabelecimento do voto direto para presidente.

É claro que esse evento histórico teve cobertura na mídia. No caso da Folha, o jornal se destacou por ter sido um dos principais veículos a dar grande destaque às manifestações. Kostscho (1984) relata que como repórter da Folha, à época, preparou em documento que chegou à cúpula da empresa, justificando a necessidade do jornal adentrar, de maneira intensa, na cobertura do movimento das Diretas-Já, o que ainda não vinha acontecendo.

O que ocorreu foi a criação de “...um grupo para cuidar da cobertura da campanha, sob a coordenação de Otávio Frias Filho, secretário do Conselho Editorial.” (KOSTCHO, 1984, p.5). Dessa forma, “...Começava ali uma cobertura que marcaria a história do jornal Folha de S. Paulo e seria considerada, posteriormente, como um dos fatores responsáveis pela expansão do público-leitor da área de influência do jornal.” (JESUS, 2009, p. 49).

Uma característica relevante da cobertura da Folha em relação às Diretas é que o jornal buscou enfatizar, no seu discurso, o caráter pacífico das manifestações, ao ponto de, no momento em que ressalta a ampla participação popular, condicionar a sua legitimidade à ausência de “baderna” (JESUS, 2009).

A partir disso, nota-se que o fato de a Folha buscar relacionar manifestação com um comportamento pacífico por parte de ativistas tem precedente na história do jornal e já não se configura como algo exclusivo da cobertura das revoltas de junho de 2013.

Já para entender a cobertura referente às manifestações pelo impeachment do então presidente Fernando Collor, é necessário observar o posicionamento da Folha perante o então candidato na eleição presidencial de 1989, que, ainda hoje, suscita discussões a respeito da postura considerada controversa de alguns veículos de mídia em favor do ex- governador de Alagoas.

Conti (1999) relata que, ainda durante a campanha presidencial, alguns jornalistas da Folha se mostravam hostis a Collor e que os mesmos eram autores de matérias desfavoráveis ao candidato a respeito de temas como irregularidades cometidas à época em que era prefeito de Maceió e como governador de Alagoas, além da contratação de cabos eleitorais para a campanha.

Já em março de 1990, primeiro mês do governo Collor e do novo plano econômico lançado pelo presidente no dia seguinte à sua posse, e que teve apoio por parte dos donos da Folha (CONTI, 1999), a sede do jornal foi alvo de uma operação conjunta da Receita Federal e da Polícia Federal, no qual

O pretexto para a diligência era averiguar se a empresa estava cobrando em cruzados novos ou cruzeiros as faturas publicitárias referentes à primeira quinzena de março. A Folha, seguindo a orientação da Associação Nacional dos Jornais, da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, fizera as cobranças na nova moeda, o cruzeiro. Usara o mesmo critério de todos os jornais, revistas e emissoras de televisão e rádio, mas foi o único órgão de comunicação a ter os arquivos contáveis vasculhados. Por isso, desde o primeiro momento os Frias consideraram a invasão uma pressão política, uma retaliação contra as reportagens críticas a Collor publicadas durante a campanha. (CONTI, 1999, p. 305)

Não é possível afirmar, neste trabalho, que a ação sofrida pela Folha foi em função de uma retaliação do Governo federal devido à postura do jornal perante o então candidato Collor em 1989. Para isso, seria necessário um trabalho investigativo ao qual essa pesquisa não se propõe. No entanto, o episódio é sintomático da relação hostil que as duas partes tiveram durante aquele período.

Contudo, o episódio gerou um editorial chamado A escalada fascista publicado no dia seguinte e que comparava Fernando Collor aos ditadores Nicolae Ceausescu, da Romênia, e Benito Mussolini, da Itália. Além disso, o jornal salienta, ainda, que não aceitaria intimidações, por parte do governo; ou seja, o texto claramente constrói duas imagens: a primeira, do jornal como perseguido e a segunda, do governo, em especial, do presidente, como vilão.

Ao longo dos meses de 1990, a Folha publicou matérias negativas já a respeito do governo Collor. Uma delas versava sobre irregularidades na contratação de agências de publicidade e uma outra, sobre gastos realizados pelo então porta-voz da presidência Cláudio Humberto, incompatíveis com sua renda. (CONTI, 1999). Além disso,

O ministro da Justiça, Bernardo Cabral, encaminhou à Procuradoria da República um pedido de abertura de processo contra a Folha de S. Paulo. O ministro escreveu

que o jornal movera uma campanha “no mínimo difamatória” contra o presidente. (CONTI, 1999, p. 348).

No entanto, em janeiro de 1992, o processo que tinha como réus os jornalistas Gustavo Krieger, Josias de Souza, Nelson Blecher e o diretor de redação, Otávio Frias Filho, foi julgado e os citados foram absolvidos. Poucos meses depois, começaram a serem noticiadas as primeiras denúncias que acabariam por impulsionar a instalação de uma CPI no Congresso, a fim de investigar o ex-tesoureiro da campanha presidencial de Collor, Paulo César Farias, sobre irregularidades que este haveria cometido no governo.

A partir daí, o que se viu foi o aparecimento de manifestações populares que pediam a saída do presidente do cargo. Milhões de brasileiros foram às ruas em comícios pró Impeachment, em especial os chamados Caras-Pintadas que eram, em boa parte, estudantes. Em 30 junho de 1992, a Folha publica um editorial intitulado Renúncia já, pedindo a renúncia do presidente.

Quanto à cobertura da Folha em relação às manifestações, o jornal cobriu as manifestações que ocorreram, de forma mais intensa, a partir de agosto de 1992, um mês antes do afastamento do presidente pela Câmara dos deputados. Em 29 de dezembro, dia da votação do Impeachment no Senado Federal, Collor renuncia.

Benzer Belgeler