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Reconhecer, avaliar e controlar a exposição de trabalhadores a partículas tem sido objetivo de muitos pesquisadores e outros profissionais ao longo da história, pois os danos que elas podem causar são conhecidos há muito tempo.

Avaliar a exposição ocupacional a partículas é tarefa importante, pois no desenvolvimento de doenças muitos fatores se encontram relacionados à exposição. A intensidade, isto é concentração de partículas de poeira existente no ambiente, a distribuição do tamanho e a forma de partículas são alguns destes fatores. Podem ser determinantes também a origem, a estrutura e as propriedades químicas e físicas.

Segundo a EPA, 1992, a complexidade dos problemas gerados pela contaminação dos ambientes encontra-se de tal forma agravada que a avaliação da exposição necessita combinar elementos de três áreas de conhecimento: higiene ocupacional, epidemiologia e medicina.

A avaliação da exposição é utilizada para obtenção de informações qualitativas e quantitativas que caracterizam a magnitude e importância de um determinado risco à saúde dos trabalhadores. Pode ter como objetivo encontrar uma relação exposição- resposta em estudo epidemiológico, comparar resultados de medidas com os limites de exposição ocupacionais ou avaliar a eficiência de sistemas de controle.

Para CHECKOWAY, 1989, exposição é a “presença de uma substância no ambiente de trabalho que pode interagir com o trabalhador”. Ela é caracterizada em função da concentração da substância no ambiente de trabalho e da duração da exposição. A exposição acumulada é uma medida de exposição em um tempo integrado, isto é, a soma das concentrações em um tempo total.

A expressão 1 é uma expressão geral de exposição acumulada para a qual geralmente a unidade é apresentada em mg/m3–anos.

(

)

=

i

T

i

x

E

i

acumulada

Exposição

(1) Onde:

Ti = tempo em anos em cada função i

Ei = estimativa da exposição em cada função i

3.2.1.1 Avaliação da exposição baseada na concentração de poeira respirável

A avaliação quantitativa e a análise de risco podem ser complexas, pois é necessário caracterizar as propriedades das partículas, além da intensidade da exposição. A concentração de poeira na fração respirável (constituída de partículas menores do que 10 µm, capazes de penetrar e se depositar no pulmão na região de troca de gases), tem sido parâmetro utilizado para caracterizar a intensidade da exposição. Por ser considerada fator determinante no desenvolvimento da silicose, desde 1959 o British Medical Research Council recomenda seu uso.

A fração respirável é coletada nos ambientes de trabalho por meio de um dispositivo composto de porta-filtro, suporte de celulose, filtro de membrana de PVC de 5 µm de poro e ciclone separador de partículas. Este dispositivo é acoplado a uma bomba de amostragem individual, calibrada com vazão específica para que a eficiência da coleta seja compatível com a curva de distribuição do tamanho da partícula e com a sensibilidade do método analítico adotado (OSHA 2002; NIOSH 2003; FUNDACENTRO 2006).

Na seqüência, a massa de fração respirável coletada é analisada para determinar a quantidade de sílica cristalina presente, pois esta é extremamente danosa aos macrófagos alveolares. A concentração de sílica cristalina é fator importante na caracterização do risco de silicose, cuja magnitude aumenta com o aumento da concentração (KREISS 1996; MANNETJE 2002).

Neste estudo, os métodos de amostragem e análise para determinação da concentração de poeira e de sílica cristalina respirável serão descritos no item 4.4. Os resultados serão utilizados para: a) avaliar a exposição ocupacional; b) verificar a eficiência das alternativas de controle; c) e determinar a percentagem de sílica cristalina respirável que pode ser gerada pelas diversas matérias-primas em condições específicas.

3.2.1.2 Avaliação da exposição por seleção de tamanho das partículas

A medição do diâmetro aerodinâmico da partícula é o modo mais adequado de avaliar seu tamanho nas situações de interesse para a higiene ocupacional. A WHO, 1999, definiu o diâmetro aerodinâmico de uma partícula como o diâmetro de uma esfera hipotética com densidade de 1 g/cm³ que possui a mesma velocidade terminal que a partícula considerada, com relação a seu tamanho geométrico, tipo e densidade.

Segundo a WHO, 1999, o diâmetro aerodinâmico das partículas está fortemente associado à habilidade que as partículas possuem para penetrar e se depositar em diferentes locais do trato respiratório. Também é importante na definição do modo de transporte das partículas nos dispositivos de amostragem e filtração. Eis porque sua medida é uma abordagem apropriada.

A American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH), a International Organization for Standardization (ISO) e a European Committee for Standardization (CEN) recomendam a amostragem de partículas sólidas por seleção de tamanho das partículas. As partículas sólidas, na forma de poeira e pelos critérios harmonizados da ACGIH/ISO/CEN, possuem teoricamente uma faixa de tamanho que varia de 0 a 100µm (JOHNSON e SWIF 1998; HEARL 1998; LIPPMANN 1999; WHO 1999; SANTOS 2001; FUNDACENTRO, 2006).

A avaliação seletiva do tamanho das partículas deve ser realizada por meio de dispositivos com capacidade de separar as partículas em frações correspondentes àquelas que são retidas nas principais regiões do trato respiratório, conforme mostrado na Figura 3.1.

A fração de particulado inalável é aquela constituída por partículas de diâmetro aerodinâmico menor que 100 µm, que entra pelo nariz e pela boca, penetra no trato

causam efeito adverso quando depositados em qualquer lugar do trato respiratório (ABHO 2005; FUNDACENTRO 2006).

A fração de particulado torácico é aquela constituída por partículas de diâmetro aerodinâmico menor que 25 µm, que penetra e pode ficar retida nas regiões traqueobrônquica (vias aéreas dos pulmões) e na de troca de gases. A concentração da fração de particulado torácico é o parâmetro utilizado para avaliar risco daqueles materiais que causam efeito adverso quando depositados em qualquer lugar no interior das vias aéreas dos pulmões e na região de troca de gases (ABHO 2005; FUNDACENTRO 2006).

A fração respirável é constituída por partículas de diâmetro aerodinâmico menor que 10 µm, que penetra e pode ficar retida na região de troca de gases ou região pulmonar. A concentração da fração de particulado respirável é o parâmetro utilizado para avaliar risco daqueles materiais que causam efeito adverso quando depositados na região de troca de gases (ABHO 2005; FUNDACENTRO 2006).

Benzer Belgeler