ALMA DAVRANIŞINA ETKİSİ
1. KAVRAMSAL ÇERÇEVE Minimalizm
1.4. Logo Tasarımında Minimalizm
A teoria de grupos operativos, que norteará nosso olhar para este trabalho, foi desenvolvida por Enrique Pichon-Rivière, psicanalista suíço que morou na Argentina durante quase toda sua vida. Sua vivência na Argentina despertou seu interesse pelas relações sociais. Ao se mudar de Genebra para Chaco, aos quatro anos de idade, Pichon vivenciou dois modelos culturais bastante diferentes: o europeu, preservado por sua família, e o argentino, que ele classifica como “primitivo”. A observação da nova cultura na qual estava inserido, e que divergia daquela herdada por meio de suas raízes européias, despertaram seu interesse pela observação da realidade: “[...] Meu interesse pela observação da realidade teve, inicialmente, características pré-científicas e, mais exatamente, místicas e mágicas, adquirindo uma metodologia científica através da prática psiquiátrica.” (PICHON-RIVIÈRE, 1994, p. VIII).
Vivendo entre populações rurais influenciadas pela cultura indígena, Pichon conviveu com uma concepção de mundo de caráter mágico, muito marcada pela mitologia guarani. Suas observações e vivências da infância e juventude foram determinantes para o desenvolvimento de suas idéias, que culminaram em uma teoria que explora a relação dialética entre o homem e seu meio:
O interesse pela observação dos personagens prototípicos, que nas pequenas populações adquirem uma significância particular, estava orientado, ainda não conscientemente, para a descoberta dos modelos simbólicos, através dos quais torna-se manifesto o interjogo de papéis que configura a vida de um grupo social em seu âmbito ecológico. (PICHON-RIVIÈRE, 1994, p. VIII)
Para Pichon, a psiquiatria atual é uma psiquiatria social, pois não é possível separar o indivíduo da sociedade. Os pensamentos e idéias de cada pessoa são uma representação particular e individual de como o mundo é captado, de acordo com a história pessoal de cada uma e de como o meio atua sobre ela. Dessa forma, o mundo é entendido por cada um através de uma fórmula pessoal.
A psicologia social tem como objeto de estudo a relação entre a estrutura social e a configuração do mundo interno do sujeito. Nessa perspectiva, o homem é um ser de necessidades que só são satisfeitas socialmente em relações que o determinam. O sujeito
é produzido em uma práxis, sendo a resultante da interação entre indivíduo, grupos e classes.
Existem três dimensões de análise das relações entre o sujeito e seu meio social: a psicossocial (que parte do indivíduo para fora, refere-se às relações do sujeito com cada um dos membros do grupo ao qual pertence), a sociodinâmica (que analisa o grupo como estrutura, em sua totalidade, considerando as diferentes tensões entre todos os objetos que configuram a estrutura do grupo) e a institucional (que aborda o grupo como uma instituição, através do estudo de sua história e de suas relações intergrupais). Não existe uma separação clara entre esses campos de investigação, eles se integram sucessivamente. Assim, o campo operacional da psicologia social é o grupo, pois este permite a investigação do interjogo entre as três possíveis dimensões de análise.
A teoria e a técnica de grupos operativos começou a ganhar corpo a partir de uma experiência vivida por Pichon-Rivière no hospital psiquiátrico De Las Mercês, em Rosário, onde trabalhava como médico e professor. O pessoal da enfermagem do hospital entrou em greve; para atender os enfermos diante daquela situação crítica, ele colocou os pacientes menos comprometidos para tomar conta dos mais comprometidos.
Com a ruptura de papéis estereotipados, através do estabelecimento de novas funções para esses pacientes, e do novo processo de comunicação estabelecido, houve significativa melhora tanto daqueles que foram cuidados, como daqueles que cuidaram de seus colegas.
Os resultados obtidos com essa experiência e os estudos de Pichon-Rivière sobre fenômenos grupais a partir da psicanálise de Freud e Melanie Klein, da teoria de campo de Kurt Lewin e da teoria de Comunicação e Interação foram determinantes para se chegar a um corpo teórico consistente acerca do funcionamento grupal e que toma como referência a relação entre a doença mental e o grupo familiar do paciente.
Até então, a psiquiatria tinha uma concepção endógena da doença mental, ou seja, uma visão de que a doença é inerente ao indivíduo, tendo sua origem em causas intrínsecas ao sujeito. Uma visão oposta a essa seria a de uma concepção exógena - a de que a origem da doença é externa ao paciente. Pichon-Rivière propôs uma concepção dialética da doença, ou seja, que existe uma inter-relação entre o mundo interno do sujeito e a estrutura social na qual ele está inserido.
Em sua teoria, um grupo operativo é um “[...] conjunto de pessoas reunidas por constantes de tempo e espaço, articuladas por sua mútua representação interna, que se propõem, implícita ou explicitamente, uma tarefa que constitui sua finalidade.”
(PICHON-RIVIÈRE, 1994, p. 157). Esta tarefa pode ser de aprendizagem, diagnóstico ou cura.
Para ele, aprendizagem significa desenvolver uma leitura crítica da realidade para uma adaptação ativa à vida. A todo momento são encontradas dificuldades na realização da tarefa grupal, o que requer discussão e o estabelecimento de estratégias para superar essas dificuldades. Aprender, conforme a teoria pichoneana, é sinônimo de mudança.
Toda mudança provoca ansiedades caracterizadas por dois medos básicos: o medo de perder o já estabelecido e conhecido e o medo do desconhecido, do que está por vir, mas ainda não é. Portanto essas ansiedades estão a serviço da resistência à mudança. A atividade do grupo consiste em mobilizar as dificuldades geradas por essas ansiedades, uma vez que a realização de qualquer tarefa nova exige a modificação de padrões de funcionamento.
As relações interpessoais dentro do grupo são determinadas por uma dinâmica entre papéis assumidos e adjudicados. Existe sempre um interjogo dialético entre a assunção de um determinado papel e a adjudicação de um papel a outra pessoa. “Na medida em que um adjudica e o outro recebe, estabelece-se entre ambos uma relação que denominamos vínculo. Este tende a se desenvolver dialeticamente chegando a uma síntese dos dois papéis, que é o que dará as características do comportamento tanto do indivíduo quanto do grupo considerado” (PICHON-RIVIÈRE, 1995, p.129).
Quando os papéis ficam estereotipados, o grupo “patina” e não consegue avançar rumo à concretização de seu objetivo. É importante que as relações se estabeleçam de forma que haja uma plasticidade nos papéis, o que caracteriza uma disposição ao enfrentamento das dificuldades e realização da tarefa.
Através da elaboração2 das ansiedades o grupo caminha para o projeto, deixando de ser espectador e se tornando protagonista, vencendo as dificuldades com criatividade e planejando ações futuras.
Nesta proposta, podemos falar em teoria e técnica de grupos operativos. A técnica trata dos procedimentos a serem adotados na tentativa de levar um grupo à operatividade; ou seja, é uma forma de trabalho com grupos que visa promover, de
2 Elaboração psíquica - expressão usada por Freud para designar, em diversos contextos, o trabalho
realizado pelo aparelho psíquico com o fim de dominar as excitações que chegam até ele e cuja acumulação ameaça a ser patogênica. Este trabalho consiste em integrar as excitações no psiquismo e em estabelecer entre elas conexões associativas. (LAPLANCHE & PONTALIS, 1988; p. 196)
forma econômica, um processo de aprendizagem. Já a teoria trata de conceitos desenvolvidos dentro da psicologia social e que fundamentam a técnica.
Neste trabalho trataremos da teoria de grupos operativos. Assim, discutiremos os principais conceitos desenvolvidos por Pichon-Rivière para, nos capítulos seguintes, utilizá-los como forma de compreender os processos pelos quais os grupos de monitores que acompanhamos passaram. Portanto, é importante enfatizar que não aplicamos a técnica de grupos operativos com os estudantes, mas vamos utilizar a teoria como referencial teórico de análise dos eventos que marcaram o desenvolvimento dos grupos que participaram do referido projeto de monitoria discente de Física.