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Liyotropik Sıvı Kristallerin Optiksel Anizotropileri

LİYOTROPİK SIVI KRİSTALLER VE OPTİKSEL ANİZOTROPİLERİ

4. Liyotropik Sıvı Kristallerin Optiksel Anizotropileri

É indiscutível a necessidade de trazer a sociedade ao debate e à participação das discussões e decisões no âmbito da gestão pública. A articulação de um Estado ao desenvolvimento pleno passa necessariamente pelo enraizamento da democracia, uma cultura política e social fortemente entrelaçada com práticas jurídicas efetivas e institucionalizadas, circundadas por legalidade aplicada e segurança jurídica (Bucci, 2013, p. 29). É, em suma, a concretude de um Estado Democrático de Direito.

55 BUCCI, Maria Paula Dallari, 2009, op. cit., p. 15 56 GARCIA, Maria, op. cit., 337

Mas esta inclusão não é um fim em si mesmo. A ideia essencial de Democracia implica mitigar o distanciamento da relação entre Estado e sociedade civil, sendo esta, na realidade, a detentora do poder e da sua representatividade. O pressuposto da democracia é a igualdade política, e essa igualdade se consubstancia, num primeiro plano, num ordenamento constitucionalmente posto, e na representação popular advinda do sufrágio direto. Como via de consequência, a esse ideal de igualdade e representação conjugam- se as questões do poder, dos limites e liberdades, das garantias, da igualdade e da justiça, constituindo a democracia, em última análise, numa conjugação entre política e direito (Bucci, 2013, p. 47).

A procura do caminho a percorrer nos leva para o aprofundamento da democracia, na sua dimensão participativa e dialogante, o que pode se obter por duas vias convergentes: de um lado, a do direito/dever fundamental à proteção do ambiente, enquanto “status ativo”, isto é, enquanto investe o cidadão de um “status” que permanentemente o convoca para a ação, para a intervenção crítica e construtiva, uma intervenção que colmata os vazios do conhecimento e as incertezas quanto às consequências da ação através de um discurso multidisciplinar e criativo e de uma experiência tornada inovação; de outro lado, a via das políticas públicas, coordenadas pelo Estado ou por este impulsionadas e planeadas, com a colaboração da comunidade, que ora é fonte de inspiração, ora detentora de informação privilegiada, ora indispensável ator na ação, controle e na avaliação (Garcia, 2007, p. 339).

Num outro plano analítico, considerando as incertezas científicas acerca dos elementos determinativos para as alterações dos sistemas naturais; que os impactos ambientais engendram desigualdades sociais regionais e globais, cediço quanto ao grau de desenvolvimento dos países; que diferentes interesses e valores estão em jogo; e que, por conseguinte, os conflitos são inevitáveis: a conclusão lógica é que o êxito de toda política pública depende também do grau de consenso sobre o qual venha a repousar. Essa busca do consenso implica compromissos e soluções parciais para os problemas muitas vezes. Mas a ausência de consenso traz o risco de levar ao desrespeito às medidas aprovadas, à sabotagem das políticas não consensuais pelos grupos oposicionistas ou a

um desvio autoritário. É se falar do caráter central dos princípios de aceitabilidade e de factibilidade para uma administração bem-sucedida de determinada política pública.57

A respeito do tema, Sheila Jasanoff perfaz uma crítica aos processos de democratização das decisões do Estado sobre a vida da sociedade, questionando a veracidade, a amplitude e o resultado de medidas consensualmente - em tese - estabelecidas. Diz ela:

“A realização de um consenso tímido é o pior objetivo que podemos ter em nossas complicadas sociedades. Acordo é geralmente alcançado em detrimento dos opositores ou dos recalcitrante que têm sido incapazes de expressar-se ou que têm sido silenciados. E o acordo conquistado em um dado momento pode muito bem não ter validade num future próximo quando as circunstâncias mudarem. Acordo é raramente desejável. Democracia não é um aparelho. Não é algo que se copie; não é apenas uma questão de alguns procedimentos. É algo mais profundo que precisa se manifestar do íntimo da sociedade”.58

Seguem o mesmo pensamento Callon, Lascoumes e Barthe (2001), dizendo que o consenso pode, em muitas situações, mascarar relações de dominação e exclusão59. Em

acréscimo, postula Amartya Sem (2003) que a liberdade, entendida apenas e somente na circunferência da democracia, tem de ser resultado de um processo participativo, largamente aberto, esclarecido, que envolve apostar nas competências educacionais básicas, na formação e internalização do conceito de cidadania no indivíduo, numa política de expansão maciça da educação.60 A Democracia não será producente, não

demonstrará pragmatismo, partindo da resolução de um acordo entre alguns interesses – e excluindo os demais –, de maneira verticalizada. A política, segundo Callon, Lascoumes e Barthe (2001), é a arte de lidar com desacordos, conflitos e oposições; a paz social,

57LE PRESTE, Philippe (trad. Jacob Gorender). Ecopolítca internacional. 2.ed. São Paulo: Senac São Paulo,

2005, p. 33

58 No original: “the achievement of a half-hearted consensus (…) is the worst objective we could have in

our complicated societies. (…) Agreement is often reached to the detriment of opponents or the recalcitrant who have been unable to express themselves or who have been silenced. And then agreement reached at a given moment may very well no longer be valid a bit later when the circumstances have changed. Agreement is only rarely desirable! (…) Democracy is not a gadget. It is not something you copy; it is not just a matter of a few procedures. It is something deeper that must seize hold of the social body at its very core”.CALLON, Michel. LASCOMES, Pierre. BARTHE, Yannick. Acting in na uncertain world. Library of Congress, 2009, pp. 4-5

59 Idem, p. 4

60 SEN, Amartya. O desenvolvimento como liberdade. Gradiva, 2003, p. 19, apud GARCIA, Maria, op.

teleologia que a estrutura estatal deve oferecer aos sistemas sociais, só pode advir da existência e da resolução desses embates e, até certo ponto, não encorajar os interesses conflitantes, dizem, pode impedir que também desses embates caminhos até então imprevistos desenhem novas estruturas que respondam as necessidades da coletividade61.

Bucci (2013, p. 89), referenciando uma construção metodológica de democracia a partir de Sartori62, descreve que o autor propõe que a ressignificação do conceito de

democracia na modernidade transpassa pelos componentes processual e material. Processualmente, diz a autora, a democracia seria o “governo pela discussão”. A salvaguarda dos interesses das minorias por parte dos governos consagra o não só a existência como a importância do dissenso e a diversidade, e desdobra-se no estabelecimento de termos e forma que essas discussões tomam no âmbito do poder e da sociedade, o que Dahl63chamou de “metarregra” da democracia, ou dito de outra maneira,

“a capacidade dos cidadãos em exercer o controle do planejamento das decisões do governo, ou decidir sobre o que o governo vai decidir, designado por controle da agenda governamental”. No outro lado, o aspecto substantivo da democracia tange a construção de um sistema de direitos, verticalmente derivada da linha constitucional, recoberta pelos princípios de igualdade e liberdade como lastro ético primário do Estado a sua sociedade (Bucci, 2013, p. 96).

Em países onde as raízes democráticas são profundas e consolidadas, a chamada macropolítica, aquela em que o Estado tem determinado em seu ordenamento as diretrizes básicas das políticas de Estado, essa “grande política” desce ao plano dos mecanismos de funcionamento efetivo e operacional do Estado e do governo. O ponto de discussão centra-se, por esse raciocínio, em como reorganizar o exercício do poder político, fazendo do governo um ente político capaz de refletir as diretrizes do plano macroinstitucional,

61CALLON, Michel. LASCOMES, Pierre. BARTHE, Yannick, op. cit., p. 6. Faz-se nota à observação

sociológica de Maurice Duverger, citado por Le Prestre, a respeito da ambivalente noção de política, segundo o qual reflete duas tradições, a saber, ser simultaneamente uma luta setorial de indivíduos e grupos pelo poder decisões, pela manifestação e defesa de seus interesses, e uma inflexão de caráter mais generalizador para construir uma ordem social visando o bem de todos. LE PRESTRE, Philippe, op. cit., p. 19.

62 SARTORI, Giovanni. A teoria da democracia revisitada. As questões clássicas. São Paulo: Ática, 1994,

v. 2, p. 46, apud BUCCI, Maria Paula Dallari. Fundamentos para uma teoria jurídica das políticas públicas. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013, p. 89

63 DAHL, Robert (trad. Beatriz Sidou). Sobre a democracia. Brasília: Ed. UnB, 2001, p. 107, apud BUCCI,

Maria Paula Dallari. Fundamentos para uma teoria jurídica das políticas públicas. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013, p. 96

espaço típico do Estado, para o plano de gestão microinstitucional, cuja unidade são as ações governamentais (Bucci, 2013, p. 99).

Advém dessa ordem de microinstitucional, baseada nas unidades efetivas da ação pública, a noção de governança, referindo-se à gestão dos vários interesses sociais (alicerçados nas políticas de Estado), numa estrutura institucional descentralizada na prática, com múltiplos centros decisórios, formando um conjunto de organizações gerais e setoriais não orientado por hierarquia, mas por competências e funções juridicamente definidas, e com procedimentos específicos e dinâmicos à realidade em que é inserida.

Essa via doutrinária de ação política remete a uma série de preocupações, a citar àquelas relacionadas à estrutura organizacional e a coordenação das ações e, a qual implica o diálogo e cooperação entre as entidades institucionais, bem como entre seus agentes, sem olvidar na coerência decisória como resultado dessa coordenação institucional agregada à efetividade do princípio da legalidade.

Diante do exposto, resta a convicção de que a solução definitiva reside essencialmente numa tomada de consciência dos indivíduos - os quais, por sua vez, pressionarão as autoridades - pressupõe sim um acordo sobre a definição dos problemas e das soluções apropriadas, bem como uma ligação automática entre tomada de consciência, mobilização e resultados64. Mas essa postura, do particular para o geral, para

o coletivo, há de ser conduzida de forma ampla em suas postulações, e mesmo se sabendo que não serão atendidas a todas as requisições de todos os atores envolvidos. Evidencia- se que o princípio democrático que se pretende deve ofertar voz a todos os grupos (mas não passa por atender todos os polos), como uma aplicação dos princípios de informação e de publicidade, basilares de um Estado Democrático de Direito.

64 LE PRESTRE, Philippe, (trad. Jacob Gorender). Ecopolítca internacional. 2.ed. São Paulo: Senac São

2.5. A estrutura do Estado e seus objetivos ambientais no direito interno:

Benzer Belgeler