2.4 GüneĢ Konum Algoritmaları ve Programları
2.4.3 Literatürde Yer Alan GüneĢ Konum Programları ve Algoritmaları
A escassez de farinha de mandioca ocorria frente à necessidade de socorrer a milícia baiana, mas, também e principalmente, às regiões produtoras de açúcar. Por isso, as Vilas de Boipepa, Cairú e Camamu eram especializadas na produção de farinha de mandioca com a função de fornecê-la às regiões produtoras.
Devido à expansão do número de engenhos58na segunda metade do século XVII, as referidas Vilas começaram a ser utilizadas como produtoras de açúcar. Na visão da Coroa, certamente, aclarada pela aristocracia de Salvador, implicaria negativamente na produção, pois, com a dificuldade de se encontrar mantimentos e o abandono das Vilas à produção de farinha, não haveria outro meio de encontrar o produto. Nesse sentido, observe esta portaria de 1673:
Por carta de 30 de janeiro deste anno, que o Senado da Camara desta cidade acompanhou de um requerimento que lhe fez o Juiz do Povo e misteres, me representou o grande inconveniente, que havia nessas Villas se edificarem engenhos de fazer assucar, sendo ellas o único sustento desta praça, e
58 Há a referência documental de que estava faltando alimentos e madeira para a produção de açúcar. O número
de engenhos em torno de Salvador aumentou nesse momento que caracterizamos por crise. Pode parecer ambígua esse aumento, no entanto, não podemos classificar quais tipos de engenho produzidos, se grande ou pequenos. Ademais, havia a portaria que dava 10 anos de isenção de impostos quando se erigia um. Em dificuldades, certamente, os grandes engenhos eram desfabricados para dar lugar aos pequenos.
podendo elles ser ruína dos da Bahia, e da conservação deste povo por todas as razões que são notórias. E por (que) as acho mui justificadas, e de nenhuma maneira convem se fabriquem, ou reedifiquem engenhos, nem plantem cannaviais e se divirtam as fabricas da lavoura que ahi costumam ter em prejuizo publico, e dano tão conhecido do serviço de Sua Alteza me pareceu ordenar a Vossas Mercês (como por esta faço) que nessa Villa não consin(tam) que pessoa alguma de qualquer qualidade, estado, foro ou condição que seja plantem canaviaes, ou fabriquem engenho, e em virtude desta lh‘o prohiba essa Camara59
A Coroa determina que as Vilas deveriam apenas fornecer farinha e deixar para o Recôncavo a função de produtora de açúcar. Embora, exista um discurso de miséria, de fome, de baixa nos preços do açúcar, não conseguimos explicar historicamente o porquê de haver um aumento no interesse pela produção do produto, a ponto de se deixar de lado a produção de mandioca e querer produzir um produto que cada vez mais caia de preço. Seriam os incentivos da Coroa à sua produção? Estariam as regiões do Recôncavo se esgotando ambientalmente?
Mas, a verdade é que as Vilas eram o principal meio de sustentação do Recôncavo, por isso a preocupação da Câmara e da Coroa com o não abandono da fabricação de farinha de mandioca. Quando se necessitava de uma grande quantidade do produto para amparar um grande número de pessoas, eram às Vilas que se faziam os pedidos. Vários foram os momentos que isso aconteceu, como quando da entrada dos paulistas em 1673 no Recôncavo, com um número elevado de Índios aprisionados:
É grandíssima a falta que há de mantimentos, e hoje muito apertada com o sustento da gente de São Paulo que no primeiro desta entrou nessa praça victoriosa com 750 prisioneiros, havendo captivado mais de 1.500 que pelo caminho morreram de uma quasi peste; com o que ficaram extintas as Aldeias dos Barbaros de que que principalmente no Reconcavo o maior prejuízo (...) Na terra não ha mantimento algum para o povo, e o presídio padece a mesma falta e dá-me grande cuidado a gente da Conquista, cujo sustento é tão preciso enquanto aqui se detem, e muito mais o que hão de levar para jornada60.
A documentação que tivemos contato esteve sempre relacionada com o fornecimento de grande quantidade de farinha a Salvador, como para socorrer a milícia e os índios capturados pelos paulistas, mas a importância da região se encontra muito além dessas medidas voltadas para necessidades imediatas. As Vilas eram o mercado de alimentos para os baianos. Percebe-se isso em alguns documentos que mostram as características do transporte.
59 (DHBN, Portarias e cartas dos Governadores Gerais. 1670 – 1678, 1929, p. 349-350). 60 (DHBNRJ, Portarias e cartas dos Governadores Gerais. 1670 – 1678, 1929, p. 345)
Como a criação de uma rota para o transporte da farinha de mandioca, tentando inibir as dificuldades em momentos de clima instável:
Para facilitar por todos os meios a condução das farinhas para a conquista mando o Capitão Antonio Affonso Vidal a reconhecer o Rio de Paraguaçú do porto das Piranhas para baixo, e dois Cabos dalli para cima, conco ou seis dias. E para se evitar a impossibilidade que os carros têm para passar o Rio, vae o Capitão de Hinojosa para abrir deste curral do Bravo até donde o Capitão Antonio Affonso achar que pode ser navegável e a elle lhe ordeno, que tanto que averiguar com certeza que passar canoa até as Piranhas, ou das piranhas para cima avise logo V. Mercê61
Todavia, na década de 80, as Vilas já não conseguiam se responsabilizar sozinhas pelo fornecimento, aumento da população do Recôncavo ou abandono da produção? Em 1686, por exemplo, no auge dos problemas relacionados a Salvador se estipulou que cada morador do Recôncavo deveria plantar 500 covas de mandioca. A plantação, provavelmente, esteja relacionada com o abandono (ou diminuição) do cultivo de mandioca nas Vilas. Há evidências de que os farinheiros passaram a cobrar preços altos pelo produto frente às fomes, o que nos faz concluir que não era por falta de demanda.
Honrado Marquês, amigo. Eu o El-Rei vos envio muito saldar, como àquele que prezo. Os oficiais da Câmara dessa cidade da Bahia me escreveram a carta, cuja cópia com esta se vos remete acerca de se poder remediar a falta de farinha que se padecia nessa cidade (por a maior parte dela vir das vilas do Camamú) com se obrigar aos moradores do recôncavo da Bahia a que todos plantem cada ano as quinhentas covas de mandioca por escravo que tiverem de serviço e particularmente os que lavram açúcar e canas que possuem terras e os que plantam tabaco a dez léguas ao redor da cidade62.
A fonte principal de calorias dos baianos era advinda dos carboidratos da farinha de mandioca (o ―pão do Brasil‖) e da proteína e lipídios da carne bovina, além do leite que certamente também compunha a mesa no Recôncavo, embora não tenhamos encontrado muitas referências nesse sentido.