Inicialmente, é preciso reconhecer a importância do ambiente construído para a eficácia do processo educativo. A ambiência escolar deve não apenas atender a função, mas permitir a fruição de seus espaços, oferecendo ambientes confortáveis, sadios, seguros, acolhedores, estimulantes, convidativos, interativos e propícios às relações interpessoais.
Conforme destaca Paes e Bastos (2014), é preocupante a quantidade de escolas brasileiras (públicas ou privadas) que não oferecem as mínimas condições físicas para que ali sejam realizadas as atividades básicas a que se propõem, além de ser alarmante o estado físico de grande parte das escolas públicas. A conservação destes espaços é precária, muitas vezes somando-se a este problema a falta de qualidade do projeto e da execução da obra. Os autores observam que são condições extremamente prejudiciais para o processo de ensino-aprendizagem na escola: cores inadequadas ou a falta de pintura nas paredes, má iluminação, excesso de frio ou calor, má ventilação, má qualidade do ar, ruídos e ambientes improvisados.
Por sua importância, a busca pela qualidade ambiental na edificação escolar vem se tornando objeto de estudos frequentes. No âmbito internacional pode-se destacar as publicações do
Colaborative for High Performance Schools10(CHPS, 2006). O CHPS (2006, v.1) qualifica uma
escola “de alto desempenho” como aquela que emprega as melhores estratégias de projeto e tecnologias de construção da atualidade, de forma que ofereça ambientes saudáveis e confortáveis; utilize racionalmente os recursos, incluindo energia e água; funcione como uma ferramenta de ensino; ofereça espaços e serviços à comunidade; tenha funcionalidade e facilidade de manutenção; estabeleça uma atmosfera educacional segura e protegida.
Para Alvares e Kowaltowski (2013), o edifício escolar tem um importante papel no processo educativo de crianças e jovens, pelo simples fato de abrigar, entre seus limites, atividades pedagógicas e de socialização direcionadas a promover a formação de cidadãos. O período da existência humana de um indivíduo dedicado ao processo de aprendizagem é grande, abrangendo desde os primeiros anos de vida até a fase adulta. Por esse motivo, proporcionar ambientes com qualidade, conforto e segurança para os usuários desse espaço é contribuir positivamente para o aprendizado dos alunos e o trabalho dos professores e funcionários.
Mueller (2007) acrescenta ainda que o estado físico das escolas públicas é alarmante, principalmente nos países em desenvolvimento como o Brasil. A conservação desses espaços é precária, e soma-se a esse problema a qualidade do projeto arquitetônico e da execução da construção. Hoje se pode ainda adicionar a esta afirmativa a própria falta de manutenção dos edifícios existentes.
Sem necessitar maiores aprofundamentos no assunto, sabe-se que as cores ou a falta de pinturas nas paredes, a má iluminação, o excesso de frio ou calor, a má ventilação, as trepidações, os ruídos e os ambientes escolares improvisados são condições extremamente prejudiciais para o processo de ensino-aprendizagem. Isso porque a qualidade do ar interno é essencial para a saúde dos usuários; a iluminação natural é essencial na leitura e na escrita para a melhor absorção do aprendizado; a temperatura do ar, a umidade relativa do ar e os níveis de ruído são essenciais na concentração e no desenvolvimento da imaginação e da criatividade.
Kowaltowski e Deliberador (2011) também afirmam que muitos estudos demonstram a direta relação entre a qualidade do espaço físico e o desempenho acadêmico de alunos. O desempenho dos alunos pode ser relacionado a muitos fatores, que incluem as questões socioeconômicas dos estudantes, a idade da edificação, os métodos de ensino, o currículo, os materiais didáticos e a infraestrutura disponível na escola. Outros estudos relacionam aprendizagem aos fatores como: as condições internas e a qualidade do ar, a temperatura e a umidade relativa do ar interno, a ventilação e iluminação e acústica de salas de aula. As condições espaciais também qualificam as relações estabelecidas, pois o que se busca desenvolver no ambiente escolar são energia se reuniram com a intenção de encontrar a melhor forma de promover o alto desempenho nas escolas. Esta par- ceria foi aos poucos recebendo novas adesões e hoje, como uma organização sem fins lucrativos, oferece: autocertifica- ção e programa de reconhecimento; treinamento para profissionais de projeto; manual prático; e orientação quanto a re- cursos (materiais e serviços) com alto desempenho.
relações interpessoais, responsáveis pela construção de vínculos sociais e culturais marcantes e que podem ser facilitados ou não pela configuração espacial.
Promover a educação requer a garantia de um ambiente com condições para que a aprendizagem possa ocorrer. É importante proporcionar um ambiente físico, aqui denominado infraestrutura escolar, que estimule e viabilize o aprendizado, além de favorecer as interações humanas.
O pressuposto é o de que quanto melhor a infraestrutura escolar, melhor será o ambiente de estudo, o que favorecerá o desempenho discente. Neste respeito, Sátyro e Soares (2007, p. 3) destacam que “a infraestrutura escolar pode exercer influência significativa sobre a qualidade da educação,” sendo necessário conhecer melhor a condição atual das escolas do país.
Recentemente, Soares Neto et al. (2013) construíram uma escala, com a criação de níveis, para medir a infraestrutura das escolas no Brasil (Quadro 2.6). Essa escala de infraestrutura possibilita análises relevantes da realidade das escolas brasileiras de forma simples, possibilitando o planejamento de políticas públicas para a melhoria da educação do país.
Quadro 2.6 – Escala de infraestrutura das escolas
Elementar Aquelas que possuíam aspectos elementares
para o funcionamento (água, sanitário, energia, esgoto e cozinha)
Básico Acrescido aos itens presentes no nível anterior,
as escolas aqui possuíam sala de diretoria e equipamentos (TV, DVD, computadores e impressora)
Adequado As unidades escolares possuíam infraestrutura,
possibilitando um ambiente mais propício para o ensino e aprendizagem (espaços como sala de professores, biblioteca, laboratório de informática, sanitário para Educação Infantil, quadra esportiva, parque infantil, copiadora e acesso à internet)
Avançado os estabelecimentos possuíam uma IE mais
próxima do ideal, contando com laboratórios de ciências e dependências adequadas para atender estudantes com necessidades especiais.
Fonte: SOARES NETO et al., 2013
Neste cenário, o maior número de escolas estava localizado no nível Elementar nas regiões Norte (71%) e Nordeste (65,1%). O Sudeste contava com 22,7% neste plano, 57% no Básico, 19,8% no Adequando e 0,5% no Avançado. As escolas federais apresentaram os melhores resultados (62,5% nos níveis Adequado e Avançado). Das estaduais, 51,3% estavam na categoria Básica e 61,8% das municipais na categoria Elementar.
estavam situadas no nível Elementar ou Básico (45% nível Elementar, 86.739; 40% no Básico, 78.047). O estudo mostrou também que somente 14,9% das escolas se encontravam no plano Adequado (29.026) e 0,6% no Avançado (1.120). Esses dados contribuíram para revelar o cenário empobrecido da realidade brasileira em relação à infraestrutura.
Numa pesquisa realizada por Borges (2011) com alunos e professores das Universidades Federais do Triangulo Mineiro sobre a expansão universitária realizada pelo projeto REUNI, a falta de planejamento quanto à infraestrutura aparece como um dos pontos fracos mais apontados, “faltam salas de aula, mobiliário, biblioteca, laboratórios, recursos audiovisuais, dentre outros. Essa carência de recursos, sem dúvida, afeta a qualidade do trabalho docente e, consequentemente, da qualidade de ensino”.
Marques, Pereira e Alves (2010) já ressaltavam que a formação dos profissionais nas IES é percebida pelas condições proporcionadas pela infraestrutura. Sendo assim, as condições neste aspecto podem facilitar ou dificultar o desenvolvimento do estudante universitário. Quando se fala de universidades públicas, a infraestrutura acaba tendo um grande destaque, devido ao sucateamento vivido por elas, principalmente no que se refere às suas condições físicas, que geram obstáculos para o bom andamento das atividades acadêmicas. O sucateamento da infraestrutura das instituições públicas provém de reformas insuficientes, instalações antigas, entre outros.
No Brasil, os indicadores do ensino público tem sido objeto de muitas discussões em razão dos resultados negativos obtidos pelos alunos em avaliações. Dada a importância da educação para a sociedade e seu desenvolvimento, observa-se a necessidade de uma atuação multidisciplinar que vislumbre a melhoria da qualidade de ensino de forma geral. Há muitas propostas nesse sentido e estas devem incluir um olhar atento à complexa relação entre a qualidade do espaço físico e o desempenho acadêmico dos alunos (KOWALTOWSKI, 2011).
Segundo Olanrewaju, Mohd e Arazi (2012), os edifícios fornecem valor não só para as universidades, mas também para os estudantes, membros do corpo docente, pais e outros usuários que o utilizam. Muitas pesquisas correlacionam o desempenho de edifícios de ensino e a qualidade de educação, tanto positiva quanto negativamente. Mas o autor lembra que os materiais e os componentes de uma construção têm sua vida útil bem definida que pode ser acelerada em função da forma de utilização de seus usuários e das intempéries.