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1. GENEL BİLGİLER

1.6. Literatür Araştırması

Após alguns anos de pouca correspondência e a ida de Luiz Heitor para dirigir a Divisão de Música da Unesco, se separaram os amigos temporariamente. Nos anos 50, Lange tenta a continuidade de seus projetos de pesquisa da música brasileira. Para isso, verifica de que forma se abriria espaço de trabalho com o apoio do órgão internacional. Em 1956, o Governo do Brasil oficializou o pedido do envio de Lange, na função de perito da Unesco, em missão ao país, para pesquisas em bibliotecas e arquivos, no propósito de preservar o acervo histórico musical nacional com a sua reprodução para a Biblioteca Nacional. Com este pedido feito à Unesco, deflagrou-se um processo interinstitucional, que durou pouco mais de dois anos. Com a ajuda conjunta de Luiz Heitor e do Governo Brasileiro, Lange consegue recursos da UNESCO, para continuar sua investigação na música do Brasil, nos anos de 1958, 1959 e 1960. Sua intenção era ficar definitivamente como funcionário do Órgão, mas não houve êxito.

As investigações e descobertas sobre a música brasileira iniciadas em 1944 e aprofundadas na década seguinte, ocasionaram certo desconforto de alguns historiadores brasileiros que até então alegavam em suas publicações a inexistência de atividade musical de importância antes do século XIX. Exemplo disso, Mário de Andrade em seu livro Pequena História da Música (1980:165), editado pela primeira vez em 1944, no qual escreve que “a primeira manifestação elevada da criação brasileira (...) foi o Padre José Maurício”. Outras personalidades de grande prestígio no meio musical, como Renato

Almeida137 e Andrade Muricy foram profundos questionadores das descobertas de Lange. E deflagraram um movimento, em jornais e na massa intelectual no Rio, contrário à imagem do musicólogo, levantando dúvidas e desconfianças sobre a veracidade dos fatos históricos relatados. Esse percalço perdurou décadas, limitando em muito as relações de Lange com os intelectuais daquela geração no Rio de Janeiro. Em carta138 a Luiz Heitor, datada de 25 de outubro de 1959, relata que foi surpreendido em entrevista a um repórter de “O Cruzeiro”, com uma indagação de que ele (Lange) estaria escondendo a música de Minas Gerais. Esclarece que sob muito sacrifício recuperou esse acervo e que já ofereceu por duas vezes a sua publicação ao Governo brasileiro sem ter resposta. Expõe que a lei brasileira (naquela época) no seu código civil lhe garante a restauração e a citação de seu nome nas gravações pertinentes. Informa também, ter sido caluniado, chamado de mentiroso e posto em intrigas das quais participam Andrade Muricy e seus amigos da imprensa carioca.

Os problemas de relacionamento o envolveram em outros impasses na sua vida. Lange, de personalidade forte e aguerrida, sempre colocou suas idéias sem muita preocupação de preservar as relações profissionais. Mas o que realmente trouxe equilíbrio a isto, foi o fato de ser ele um extraordinário pesquisador e que, nesse período junto à missão da Unesco, consolidou os avanços na História da Música Brasileira.

O que mexeu com os intelectuais da música do RJ foi o “incômodo” de retirar a exclusividade do José Maurício Nunes Garcia. Lange descobriu obras

137 Publicou vários livros sobre música no Brasil: "História da Música Brasileira" (1926/RJ); "Compêndio de História da Música Brasileira" (1948/RJ);

contemporâneas ao padre José Maurício, compostas em outra região geográfico-cultural que era Minas Gerais. Quem recuou na pesquisa as datas em cerca de 20, 40 e 50 anos antes, em matéria de composição musical e apresentou-as no Brasil publicamente, foi apenas o musicólogo Régis Duprat com o Recitativo e Aria de compositor anônimo da Bahia (de 1759, em 1960), e depois dos compositores do grupo de Mogi das Cruzes, São Paulo, da década de 1730, em 1984 (Duprat, 1985).

Não devemos deixar de registrar que o personagem mais importante que apoiou Lange nos trabalhos de pesquisa da nossa música foi Luiz Heitor. O seu apoio possibilitou ao amigo voltar-se completamente para as investigações nos mananciais históricos da música brasileira, principalmente a de Minas Gerais. Luiz Heitor não só o apoiou, mas fez defesa sobre sua importância como pesquisador da música brasileira. Uma carta de Luiz Heitor à Andrade Muricy, de 22 de outubro de 1970139, relata seu posicionamento a respeito das descobertas de Lange:

... a sua obra em favor da reconstituição de uma parte do passado musical brasileiro, antes dos seus pacientes trabalhos, completamente ignorada, é digna de maior respeito. Ora, por culpa do lado desagradável desse personagem, esse respeito ele faltou, desde o início, desde que começou a preparação do sexto volume do Boletin Latino-Americano de Música. Há hoje uma montanha de mal-entendidos a qual um exército de bulldozers [escavadeiras] parece ser inútil.

Meu sentimento é que o estudo dos muitos escritos do Lange sobre esse período da nossa história musical, o conhecimento do fato que, em quase toda parte do mundo, a música desse tempo precisa ser reconstituída para poder ser executada, e de que no caso particular do Brasil falar em “autógrafos”, “manuscritos assinados pelo próprio compositor”, é coisa ilusória (um jovem sociólogo diria “alienador”...), podem levar, como me levaram, à comissão que, sob esse aspecto, digamos assim “científico”, a atitude do nosso homem é irreprochável.

Mas há o resto e, sobretudo, a falta de jeito, a cupidez e a falta de maleabilidade desse Chico de Montevidéu.

139 Missiva manuscrita que se refere a um processo sobre Francisco Curt Lange transitado no Conselho Federal de Cultura. Documento número: 1160232AA, da Seção de Música da Biblioteca Nacional-RJ.Anexo no final desse capítulo.

Nos anos que se seguem, pós os anos 60, toda a correspondência dos dois amigos se volta para suas práticas musicológicas de pesquisa e de ensino. Com caminhos de sucesso profissional e relacionamento internacional no mais alto nível, seus trabalhos se cruzam e intercambiam. Os laços de afeto e amizade estão evidentes nas cartas que são correspondidas até a sua interrupção com o desaparecimento de Luiz Heitor.

5.1.7 Encontros e desencontros americanistas: Luiz Heitor, Mario

Benzer Belgeler