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2. KAYNAK ARAŞTIRMASI

2.2. Literatür Özetleri

Foram publicadas oito das 22 cartas enviadas sobre o subtema Belo Horizonte, sendo seis de leitores e duas de leitoras. Através da tabela abaixo se pode comparar o número de matérias publicadas sobre o subtema, o número de cartas enviadas e o número de cartas publicadas. O que chama a atenção é o fato de que temas como dengue e patrimônio histórico, retratados, respectivamente, por meio de 14 e cinco matérias, atraíram apenas uma carta cada, sendo que o jornal não publicou nenhuma delas. Também ficaram de fora da coluna os subtemas abordados pelas cartas: limpeza urbana, Vila Acaba Mundo, obras no BH Shopping, centro de BH, imóveis e árvores. Já o trânsito no em torno da rodoviária, que aparece em três matérias, recebeu quatro cartas, sendo que três delas foram publicadas. A íntegra das cartas publicadas sobre Belo Horizonte se encontra no APÊNDICE D.

Tabela 24 - BH – Matérias X Cartas publicadas no Estado de Minas – fev./mar. 2009 Matérias Cartas Enviadas Cartas Publicadas

Rodoviária 3 4 3 Patrimônio Histórico 5 1 0 Bairro Castelo 2 2 0 Bandas Pré-Carnavalescas 2 2 1 Dengue 14 1 0 Limpeza Urbana 2 1 0

Vila Acaba Mundo 1 1 0

Temas Introduzidos pelos Leitores - 10 4

TOTAL GERAL 22 8

Fonte: Dados da pesquisa.

Observa-se que, através dessas cartas, o jornal deixou clara sua posição em relação à transferência do terminal rodoviário para a periferia da cidade a começar pelos títulos criados pelos editores: “TRÂNSITO - Nova rodoviária é uma questão de bom senso”; “RODOVIÁRIA - Novo terminal tem absoluta prioridade”; “RODOVIÁRIA - Usuários não merecem sofrimento tão grande”. Essa posição ficou ainda mais clara quando se detectou que o Estado de Minas publicou uma matéria sobre o novo terminal no dia 05 de março, intitulada “Nova Rodoviária - Lenga-lenga para definir local”, dias após o envio e a publicação das cartas. Duas entre as três cartas foram

modificadas pela edição no que se refere apenas à adequação às normas de redação do jornal, como, por exemplo, substituir a palavra “rodoviária” por “terminal” e “última sexta-feira” por “dia 20/02”. O sentido original das cartas não foi alterado.

No entanto, a carta publicada em 02 de março não apenas teve grande parte de seu texto excluído, como contou com acréscimos. Três frases que encerram a carta, apesar de manterem o sentido do texto original, foram adicionadas e ganharam um ingrediente a mais: convocar os administradores para dar uma solução ao caso com certa urgência. “O certo, a meu ver, seria construí-lo nos arredores da capital, numa das saídas da cidade, bem longe do Hipercentro. Mas, pelo andar da carruagem, vamos trocar seis por meia dúzia. Torçamos para que haja bom senso de nossos administradores na hora de definir de vez a área para abrigar a nossa nova estação rodoviária”.

Ao acrescentar também o ponto onde poderia ser construída a nova rodoviária e a distância dele em relação ao centro, os editores deixam claro suas preferências e recorrem ao lugar da quantidade: “no Bairro Calafate, Região Oeste da cidade, distante apenas 3,5 Km da Praça Rio Branco”. Chamou a atenção também o fato de o jornal ter utilizado a expressão “bom senso”, que encerra um valor, em duas cartas, sendo que em nenhuma ela consta do original: “TRÂNSITO - Nova rodoviária é uma questão de bom senso” e “Torçamos para que haja bom senso de nossos administradores na hora de definir de vez a área para abrigar a nossa nova estação rodoviária”.

Interferência semelhante encontra-se na carta sobre o sambódromo de Belo Horizonte. Recebeu como acréscimo uma frase que reforça a ideia do leitor. Segundo o leitor: “as autoridades municipais devem fazer um capeamento no Ribeirão Arrudas [...]. a edição acrescentou: “não há melhor local para construir o sambódromo da capital mineira”.

A edição da carta que protestava contra o bloco pré-carnavalesco também recebeu acréscimo no qual foi possível detectar a posição do jornal sobre o fato de escolher um local público, menos familiar, para a realização do evento, como a Praça da Estação, local sugerido pelo editor que não se encontra no texto original: “Que o grupo brinque e promova o que desejar em locais em que pode ser vigiado – em espaços como a Praça da Estação, no Centro da cidade – e não nas ruas do nosso tradicional Santo Antônio”.

A carta sobre o trânsito na Rua São Roque foi publicada sem modificações e a sobre os ataques a caixa eletrônico do Banco do Brasil sofreu interferências que não modificaram o sentido original do texto. Observa-se nesta última que foi no título, através da palavra DESCASO, que o jornal coloca seu ponto de vista em relação ao fato.

Na carta sobre o Cemitério da Saudade, a edição acrescentou que os velórios e sanitários são “uma vergonha”. Apelou também para valores, como a fragilidade das pessoas que o frequentam, ao dizer que “cemitérios abrigam restos mortais de nossos mortos, mas são as pessoas vivas que os visitam” e como elas passam lá “momentos ruins” em decorrência das próprias circunstâncias, o ambiente deveria ser ao menos confortável. O jornal coloca a responsabilidade da mudança dessa situação nas mãos do setor na prefeitura quando termina a carta acrescentando a frase: “Com a palavra a Regional Leste da Prefeitura de Belo Horizonte”.

Apenas a carta 3, que trata problemas de trânsito, não sofreu alterações para publicação. Abaixo tabela indicando a quantidade de palavras contidas na íntegra da carta, a quantidade de palavras removidas pela edição, a quantidade acrescentada e o número de palavras contidas no texto publicado. Chama a atenção a interferência feita nas cartas 1, 5 e 8. A carta 1, na qual uma moradora se queixa de exageros de um bloco carnavalesco, teve 51% das palavras de sua íntegra removidas e 44% das palavras do texto publicado foram acrescentadas pela edição. A carta 5, que trata da necessidade de se construir uma nova rodoviária em Belo Horizonte, teve 82% das palavras de sua íntegra removidas e 60% das palavras do texto publicado foram acrescentadas. Já a carta 8, que trata do cemitério da Saudade, teve 52% das palavras de sua íntegra removidas e 51% das palavras do texto publicado foram acrescentadas.

Tabela 25 - Número de palavras por carta – Belo Horizonte – fev./mar. 2009 Nº palavras na íntegra Removidas pela edição Acrescentadas pela edição Nº palavras publicadas Carta 1 274 141 108 241 Carta 2 196 8 4 192 Carta 3 141 0 0 141 Carta 4 80 5 15 90 Carta 5 417 343 114 188 Carta 6 189 7 2 184 Carta 7 101 8 8 101 Carta 8 150 79 76 147

Fonte: Dados da pesquisa.

Benzer Belgeler