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3.2. MATLAB ile Optimizasyon

3.2.1. MATLAB’ın Optimizasyon Fonksiyonları

3.2.1.1. Linprog Fonksiyonu

Ao tempo em que se realizava o Primeiro Congresso de Instrucção Primaria, os jornais noticiavam, não só o que ocorria no evento, mas também, o que acontecia pelos outros Estados do Brasil, especialmente em suas capitais, principalmente, na capital federal: a cidade do Rio de Janeiro. Além disso, as notícias também narravam os acontecimentos que estavam ocorrendo em outros países, da mesma forma que divulgavam os fatos relacionados ao interior do Estado de Minas Gerais e à capital Belo Horizonte. Neste último lugar, ganharam espaço nos jornais tanto as informações relativas às autoridades, quaisquer que fossem, como as coisas miúdas que aconteciam com grupos específicos, notícias policiais, ocorrências nos bairros. Não há dúvida de que a vida social se complexificava. Como conduzir o povo e para quê direção? Nesse quadro, a escola se coloca como um imperativo: é preciso que toda a infância esteja dentro da escola e se torne aluno. Por isso, ao buscar compreender como os congressistas pensaram a socialização da criança em outros espaços educativos, constatei que os textos consultados sobre isso silenciavam: é que se tratava de uma socialização negativa. Ou seja, do ponto de vista dos congressistas, estava excluída toda e qualquer possibilidade de socialização da criança fora do espaço escolar. Desse modo, as abordagens relativas ao tempo da criança nos espaços da família, do trabalho, da rua, apontam para a socialização que se quer combater e evitar. Assim, de um modo geral, tal como se apresentam, têm a função de mostrar/confirmar/reforçar a necessidade da escola, essa sim, detentora da legítima socialização positiva. Pretendo mostrar como, do ponto de vista dos congressistas, tais espaços ou ignoravam as coisas da pedagogia ou se constituíam ameaça ao processo de

escolarização da infância sob o ângulo da socialização.

Inicialmente, a família é considerada a maior colaboradora na obra da civilização que deve ser realizada pela escola. Uma das medidas tomadas para assegurar a sua participação, foi a criação das Associações de Mães de Familia. Instituídas no regulamento de ensino vigente, estavam ancoradas em argumentos bastante contundentes como, por exemplo, os seguintes:

O manancial mais puro das energias civicas e das virtudes moraes – é hoje verdade universalmente proclamada – brota da educação do lar pela palavra materna.

É na alma da infancia, aberta á impressão de todas as imagens de belleza, que se instillam e gravam os preceitos basicos da moral social, e é nessa phase dilucular [sic] da vida que se lançam as sementes fecundas das grandes acções futuras, dos feitos immarcesciveis [sic], dos rasgos santificados de heroismo e de bondade.

Por outro lado, é na obediencia á doce autoridade das mães e nos conselhos constantemente derramados do seu coração, que os homens aprendem o culto da lei, para respeitar e obedecer aos seus verdadeiros representantes.630

Tais associações, criadas com a finalidade de promover ou inspeccionar o ensino, em cada localidade em que fosse criada, são referenciadas no Congresso como uma medida que não surtiu seus efeitos, assim como os Conselhos escolares.631 Quanto a isso, a tese relatada por Nephtali de Melo concluiu: – 1.ª) As actuaes instituições: conselhos escolares e associações

de Mãe de Familia não prestam ainda serviços que possam justificar a sua creação; 2.ª) – Convém que continuem ellas com a organização actual, levando-lhes, porém, o governo um estimulo, que impulsione o seu alevantamento.632 O aspecto mais significativo da ação da família junto à escola foi o abordado por José Augusto Lopes, em seu relatório. Segundo ele

Indispensavel se torna o preparo da familia para que ella collabore com o professor, numa acção conjuncta, em beneficio da formação do cidadão e da mãe de familia de amanhã, e sejam compensados os elevados encargos que pesam sobre os governos bem intencionados.

...

Para isto é mister o trabalho da familia, mas, si essa desconhece o que seja a escola moderna? Como obviar então esse inconveniente? Por meio de conferencias de vulgarização pedagogica, por meio de artigos vulgarizados pelos professores e por meio da palavra do clero. Sou por isso.633

Durante os debates, pode-se constatar a referência a dois tipos de família. Uma, a família da qual se deseja a colaboração, que já prepara as bases para a educação escolar, cujo ambiente é o contexto de experiencias em que a criança vive e que se pretende presentificar na escola. Ou seja, a família “estruturada”, com condições sócio-econômicas favoráveis e uma cultura que se aproxima da que a escola pretende transmitir. Outra, a família pobre, cujos pais exploram os filhos e não conseguem disciplinar suas crianças. Com relação a ambas, a escola se coloca como a portadora do saber, conhecimento e experiência necessários à educação da criança e, principalmente, à sua socialização.

630 Revista do Ensino, n. 2, 14-4-1925, p. 33. Por que o Estado busca a ajuda das mães de família no processo de escolarização, num momento em que, em Minas Gerais se verifica uma expansão significativa do ensino primário, através da criação de muitas escolas primárias? O MG 4-09-1926, p. 6, publicou uma circular sob o titulo – O que devem fazer as Associações de Mães de Familia – em que detalha a forma de organização e o trabalho a ser feito por essa associação.

631 O último relatório de Mello Vianna, enviado ao Congresso do Legislativo, como presidente, ao final de seu mandato em 1926, traz uma extensa relação de cidades que teriam criado as Associações de Mães de Familia. 632 Conclusão (IAE 2) – Nephtali Gonzaga de Melo – MG 18-05-1927, p. 07.

No que diz respeito ao trabalho, a grande questão discutida no Congresso, foi o trabalho infantil. As intervenções/denúncias feitas por José Augusto Lopes apontam para esse problema. Ele demonstra sua indignação

De dó, de pesar, pela sorte de centenas de creanças analphabetas, pequeninas, que vivem submettidas aos rigores de um trabalho penoso, muitas vezes, nas fabricas, mal alimentadas, pessimamente agasalhadas, exploradas pela ganancia de paes sem alma, nem caridade, e ainda ayrannizadas pelos horrores dos serões, obrigatorios, ameaçadas de perderem o emprego do dia – si a este faltarem [destaque do autor]! ...

De revolta, de indignação tambem, pela torpe exploração de individuos que se dizem paes, porém, na verdade, sem o bello sentimento de amor á familia, que só querem, no fim do mez, receber o salario extorquido a um organismo debil, do qual muito se exige e tudo se nega! Contristado com o sacrificio de centenas de creanças a que os paes submettem ao martyrio de um trabalho acima de suas forças e aos quaes se nega conforto e instrucção!

...

Imaginae: uma creança, quando precisa desenvolver-se, quando o seu physico pede um pouco de hygiene – dá-se-lhe trabalho acima de suas forças e, ainda mais, á noite! Quando o organismo precisa e pede descanso, impõe-se-lhe acção... qual o resultado? A tuberculose a minar os debeis organismos e a cegueira intellectual a crear o descredito dos povos.634

Após sua exposição, o congressista apresenta a seguinte Indicação, que é aprovada por todos:

Representar o governo, para que este peça ao poder competente legislar sobre o seguinte, ou cumprir leis que por ventura existam:

a) prohibido terminantemente o trabalho de creanças de 7 a 14 annos em serões, isto é, serviço á noite, creando penalidades severas para os transgressores;

b) só permitir nas fabricas ou empresas, creanças que apresentem o certificado de conclusão do curso primario em escola isolada ou em grupo; ou attestado de frequencia em grupo ou escola nocturna.635

A questão dos menores moralmente abandonados e os deliquentes não foi objeto de discussão entre os congressistas. O Minas Geraes traz a notícia da inauguração da Escola de

Regeneração, no dia 3 de setembro de 1926. Segundo o artigo, construido nas proximidades

da Capital, o novo instituto é destinado a abrigar os menores abandonados, ao mesmo tempo que, em secção própria, visa regenerar pelo trabalho, pela instrucção e pela educação os menores pervertidos e delinqüentes.636 Ocorre que essa infância não estava sob a “jurisdição” da Secretaria do Interior e sim, da Secretaria da Assistência Pública. Daí, provavelmente, sua omissão nas teses que orientaram as discussões do Primeiro Congresso de Instrucção

634 Indicação – José Augusto Lopes – MG 15-05-1927, p. 10. 635 Indicação – José Augusto Lopes – MG 15-05-1927, p. 10. 636 MG 03-09-1926, p. 8.

Primaria.637

Por fim, a questão das ruas. O Diario de Minas e o Correio Mineiro, em especial este último, descrevem diversas situações alusivas a essa questão. Sob o título Meninos vagabundos da

Floresta, um dos jornais divulga:

Perambula pela Floresta uma grande malta de meninos vagabundos. Durante o dia aquelle bairro não é policiado, razão porque os garotos tiram dessa ausencia policial um grande proveito.

Na rua Itajubá, immediações do Cinema Floresta, é o quartel general dos pequenos vagabundos. Todos os dias há apedrejamento, brigas e o diabo.

Hontem á tarde, a meninada apedrejou o estabelecimento commercial do sr. Antonio Alves Nogueira, quebrando garrafas, copos, etc.

É preciso uma energica providencia por parte da policia, porque os meninos vagabundos da Floresta estão se tornando intoleráveis.638

Outros fatos, envolvendo situações de apedrejamento, provocações entre crianças vizinhas, fatos envolvendo moleques mal educados e perigosos do Prado Mineiro, meninos

endiabrados, são narrados pelo Correio Mineiro. Entretanto, chama atenção um fato descrito sob o título Por causa de uma travessura de um menor e que trouxe o seguinte subtítulo O

conductor saltou e sua garrucha disparou. Essa é uma narrativa que faz referência a um costume dos menores da capital não só entre os molequinhos de pé no chão, sem familia e

sem lar, como tambem entre os ‘molequinhos’ de familia distincta, um costume perigosissimo: pegar bonde em movimento, por brincadeira [destaque do jornal].639 Ou seja, se a rua é o lugar dos moleques, nessa classe ficam enquadrados tanto os meninos pobres quanto os ricos. Ou seja, a rua pode ser um lugar de forte atração para as crianças em seu tempo de infância.

Durante do Congresso, a abordagem relativa às ruas, de um modo geral, é articulada ao tema da infrequência. Para os congressistas que se pronunciaram, sem exceção, a rua é o lugar da deseducação, não é o lugar para as crianças estarem. Nesse sentido, o relatório de Margarida Praxedes é contundente:

637 No dia 03-06-1927, o Minas Geraes irá publicar o Decreto n. 7.680, relativo ao Código de Assistência a Menores.

638 CM 11-05-1927, p. 2. 639 CM 25-05-1927, p. 2.

A creança, entregue a si propria, assiste a scenas deprimentes; escuta conversações indignas; toma parte em discussões improprias de sua edade, em divertimentos condemnaveis; fica em contacto com o vicio; apprende maus costumes, perde a innocencia; resiste ás ordens, aos conselhos dos paes; segue as proprias inclinações, que, muitas vezes, são perversas. E, assim, desconhece o respeito devido aos mestres e aos collegas e não se submette com docilidade ao regimen escolar.

...

Na escola, o mestre procura educar a alma da creança, com exemplos de bondade, de justiça, de tolerancia, por meio de conselhos amigos em que se expoem as vantagens de saber viver e a obrigação de limitar a propria liberdade pela liberdade de seus semelhantes e pelo respeito aos direitos de outrem. Mas, na rua, perde a creança quasi toda a noção do que apprendeu na escola.640

Como afirmei no início, tal como são referenciados no Congresso de IP, a família (aquela que é desestruturada), o trabalho (que explora o menor) e a rua (que perverte) não são os lugares a adequados para a socialização das crianças. Algumas medidas são apresentadas para melhorar as condições educacionais oferecidas pela família (palestras) e para o trabalho (proibir os menores nos serões). Entretanto, para a rua, aparentemente, não há solução... Até que o Regulamento do Ensino Primário, em outubro de 1927, recomende/determine às professoras que saiam para fora do espaço da escola, em excursões, com seus bandos de crianças...

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os dez dias nos quais o Primeiro Congresso de Instrucção Primaria foi realizado podem não ter abalado Minas Gerais, no sentido de produzir profundas alterações na organização do Estado, provavelmente, nem mesmo, alterações menos substantivas. Entretanto, sem dúvida, constituíram um tempo/lugar privilegiado à visibilidade das figuras de seus representantes máximos que estiveram presentes, nos momentos em que houve maior concentração de congressistas, conforme as referências e imagens que deles fizeram os jornais. Segundo as palavras do próprio presidente Antonio Carlos, esse Congresso havia sido o primeiro dentre outros que promoveria durante sua gestão. Como um repertório de ação política, o evento foi montado em dois salões identificados com a república: o salão nobre da Câmara dos Deputados e os palácios construídos para ministrar a moderna educação. Nesses salões, os ritos estiveram alinhados a vínculos distintos: no primeiro, as “etiquetas políticas” do legislativo adotadas como um simulacro; no segundo, as “técnicas pedagógicas” de produção dos deslumbramentos. Nesses dias, política e educação se aliaram e se estranharam. E, em torno da infância, que também atraiu para si os interesses da medicina, disputaram a prerrogativa de se constituírem a autoridade legítima na definição dos rumos do ensino primário, de decidirem sobre a formação das crianças.

Após minha aproximação do Congresso, a partir da documentação que o relata, pergunto-me sobre o lugar destinado/ocupado pela educação mineira naquele momento, ou, em outras palavras, se a educação tinha, de fato, alguma importância. Minha hipótese é a de que essa manifestação da vida humana, não era a mais importante. Não era um fim: era um meio. Um meio a serviço da política que a partir daquele contexto (e não somente em Minas Gerais), daria à esfera pública a condição de esfera estatal de modo definitivo. Depois de então, nunca mais e até hoje, os educadores de todos os matizes deixaram de sonhar a “educação do Estado”, para que um Estado “bem pensado” pudesse “bem pensar” o país. Assim, no tempo do Estado se articular em salões de profundo intercâmbio gestual, da ritualidade política, o tempo da criança ser criança, ou seja, a infância era igualmente posta em disputa: – falar da natureza e do conteúdo deste tempo, para alguns era, antes de tudo, um gesto de demarcação da própria autoridade argumentativa e da própria razão de “estar ali”, naquela circunstância. Assim, a disputa pela infância se explica pela consciência de que, aquele que pudesse

Benzer Belgeler