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1.5. BASEL I Geliştirilmiş Hali

1.5.1. Piyasa Riski

1.5.1.2. Likidite Riski

Para concluir esse capítulo, o cristianismo, em Cortés, tem a importância cabal de ter trazido a civilização ao mundo. E isso é dado em três frentes: 1) política, posto que a religião fez da autoridade e da obediência (os dois fundamentos do governo) elementos, respectivamente, “inviolável e santo”. Assim, ambos alocados sob os auspícios do cristianismo fundam as condições de uma governabilidade satisfatória; 2) social, já que o exercício da caridade, ensinado pelas palavras do Evangelho, permite às pessoas mais pobres atingirem à felicidade material; 3) moral, pois os valores trazidos pela tradição cristã representam verdadeiras virtudes, as quais permitem aos homens viverem de modo harmônico, em uma sociedade perfeita; respeitando-se as liberdades de um ponto de vista moderno e, ao mesmo tempo, preparando a alma humana para a salvação eterna.

Desse modo, o cristianismo não deve ser sinônimo de teocracia, mas sim de condição imprescindível a uma sociedade ordenada e governável, rumo à felicidade de todos, tanto no mundo material, quanto no espiritual. Isso é feito, dentro de uma monarquia hereditária e constitucional, na qual o rei detém o monopólio do poder. Este poder, por sua vez, deverá ser freado pelos parlamentares, os quais garantem essa resistência por meio de seus direitos tradicionais. Os indivíduos também são dotados de certos direitos contra a opressão do rei. No entanto, para julgar as proposições de Donoso Cortés, é necessário situá-lo na circunstância histórica em que viveu, como nos disse Quentin Skinner (2007) no capítulo precedente. Ora, quando Donoso fala de liberalismo, república, socialismo, há que se entender estas formas tal como se apresentavam na França e na Espanha de meados do século XIX, e não com as modificações ou mitigações que depois puderam tomar.

É relevante ressaltar também que as relações abordadas por nosso autor estão apresentadas de uma maneira teórica e absoluta. Em suas realizações práticas, segundo Valverde (p. 131),

[...] las diversas naciones han podido aceptar formas de gobierno o sistemas políticos a los que no se deben aplicar estrictamente los esquemas donosianos, porque en estas formas de gobierno o sistemas pueden existir conjugadas formas socialistas con formas monárquicas o con formas liberales, etc.

Isto posto, gostaríamos de considerar que o catolicismo donosiano não é reacionário, nem medieval, mas moderno. Ele serve como base para todas as conclusões e o pensamento político do pensador. Ao mesmo tempo em que defende alguns sentidos de liberdade e autonomia (de opressão e de viver como lhe apraz), já que é canalizado nos indivíduos – por meio de sua conversão e reforma moral, do mesmo modo, condena outros valores da liberdade (de consciência/crença e de participação política) (MERQUIOR, 1991, p. 22-24). É uma conseqüência óbvia: Donoso pretende que todas as pessoas sigam os ensinamentos da Igreja e do Evangelho, pois somente eles preenchem os requisitos para a construção de uma civilização completa. Logo, não é concebível que elas tenham liberdade para escolherem a religião que quiserem, nem agirem de acordo com uma moral que vá de encontro a essas prerrogativas, pois as suas conseqüências seriam inaceitáveis – sobretudo do ponto de vista da governabilidade. E se esta não existe, não há progresso.

Sobre esse aspecto de autonomia e liberdade, pode-se saber que:

[...] A terceira [materialização histórica da autonomia] é a liberdade de consciência

e crença. Historicamente, tornou-se (...) relevante primeiro como uma reivindicação

de legitimidade da dissidência religiosa (da Roma papal ou outras Igrejas oficiais) durante a Reforma européia. Antes disso, quase todas as reivindicações de independência religiosa eram tratadas como heresia e subjugadas com êxito. Embora dificilmente se possa dizer que fosse essa a intenção dos grandes reformadores Lutero e Calvino, a Reforma inaugurou uma idade de pluralismo religioso. Isso foi, por sua vez, secularizado no moderno direito de opinião, tal como refletido na liberdade de imprensa e no direito à liberdade intelectual e artística (MERQUIOR, 1991, p. 23).

Todas essas conseqüências são citadas e criticadas por Cortés, em especial a Reforma Protestante – quando da discussão do problema sobre a ordem.

Do mesmo modo, nem todas as pessoas tem o direito, ou melhor, a liberdade para tomar lugar nos negócios públicos do Estado. Já que, dentro de uma ordem católica, Deus capacitou alguns com mais dons, outros com menos dons; uns devem governar e outros deverão ser governados. O governo é composto pelo monarca e pelas Cortes, as quais são formadas a partir de um sufrágio restrito. Trata-se, então, da defesa de uma monarquia constitucional hereditária e censitária.

São esses dois aspectos da liberdade que Donoso tantas vezes critica, e vê como um grande mal ao desenvolvimento da sociedade. Se todos pensassem e expusessem o que quisessem, da forma como quisessem, ninguém se entenderia. E mais, se todos participassem da política através das votações, como há mais pessoas inaptas e incapazes do que aptas e capazes, não seriam escolhidas as pessoas mais adequadas para compor o Parlamento.

Esse governo, porém, deve estar atento aos problemas dos mais pobres. Afinal, eles foram as grandes vítimas das revoluções e, por isso mesmo, devem ser cuidados pelo Estado como verdadeiras crianças, que nunca irão crescer. Para que isso ocorra, é necessário que o governo se moralize, ou seja, é necessário que os indivíduos que o compõe façam o mesmo.

Com o governo agindo dessa maneira, os indivíduos (devidamente catolicizados e em sua posição específica na hierarquia social) não seriam atingidos em sua “sagrada liberdade”, isto é, poderiam “exercer papéis sociais protegidos pela lei e pelo costume” (MERQUIOR, 1991, p. 22) e teriam pleno espaço para escolherem suas profissões, suas formas de lazer, sua maneira de gozar a vida (MERQUIOR, 1991, p. 23). Logo, poderiam conviver com as demais conquistas da modernidade: o Estado secular, o desenvolvimento industrial e tecnológico, e a expansão do modelo capitalista – desde que moralizados.

Em outros termos, como vimos, o indivíduo donosiano é parcialmente autônomo – para alguns aspectos sim, para outros não. Isso vai ao encontro do que formulou o pensador extremenho em seus primeiros escritos, quando concebeu um ser humano livre, inteligente e religioso, que, por natureza, estava vinculado a Deus, ao meio e aos outros indivíduos.

Seria esta, então, a melhor forma de combater as doutrinas políticas inimigas: aproveitar as instituições e a sociedade vigente, mas reformando seus indivíduos. Sem precisar, por exemplo, transformar o rei em um monarca absoluto (carlismo); modificar as instituições por meio de reformas, como no alargamento do sufrágio ou o aumento das prerrogativas parlamentares (liberalismo) ou destruir os costumes, a própria sociedade e substituí-la por outra (socialismo).