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2. LİTERATÜR BİLGİLERİ

2.2 Lifle Güçlendirilmiş Polimer (FRP) Malzeme Türleri

Para Guilherme de Ockham, em todo o seu sistema lógico, todos os sinais, sejam eles naturais ou convencionais, representam coisas individuais. Diferentemente de seus predecessores, nosso autor vê nessa construção o local de estabelecimento do uso da teoria da suposição, ou seja, para ele a teoria da suposição somente tem lugar dentro da estrutura proposicional, ou seja, somente quando queremos “estabelecer a referência dos termos no ato da significação” (COSTA, 2012, p. 82).

Apesar da dificuldade de definir o próprio termo ‘supositio’ etimologicamente (GHISALBERTI, 1999, p. 44), podemos dizer que ela seria uma teoria que busca elucidar a propriedade dos termos de “estar no lugar de”, indicando, pois, a colocação de uma determinada coisa no lugar de outra. Adotando o ponto de vista

de Ghisalberti, a supositio poderia ser definida como sendo a propriedade dos termos de quando eles passam a constituir uma proposição na qualidade de sujeito ou predicado, e se difere do significado que os termos tem natural ou convencionalmente (GHISALBERTI, 1999, p. 45).

Cumpre, de modo preliminar, tomar conhecimento que a suposição é tomada por duas maneiras: uma ampla, que não se opõe à apelação, onde a apelação está contida na suposição; e uma segunda maneira dissemelhante, quando se toma de modo restrito, onde a suposição se opõe à apelação (GHISALBERTI, 1999, p. 44).

Em seu cerne, a teoria da suposição de Ockham pode ser classificada em três tipos fundamentais de suposição, sendo estes: pessoal, simples e material. A suposição pessoal é aquela em que o termo supõe seu significado, independente se o significado é uma coisa fora da alma, uma palavra falada, uma intenção da alma ou uma palavra escrita. Dessa forma, de acordo com nosso autor, toda vez que o sujeito ou predicado de uma proposição supõe por seu significado, de maneira que seja tomado significativamente, a suposição é pessoal (OCKHAM, 1999 a, p. 315- 316). Como exemplos para este modo de suposição temos ‘o homem corre’ e ‘o homem é um animal’. Nestes casos, o termo ‘homem’ toma um sentido de suposição pessoal porque está no lugar de indivíduos concretos (como Sócrates, Tício, Caio), ou seja, ele supõe para designar um indivíduo específico concreto (GHISALBERTI, 1999, p. 46). Poderíamos salientar, com maior clareza, o conceito dado no modelo ockhamiano através de suas próprias palavras, no trecho a seguir: “a definição [correta] é a seguinte: ‘a suposição é pessoal quando um termo supõe pelo seu significado e significativamente’ ” (OCKHAM, 1999 a, p. 316). Como complemento assevera Costa:

A suposição pessoal (personalis) é aquela em que o termo supõe pelo seu significado, seja o significado uma coisa fora da alma, uma intenção da alma, uma palavra falada ou escrita ou qualquer coisa que se possa imaginar. Deste modo, quando o sujeito ou o predicado de uma proposição supõe pelo seu significado, e for tomado significativamente, a suposição será sempre pessoal.

Na proposição ‘homem é uma espécie’, o termo homem se refere não mais aos homens concretos, mas sim a um conceito, o qual nos leva a perceber a

existência de uma suposição simples. Esta, por sua vez, ocorre quando um termo supõe por uma intenção da alma, mas não é tomado significativamente (OCKHAM, 1999 a, p. 316). Sobre o exemplo dado na suposição simples, ressalta Ockham:

O termo ‘homem’ supõe pela intenção da alma porque tal intenção é a espécie, e, todavia, o termo homem não significa, propriamente falando, aquela intenção, mas tal palavra falada e tal intenção da alma são apenas signos subordinados no significar o mesmo, segundo o modo exposto em outro lugar. (OCKHAM, 1999 a, p. 316) A suposição simples pode ser entendida como aquela suposição que ocorre quando um termo da proposição supõe por uma intenção da alma, assim: “o termo ‘homo’ supõe pela intenção da lama e este supõe pelo termo linguístico pelo qual atua, sem se remeter a outros signos linguísticos conceituais” (COSTA, 2012, p. 83).

Nosso filosofo ainda cita que nesse tipo de suposição é manifestada uma espécie de “falsidade da opinião comum” (OCKHAM, 1999 a, p. 317), onde cai no conceito que a suposição simples existe, isso ocorre quando um termo supõe por seu significado. Vejamos: “porque há suposição simples, quando o termo supõe pela intenção da alma, que não é propriamente o significado do termo, porque tal termo significa verdadeiras coisas e não intenções da alma” (OCKHAM, 1999 a, p. 317).

Sendo breve na exemplificação da suposição material, podemos dizer que ela é a modalidade de suposição onde o termo não supõe significativamente, mas supõe pela palavra falada ou escrita (OCKHAM, 1999 a, p. 317). Desta maneira, ‘homem’ é um ‘nome’, ‘homem’ supõe por si mesmo e significa a si mesmo. Similarmente, observa-se que, nas palavras do autor, na proposição ‘homem está escrito’, pode haver suposição material, porque o termo supõe aquilo que está escrito (OCKHAM, 1999 a, p. 315). Segundo COSTA:

A suposição material (materialis) existe quando o termo não possui função significativa; quando não representa ou significa indiretamente e secundariamente o termo mental ou concreto, e quando representa o som ou o material ou o signo gráfico. Por exemplo, o termo “homem é um nome” (homo est nomen), o termo “homo” supõe por si mesmo, mas não significa a si mesmo. Do mesmo modo, na proposição “‘homem’ está escrito” (“homo”

scribitur), pode haver a suposição matéria, pois o termo supõe por

aquilo que está escrito. Cabe ressaltar que este tipo de suposição é aceito para qualquer termo complexo ou incomplexo. (COSTA, 2012, p. 83)

Entendidos os três tipos de suposição de forma propedêutica, podemos definir de modo mais pontual cada uma das suposições. Sobre a suposição material, podemos dizer que ela convém ao que pode ser parte da proposição, seja qual for o modo. Segundo nosso autor, isto vale seja para o que é tal que pode ser extremo de uma proposição e supor uma palavra falada ou escrita (OCKHAM, 1999 a, p. 326). Na visão do Venerabilis Inceptor, este mesmo processo ocorre quanto aos advérbios, verbos, pronomes, conjunções, interjeições, assim como ele exemplifica em: “‘bem’ é um ‘advérbio’, ‘lê’ está no ‘modo indicativo’, ‘lendo’ é um ‘particípio’” (OCKHAM, 1999 a, p. 326).

A suposição simples não é convencional apenas à palavra falada, mas também à escrita e à proposição mental, seja uma proposição ou uma parte dela, sendo assim conveniente afirmar que esta suposição pode convir a todo complexo e a todo incomplexo (OCKHAM, 1999 a, p. 326).

Já para a suposição material podemos acrescentar, nas palavras do próprio autor, que pode existir uma divisão na sua estrutura, mais especificamente no que tange o caso onde “a palavra falada ou escrita supõe por si, como em ‘ ‘homem’ é um nome’, ‘ ‘do homem’ esta no caso genitivo’, ‘ ‘o homem é um animal’ é uma proposição verdadeira’, ‘ ‘bem’ é um advérbio’, ‘ ‘lê’ é um verbo' e similares”. (OCKHAM, 1999 a, p. 327). A esse exemplo complementa Ockham:

Às vezes, porém, a palavra falada ou escrita, ou conceito da mente, não só põem por si mesmos, mas por uma palavra falada ou escrita, que, todavia, a palavra escrita ou falada não significam. Assim, na proposição vocal ' "animal" predica-se de homem', a palavra falada 'homem [em caso obliquo]' (homine) não supõe pela palavra 'homem [no caso obliquo]', porque 'animal' não se predica da palavra falada 'homem [em caso obliquo]'; mas ali o [termo] incomplexo 'homem [em um caso obliquo]' supõe pela palavra falada 'homem [no caso reto]' (homo), porque 'animal' se predica da palavra falada 'homem [no caso reto]', ao se dizer 'o homem é um animal'. De maneira similar, em ' "que o homem corre (hominem currere)" é verdadeiro', o sujeito 'que o homem corre' não supõe por si mesmo, mas supõe pela proposição 'o homem corre' (homo currit), que, todavia, não significa". (OCKHAM, 1999 a, p. 327)

A conceituação da suposição simples é semelhante à suposição material no que tange à associação a qualquer [termo] complexo ou incomplexo, significativo ou co-significativo, já que qualquer termo, seja ele mental, vocal ou escrito, tem poder

de supor por um conceito na mente, como é manifestado indutivamente (OCKHAM, 1999 a, p. 327).

Em alguns momentos, da mesma maneira que na suposição material, a suposição simples “está por aquilo que supõe e outras vezes não está por aquilo que supõe, mas por outro, que, todavia, não significa, assim também o termo mental que supõe simplesmente, às vezes, supõe por si” (OCKHAM, 1999 a, p. 328).

Sobre a suposição pessoal, devemos objetivar que apenas um categorema que seja extremo de uma proposição, tomado significativamente, pode supor pessoalmente (OCKHAM, 1999 a, p. 328). Seguindo esta linearidade sobre tal suposição, concluímos que não podem supor pessoalmente todas as conjunções, advérbios, preposições, etc., ou seja, os sincategoremas. Estabelecido isso devemos lembrar que esse impedimento ocorre porque somente os categoremas podem supor pessoalmente, por isso os sincategoremas são excluídos pela própria definição da suposição pessoal. Em uma segunda condição de exclusão da classe da suposição pessoal, o verbo é excluído por ser o extremo de uma proposição quando tomado significativamente (OCKHAM, 1999 a, p. 328). Desta maneira, como exemplo, podemos citar que:

[...] se for objetivado que, ao se dizer ‘ler é bom’, ler é tomado significativamente, todavia, supõe, deve-se responder que ‘ler’ aqui não é um verbo, mas um nome, e que, dessa maneira, pelo uso, o modo infinitivo não apenas é um verbo, mas um nome. Assim, se ‘ler’ permanecesse aí um verbo, e não fosse mais um nome do que ‘lê’, a proposição ‘ler é bom’ não seria mais verdadeira do que ‘lê é bom’. (OCKHAM, 1999 a, p. 329)

A suposição pessoal pode ser descrita de modo mais completo quando Ockham diz que: ‘a suposição é pessoal, quando um termo supõe pelo seu significado e significativamente’ (OCKHAM, 1999 a, p. 316).

Por tudo o que vimos até aqui podemos entender que o uso técnico do termo ‘suposição’ remete à propriedade de estar no lugar de outra coisa, ‘supor por outro’. No caso de uma proposição, a suposição é a capacidade que um termo tem de substituir outro termo. Se observarmos a suposição material e pessoal se inserem no âmbito da semântica, já os outros tipos pertencem à sintática. No sistema ockhamiano, diferentemente de seus antecessores, a suposição está inserida somente no contexto proposicional, ou seja, em seu sistema lógico os planos

semântico e sintático convergem na proposição. Essa manobra faz com que o alcance da teoria da suposição no sistema de nosso autor vá além do campo dos signos arbitrários e alcance o âmbito dos signos linguísticos conceituais. É por isso que ela é dividida nesses três tipos (simples, material e pessoal). Esse conjunto de elementos nos aponta para a tese nominalista da qual ele se servia e com a qual ele irá ajudar a forjar sua crítica ao realismo (COSTA, 2012, p. 44-46).

Apresentada a suposição, analisemos a teoria da conotação.

Benzer Belgeler