4.2 Analysis of offshore wind farm
4.2.1 Life cycle assessment (LCA) of offshore wind farm
O folheto de cordel é a representação impressa da poesia popular. Ganhou esse nome devido ao modo como os folhetos eram expostos à população em Portugal, amarrados em cordas finas, que lá recebiam o nome de cordel. Eles eram estendidos em pequenas lojas de mercados populares, nas ruas ou até mesmo na frente das casas dos próprios autores, tornando- se, assim, uma literatura de fácil acesso às camadas populares. Quanto à aparência física, o tradicional folheto de cordel é feito em papel jornal com o tamanho de um livro de bolso; a capa é ilustrada por xilogravuras, que são esculpidas em madeira, como o próprio nome afirma; e apresenta textos curtos, em verso, de natureza popular, que retratam a memória de um povo.
As origens da literatura de cordel remetem a Portugal, a partir do século XVII, com as
“folhas volantes”, que eram vendidas por pessoas cegas. Na Espanha, essa mesma forma literária era chamada de “pliegos sueltos”. Contudo, na Europa, essa manifestação literária foi detectada há mais tempo. Também na França, com a “littèrature de colportage”, e na Inglaterra, com os “cocks”, folhetos semelhantes aos brasileiros. Na Alemanha, foram detectados folhetos
muito semelhantes aos que hoje temos, com xilogravura, com quatro, oito a dezesseis folhas. Assim, Medeiros (2004, p. 314) sintetiza:
Tudo isso mostra a evidência que, embora tenhamos recebido a nossa literatura de cordel via Portugal e Espanha, as fontes mais remotas dessa manifestação estão bem mais recuadas no tempo e no espaço. Elas estão na Alemanha, nos séculos XV e XVI, como estiveram na Holanda, Espanha, França e Inglaterra do século XVII em diante.
O início da literatura de cordel foi marcada pela divulgação de histórias tradicionais e de épocas antigas, eram os romances ou novelas, todas transmitidas e conservadas na memória popular. Concomitante a essa forma poética, os fatos recentes que aconteciam na sociedade, tais como assassinatos, sequestros de mocinhas, saques a cidades por cangaceiros, tornaram-se de interesse da população e o cordel passou a ter, também, a função de informar o leitor sobre esses acontecimentos, na forma escrita.
A forma escrita da literatura popular teve grande contribuição dos romances, que faziam a divulgação dessa literatura em verso e prosa. Dessa maneira, a poesia popular escrita, antes restringida aos eruditos, passou a alcançar a população leiga. Como era significativo o índice de analfabetismo, os letrados formavam círculos para leitura das histórias, o que
desencadeou uma importante função social desempenhada pelos folhetos de cordel: auxiliar na alfabetização, pois se sabe que grande parte da população carente de alfabetização, no passado, aprendeu a ler através dos folhetos.
Existe um problema sobre a real origem da literatura de cordel genuinamente
brasileira, isso porque passou vários anos sem ser estudada. Não existe a certeza do “quando”, “como” e “onde” nasceu, mas é inegável a influência da literatura de cordel portuguesa na nossa
literatura (SARAIVA, 2004). Nessa busca pela origem, as atenções se voltam em descobrir folhetos escritos e confeccionados no Brasil, pois alguns eram impressos em terras brasileiras, mas reproduziam as histórias vindas de Portugal.
Apesar de existir certa divergência nas conclusões dos estudos, uns apontando para Silvino Pirauá de Lima, outros para Leandro Gomes de Barros, a importância desse último, segundo Saraiva (2004), na divulgação da literatura de cordel é inegável e relevante, pois foi com ele que a literatura de cordel se difundiu, porque produziu com intensidade vários exemplares que retratavam assuntos, de fato, nordestinos. Almeida (2004) também faz referências a Leandro Gomes de Barros sobre a impressão e divulgação dos folhetos de cordel pelo fato de ele mesmo produzir e fazer circular sua própria obra. Os irmãos Pedro e Chagas Batista tiveram uma singular importância por editarem folhetos de outros autores, a partir de 1902, também os fazendo circular.
O cordel foi trazido pelos portugueses para o Brasil entre os séculos XVI e XVII e teve maior fixação no Nordeste. As histórias antigas da tradição ibérica tiveram grande aceitação nessa região; apesar de tratarem de uma realidade tão desconhecida do povo sertanejo, a coragem e o heroísmo contidos nessas histórias encantaram e conquistaram a população interiorana. As obras impressas lidas ao redor do candeeiro após o jantar, com a participação de toda a família, eram provenientes de Portugal ou mesmo do próprio Brasil e contavam velhas histórias populares ou histórias de santos.
A aceitação dessa forma literária era tão intensa que, na inexistência de jornais e do rádio, o cordel passou a ter a função de informar seus leitores sobre os fatos atuais que ocorriam em todo o país, seja de forma divertida ou apenas para comunicar os acontecimentos. Esses cordéis foram chamados de noticiosos. O cordel foi e continua sendo uma das formas de comunicação mais autênticas de pequenas regiões do Nordeste. Assim que um fato importante acontece, seja referente ao esporte, a celebridades ou a enchentes que inundaram cidades, por exemplo, os cordelistas, sem demora, produzem uma descrição extraoficial dos fatos, sem se esquecer da forma poética e popular característica dos folhetos.
Por ser o cordel um suporte que abarca diversos tipos de gênero, e tudo ser motivo para a criação de um folheto, não é uma tarefa fácil determinar sua temática. Sabe-se que, no início de sua circulação no Brasil, as histórias dos cavaleiros medievais eram muito disseminadas para a população, mas, ao ganhar notoriedade na região, o folheto de cordel passou a abranger temas dos mais diversos, o que fez surgir diferentes classificações temáticas por vários estudiosos. De acordo com Diniz e Ramires (2014, p. 94), Manuel Cavalcante Proença classifica os folhetos de cordel em três grupos: “a poesia narrativa, a poesia didática e
os poemas de forma convencional”. Dentro de cada grupo se incluem as temáticas. No primeiro
deles: o conto, as gestas, os heróis, os heróis animais, anti-heróis pícaros; o segundo grupo: ensinamentos e profecias, a sátira, as pelejas e discussões; e o último grupo vem a ser composto pelos ABCs, pelas pelejas, pelas glosas e pelos padres-nossos.
Ariano Suassuna, por sua vez, faz a classificação em ciclos: histórico, heroico, moral/religioso, satírico e maravilhoso. Maria Elisabeth Baltar C. de Albuquerque (2011, p. 71) apresenta várias classificações, como a de Neuma Fechine Borges, que é em dois grupos:
“folhetos que versam sobre temas considerados antigos, vindos das tradições ocidental ou
oriental; folhetos que tratam do contexto nacional, mais particularmente o nordestino”. Já Almeida (2004) divide em 12 ciclos: ciclo da utopia, que contém assuntos que fogem à realidade, como criaturas monstruosas, seres extraterrestres, etc.; ciclo do marido logrado, que destaca traições ao marido, em particular; ciclo do demônio logrado, que se refere aos enganos ao diabo; ciclo dos bichos falantes, semelhante à fabula, caracterizada por demonstrar bichos que dialogam entre si, cuja intenção é trazer uma moral; ciclo erótico da obscenidade, que trabalha o sexo; ciclo de exemplos e maldições, no qual para aqueles que profanam o sagrado, seguem-se punições em forma de transformação em bichos; ciclo do heroico fantástico, que retrata as bravuras dos cangaceiros e dos sertanejos espertos; ciclo histórico e circunstancial, chamados de acontecido, que trazem acontecimentos cotidianos de nível local ou regional; ciclo de amor e bravura, representado pelos romances; ciclo cômico e satírico, que retrata a comicidade; ciclo da súplica, voltada ao religioso, como forma de oração; ciclo da lamúria, tristeza daqueles que são vítimas de problemas na vida.
Diante da variedade de classificações propostas, Maria Elisabeth Baltar C. de Albuquerque, em sua tese intitulada Literatura popular de cordel: dos ciclos temáticos à classificação bibliográfica (2011), sugere que a classificação seja feita com base na análise dos investimentos de tematização e figurativização dos folhetos, que permitiu uma classificação bibliográfica mais específica do cordel, porquanto a literatura de cordel estaria ligada ao âmbito
do folclore, o que, segundo a autora, torna-se insuficiente, e se centra no vocabulário, pois é através dos conceitos levantados pelo léxico que há a representação da cultura popular. As classes detectadas pela autora foram 27, a saber: biografia e personalidades; intempéries; meio ambiente; saúde; cultura; humor; contos; crimes; bravura e valentia; religião; fenômeno sobrenatural; feitiçaria; justiça; moralidade; morte; romance; educação; história; peleja; ciência; cidade e vida urbana; poder; agricultura; esporte; homossexualismo; erotismo; político e social.
Com relação à estrutura, a literatura de cordel apresenta textos em estrofes de seis linhas, as sextilhas, forma mais comum, com a predominância de versos de sete sílabas poéticas. Isso não exclui outras manifestações, podendo ser detectadas a septilha (estrofe com sete versos), a oitava (estrofe com oito versos) e até a décima (estrofe com 10 versos). Existem, ainda, algumas formas que variam nessa classificação estrutural, tais como os galopes à beira- mar, com estrofes de dez versos de onze sílabas poéticas, e martelo agalopado, também de dez versos, mas de dez sílabas poéticas, mais utilizada pelos repentistas.