O presente trabalho utiliza dados secundários da Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (PINTEC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Pesquisa sobre Inovação nas Empresas (Encuesta sobre Innovación en
las Empresas), da Estatística sobre Atividades de P&D (Estadística sobre Actividades de I+D) e do Instituto Nacional de Estatística da Espanha − Instituto Nacional de Estadística (INE).
A escolha do IBGE e do INE como fonte secundária de informações ocorreu por se tratarem de instituições oficiais, com grande amplitude territorial e amostral, e por realizarem uma pesquisa com padrões do modelo da Community Innovation
Survey (CIS), versão 2008, proposto pela Oficina Estatística da Comunidade
Europeia (Eurostat) - Statistical Offi ce of the European Communities, através do Manual de Oslo, o que torna seus dados passiveis de comparação.
3.3.1 Manual de Oslo
Este documento faz parte de uma série de manuais metodológicos da OECD, conhecida como a “Família Frascati” de manuais, dois dos quais foram elaborados e publicados em cooperação com a Comunidade Europeia (Eurostat). Esta família compreende manuais sobre os seguintes assuntos: P&D (Manual Frascati), o balanço de pagamentos de tecnologia e estatísticas de inovação (Manual de Oslo; OCED/EC - Eurostat), o uso de estatísticas sobre patentes como indicadores de ciência e tecnologia (Patent Manual — Manual de Patentes) e recursos humanos dedicados às ciência e tecnologia (Manual Camberra; OECD e
Eurostat) (MANUAL DE OSLO, 2005).
Os dados referentes à inovação tecnológica são úteis para analisar a situação atual de um país e, para tanto, precisam ser comparáveis. Com esse objetivo, os manuais da OECD oferecem os meios adequados para orientar a adoção de critérios e procedimentos comuns para a medição da inovação tecnológica (MANUAL BOGOTÁ, 2001).
Baena (2000) afirma que, em princípios da década de 1970, apenas um reduzido número de países desenvolvidos realizavam a coleta sistemática de informações sobre suas atividades de P&D, mas todos com metodologias diferentes.
Os primeiros esforços para homogeneizar essas informações partiram da OECD com a finalidade de conseguir dados comparáveis internacionalmente. Dessa forma, em 1964, foi publicada a primeira versão do documento “Metodologia proposta para pesquisas sobre P&D experimental”, mais conhecido como Manual de Frascati, nome da localidade onde foi aprovado em 1963.
No início da década de 1990, foi elaborada a primeira versão do Manual de Oslo, que atendeu às iniciativas nacionais no campo das pesquisas sobre inovação. Tal documento recebeu a cooperação do Nordic Industrial Fund (Fundo Industrial Nórdico), em resposta às recomendações feitas pelo National Experts on Science
and Technology (NESTI) − Grupo de Especialistas Nacionais em Ciência e Tecnologia −, da OECD. A primeira edição foi adotada como referência para aferição das atividades de inovação, na indústria, da maioria dos países-membros da OECD, notadamente na Community Innovation Survey (CIS) − Pesquisa de Inovações na Comunidade − da Comissão Europeia, que, então, foi adotada por diversos países- membros da União Europeia. A tradução do manual, em vários idiomas (inclusive chinês, espanhol e húngaro), permitiu que se realizasse um grande número de pesquisas baseadas em conceitos padronizados (particularmente no Chile, na China, na Federação Russa e na Hungria).
3.3.2 Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (PINTEC)
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realiza a PINTEC, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Segundo seu manual (2008), a PINTEC tem como principal objetivo conhecer atividades inovativas, desenvolvidas nas empresas industriais de telecomunicações, de atividades de informática e serviços relacionados e de pesquisa e desenvolvimento, de modo a acompanhar sua evolução no tempo.
Trata-se de pesquisa dirigida às empresas registradas no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) do Ministério da Fazenda e cadastradas pelo IBGE como atividade principal, compreendida nas seções C e D (indústrias extrativas e indústrias de transformação, respectivamente), no grupo 64.2 (telecomunicações) e nas divisões 72 (atividades de informática e serviços relacionados) e 73 (pesquisa e desenvolvimento) da Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE 1.0.
Em relação ao período de referência das informações coletadas, a pesquisa tem duas referências temporais:
- A maioria das variáveis qualitativas refere-se a um período de três anos consecutivos. Assim, as informações são referentes às atividades desenvolvidas nessa época.
- As variáveis quantitativas (gastos e pessoal ocupado em P&D, impacto da inovação de produto sobre vendas e exportações etc.) e as qualitativas (uso da biotecnologia e nanotecnologia) referem-se ao último ano do período de referência da pesquisa em análise.
Os resultados agregados da pesquisa permitem que: as empresas realizem uma avaliação do seu desempenho em relação às médias setoriais; as entidades de classe analisem a conduta tecnológica dos setores; os governos desenvolvam e avaliem políticas nacionais e regionais.
3.3.3 Instituto Nacional de Estatística (INE)
Órgão público espanhol responsável pela coordenação geral dos serviços estatísticos no país, o INE, anualmente, realiza pesquisas na área de Ciência e Tecnologia, que englobam estatísticas sobre: atividades de P&D; inovação nas empresas; uso da biotecnologia; alta tecnologia; e recursos humanos na ciência e tecnologia.
De acordo com INE (2010), a pesquisa sobre inovação proporciona informações sobre a estrutura do processo para que ela ocorra e mostra as relações entre este processo e a estratégia tecnológica das empresas, os fatores que influenciam sua capacidade para inovar e seu rendimento econômico. As variáveis investigadas são: despesas com políticas inovadoras por setor de atividade e tamanho das empresas, resultado da inovação e impacto econômico. Essa pesquisa é realizada desde 1994 e os dados estão disponíveis a partir de 1996.
O estudo sobre atividades de P&D proporciona informações sobre recursos econômicos e humanos aplicados por todos os setores econômicos espanhóis, com o objetivo de conhecer o esforço nacional em pesquisa e desenvolvimento. As variáveis investigadas são: gastos e pessoal dedicado à P&D por tipo de setor (empresas, administração pública, instituições privadas sem fim lucrativo e
instituições de ensino superior), gastos em P&D por disciplina científica e por setor de atividade. Essa pesquisa é realizada desde 1964 e os dados estão disponíveis desde então.