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TEKERRÜRLER KARIŞIMLAR

7. LİTERATÜR LİSTESİ

A Lei nº 7.135 de 05 de julho de 1996 refere-se à criação do Bolsa Escola

no município de Belo Horizonte e por meio de dez artigos aponta o desenho inicial

do mesmo.

O público para o qual o Programa é destinado, de acordo com a lei, são

famílias nas quais haja menores de 14 anos: “matriculados em escolas públicas ou

em centros infantis conveniados com a prefeitura”, “em situação de risco

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” cuja

renda per capita seja igual ou inferior a 65,64 (sessenta e cinco vírgula sessenta e

quatro) UFIR´s

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e que residam em Belo Horizonte há, no mínimo, cinco anos (Lei

nº 7.135, de 05 de julho de 1996, art. 2º).

Dentro deste público, haveria exceções como: não se limitaria à idade de

catorze anos para os Portadores de deficiência e teriam prioridades as famílias

cujas crianças apresentassem desnutrição.

De acordo com a lei, o Bolsa Escola destinaria à família assistida um valor

mensal de 131,97 (cento e trinta e um vírgula noventa e sete) UFIR’s

mensalmente, por um ano letivo, podendo ser prorrogável de acordo com a

regulamentação da lei. Este valor era equivalente ao valor do salário mínimo em

1997, que era de R$120,00 (cento e vinte reais). O financiamento do Programa

seria do Orçamento geral do município, não podendo ultrapassar 3% das receitas

correntes.

A lei dispunha também sobre os requisitos para as famílias se cadastrarem

no Bolsa Escola, que seriam a apresentação de documentos como: comprovante

de matrículas dos menores de quatorze anos nas escolas públicas, atestado de

situação de risco para as crianças que estariam fora da escola, comprovante de

renda, comprovante de cadastro no Sistema Nacional de Empregos (SINE) para

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A situação de risco do menor de catorze anos é definida como sendo de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente e seria aquele que “não esteja sendo atendido nos seus direitos pelas políticas sociais básicas, há que age à sua integridade física, moral ou social” (Estatuto da Criança e do Adolescente, parág. único do art. 1º).

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os desempregados e, ainda, um termo de responsabilidade da destinação dos

recursos.

Estas informações seriam verificadas pelo Executivo através de sindicância

sempre que julgassem necessário, podendo acarretar em corte do benefício caso

identificassem infrações relativas às mesmas, conforme especifica o parágrafo

segundo e terceiro do artigo quarto.

O benefício seria imediatamente suspenso em função de abandono e

evasão escolar, cabendo ao órgão gestor do Programa, o qual não é especificado

na lei, acompanhar semestralmente junto às escolas, esses casos.

As famílias deveriam também informar as mudanças em sua renda familar.

Conforme podemos verificar nesta descrição, a lei de criação do Bolsa

Escola define o público alvo deste Programa, assim como financiamento, o valor

do benefício e os critérios de inserção do Programa. No entanto, deixa em aberto

a definição de objetivos e finalidades, assim como o órgão gestor.

Em março de 1997, por meio do Decreto nº 9.140, estas questões sobre

objetivos, finalidades, estrutura e funcionamento do Bolsa Escola são

especificadas, esclarecendo inclusive qual seria o órgão responsável pela gestão

deste Programa.

Este decreto é composto por vinte e três artigos e o primeiro deles, busca

explicitar o objetivo do Programa Bolsa Escola, que compreenderia “uma ação

global de âmbito educacional, político, social e de integração familar” (Decreto nº

9.140, 1997, art. 1º).

Neste sentido o Programa teria como prioridade:

garantir a admissão e permanência na escola pública das crianças de 7 a 14 anos, cujas famílias estejam em condições de carência material e precária situação sócio-familar ou as próprias crianças estejam em situação de risco;

promover o acompanhamento e desenvolvimento afetivo, cognitivo e psicomotor na perspectiva da formação integral para a cidadania das crianças e adolescentes atendidos pelo Programa;

articular condições para a melhoria da qualidade de vida das respectivas famílias, integrando ações com diversos órgãos

governamentais e não-governamentais (Decreto nº 9.140, 1997, art.1º).

Podemos verificar nestas prioridades uma delimitação do Programa em

torno das famílias com crianças de 07 a 14 anos, ao invés de menores de 14

anos, tal como propunha a lei de criação do Programa. A idade de 7 a 14 anos

corresponde ao Ensino fundamental, que é obrigatório de acordo com a Lei de

Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 20 de dezembro de 1996 (LDB-EN

9.394/96).

Sobre as crianças menores de sete anos, está disposto no decreto que

estas só serão atendidas mediante as possibilidades do Município, ou seja, não

são prioridades neste Programa.

Pelo decreto, a mãe é a requerente prioritária para receber o benefício

mensal instituído pelo Programa, desde que tenha a guarda do filho. O valor da

bolsa é o mesmo apresentado pela Lei nº 7.135 e será pago por família,

independente do número de filhos na idade contemplada pelo Programa.

Cabe considerar que, embora apresente a delimitação do público alvo em

torno da família, não há nenhuma explicitação ao longo do decreto sobre o que

está sendo considerado como família.

O período de concessão do benefício seria de um ano letivo, podendo se

estender por mais tempo caso as circunstâncias que deram origem à concessão,

persistissem, conforme explicitado no parágrafo único do sexto artigo.

Para além dos documentos elencados pela Lei nº 7.135, para que a família

se habilite ao Programa, o decreto acrescenta os seguintes: comprovante de

residência no município há cinco anos, documento de identificação da mãe ou

responsável pela criança e de todos os moradores da casa.

O decreto não faz nenhuma referência ao termo de responsabilidade da

destinação do recurso por parte das famílias, conforme disposto no Decreto nº

9.140, 1997, ART.1º demonstrando a exclusão desta exigência.

O parágrafo primeiro do quinto artigo, esclarece que “a inscrição no

Programa, por si só, não gera o direito à Bolsa Escola” (Decreto nº 9.140, 1997,

art. 5º), pois o deferimento da bolsa seria a partir de duas etapas examinadoras

das condições do requerente, conforme as informações prestadas pelo mesmo. A

primeira etapa seria realizada pela Equipe Regional e outra pela Secretaria

Executiva. A bolsa seria concedida mediante o atendimento de todos os requisitos

estabelecidos e ainda, considerando a disponibilidade orçamentária do Município.

A família que for atendida pelo Programa, deveria em contrapartida:

conhecer as normas que regulam o programa; acompanhar a freqüência e a vida escolar dos filhos; se responsabilizar pela entrega, na Equipe Regional, da comprovação mensal de freqüência escolar de seus filhos; prestar esclarecimentos solicitados pela Comissão Regional, sempre que necessário; participar das reuniões periódicas de acompanhamento e avaliação do Programa, quando convocada; manter atualizados os dados cadastrais junto à Equipe Regional, informar as mudanças em sua renda familar (Decreto nº 9.140, 1997, art. 17).

O recebimento da bolsa é condicionado a freqüência das crianças e

adolescentes à escola e poderia ser interrompido quando a freqüência mensal dos

mesmos fosse inferior a 90%. Neste caso, se a freqüência for restabelecida, o

pagamento também se restabeleceria, contudo, não seria retroativo.

O pagamento também poderia ser interrompido mediante caso de fraude ou

de irregularidades.

Ao regulamentar o Programa Bolsa Escola, o decreto vai delineando sua

estrutura e funcionamento e, assim, apresenta a Secretaria Municipal de

Educação (SMED) como gestora do mesmo. Neste sentido, o Programa seria

estruturado a partir de quatro instâncias que se responsabilizaria pela sua

implantação e desenvolvimento no âmbito do município de Belo Horizonte, as

quais, de acordo com o oitavo artigo, seriam: “uma Comissão Coordenadora, uma

Secretaria Executiva, as Equipes Regionais e as Escolas Públicas de Belo

Horizonte” (Decreto nº 9.140, 1997, art. 10º).

A fim de descrever a definição e função destas instâncias na estruturação

do Programa Bolsa Escola, serão recorrentes citações dos artigos 11, 12, 13, 14,

15 e 16 do Decreto nº 9.140 de 12 de março de 1997, na exposição a seguir.

A Comissão Coordenadora seria presidida pelo Secretário Municipal de

Educação e integraria representantes das diversas secretarias do governo

municipal, assim como do Conselho Municipal de Assistência Social e também do

Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente. Sua função seria “definir as

diretrizes gerais do Programa e as estratégias de sua implementação” (artigo 11).

A Secretaria Executiva seria composta por um “secretário Executivo

(indicado pela Secretário Municipal de Educação), por técnicos Superiores de

Serviço Público Municipal, nas áreas de Assistência Social, Sociologia, Psicologia,

Profissionais da Educação e pessoal técnico-administrativo” (artigo 12). Esta

instância seria responsável pelo “assessoramento técnico e administrativo na

implantação, execução, acompanhamento e avaliação do Programa” (artigo12).

A Equipe Regional, seria composta por Profissionais dos departamentos

Econômicos, Educacionais e Sociais das Administrações Regionais

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e Auxiliares

Administrativos. Ela seria responsável pela realização “do cadastramento, pela

análise e encaminhamento dos pedidos de inscrição no Programa à Secretaria

Executiva e também pela avaliação da permanência das famílias no Programa”

(artigo 14).

As escolas públicas do município de Belo Horizonte são consideradas

participantes do Programa Bolsa Escola e teriam deveres como:

colaborar na orientação e sensibilização das famílias sobre o funcionamento do Programa; matricular, em qualquer época do ano, novos alunos que forem encaminhados para a escola em função do Programa; fazer o acompanhamento pedagógico dos alunos inseridos no Programa; fornecer à família beneficiária o controle da freqüência dos alunos inseridos no Programa; participar de reuniões de avaliação e acompanhamento do Programa com os pais, professores e representantes da Equipe Regional; receber denúncias de irregularidades e encaminhá-las à

17 A administração da prefeitura de Belo Horizonte é descentralizada em nove Regionais Administrativas ou

Equipe Regional; sediar o núcleo de recebimento de inscrição, quando for indicada pela Equipe Regional como local mais adequado para este fim.” (Decreto nº 9.140, 1997, par. 1º, Art. 16).

É nesta perspectiva que o Programa Bolsa Escola é definido no âmbito da

legislação municipal de Belo Horizonte. Da lei que o cria ao decreto que o

regulamenta, podemos verificar sua definição, seu funcionamento e abrangência.

A partir deste referencial este Programa foi desenvolvido no município de

Belo Horizonte e alguns registros, como os relatórios de atividades e documentos

diversos, assim como entrevistas realizadas com os funcionários, nos permitem

uma leitura da dinâmica do Bolsa Escola ao longo destes anos em que ele se

mantêm na política municipal.

Benzer Belgeler