A origem do município deu-se com a vinda e fixação de famílias que vieram da região de Taubaté com sentido para o litoral, recebendo terras e abrindo estradas, sempre em busca de ouro( Ferraz, 1984)
As primeiras trilhas da região foram feitas pelos índios, que foram seguidas pelos desbravadores e aventureiros, nos muitos caminhos que levavam às cidades litorâneas de São Sebastião, Paraty e Mambucaba, em busca do mar.
Da necessidade de uma ligação por terra entre São Paulo e Rio de Janeiro como alternativa ao Caminho Velho do Embaú, cujo rumo era Guará, Cunha e Paraty, surgiu o Caminho Novo da Piedade em 1725. O Caminho Novo servia para o escoamento do ouro sem passar pelo mar, evitando-se a investida de corsários (Ferraz, 1984).
O governo imperial doava sesmarias a quem quisesse construir o caminho e se fixar no local. Vieram famílias de vários locais: Guaratinguetá, Cunha, Taubaté, Pindamonhangaba. Segundo a história, Maria Mota ergueu o rancho mais importante na estrada, ponto de parada de tropeiros, e que daria origem à Silveiras. O rancho era o lugar de pouso do desbravador. Depois virou ponto de pouso, compra, barganha, abastecimento e prestação de serviços para os tropeiros. Nos ranchos dormia-se em rede, o fogão era de taipa, a construção rústica. Junto ao rancho fixava-se o ferrador, o seleiro, o armazém de secos e molhados (Ferraz, 1984).
Os tropeiros tiveram muita importância na ampliação das fronteiras nacionais, desde o início do século XVII e deixaram sua marca na história do município de Silveiras. Sua importância constitui-se pelo transporte de gêneros, informações, cartas, produção, divulgando costumes. Os tropeiros deixaram sua marca, integrando a cultura e fortalecendo a identidade do país, através da culinária, medicina caseira, benzimento e crendices, danças e músicas, anedotário e ditados, artistas populares, habitação e vestuário, linguajar, lendas e folguedos, artesanato folclórico e utilitário, divulgados pelo tropeiro(Ferraz, 1984).
Em meados do século XVIII o peso econômico do tropeirismo era absoluto, possibilitando a entrada em Minas Gerais, transportando o ouro. De Sorocaba, centro comercial de tropas no Brasil, partiam as tropas para todo o país. Esse comércio de tropas e os pousos que se formavam ao longo dos caminhos geravam atividades correlatas como seleiros, ferreiros, funileiros que se estabeleciam ao redor dos ranchos espalhados pelo território, ampliando e consolidando as relações comerciais.
Em 1730 já havia o povoado de Silveiras, cujo primeiro nome foi Capela das Pitas, em louvor a Nossa Senhora da Conceição, ao redor da qual foram se agrupando as primeiras casas. O caminho foi melhorando devido ao seu uso pelos tropeiros, o que fez com que alcançasse a importância de constar nos mapas Oficiais. Já Em 1800 o povoado era considerado bairro devido à afluência de pequenos sitiantes, fazendo parte do distrito de Lorena. Com a passagem de Dom Pedro pelo local, finalmente o povoado ganhou um novo status(Ferraz, 1984). Em 1830 é elevada à categoria de freguesia e recebe o nome
oficial de Silveiras. Depois dos primeiros serviços foi construída a capela, che garam os missionários, as primeiras autoridades, um rancho para diversão.
O município sofreu com a Revolução Liberal de 1842. No âmbito da política nacional, os liberais estavam descontentes com os conservadores devido à elaboração de leis opressoras visando exercer maior controle das regiões. Na região toda, Guaratinguetá, Lorena, Areias, Bananal, os liberais estavam dispostos a lutar contra as leis conservadoras. Silveiras, sob o comando do tenente Anacleto Ferreira Pinto, tornou- se o último núcleo de resistência da revolução. Os soldados de Caxias, que vieram para debelar a resistência, venceram a batalha, à qual se seguiram saques, destruição e fogo(Ferraz, 1984).
A sociedade de Silveiras se reergueu e nesse mesmo ano de 1842 foi elevada à categoria de Vila, sede de município, desmembrando-se de Lorena, título que perdeu como punição pela sua participação na revolução e só foi restituído em 1844, com a anistia. De acordo com o Censo Geral do Império de 1872, havia 11.973 habitantes na Vila (Ferraz,1984).
A cidade cresceu e caiu com o café. Toda a região era repleta de fazendeiros endinheirados pelo ciclo do café. No apogeu do café havia muita riqueza na região. A partir de 1880 começou o êxodo rural para o oeste do estado devido ao desenvolvimento dessa cultura nas terras férteis do interior. Em 1872 começou a ser construída a Estrada de Ferro Central do Brasil que passou distante do município de Silveiras. Tais fatores somados à abolição da escravidão, ao cansaço das terras, a política local mal conduzid a e posteriormente, a industrialização das cidades vizinhas acarretaram a decadência econômica da cidade(Ferraz,1984). .
O Vale do Paraíba foi atingido economicamente com a crise do café, tendo esvaziado a economia dos pequenos municípios. As revoluções de 30 e 32 trouxeram mais danos à emergente pecuária leiteira. Em 1933 foi criada a Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo, por iniciativa de líderes políticos da região de Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Roseira, São José do Barreiro, Cruzeiro, Areias, fortalecendo a pecuária local. Com o fim do café o município voltou-se para o cultivo de produtos para subsistência e para a pecuária leiteira. (Ferraz, 1984).
Em 1978, em pesquisa realizada no município encontrava-se artesanato feito com couro, crochê, doces, flores de palha, marcenaria, sisal, taquara, abrolhos (amarração de fios desfiados de tecido), tricô e pintura a óleo. Durante a década de 80 foram feitos esforços ( feiras, divulgação, Festa do Tropeiro, incentivo ao turismo) para incrementar a produção de artesanato, que já se direcionava para a confecção de objetos de madeira (Ferraz, 1984).