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Liderlik Davranışında Etik Değer Algısının Sosyal Sermaye Üzerindeki Etkisine Yönelik Değerlendirme

2. LİDERLİK VE LİDERLİK DAVRANIŞI

A possibilidade de retorno do ensino integrado ao ensino médio foi assegurada no governo Lula da Silva através do Decreto nº 5.154/04, de 23 de junho de 2004. Consideramos como pressuposto basilar, para iniciar este debate, a avaliação que o atual governo faz das políticas públicas educacionais implementadas pelo seu antecessor, e quais as alternativas que o mandato do presidente Lula da Silva propõe para a educação profissional.

No documento Políticas Públicas para a Educação Profissional e Tecnológica- (BRASIL; MEC; SEMTEC, 2004a) é definido o profissional técnico como um sujeito reflexivo e crítico que possui funções instrumentais e intelectuais, mas com a seguinte advertência: dependendo da ação a ser tomada. Esse texto ainda admite que o próprio capital moderno reconhece que os trabalhadores necessitam de acesso à cultura e à educação básica. Segundo este documento:

No presente, não há dúvidas de que a reforma durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) vem desencadeando mudanças estruturais, provocando a entrada de novos protagonistas, como: sindicatos, associações não-governamentais, bem como redefinindo responsabilidades no campo da gestão e do financiamento da educação profissional e tecnológica (Id., Ibid., p. 7, itálicos nosso).

Apesar desse reconhecimento, os elaboradores do documento em discussão não poupam críticas ao Decreto nº 2.208/97. Para eles, após a sua publicação:

Houve uma série de instrumentos normativos emanados do Executivo, que bem caracterizou a reforma da educação profissional: Portaria/MEC nº 646/97, Portaria/MEC nº 1.005/97, Portaria/MEC/MTb nº 1.018/97 e Lei Federal nº 9.649/98 (id., ibid., 2004a p. 22-3).

Segundo o entendimento do atual governo, esse conjunto de medidas confirma legalmente a dualidade estrutural da educação, caracterizada oficialmente pelo governo de Fernando Cardoso. Como forma de exemplificar essa caracterização, o documento aponta as seguintes conseqüências: retrocesso na educação profissional aos anos de 1940; comprometimento da democratização do ensino; aporte privado dando sustentação ao funcionamento de escolas técnicas públicas; formação básica buscando atender às exigências imediatas do mercado, entre outros (Id., Ibid., 2004a, p. 22-3).

Entre as principais deficiências do Decreto nº 2.208/97, apontadas pelo comentado documento, destacaremos as críticas, a nosso ver, de maior relevância para os objetivos desta pesquisa, são elas: desmonte dos CEFETs e ETFs; política pública imposta com autoritarismo; incentivo progressivo à privatização dos CEFETs e ETFs; modelo de competência proposto pela Reforma tem como germe o mesmo componente ideológico, que sugere que o que é bom para os trabalhadores é bom para os empresários; o Decreto é insuficiente no que se refere à democratização do ensino executado por instituições privadas (Id., Ibid., p. 23-7).

Contraditoriamente, esse último item esclarece a preocupação do atual governo em continuar permitindo a oferta de ensino profissional pela via privada, ao afirmar: o Estado não é o único responsável pela execução da educação profissional e tecnológica (Id., Ibid., 2004a, p. 27). Será que esse foi o motivo que levou o governo Lula a fazer específicas críticas ao Decreto nº 2.208/97, e a publicar o Decreto nº 5.154/04, sem que este suspendesse os cursos modulados, aligeirados, fragmentados, segmentados, concomitantes e seqüenciais assegurados por aquele?

O texto oficial o governo diz: Decreto permite articulação entre ensino médio e ensino técnico, e prossegue afirmando que

A partir de 2005, os estudantes brasileiros poderão cursar disciplinas do ensino médio junto com disciplinas do ensino técnico. Esta possibilidade foi assegurada pelo Decreto 5.154, do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, publicado hoje, 26, regulamentando quatro artigos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996. O decreto prevê várias alternativas de articulação entre o ensino médio e o ensino técnico de nível médio, sendo a principal delas a integração entre ambos, que resgata a chance dos estudantes saírem desta fase do ensino já com qualificação profissional para disputar uma oportunidade no mercado de trabalho (BRASIL; MEC; CNE, 2004b)

De fato, o documento Políticas Públicas para a Educação Profissional e Tecnológica, registra como alguns dos maiores problemas causados pelos impactos do Decreto nº 2.208/97: desarticulação entre os dois níveis de ensino, e aligeiramento da formação. Fica evidente, no entanto, que o Decreto do governo de Lula da Silva não resolve o primeiro problema, pois mantém a possibilidade de separação entre os dois níveis de ensino; a segunda questão também não é solucionada pelo Decreto nº 5.154/04, pois mesmo com as severas críticas do governo atual aos cursos modulados e aligeirados, determinados por seu antecessor, deixa possível a oferta de cursos de curta duração, isto é, o aligeiramento proporcionado pela fragmentação modular continua intocado (BRASIL; MEC; CNE, 2004a, p. 22-4).

A nosso entendimento, o essencial motivo pelo qual o governo petista não revogou realmente o Decreto nº 2.208/97, assenta-se no fato de os cursos modulados, aligeirados, fragmentados, segmentados, concomitantes e seqüenciais serem mais baratos para a iniciativa privada, assegurando, aos empresários, como pretende Simon Schwartzman, esse nicho de mercado, comprovando, desse modo, que o Estado mínimo defendido pelos neoliberais é na realidade um Estado que protege e garante o lucro para o capital.

O documento em destaque pretende acolher e consolidar as proposições lançadas no Documento-Base (Brasil, 2003a) e no Relatório Final (Brasil, 2003b) do Seminário Nacional de Educação Profissional promovido pela SEMTEC/MEC, ocorrido em Brasília em junho de 2003.

Encontramos em Sandra Marinho (2003, p. 202), uma aguda crítica ao Documento-Base (Brasil, 2003). Segundo a autora, as idéias traduzidas nesse documento reforçam a idéia de reduzir a educação profissional a fins e valores do mercado, ao domínio de métodos e técnicas da produtividade. Acrescenta ainda a autora não que há nenhuma crítica a expansão mercadológica da educação, haja vista que:

do começo ao fim, o projeto político dos setores ligados ao governo tem como idéia central o compromisso dos profissionais da educação com o “projeto desenvolvimentista” (DB, p. 5), colocado em prática pelos petistas, que converge, em sua inteireza, para a administração da crise do capitalismo, servindo como reserva intelectual para as forças econômicas do capital, numa

crise que vai do nível econômico à falácia do discurso político burguês e da podridão de seus intelectuais54 (2003, p. 201, grifos do original).

Com a implantação do Decreto nº 5.154/04, uma questão ficou pendente: o que se deveria fazer com a educação profissional de nível médio? Restaram as alternativas de retornar com a modalidade de ensino integrado, continuar com a formação concomitante u pós-médio, ou, ainda, mesclar a gosto de cada Instituição estas três modalidades.

O aprofundamento da questão que nos proporcionam as reflexões de Lima Filho (2005), indica que o resultado desse processo se apresenta particularmente de forma desafiadora para os CEFETs, pois essas instituições, anunciadas nacionalmente como modelos na oferta de ensino no nível médio de qualidade, com a recente e acentuada implantação das graduações tecnológicas ou de Cursos Técnicos pós-Médios reduziu ao mínimo a oferta de ensino médio.

Embora o processo de implantação da reforma tenha sido vertical e com força impositiva legal, sua implementação apresentou experiências diferenciadas, haja vista as mediações que ocorrem entre o que é concebido, legislado e efetivamente implementado em cada situação e instituição concreta, fruto das ações dos sujeitos sociais e interesses que se manifestam interna e externamente, na comunidade educacional e na sociedade civil (LIMA FILHO, 2005, p. 358).

Com a possível retomada da formação profissionalizante de nível técnico integrada ao ensino médio, possibilitada pelo Decreto nº 5.154/04, apresenta-se o seguinte dilema: retomar, em novas bases, o percurso histórico abandonado ou radicalizar nas mudanças até então implementadas? (idem, p. 359). Para avançar sobre essa pergunta, o professor da Faculdade Tecnológica do Paraná, pontua cinco questões fulcrais no processo de transformação dos CEFETs em IFETs. A primeira é sobre o problema da renúncia da centenária história da instituição: abandono do percurso histórico com a regressão da experiência de educação profissional técnica integrada ao ensino médio para formas de articulação concomitante ou subseqüente que, na realidade, representam uma desarticulação. A segunda argumentação se refere as

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Gaudêncio Frigotto, Maria Ciavatta e Marise Ramos, segundo argumenta Rosemary Dore, desculpam- se por terem trabalhado na aplicação do Decreto nº 5.154/04, que como todo decreto, precisa ser censurado como uma medida autoritária. Aqueles autores, sustenta Dore, justificam-se alegando que se assim não fizessem, “as forças conservadoras ocupariam espaço para fazerem valer seus interesses, tanto no Conselho Nacional de Educação quanto no Congresso”. Afirmam ainda que ao se estabelecer um decreto, que tem caráter rápido, evitar-se-ia o debate e o confronto com a sociedade civil, o que poderia acarretar a derrota da proposta da chamada “esquerda progressista”, da qual, os três autores são adeptos (DORE, 2005, p. 342).

abruptas alterações administrativas: mudanças institucionais repentinas e hierarquizadas, dificultando a participação democrática da comunidade educacional e da sociedade civil; a seguinte consideração é referente ao quase abandono do ensino médio e deslocamento da oferta para cursos técnicos pós-médios e cursos superiores de tecnologia. Prossegue esse autor, apontando o quarto problema que se apresenta com a nova ordenação: redução da oferta de cursos regulares e gratuitos e ampliação da oferta de cursos extraordinários e com cobrança de taxas e mensalidades. Por fim, o pesquisador elenca a sua quinta preocupação: prestação de serviços e aproximação a grupos empresariais (idem, p. 358).

Com esse conjunto de questões, Lima Filho quer saber se com a transformação da rede de educação profissional e tecnológica em IFET, é possível alinhar os principais efeitos e resultados imediatos provocados nos sistemas e instituições de educação profissional no Brasil (idem, p. 358).

O debate específico sobre a cefetização da educação profissional, foge a escopo direto desta pesquisa. Poderemos adiantar, contudo, no capítulo 4, vários questionamentos que auxiliam a uma compreensão onto-crítica do problema, pois elaboramos uma análise detalhada da graduação tecnológica no Brasil, o que, inevitavelmente, tropeça na transformação dos CEFETs em IFETs.

Com relação ao Decreto nº 5.154/04, que se diz anular o Decreto nº 2.208/97, registraremos agora que, no nosso entendimento, aquele Decreto não revoga este. A partir de agora, como oficializa o governo, pode tudo: concomitância interna e externa, integração e, pós-médio. Ou seja, o Decreto do presidente Lula da Silva apenas possibilita o retorno do ensino integrado, retrocedendo à Lei nº 7.044/82, sem, ao menos, ter a honestidade de abolir as possibilidades reconhecidamente prejudiciais à formação do aluno-trabalhador existentes no Decreto nº 2.208/97. Como agravante, podemos adiantar que o retorno do ensino integrado não está assegurado igualmente em todas as escolas da rede. A partir do Decreto nº 5.154/04, a integração fica vinculada à condição individual de cada instituição, o que corrobora, conforme demonstramos em nossa pesquisa de mestrado, com o desmantelamento da identidade do sistema federal de educação profissional, pois cria a possibilidade de que, individualmente, cada Centro ou Escola elabore a sua maneira como quer ofertar a educação profissional (SANTOS, 2005 e 2007a).

3 A REFORMA DO ESTADO BRASILEIRO E SUAS POLÍTICAS PÚBLICAS