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LEVİNAS’TA FENOMENOLOJİNİN ETKİSİ

O processo de recuperação do produto para reinseri-lo no ciclo produtivo é de grande complexidade, pois é necessário que haja sensibilização e conscientização da sociedade consumidora; mecanismos para realização da coleta seletiva; mercado para absorção do material recuperado; tecnologia para efetuar a reciclagem; e, principalmente, estrutura para realização da triagem do material. No Brasil, alguns municípios vêm se destacando na busca de soluções pautadas para tratar essas questões. Na cidade de Curitiba, no ano de 1989, a Prefeitura implantou o programa Lixo que não é Lixo. O projeto foi premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) por apresentar um dos maiores índices de reciclagem do Brasil. Paralelamente, a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida pelos Ministérios do Meio Ambiente do Brasil e da Alemanha para ser “piloto” no programa denominado Estudo Teuto- Brasileiro no Campo de Gerenciamento Municipal de Resíduos Sólidos. Neste caso, o objetivo do programa é a instalação de uma Usina de Reciclagem, a qual faria a coleta seletiva de bens potencialmente recicláveis e, em especial, de embalagens. Em Minas Gerais, na cidade de Belo Horizonte, a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) iniciou, em 1993, um gerenciamento diferenciado dos resíduos sólidos não só no aspecto tecnológico, como

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Disponível em <http://www.uol.com.br/ambienteglobal/site/consumidor_verde/consumidor_pesquisa.htm>. Acesso em 4 de junho de 2001.

também na incorporação de componentes socioambientais. Esse modelo tomou como base três pontos: consciência tecnológica, qualificação dos trabalhadores e participação popular.

De acordo com o Cempre (2001), 135 municípios brasileiros realizam programas de coleta seletiva. A coleta seletiva de lixo é o processo através do qual ocorre a separação do resíduo de acordo com sua composição, visando os aspectos positivos sob os pontos de vista sociais, ecológicos e econômicos (BRANDT, 1998). É considerado um dos grandes fatores que contribui para o desenvolvimento da reciclagem de materiais, pois por intermédio dela é possível separar os materiais por tipo (papéis, plásticos, vidros, metais, etc.), o que facilita o manuseio e o processo de reaproveitamento do lixo urbano. A atividade da triagem de materiais é a etapa subseqüente à etapa da coleta seletiva, pois é o processo de uma separação minuciosa dos materiais para atender à demanda das indústrias, sendo fundamental para facilitar e viabilizar o processo da reciclagem.

A atividade de trabalho dos atores (“catadores de papel” e “trabalhadores da reciclagem”) envolvidos nesse processo é considerada “peça-chave”. No Brasil e em outros países em desenvolvimento, essa atividade é fruto de uma demanda social em que milhares de pessoas vivem da remuneração proveniente da catação em “lixões”, nas ruas, e da separação de materiais em associações e em usinas de triagem. Segundo o Cempre (2001), estima-se que cerca de 200 mil catadores de rua atuam na coleta de vários tipos de materiais recicláveis.

Apesar dos resultados positivos apresentados pelos centros de triagem e pelas recicladoras, o quadro é paradoxal. Se, por um lado, esses programas trazem benefícios do ponto de vista socioambiental, reduzindo o descarte do lixo em aterros sanitários e em “lixões”, reduzindo a

extração de recursos naturais, gerando fonte de renda, possibilitando a inclusão social, por outro lado, a maioria dos locais existentes para executar essa atividade no Brasil encontra-se em situações precárias, não oferecendo condições dignas de trabalho para os que lidam com tal atividade. Essa situação pode ser vista, por exemplo, pelas condições subumanas a que são submetidos esses trabalhadores, como puxar carros construídos de forma precária, com grande quantidade de material e peso, e terem que se misturar com o objeto de trabalho – o “lixo”. Somam-se a isso a falta de reconhecimento da profissão que de uma forma geral esses trabalhadores são discriminados pela sociedade e a falta de valorização na comercialização do material triado. Os trabalhadores que lidam com essa atividade possuem uma baixa renda, que é decorrente do baixo valor agregado ao material reciclável, muitas vezes, demandando um grande número de etapas de desmontagem do produto, que inviabiliza o processo. Sob esse último aspecto, a intervenção do projetista na fase de projeto do produto é fundamental para viabilizar a eficiente desmontagem (pós-descarte), o que conseqüentemente aumentaria o rendimento desses trabalhadores e melhoraria a qualidade do trabalho desempenhado pelos “trabalhadores da reciclagem”.

Não se trata, entretanto, somente de aspectos ligados à geração de renda, por si só, uma justificativa plenamente suficiente para a abordagem voltada a esta atividade. Trata-se também da própria inclusão desses trabalhadores em um universo de cidadania e posição social reconhecida, em oposição à tradicional visão do reciclador como “catador” ou “miserável”, tão disseminada em uma sociedade fortemente desigual como a brasileira. Neste caso, a inclusão se dá não somente no nível de acesso ao consumo por intermédio da melhoria dos rendimentos com a atividade, mas na consolidação do trabalho de reciclagem como socialmente relevante e digno para os trabalhadores daquele espaço. Neste caso, a intervenção

sobre o trabalho possui mais um importante resultado, representado, especialmente, pela consciência do trabalhador e de sua função social, o que é demonstrado, durante a pesquisa, pelas reações de espanto e inicial constrangimento pela surpresa de ter sua atividade “estudada” e reconhecida como relevante na estrutura social. Este parece ser um passo importante para a melhoria das condições de trabalho, ou seja, o reconhecimento, pelo trabalhador, de sua relevância e da importância de sua atividade como caminho para a inclusão social, bem como de sua função como “ator” na relação com o produto, seu papel de consumidor do produto no final de seu ciclo de vida, ou como o responsável direto pela cada vez mais necessária extensão desse ciclo de vida.

Nesse contexto, há uma evidente demanda por metodologias de projeto que levem em conta aspectos socioambientais, ou seja, que busque a sustentabilidade para tratar da complexidade desse sistema. Essa metodologia poderá ser denominada Design for Sustainability (DFSt) – Projeto para Sustentabilidade.

Benzer Belgeler