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3. LEHİMLEME

3.2. Lehimleme Metotları

fenômenos relativos ao homem.

Sendo assim, a relação humana com o próprio corpo deve ser compreendida também de forma complexa. A relação do sujeito com a sua realidade, sua historicidade, cultura e sociedade devem ser incorporadas para este entendimento. Nesse sentido,o trabalho de Kolyniak (2002), definindo o conceito de coporeidade com um olhar coerente aos pressupostos do materialismo histórico e dialético, parece marcar relevância. Este estudo é inovador não só por tentar superar a visão do humano, marcado por fragmentações (perdendo-o em sua totalidade), mas também porque parece um dos pioneiros que, tentam definir corpo e corporeidade. Em todas as referências bibliográficas usadas pra compor este capítulo, corpo e corporeidade ora apareciam como sinônimos ora como conceitos diferentes. Kolyniak (2002) elucida e sistematiza esses conceitos dentro da episteme do materialismo histórico e dialético; como será visto a seguir.

“(...) A complexidade humana tem sido vista do ponto de vista da consciência, da afetividade, da atividade e da identidade. A corporeidade, evidentemente, está subjacente a todos os aspectos, uma vez que tratamos de seres corpóreos; (...), não vemos a necessidade de criar uma categoria específica que contemple o estudo da corporeidade, mas sim a necessidade de inclui-la em nossos estudos como aspecto da complexidade humana implicado na atividade, marcado pela consciência e afetividade, constitutivo da, e constituído pela identidade.” – (Kolyniak, 2002 , p. 29-30)

3. Corporeidade no materialismo histórico e dialético

Queiroz e Otta (2000) relatam que o corpo humano constitui uma entidade biológica que se encontra submetido a certas imposições da natureza que se evidenciam através do crescimento, maturação, envelhecimento e morte. Esta condição coloca todos os seres humanos numa mesma e única condição, sendo que o corpo constitui um objeto natural e, portanto, associado à animalidade. Por outro lado, acreditam que o corpo é submetido a um processo de humanização e a sua experiência é sempre modificada pela cultura. Os autores afirmam que segundo padrões culturalmente estabelecidos, o homem altera o corpo (através de escarificações, tatuagens, mutilações etc.) como afirmação de um pertencimento grupal. Para eles, o corpo é objeto de domesticação exercida pela cultura, sendo por ela apropriado e modelado.

Kolyniak (2002), em conformidade, mas indo além dos autores referidos anteriormente, mostra que o corpo entendido sem a sua dimensão cultural coloca o ser humano na mesma condição do animal ou, ainda, de objeto ou cadáver. O homem dá sentidos e significados ao seu corpo e suas manifestações, isso constitui um processo denominado corporeidade. A corporeidade possui duas faces que estão intrinsecamente relacionadas, uma que é a natural e implica limites determinados pelas condições genéticas e biológicas da própria espécie humana, e outra que é psicológica, histórica e social.

“(...) A corporeidade, como ser no mundo, pressupõe um corpo que nasce inacabado, e que se completa na relação sócio-cultural, superando as determinações instintivas animais. Desta forma, ocorre um processo de humanização, cujo sentido é sua

emancipação da simples condição animal, que dá ao humano o significado de ser essencialmente histórico e cultural.” (Kolyniak, 2002, p.24)

Isto é, se por um lado a corporeidade sofre transformações que se dão em função dos aspectos físicos e orgânicos, por outro também se transforma através das demandas sociais, das necessidades produtivas, estéticas, afetivo-emocionais. Porém, diferentemente de uma explicação linear de um processo de humanização em que o corpo é apenas um objeto de domesticação cultural, a autora acrescenta um outro processo chamado corporeidade. O importante a se frisar é que o cultural e social transformam a corporeidade, mas como produto histórico e simbólico dos homens, também é transformada pelos próprios indivíduos. Assim sendo, a corporeidade se constitui de forma social e individual ao mesmo tempo, o que será mais aprofundado mais adiante.

Kolyniak (2002) acredita que ter um corpo já revela em si uma cisão entre corpo e consciência. Observa que quando se diz ou se pensa que temos um corpo, há uma consciência que percebe este corpo, propondo que esta “cisão revela uma dicotomia que é inicialmente a percepção”. Dentro desta observação, a autora frisa que na epistemologia do materialismo histórico e dialético, não se espera que corpo e psique sejam coincidentes em todos os seus aspectos. Psique e corpo são instâncias diferentes, mas se constituem apenas em suas relações intrínsecas, o que equivale dizer que uma não pode ser compreendida sem a sua relação com a outra.

Se lembrarmos o que nos relata Bock (2001) sobre a compreensão dos fenômenos no materialismo histórico e dialético, vemos que os fenômenos seguem uma lei geral da dialética que são as leis do movimento e relações universais, da unidade e luta dos contrários, a transformação da quantidade em qualidade e da negação da negação. Logo, corpo e psique

podem se apresentar contraditórias e antagônicas, mas nunca podem ser vistas como opostas uma a outra, afinal, a contradição deve ser assumida como próprio do fenômeno.

Kolyniak (2002) observa que o corpo vai se transformando em corporeidade na relação do homem com a realidade na qual se insere juntamente com a consciência, percepção e a ação. Dessa maneira, considera-se que a síntese entre corpo, psique e mundo externo se encontra na corporeidade. Percebe-se, conseqüentemente, que a corporeidade é um processo particular e ao mesmo tempo social, onde os sentidos e significados atribuídos socialmente ao corpo e suas manifestações (corporeidade social) vão sendo configurados de maneira individual, para a construção e afirmação do indivíduo sobre si mesmo e sua imagem corporal. A corporeidade sofre constantes transformações no decorrer da história e assim, os indivíduos também se transformam, e ao se transformarem, os homens também geram modificações nas simbolizações referentes ao corpo e suas manifestações.

“Nascemos como corpo, em torno do qual e com o qual construir-se-á uma história pessoal, inserida na história familiar e cultural. Desde o momento do nascimento, o corpo vai se conformando como corporeidade, através da atividade e da consciência. Através da ação e percepção multisensorial (visão, audição, tato, gustação, olfato, cinestesia), aprendemos a perceber e sentir. Este processo vai se desenvolvendo ao longo de toda nossa vida, no processo contínuo de humanização, no convívio social.” (Kolyniak, 2002, p. 52)

Kolyniak (2002) mostra que cada sociedade, de acordo com sua história e cultura, caracteriza suas experiências e necessidades, mantém estes ou aqueles interesses, legitima estes ou aqueles movimentos, gestos e formas corporais. Há conceitos de boas maneiras que regulam as relações numa determinada sociedade, num dado estrato social. Da mesma forma que há diversos conceitos de definição de beleza, valores estéticos que carregam sentidos e significados de poder, submissão, cuidado, descuido, riqueza, pobreza, etc. Estas simbolizações não decorrem do corpo propriamente dito. Apesar de encarnados nele, estão primeiramente na cultura e sociedade, sendo que cada indivíduo os apropria de alguma forma, tornando-os corporeidade e integrando-os à subjetividade.

A autora afirma que a corporeidade é um contínuo processo que se consolida numa afirmação de si mesmo como um eu no indivíduo, e também numa imagem corporal que ele vai construindo sobre si mesmo. É um processo de identificação e auto-identificação entre pessoas que também dá aos indivíduos a noção de pertencimento a um grupo, sociedade e cultura. Portanto, devemos lembrar que as identidades étnica e nacional, bem como a vivência da biculturalidade, são norteadores para a reflexão de uma afirmação de um eu e de um sentimento

de um pertencimento grupal. Estes também parecem determinantes que englobam a corporeidade em seu processo contínuo na constituição de uma imagem corporal..

Assim, tentar desvendar os sentidos e significados presentes em como alguns adolescentes nikkeis vivenciam seus corpos que os denunciam estrangeiros, é discorrer sobre suas corporeidades, é adentrar num emaranhado de determinações que constituem e são constitutivas de suas subjetividades. Estas complexas redes de determinações que vão constituindo as corporeidades dos nikkeis incorporam a história da imigração japonesa para o Brasil, o como foi sendo tecida as formas de diferenciação entre indivíduos no Brasil, o como o corpo é visto na atualidade, o como estes adolescentes vivenciam a biculturalidade, os sentimentos em relação as identidades étnica e nacional, o como se relacionam com a sociedade brasileira, entre outros. As intrínsecas relações entre esses determinantes para os adolescentes

nikkeis ajudarão na compreensão em como enxergam, neste momento, a si mesmos e seus corpos.

Benzer Belgeler