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3. BÖLÜM

3.1. Le Corbusier’in Hayatı ve Yapılarında Uyguladığı Yöntemler

3.1.2. Le Corbusier’in Tasarımlarında Uyguladığı Düzenleyici Çizgiler

A longa permanência de um grupo em um determinado espaço geográfico favorece a produção de acervos familiares, na medida em que as novas gerações herdam elementos materiais e imateriais das gerações anteriores. Nessa atmosfera de continuidade, numerosas marcas de identidade são impressas no espaço e compreendem escolhas assumidas como signos pessoais ou coletivos que reafirmam suas raízes culturais.

Em contraposição ao tempo que oferece continuamente a imagem da mudança, o espaço oferece a imagem da permanência e da estabilidade. Os lugares recebem a marca de um grupo e a presença de um grupo deixa marcas num lugar. Todas as ações do grupo podem ser traduzidas em termos espaciais e o lugar ocupado pelo grupo é uma reunião de todos os elementos da vida social. Cada detalhe tem um sentido inteligível aos membros do grupo. Ao mesmo tempo que o espaço faz lembrar uma maneira de ser comum a muitos homens, faz lembrar, também, costumes distintos, de outros tempos. Sobretudo, faz lembrar de pessoas e relações sociais ligadas a ele. Neste sentido é, sempre, fonte de testemunhos (SCHMIDT e MAHFOUD, 1993, p. 291)

A decisão de partida, entretanto, exige certo grau de desapego em relação a todo esse aporte material com o qual o sujeito migrante está acostumado, a começar pelo próprio espaço físico que ele habita. Hellpach (1967, p.247) exemplifica essa ideia, afirmando que “[...] as saudades dos montanheses na planície depende principalmente da falta de articulações, variabilidade e movimento das formas visivas que a natureza apresenta”.

Evidentemente, o sujeito migrante não poderá reproduzir, em seu novo espaço de vida, todos os traços culturais que caracterizam sua terra de origem, mas poderá dar vida a alguns elementos. A Programação Neurolingüística (PNL) denomina como ancoragem o processo em que determinadas reações emocionais são provocadas a partir de estímulos externos, são marcas sensoriais (visuais, auditivas, olfativas, gustativas ou cinestésicas) que atuam como gatilhos e nos permitem reviver emoções temporalmente distantes da realidade atual, reproduzindo-as com enorme vivacidade.

Neste sentido, podemos afirmar que a cultura do sujeito migrante encontra portos de ancoragem naquilo que ele pode carregar ou reproduzir no local de destino como, por exemplo, a culinária e a música. Os depoimentos abaixo demonstram essa continuidade:

Embora minha família seja multirracial em termos de música (por exemplo, a gente adora músicas armênias porque trazem a lembrança dos nossos pais) [dentro da cultura adquirida no Brasil, gostamos de] country claro... mais eu e o Hirant, o Asholt nem tanto. (entrevista 22 - Vrejhi Sanazar)

[Eu] até chorava [de saudade], porque eu gosto muito de cantar os nossos toantes, eu começava a cantar [e] eu começava a chorar porque não tinha aonde dançar. Hoje eu danço em qualquer lugar, em qualquer espaço público da prefeitura que eu quiser, eu reúno as pessoas, nós cantamos, dançamos [e] fazemos oficinas. Eu tenho um bar [onde] a gente faz oficinas, até agora a gente não conseguiu um espaço específico para aquilo, [então] o lugar que eu acho mais legal é no bar, porque lá eu tenho panelas [e] pratos, então já faço as oficinas lá, a gente faz as nossas comidas. Hoje eu sou muito contente com Osasco, porque eu tenho apoio, estou resgatando a cultura, passando a cultura para as crianças e eu me sinto feliz aqui. (entrevista 01 - Alaíde Pereira Xavier Feitosa)

Naquela época tinha parquinho na Primitiva Vianco, eu levava o meu filho pequeninho para passear aos domingos, ainda tinha circo por aqui, hoje não tem mais, então tinham coisas para fazer [aqui] que eu lembrava do interior. E muita música sertaneja porque quando eu escutava música sertaneja, eu cantava junto e chorava porque lembrava do interior. (entrevista 21 - Nilo Barbosa de Oliveira)

Estas reflexões nos permitem compreender porque o calendário oficial do município de Osasco encontra-se repleto de festividades e comemorações ligadas a grupos culturais específicos, tais como: semana nordestina, semana nipônica, semana da comunidade armênia, semana da cultura negra, dia da comunidade italiana, dia de Portugal, dia da colônia chilena,

entre outras comemorações que ressaltam as tipicidades das variadas correntes migratórias que contemplaram a região.

A experiência urbana se dá no trânsito dos sujeitos pelo espaço, e as relações são marcadas por essa transitoriedade. Ao mesmo tempo é preciso não perder o gesto quase invisível dos sujeitos que inscrevem sua marca simbólica neste espaço em mutação. É preciso colocar este gesto em relevo, tirá-lo da invisibilidade em meio ao excesso de marcas e expressões que povoam o espaço urbano. (SILVA et al., 2008, p.12)

Se por um lado, esse sujeito migrante dedica-se à conservação dos hábitos sócio- culturais vinculados a sua terra de origem, por outro lado, ele impetra uma busca por identidade com aqueles que passam a compor sua nova rede sociabilidade. Neste sentido, consideramos apropriadas as colocações de Seixas (informação verbal67) sobre o surgimento de “uma permanente negociação entre diversas esferas de pertença”.

Não se trata apenas de apontar a coexistência de diferentes visões de mundo e estilos de vida. É fundamental perceber como os indivíduos lidam e se deslocam entre códigos e mundos diferenciados quanto aos valores, orientações e sistemas classificatórios [...] A grande cidade não só incorpora visões de mundo e estilos de vida díspares como está permanentemente produzindo processos de diferenciação. (VELHO, 1995, p.231-232)

Os eventos oficiais ou espontâneos servem a este propósito, na medida em que valorizam as numerosas matrizes culturais que integram aquele território, assim como oportunizam sua interação social. Este cenário favorece os processos de convencionalização que se manifestam com diferentes níveis de assimilação. O trecho abaixo, por exemplo, demonstra a incorporação das festividades natalinas na experiência do sujeito migrante:

O Natal nós passamos na viagem, mas naquele tempo, a gente não fazia festa de Natal, [nós] ainda não conhecíamos isso. Eu [também] não lembro se [a gente] comemorava o Ano Novo, o que eu lembro que [se] comemorava lá eram as festas juninas: o meu pai cortava árvore e fazia aquela fogueirona de madeira verde. (entrevista 15 - Vicente Napoleão de Oliveira)

67

SEIXAS, Xosé M. Núnez. Cartas do destino: reflexões sobre os epistolários como fontes para a história das migrações. Seminário Internacional Histórias Migrantes. Universidade de São Paulo: São Paulo, 2013.

Esse apontamento guarda dois aspectos: se, por um lado, as pessoas buscavam tais festividades com a intenção de celebrar o sagrado, por outro lado, elas também apreciavam-na enquanto evento de sociabilidade. Na interface de variadas motivações é que se processava a interação e a difusão cultural entre os grupos. O depoimento abaixo expressa essa perspectiva:

Eu gosto [da cultura caipira], eu vou sempre [para] Embú [e] Itú, eu vou na Festa do Divino [...] Acho que [adquirimos esse gosto] ao longo do tempo, não tem como precisar. Depois da procissão de 13 de junho, por exemplo, normalmente tinha uma quermesse e eu sempre participava dessa quermesse. Eu [também] participava muito da Fogueira de Quitaúna [...] (entrevista 22

Benzer Belgeler