3.14.1 Variáveis de produção de mudas
Foram realizados testes preliminares, com finalidade de verificar o efeito dos tipos de substratos e diferentes concentrações de ácido indolbutírico (AIB), nas mudas de Ocimum
basilicum L.
O delineamento experimental adotado foi o inteiramente aleatorizado em esquema fatorial 3 x 5, com cinco repetições, totalizando 75 unidades experimentais. A unidade experimental foi constituída de tubetes com volume de 120 cm³. Os tratamentos
b a
corresponderam à combinação de três substratos (areia lavada, fibra de coco e substrato Plantmax®) com cinco níveis de ácido indolbutírico (AIB), cujas concentrações na solução
foram de 0, 500, 1000, 2000 e 4000 mg L-1.
As estacas selecionadas foram cortadas em bisel e acondicionadas em um recipiente contendo água destilada. As bases de cada estaca foram imersas por 10 segundos em solução aquosa de AIB previamente dissolvida em hidróxido de sódio 1 mol L-1 e água destilada a fim
de se obter as concentrações de 0, 500, 1000, 2000 e 4000 mg L-1. Após imersão, as estacas
foram inseridas em tubetes preenchidos com os devidos substratos. Os tubetes foram previamente desinfetados com solução de água sanitária a 5%. A irrigação das estacas procedeu-se diariamente, com a frequência de duas vezes por dia.
A avaliação foi realizada aos 15 dias após a estaquia (DAE). As plantas selecionadas foram retiradas dos tubetes e seccionadas na região do colo, separando a parte radicular da parte aérea. A parte radicular foi lavada sobre peneira com malha de 2 mm, visando à retirada do substrato. Em seguida, as raízes foram colocadas em bandejas de plástico durante 2 horas para remoção do excesso de água. As partes aéreas e radiculares das plantas foram acondicionadas separadamente em embalagens de papel, identificadas e secas em estufa de ventilação forçada a 65°C até atingirem o peso seco constante que foi medido posteriormente em balança digital com precisão de ±0,0001g.
As variáveis analisadas foram as seguintes: porcentagem de estacas enraizadas (%ENR); comprimento do sistema radicular (CRAIZ); diâmetro do caule (DIAM); matéria seca da parte aérea (MSA) e da raiz (MSRAIZ) e índice de qualidade de Dickson (IQD), determinado por meio da Equação 9.
IQD =RAD + RMSMST (9)
Em que:
IQD – índice de qualidade de Dickson; MST – massa seca total, g;
RAD – razão altura-diâmetro, cm mm-1; e
RMS – razão de massa seca da parte aérea pela raiz, adimensional.
Inicialmente, os dados experimentais foram submetidos aos testes de Shapiro-Wilk (P<0,01) e de Levene (P<0,01), para verificação da normalidade e homocedasticidade residuais, respectivamente. Posteriormente, realizou-se a análise de variância (individual). Observada a ocorrência de diferença significativa da interação entre substrato e AIB,
procedeu-se a análise de estabilidade (conjunta), por meio do modelo de interação multiplicativa, conhecida como modelo AMMI (Additive main effects and multiplicative interaction), Equação 10.
� = + + � + ∑ � � +
= � +� � (10)
Em que: Yij é a resposta média do substrato i (i=1, 2 e 3, S substratos) na dose de AIB
j (j=1, 2, 3, 4 e 5, A, AIB); é a média geral dos ensaios; Si é o efeito fixo do substrato i; Aj
é o efeito fixo do AIB j; k é o k-ésimo singular (escalar) da matriz de interações original
(SxA); ik é o elemento correspondente ao i-ésimo substrato no k-ésimo vetor singular coluna
da matriz SxA; jk é o elemento correspondente ao j-ésimo ambiente no k-ésimo vetor
singular linha da matriz SxA; ij é o ruído associado ao termo (SxA)ij da interação clássica do
substrato com o AIB j; e(il)j é o erro experimental médio.
Os resultados foram representados na forma gráfica de um biplot (GABRIEL, 1971), que são representações das coordenadas dos substratos e dos AIB nos eixos principais de interação (IPAC’s). O nível de significância de IPCA foi testado com o teste F de acordo com Gollob (1968).
As variáveis que não foram observados diferenças significativa do IPAC, procedeu-se a análise de variância com os resultados comparados pelo teste de Scott-Knott (P>0,05). As análises foram realizadas com o auxílio do software R, versão 2.2.1 (R DEVELOPMENT CORE TEAM, 2013), utilizou-se a macro AMMI (livre) conforme descrito por Lavoranti et al. (2004).
3.14.2 Variáveis de crescimentos 3.14.2.1 Altura da planta
A altura de planta foi medida em intervalos de 15 dias a partir do transplantio, com o auxílio de uma trena graduada em cm, a partir do nível do solo até o ápice da planta, sendo avaliadas três plantas escolhidas aleatoriamente na parcela útil.
3.14.2.2 Diâmetro de Caule
Foi medido o diâmetro do caule próximo ao colo da planta na parcela, com o auxílio de um paquímetro digital, no intervalo de 15 dias a partir do transplantio. Essa análise foi realizada em duas plantas úteis por parcela.
3.14.2.3 Fatores de forma para estimativas de área foliar
Para o modelo de construção, 600 folhas saudáveis foram colhidas, sendo utilizadas 100 folhas por plantas e três plantas por tratamento irrigado (L1D1) e sequeiro (L4D1). As folhas foram aleatoriamente amostradas a partir de diferentes partes das plantas. Essas plantas foram retiradas da área experimental e, em laboratório, contabilizou-se o número total de folhas (NF), o comprimento (C, em cm) e a largura (L, em cm) das folhas, e calculado o produto destas duas variáveis (Aretângulo = C L, em cm²), área da elipse (Aelipse = C L (π/4), em
cm²), área foliar (Yi) e o índice de área foliar (IAF). Correlacionou-se os modelos de regressão linear e não-linear entre a Yi e C, L, Aretângulo e Aelipse selecionando-se os modelo de
melhor ajuste.
Os critérios estatísticos para seleção de modelos foram baseados no teste de F, os coeficientes de correlação de Person (r) e de determinação ajustado ( ), a raiz do quadrado médio do erro (RQME), menor dispersão dos pontos em relação à área foliar real (SQR), índice de concordância de Willmott (d) e índice de desempenho de Camargo - Sentelhas (c) (CAMARGO; SENTELHAS, 1997). Os modelos selecionados foram submetidos à análise formal (gráficos) dos resíduos e ao teste Goldfeld-Quandt para testar se os resíduos são homocedásticos e também ao teste de normalidade de Shapiro-Wilk. Não atendidos os pressupostos básicos de normalidade e homoscedasticidade, submeteu-se os dados aos testes de Bonferroni de outliers e, posteriormente, utilizou-se o teste de Box-Cox para encontrar a transformação mais adequada para alcançar uma distribuição de probabilidade aproximadamente normal, como sugerido por Kandiannan et al. (2009) e Antunes et al. (2008).
A área foliar estimada e o valor real foram comparados por procedimentos gráficos descritos com limite de concordância proposto por Bland-Altman (BLAND; ALTMAN, 1986). As análises estatísticas foram realizadas por meio do programa estatístico R, versão 2.2.1 (R. DEVELOPMENT CORE TEAM, 2013).
3.14.2.4 Índice de cobertura do solo
O índice de cobertura do solo pelas plantas (IC) foi calculado pela relação percentual entre a área coberta pela planta e a área dos lisímetros ou das áreas das parcelas nas bordaduras. O IC foi obtido por meio do software ImageJ (ImageJ 1.47 v – Wayne Rasband, National Institutes of Health, USA) a partir de fotografias digitais do dossel da cultura no campo.
3.14.3 Variáveis de produção
3.14.3.1 Massa fresca e seca total
Foi determinada a massa fresca total (MFT) das folhas, inflorescências e caule, após a colheita das plantas úteis de cada parcela experimental. Após a secagem do material por cinco a sete dias em estufa (Marconi modelo MA-0,37) a 40ºC, com renovação e circulação de ar determinou-se a matéria seca total (folhas + inflorescências), (MST). Utilizou-se uma balança analítica, marca Toledo, modelo ARD110 e com precisão de ±0,01 gramas.
3.14.3.2 Teor e rendimento de óleo essencial
Foram utilizados 50 gramas de massa seca de folhas e inflorescências de cada parcela para quantificação do teor de óleo essencial (AMERICAN SPICE TRADE ASSOCIATION, 1968). A técnica utilizada foi a hidrodestilação em aparelho de Clevenger modificado, com duração de uma hora e trinta minutos.
3.14.4 Aspectos nutricionais
O estado nutricional das plantas foi determinado por meio de diagnose foliar, ao final da colheita da cultura, segundo a metodologia descrita por Malavolta et al. (1989). As amostras de folhas foram coletadas nas folhas superiores, a partir da segunda folha da ponta e, em seguida levadas ao laboratório Pira Solos, Piracicaba – SP para determinações de macronutrientes (N, P, K, Ca, Mg e S). Foram coletadas aleatoriamente 15 folhas por tratamento, ao longo do bloco 2 da parcela L1 (100% CAD) e nas subparcelas D1, D2, D3 e D4. A coleta foi realizada no momento da 1ª, 2ª e 3ª colheita do manjericão.