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99. Lalvani A, Manish P Interferon gamma release assays: principles and practice Enferm Infecc Microbiol Clin 2009; 22: 26-35.

A Hospedaria de Imigrantes de Nova York, conhecida como Castle Garden, foi criada a partir de 1855 para recepcionar aqueles que chegavam aos Estados Unidos. Este país

14 Deve-se chamar atenção para a Revolução Federalista que iniciou neste ano, causando a paralisação da imigração e da colonização.

oferecia boas condições para a imigração devido a sua economia e fronteira. Entre os anos de 1821 a 1880 cerca de 9,5 milhões de pessoas chegaram ao país. (KLEIN, 1999)

O rápido desenvolvimento dos Estados Unidos através da imigração tornou-se exemplo a ser seguido pelo Brasil. Petrone (1982, p. 19) comenta que:

Basta folhear os livros publicados sobre a necessidade de colonizar o vasto território brasileiro e de atrair para essa finalidade imigrantes europeus, e ver-se-á páginas e mais páginas dedicadas ao exemplo americano, à sua política de imigração, à rápida expansão do povoamento e das áreas de pequena propriedade, do crescimento das cidades e do incremento de suas atividades artesanais e manufatureiras.

Diante do alto número de imigrantes que aportavam naquele país, providências para melhor recepcionar e organizar a população que chegava foram necessárias. Assim, na década de 1850, definiram-se as bases para a recepção dos imigrantes através da criação da Castle Garden. Seu objetivo era auxiliar os recém-chegados, fornecendo atendimento médico e informações sobre seu destino.

Como não poderia ser diferente, sua estrutura e sua organização serviram de exemplo para as construções realizadas no Brasil, assim como os procedimentos adotados para recepcionar os imigrantes. Portanto, cabe conhecer as origens das hospedarias de imigrantes a partir da estrutura montada em Nova York.

Inicialmente, antes de chegar a Castle Garden, os imigrantes eram deixados em quarentena na Staten Island, a fim de evitar qualquer propagação de doenças ao desembarcarem em Nova York. Após este período, os imigrantes eram levados em barcos a vapor para a Castle Garden, onde eram minuciosamente examinados, a fim de verificar se nenhum doente havia escapado do período de quarentena. Passado este momento, os imigrantes eram levados para realizar o seu registro e receber as informações sobre seu destino. A eles eram providenciados alimentos e acomodações durante o tempo que permaneciam hospedados. (SVEJDA, 1968)

A partir de 1860, o aumento da imigração exigiu mudanças na estrutura da Castle Garden e novos procedimentos foram adotados. Em 1867, doze departamentos foram responsáveis pela recepção dos imigrantes: o Departamento de Embarque; o Departamento de Desembarque; o Departamento de Registros; os Agentes Ferroviários; o Serviço de Entrega de Bagagens; os Corretores de Câmbio; o Departamento de Informações; o Departamento de

Correspondências; os Guardas; o Departamento de Encaminhamento; a Enfermaria; e o Departamento de Trabalho. (SVEJDA, 1968)

O departamento de embarque delegou a um oficial a responsabilidade de assistir os imigrantes desde a saída da quarentena até a hospedaria, controlando o número de passageiros e possíveis falecimentos, além do cuidado com a limpeza dos navios. Já no desembarque, os imigrantes e suas bagagens eram checados e novos exames realizados. Após, encaminhava-os ao “Rotunda”, um largo salão central no qual eram realizados os registros. Neste momento, procedia-se com a coleta do nome, da nacionalidade, do endereço da antiga residência e do local para onde desejavam ir. (SVEJDA, 1968)

Em seguida, os imigrantes eram direcionados para os agentes ferroviários, com os quais deveriam adquirir bilhetes para o seu destino. Já aqueles imigrantes que desejavam permanecer em Nova York ou arredores eram encaminhados para o serviço de entrega de bagagens. (SVEJDA, 1968)

Disponibilizou-se, ainda, o serviço de câmbio, no qual os imigrantes poderiam trocar ouro ou prata pela moeda corrente americana. No departamento de informações, os imigrantes eram comunicados sobre amigos que os tivessem esperando ou pertences que tivessem sido enviados pelo Departamento de Encaminhamento. Aqueles que desejassem se comunicar com parentes ou amigos poderiam solicitar assistência aos funcionários do departamento de correspondências. (SVEJDA, 1968)

Além disso, guardas eram colocados a disposição de imigrantes para evitar qualquer tipo de abuso, bem como médicos para tratar os doentes, inclusive visitando-os em residências na cidade de Nova York. Por fim, no departamento de trabalho, os imigrantes eram apresentados a possíveis empregadores, de acordo com seu sexo, referências, recomendações e tipo de trabalho pretendido. (SVEJDA, 1968)

A partir do conhecimento da Castle Garden, a pioneira das grandes hospedarias de imigrantes, percebe-se que, no Brasil, estas instituições seguiram modelo semelhante. Contudo, a grande maioria não se constituiu em estações de quarentena. Sobre esta característica Beatriz Kushnir (2008, p. 65) informa:

Delimitando a noção de hospedaria e localizando outras pelo país, é oportuno destacar que o termo também se refere aos centros para reclusão de enfermos. No caso daquela do Espírito Santo, há alusão, no ano de 1892, a imigrantes confinados no lazareto – uma construção para quarentena de

indivíduos vítimas de doenças infecciosas – da Grande Ilha, sendo essa no final do século 19 a única estação quarentenária no Brasil.

Embora se tenha notícia apenas de uma estação quarentenária, a Hospedaria da Ilha das Flores, no Rio de Janeiro, foi um bom exemplo do desejo de estabelecer locais de hospedagem semelhantes ao adotado nos Estados Unidos, visto que sua construção se desenvolveu em uma ilha, local adequado para controlar questões de higiene e saúde, assim como a Castle Garden, construída em uma ilha artificial. (SVEJDA, 1968)

No Brasil, as hospedarias assemelharam-se no que tange ao seu funcionamento, sua estrutura e sua organização, visto que eram controladas pelo mesmo órgão, a Inspetoria Geral de Terras e Colonização. Por este motivo, para conhecer os procedimentos adotados na Hospedaria de Imigrantes do Cristal, uma comparação com as principais hospedarias do Brasil – do Brás e da Ilha das Flores – faz-se necessária.

Benzer Belgeler